Capítulo 225 — Dar uma lição nela e depois mandar embora!
por NexoNovelCapítulo 225 — Dar uma lição nela e depois mandar embora!
Aquela tossida de Wu Chen deixou He Xinxin tensa na hora. Ela chegou a lançar-lhe um olhar furioso, com uma expressãozinha que o advertia a não se meter onde não era chamado.
Ansiosa junto ao portão, He Shiqin ouviu a tosse leve e virou a cabeça na direção dele. Naturalmente não o conhecia, mas se aproximou depressa.
— Com licença, você viu uma menina mais ou menos desta altura? É minha filha, tem catorze anos. Ela deve ter acabado de sair correndo daqui… — perguntou, falando e gesticulando ao mesmo tempo.
Wu Chen sorriu sem dizer nada. Apenas ergueu a mão e apontou para trás do Mercedes-Benz.
Entregou He Xinxin na mesma hora.
He Shiqin virou a cabeça para olhar, e He Xinxin se escondeu do outro lado do carro.
— He! Xin! Xin! Você ainda se atreve a fugir?! — gritou He Shiqin, avançando depressa.
He Xinxin se abaixou e começou a dar voltas ao redor do carro para se esconder da mãe. Depois de uma volta, ainda tentou escapar, mas Wu Chen já havia chegado ao lado do carro. Agarrou o capuz da roupa larga da menina e a ergueu por ele.
He Shiqin, que acabava de contornar o carro, viu a cena, voltou depressa e agarrou o pulso da filha.
— Sua pestinha, está brincando de esconde-esconde comigo? Você ainda vai me matar de raiva… — He Shiqin estava furiosa.
Os olhos de He Xinxin voltaram a ficar vermelhos, mas ela não discutiu com a mãe. Em vez disso, lançou um olhar furioso para Wu Chen. Também não entendia o que havia de errado com aquele jovem: ele claramente a conhecia e ainda assim a tinha entregado.
— Obrigada, obrigada mesmo. — He Shiqin agradeceu várias vezes a Wu Chen. Tinha ficado realmente apavorada. Nunca brigara tão feio com a filha, e era também a primeira vez que a menina saía correndo daquele jeito, como se quisesse fugir de casa.
— Não precisa agradecer, não foi nada. — Wu Chen já havia soltado o capuz de He Xinxin. Com uma das mãos no bolso, perguntou, sorrindo: — Vocês brigaram de novo… por causa de desenho?
— Foi… hein? — He Shiqin respondeu por reflexo e então congelou.
Ela não conhecia aquele jovem, mas ele parecia conhecer as duas. Até sabia dos desenhos?
— Você é… — perguntou He Shiqin, hesitante e insegura. Examinou Wu Chen de cima a baixo. Ele parecia um jovem herdeiro muito rico; pela marca do terno e pelo relógio, ela percebeu isso de relance.
Também viu a chave do Mercedes-Benz na mão esquerda dele.
Mesmo olhando com atenção, He Shiqin não conseguia lembrar quem era aquele jovem.
— Nestes últimos dias, você não me mandou, aos poucos, vários desenhos a lápis da Xinxin? O autorretrato dela também, e aquele retrato seu que ela desenhou… — disse Wu Chen, sorrindo, num tom de quem dava uma pista.
He Shiqin ficou paralisada por um instante e então se deu conta.
— Você… você é Xingchen… — Ficou extremamente surpresa e feliz, mas ao mesmo tempo mal conseguia acreditar, porque Wu Chen era jovem demais.
— Xinxin desenha muito bem. Reconheci vocês duas de primeira — disse Wu Chen, sorrindo outra vez.
— Professor Xingchen, é mesmo você! Você é tão jovem!
— Vamos nos apresentar formalmente. Wu Chen.
— Professor Wu, prazer, prazer. Eu sou He Shiqin, e esta é minha filha, He Xinxin…
Os dois apertaram as mãos e se conheceram formalmente.
He Shiqin estava especialmente feliz. Depois de se apresentar, ainda puxou a filha e disse:
— Xinxin, este é o professor Xingchen de quem eu falei. Vamos, cumprimente seu professor…
He Xinxin não disse nada. Ficou plantada ali de um jeito bem infantil, de olhos vermelhos, encarando Wu Chen como se quisesse matá-lo só com o olhar.
Agora estava ainda mais irritada.
Muito mais!
Porque a briga repentina entre He Shiqin e He Xinxin tinha acontecido justamente por causa de Wu Chen.
