Novels chinesas em português
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    Capítulo 391 — An Menglan, você não tem vergonha na cara?!

    Depois de beber, as pessoas costumam ter muito mais coragem do que o normal.

    Na verdade, nem An Menglan entendia direito o que se passava dentro dela.

    Chegava a achar que, se lá atrás Li Ruobing não lhe tivesse dito aquelas coisas, talvez ela nem prestasse tanta atenção, nem ligasse tanto para cada gesto de Wu Chen!

    Quanto mais prestava atenção, mais ligava, mais o conhecia!

    An Menglan vivia pensando no aviso de Li Ruobing, na aposta entre as duas, no que Li Ruobing dissera sobre o charme de Wu Chen.

    E vivia pensando se, afinal, ia acabar acontecendo alguma coisa entre ela e Wu Chen.

    Tem coisa que não resiste à imaginação! Quanto mais se pensa, mais fácil fica aceitar!

    Claro que, para An Menglan, numa coisa dessas, o homem tinha de estar à altura!

    Solteira a vida inteira, aos vinte e seis anos ela também estava numa idade de hormônios a todo vapor.

    E o álcool atiçou ainda mais as emoções.

    Não deu mais para segurar!

    ——

    Um novo dia!

    28 de julho de 2020.

    Às sete em ponto, Wu Chen acordou por um instante, mas logo voltou a pegar num sono profundo.

    Na véspera, só tinha ido dormir de verdade muito tarde.

    Sem que percebessem.

    Passava das oito da manhã.

    Dormindo, An Menglan se virou e sentiu que alguma coisa a “bloqueava”; não conseguia completar o movimento. E An Menglan não tinha o hábito de dormir abraçada a bicho de pelúcia.

    Abriu os olhos.

    Olhou meio zonza para o teto, virou a cabeça devagar, e os olhos se arregalaram de repente: viu Wu Chen dormindo pesado. Ele estava de lado, virado para ela, e o braço esquerdo dele estava debaixo do pescoço dela.

    Choque estampado no rosto inteiro!

    Ficou como que paralisada, lembrando muita coisa da noite anterior.

    A cabeça cheia de imagens!

    Ainda mais vendo Wu Chen ali ao lado: lembrava cada vez mais.

    An Menglan se recompôs um pouco, voltou devagar a cabeça para o teto e, com todo o cuidado, ergueu a coberta e espiou por baixo. Olhou uns dez segundos antes de baixá-la devagar.

    Dito e feito: tinha acontecido tudo o que tinha de acontecer.

    Ficou um bom tempo imóvel, mudando de cor sem parar, até finalmente se mexer: ergueu a coberta, levantou-se devagar e foi se arrastando para fora, pouco a pouco!

    Logo conseguiu sair sem acordar Wu Chen.

    Virou-se, sentou-se na beirada e calçou os chinelos com cuidado.

    Seguiu para o banheiro sem fazer barulho.

    Dois passos depois, franziu de leve a testa e, por reflexo, apoiou a mão na cadeira ao lado.

    Parou um instante.

    Aguentou firme e continuou até o banheiro, devagar, sem um ruído. Entrou no banheiro privativo do quarto e fechou a porta de mansinho.

    Olhou-se no espelho.

    Viu muitas marcas pelo corpo.

    Diante do espelho, voltou a se lembrar de muita, muita coisa.

    Ficou vermelha!

    Não conseguia imaginar como tinha cooperado com Wu Chen para fazer isso, isso e aquilo! E parecia que tinha tomado mais iniciativa do que ele?

    E, além do mais, sem nenhuma proteção.

    Será que podia engravidar?

    Ficou cinco minutos inteiros diante do espelho.

    Enfim se mexeu.

    Tomou uma ducha rápida e vestiu o roupão branco do hotel.

    Amarrou a faixa, foi sem fazer barulho até a porta do banheiro, abriu uma fresta e espiou. Confirmou que Wu Chen continuava dormindo pesado, abriu a porta devagar e saiu.

    A porta do quarto estava aberta.

    An Menglan saiu direto.

    A sala!

    A sala da suíte não era só enorme; era luxuosíssima, cheia de objetos de decoração refinados. Agora, porém, alguns estavam fora do lugar!

    Nem dava para saber como tinham sido derrubados.

    An Menglan ia andando, olhando e lembrando. Na sala de piano, achou o próprio vestido…

    Mais alguns minutos, depois de dar uma volta pela suíte, voltou à sala e se sentou no sofá. Começou a fazer um “exame de consciência”! Como é que tinha feito uma coisa daquelas?

    Podia jurar!

    Só queria testar Wu Chen; nem tinha pensado em beijá-lo de novo na noite anterior! Não tinha medo de beber demais e acontecer alguma coisa, porque sabia que, se ela não tomasse a iniciativa, Wu Chen não faria nada com ela!

    Mas, na noite anterior, ela tinha tomado a iniciativa!

    An Menglan chegou a duvidar de si mesma: será que era uma mulher ruim, do tipo que dá em cima do namorado das outras?

    — An Menglan, você não tem vergonha na cara… — murmurou ela, sentada no sofá, de cabeça jogada para trás, com o rosto entre as mãos. O que não sabia era que uma mulher dezesseis anos mais velha já tinha dito exatamente aquilo!

