Capítulo 141 — Falso! Falso demais!
por NexoNovelCapítulo 141 — Falso! Falso demais!
Wu Chen mantinha no rosto aquele leve sorriso de sempre. Quando percebeu que Li Maoren olhava em sua direção, sustentou o olhar com absoluta tranquilidade.
Li Maoren, por sua vez, apenas o observou de início, querendo ver que atitude ele tomaria ao encontrá-lo. E quanto mais calmo Wu Chen parecia, mais ele se convencia de que a filha havia armado tudo e treinado o rapaz de antemão. Calma demais, naquele caso, era justamente o que estava errado!
Era essa a atitude de alguém ao conhecer o “pai da namorada”?
Falso à primeira vista!
— Ligar antes? — Li Maoren voltou os olhos para a filha. — Para você ter tempo de se preparar para lidar comigo?
Devolveu a pergunta sem expressão alguma no rosto.
O semblante de Li Ruobing travou por um instante, mas logo ela abriu um sorriso. Era aquele sorriso frio e insolente que dizia: “Se der para conversar, conversamos. Se não der, eu vou embora.”
— Pai! Veio me pegar de surpresa, foi? A gente não tinha combinado que, enquanto a data não chegasse, você não se metia comigo?
A “data” a que ela se referia era o dia de acertar a aposta com Ding Ruilong.
Pai e filha abriram a boca e o ar já ficou com cheiro de pólvora.
Porque a relação entre os dois era ruim havia muito tempo.
No passado, Li Maoren usara a doença grave da esposa como pretexto para enganar Li Ruobing e trazê-la de volta à China. Depois, ainda tentara forçá-la a se casar…
Já haviam se passado alguns anos, mas a relação de Li Ruobing com a família nunca melhorara. Nos anos anteriores, quando Li Maoren telefonava, ela nem sequer atendia. Nos últimos dois anos, passou a atender, mas quase toda ligação acabava em briga.
— Você não é capaz nem de cuidar do seu irmão, deixa uma confusão desse tamanho estourar e ainda reclama porque eu vim para Donghai? — retrucou Li Maoren.
— E agora a culpa é minha? Você…
Li Ruobing não terminou.
— Ei, pai! Pai! Mana! Mana! Não briguem, não briguem! — Li Ruotai avançou alguns passos, tentando apaziguar às pressas. — Não comecem a discutir assim que se veem! Faz mais de meio ano que vocês não se encontram. Não briguem, não briguem…
Li Ruobing olhou para o irmão e perdeu a vontade de continuar.
Puxou Wu Chen, entrelaçou o braço no dele e voltou a exibir um sorriso escancaradamente falso. Encostou-se um pouco mais nele, aparentando muita intimidade, e apresentou-o ao pai com toda a solenidade:
— Pai! Vou apresentar oficialmente. Este é o meu namorado, Wu Chen!
Fazia aquilo de propósito, só para irritá-lo!
Sem esperar a reação do pai, Li Ruobing apresentou Li Maoren a Wu Chen.
— Querido, este é o meu pai. Você pode chamar de… Meu pai é alguns anos mais velho que o seu, então, por enquanto, chame de tio. Quando a gente se casar, você muda o jeito de chamar.
Ao falar com Wu Chen, a voz de Li Ruobing ficou extremamente suave, e o olhar que lhe dirigiu parecia cheio de amor.
Agora já falava até em casamento?
Mais falso ainda!
Li Maoren já ouvira da própria filha, cara a cara, que ela não pretendia se casar no futuro — embora a família quisesse que ela se casasse e entrasse para a família Ding!
— Tio, é um prazer conhecê-lo — disse Wu Chen, sorrindo.
Li Maoren olhou para ele sem mover um músculo do rosto.
E, quando o clima já ameaçava ficar constrangedor, ele surpreendentemente se levantou e estendeu a mão para Wu Chen.