    An Menglan não estava em paz consigo mesma.

    Mas, naquele momento, quem ocupava a cabeça dela não era Wu Chen!

    Era Li Ruobing!

    Se Li Ruobing não existisse, An Menglan achava que ela e Wu Chen já estariam juntos, com toda a naturalidade!

    Agora… An Menglan nem sabia como encarar Wu Chen, nem, se Li Ruobing ficasse sabendo, como encararia Li Ruobing.

    Toda a pressão vinha de Li Ruobing!

    Mas!

    Na verdade, An Menglan já tinha sentido aquela pressão ao acordar na manhã de anteontem! Naquela vez, achara por engano que alguma coisa tinha acontecido entre ela e Wu Chen… Ou seja, era a segunda vez que sentia a mesma pressão!

    E agora aguentava muito melhor!

    Sem que percebesse, passou das nove.

    An Menglan finalmente se resolveu, ou melhor, decidiu o que fazer. Recompôs-se, pegou o celular, que achara antes na sala de piano, e fez uma ligação.

    Um minuto depois.

    No instante em que bateram à porta, An Menglan, que já esperava ali, abriu na hora.

    Do lado de fora estava Liu Jing, que ela tinha chamado por telefone!

    An Menglan a puxou para dentro, fechou a porta depressa e fez “shhh”, pedindo que falasse baixo, com um jeito meio furtivo.

    Liu Jing piscou, sem entender nada.

    An Menglan não a deixou entrar mais; as duas ficaram no hall de entrada.

    — Irmã Jing, vai comprar… umas coisas pra mim — disse An Menglan, apertando os lábios, com um olhar nada natural.

    — Comprar o quê? — perguntou Liu Jing, estranhando.

    Achava An Menglan esquisita: se era para comprar alguma coisa, bastava ter dito por telefone. Por que precisava falar pessoalmente?

    — É que… umas coisas de mulher — disse An Menglan, rodeando, sem conseguir dizer.

    — Ah… absorvente — disse Liu Jing, com cara de quem entendeu, e logo estranhou: — Não, peraí, chefe. A sua menstruação não vem lá pelo meio do mês?

    — Não é isso — disse An Menglan, apertando os lábios de novo.

    — Então o quê? — perguntou Liu Jing, piscando.

    — É que… — An Menglan hesitou, tomou coragem, chegou depressa ao ouvido de Liu Jing e sussurrou uma frase!

    E se endireitou na hora, passando a mão pelo cabelo, tentando parecer o mais natural possível. Não parecia nada natural.

    Liu Jing arregalou os olhos!

    Ficou chocada pra caralho!

    Achou que tinha ouvido errado, mas a cara nada natural de An Menglan já dizia: não tinha ouvido errado!

    An Menglan queria que ela comprasse uma pílula anticoncepcional!

    — Chefe, chefe, você, você, você ontem com… o senhor Wu? — Liu Jing estava tão chocada que mal conseguia falar; ergueu a mão e apontou, gesticulando para dentro da suíte.

    — Ai, não pergunta! Vai lá e pronto! — cortou An Menglan, baixinho, já com as bochechas meio vermelhas.

    Liu Jing continuava com cara de choque.

    Vale dizer que Liu Jing não sabia da aposta, mas sabia que Wu Chen tinha namorada.

    An Menglan confiava muito em Liu Jing.

    Como assistente pessoal, Liu Jing era praticamente quem mais conhecia o dia a dia dela.

    Por isso An Menglan lhe confiava uma “missão importante” daquelas.

    Ir comprar pessoalmente, nem pensar. A vergonha era só uma parte; o principal era quem ela era. Mesmo toda coberta, ir comprar remédio era arriscado!

    O porte, a voz, outros traços… Se desse de cara com um fã fanático, mesmo embrulhada feito um zongzi, seria reconhecida!

    Além disso, An Menglan não tinha certeza se Li Ruobing tinha mandado alguém vigiá-la.

    Com o poder dos irmãos Li em Donghai, ficar de olho nela seria facílimo.

    — Põe máscara, vai comprar num lugar mais longe. E aproveita e me traz uma muda de roupa. E lembra… — An Menglan deu mais algumas instruções.

    Alguns minutos depois.

    Liu Jing saiu para as compras.

    An Menglan voltou ao quarto.

    Foi na ponta dos pés até a janela, desamarrou o roupão e o jogou numa cadeira; depois ergueu a coberta, deitou-se e foi se ajeitando com cuidado para o meio da cama. Queria deixar tudo “como estava antes”.

    Mas Wu Chen se mexeu naquele momento.

    Ia acordar!

    An Menglan, sem pensar duas vezes, deitou-se no braço dele.

    Wu Chen a abraçou e virou um pouco, passando de lado para de costas; logo em seguida, os cílios se mexeram e ele abriu os olhos.

    Acordou.

    Aconchegada no peito dele, An Menglan erguia um pouco a cabeça, olhando para ele.

    Wu Chen piscou para o teto e então baixou os olhos para ela.

    Os olhares se encontraram.

    Nota