Wu Chen estendeu a sua e apertou-a.
Pela etiqueta do aperto de mãos, quando um mais velho e um mais jovem se encontram, é o mais velho que deve estender a mão primeiro. Só então o mais jovem pode fazer o mesmo. Se o mais jovem toma a iniciativa diante de um mais velho, comete uma grande falta de educação.
Por isso Wu Chen não estendera a mão primeiro.
Se Li Maoren não quisesse cumprimentá-lo, Wu Chen só teria arranjado uma situação constrangedora para si mesmo!
Mas nem Li Ruobing esperava que o pai tomasse a iniciativa de apertar a mão de Wu Chen.
Tão cordial assim?
Por que não fora cordial desse jeito quando estava discutindo com ela?
Li Maoren também não tinha muita escolha.
O que mais poderia fazer?
Por poderoso que fosse, não conseguia controlar a filha. Podia discutir com ela quanto quisesse; algum dia, no futuro, ainda poderiam se entender.
Mas, se naquele momento partisse direto para cima de Wu Chen…
a filha provavelmente viraria a cara na hora, pegaria o rapaz e iria embora!
E não haveria mais conversa!
Li Maoren não temia nada do que Wu Chen pudesse fazer. Temia apenas que a filha lhe virasse as costas.
Naquele momento, ele queria desmascarar a farsa do namorado de fachada dela.
Por isso precisava, antes de tudo, fazer os dois sentarem!
Era preciso conversar!
Precisava expor a farsa. Depois, bastaria espalhar a notícia e aquela encenação da filha não teria como prosseguir.
— Jovem, nada mal. Conseguir chamar a atenção da minha Bingbing… Você deve ter alguma capacidade, não é? — disse Li Maoren enquanto lhe apertava a mão.
Havia, evidentemente, algo por trás daquelas palavras.
— Até que me viro. Mas em capacidade eu certamente não me comparo ao tio — respondeu Wu Chen, sorrindo.
— Sentem-se!
Li Maoren fez outro gesto e sentou-se primeiro.
Wu Chen e Li Ruobing acomodaram-se no sofá em frente, bem juntos.
Wu Chen, por hábito, ainda cruzou uma perna sobre a outra.
Sentar daquele jeito para “conhecer o pai da namorada” podia ser considerado bastante inadequado. Relaxado demais, casual demais.
Li Maoren, porém, não se irritou.
No fundo, achou até um pouco engraçado.
Quanto mais relaxado e casual Wu Chen parecia, mais falso ficava.
Estava “atuando demais”!
E Li Maoren queria exatamente encontrar mais falhas nele.
Li Ruobing notou a perna cruzada e também achou que não estava certo. Tocou de leve a lateral da perna dele, virou um pouco o rosto e lançou-lhe um olhar para que a baixasse.
Wu Chen apenas a olhou de relance, desviou os olhos e não fez caso.
Li Maoren viu tudo.
Sua primeira impressão foi de que Wu Chen não obedecia à filha.
Será que…
Mas logo pensou melhor.
Não!
Com a personalidade da filha, era impossível que ela escolhesse um homem que não a escutasse.
Aquilo, pelo contrário, só provava que era falso.
Mais uma atuação!
Li Ruotai continuava de pé ao lado deles, sem pensar em se sentar.
Não conseguia ficar quieto. Estava até um pouco nervoso.
Não por temer outra coisa, mas por medo de que a irmã e o pai voltassem a discutir e acabassem quebrando o lugar todo…
— Jovem Wu… há quanto tempo você e a minha Bingbing estão juntos? — Li Maoren abriu a conversa.
— Alguns meses. A gente se conheceu numa feira de recrutamento da universidade. Na época, Ruobing foi contratar gente na nossa faculdade…
Wu Chen contou algumas coisas de maneira casual.
— Acabou de se formar?
— Sim. Atualmente trabalho na empresa da Ruobing.
— O que você estudou na faculdade?
— Computação. Área de TI.
Parecia um cadastro sendo preenchido. Li Maoren perguntava, Wu Chen respondia.
Mas não havia nada de estranho nisso!
Afinal, aquilo era “conhecer a família”. Num primeiro encontro com os pais da namorada, esse tipo de conversa era o mais normal do mundo!
— TI é uma boa área. A tecnologia avança rápido, hoje tudo passa pela internet. E você, jovem Wu, o que pretende fazer daqui para a frente?
— Por enquanto… primeiro vou ajudar a Ruobing a abrir o capital da empresa.
— Ha! Você não pensa pequeno, hein, rapaz? — comentou Li Maoren com um leve sorriso.
Precisava dizer aquilo como uma exclamação bem-humorada. Se falasse com a cara fechada, soaria como ironia, e Li Ruobing certamente explodiria!
— Ah, é verdade, jovem Wu. Ainda não perguntei uma coisa — Li Maoren mudou o rumo da conversa. — O que a sua família faz?
— Tem um restaurante de lamian — respondeu Wu Chen, mantendo o sorriso. — Cidade pequena, negócio pequeno.
A expressão de Li Maoren se alterou um pouco na hora.
Na verdade, ele já sabia de tudo.
Li Ruotai havia investigado até os antepassados de Wu Chen, e Li Maoren tinha lido o dossiê.
O motivo de perguntar coisas que já sabia era simples: estava esperando Wu Chen mentir. Bastava uma mentira para ele ter motivo de virar a mesa e desmascará-lo!
Mas…
com exceção do “tempo de namoro com Li Ruobing”, algo que ninguém tinha como verificar, Wu Chen dizia tudo conforme a verdade.
Não parecia se incomodar nem um pouco em contar a uma figura do porte de Li Maoren que sua família tinha apenas um pequeno restaurante de lamian.
Era essa a sua origem, e pronto!
Li Maoren reajustou o estado de espírito.
— Seus pais estão bem de saúde? — voltou a perguntar.
— Muito bem. Nem chegaram aos cinquenta ainda. No ano em que fiz a prova para entrar na universidade, meus pais passaram por um check-up completo. Não apareceu nada.
Conversando com Li Maoren, Wu Chen estava realmente à vontade, casual, como se não sentisse a menor pressão.
— E o restaurante da sua família? Quanto rende por ano? Dá para cobrir as despesas?
— Dá, sim! Agora eu já comecei a trabalhar. Em casa ficaram só meus pais e minha irmã mais nova. O dinheiro da faculdade dela já foi separado há muito tempo. E não temos nenhuma despesa grande…
Tinha se transformado numa conversa comum de primeira visita à família, perguntando pela situação de casa!
Mas Li Ruobing, sentada ao lado de Wu Chen, e Li Ruotai, de pé ao lado, estavam com expressões cada vez mais estranhas.
Li Ruobing, sobretudo.
Por dentro, ela já entrava em pânico!
Pânico de verdade!
Conhecia o próprio pai. Sabia que, quanto mais ele agia daquele jeito, mais significava que estava tratando o assunto a sério. Numa situação assim, bastava Wu Chen dizer uma única coisa errada!
Se o pai encontrasse uma brecha sequer…
acabou!
Mais de dez minutos depois.
— Jovem Wu, você tem algum hobby? — Li Maoren continuava perguntando no tom de quem batia papo.
— Tenho. Vários — respondeu Wu Chen, sorrindo. — Caligrafia, pintura, música, combate livre, armas de fogo, carros…
— Armas? — Li Maoren o cortou de repente. — Você entende de armas?
Encontrou uma falha!
Com a origem familiar de Wu Chen, ele não teria como ter contato com armas de fogo!
A expressão de Li Ruobing mudou por completo.
Ela virou a cabeça para Wu Chen, sem entender como ele podia cometer um erro tão primário!