Mais de dez minutos antes, depois da conversa por telefone com ele, He Shiqin começara a se preparar. Era a primeira visita do professor, e ainda nem se sabia se ele aceitaria ensiná-la.
Naturalmente, ela queria que a filha causasse uma boa impressão. Não só mandou He Xinxin revirar tudo para encontrar todos os desenhos a lápis que já tinha feito, como também a advertiu a não irritar o professor outra vez, dizendo algumas coisas duras sobre o que aconteceria se fizesse isso.
Só que He Xinxin já não queria aprender a desenhar havia muito tempo. Estava na fase rebelde… discutiu algumas frases com a mãe, uma coisa levou à outra e as duas acabaram brigando.
E então aconteceu a cena que Wu Chen viu assim que chegou ao portão do residencial…
Também por causa disso, He Shiqin saíra correndo atrás da filha, que batera a porta ao sair, e naturalmente não levara o celular. O aparelho ficara em casa. Foi por isso que ninguém atendeu quando Wu Chen ligou.
He Xinxin continuava encarando Wu Chen.
A impressão que tinha dele já era péssima; agora estava ainda pior! Em sua cabecinha, já começava a planejar como expulsar aquele professor detestável. Não! Primeiro daria uma lição nele, depois o expulsaria!
— Essa menina… — murmurou He Shiqin ao ver que a filha não falava. Também não era conveniente repreendê-la mais, afinal estavam na rua.
— Pro… Professor Wu, vamos subir e conversar. Olha só… ai, que vergonha fazer você presenciar isso. — He Shiqin suspirou.
— Está bem. — Wu Chen assentiu.
Alguns minutos depois.
Residencial Shiji Huayuan, bloco 3, apartamento 702.
O apartamento tinha cerca de cento e vinte metros quadrados, três quartos e duas salas, com uma reforma caprichada. Não tinha aquele ar luxuoso e impecável de apartamento decorado de exposição, mas era muito acolhedor, cheio de sinais da vida cotidiana de uma família. A casa era grande, embora apenas He Shiqin e He Xinxin sempre tivessem morado ali.
Depois de entrar, Wu Chen olhou ao redor.
Na verdade, nem precisava olhar para saber como era o lugar. Durante os ciclos, já estivera ali muitas vezes. Sabia que, dos três quartos, dois eram dormitórios e o outro… era o ateliê de desenho de He Xinxin.
— Professor Wu, os chinelos… — He Shiqin trouxe um par para ele.
He Xinxin, que fora arrastada de volta à força, soltou a mão da mãe assim que chegou em casa, entrou furiosa no próprio quarto e bateu a porta.
Bang!
O estrondo foi alto.
— Essa menina… — murmurou He Shiqin, suspirando. Mas não foi repreender a filha, porque Wu Chen estava ali. Se as duas tivessem outra briga enorme na frente dele, provavelmente acabaria qualquer possibilidade de convidá-lo para ser professor particular.
— Professor Wu, sente-se aqui… — He Shiqin voltou a recebê-lo com toda a cortesia.
Durante mais de uma hora depois disso.
He Shiqin serviu chá a Wu Chen, trouxe frutas e falou bem da própria filha.
Também trouxe uma pilha enorme de desenhos antigos de He Xinxin para ele ver.
He Shiqin era extremamente calorosa e educada, porque sentia que Wu Chen só podia ser uma de duas coisas: ou um jovem herdeiro muito rico e de excelente educação, ou um jovem pintor genial. Caso contrário, seria difícil explicar por que parecia ter tanto dinheiro.
E era perfeitamente possível que fosse as duas coisas ao mesmo tempo.
Quanto à habilidade de Wu Chen com desenho, He Shiqin não tinha a menor dúvida.
Na opinião dela, Wu Chen era como aqueles mestres famosos e mais velhos que não precisavam de dinheiro. Aceitar ou não um aluno dependeria da qualidade do estudante, e não de quanto lhe oferecessem.
— Professor Wu, veja… a Xinxin fez este desenho aos cinco anos, no jardim de infância. Na época ela nunca tinha estudado, mas já desenhava melhor que as outras crianças. Até os professores elogiavam… — He Shiqin entregou a Wu Chen outro desenho, numa folha já um pouco amarelada pelo tempo.
Não era um desenho a lápis, mas uma aquarela, naturalmente cheia da imaginação infantil.
Wu Chen pegou a folha, olhou e sorriu.
— Ela realmente tem talento. O desenho é muito imaginativo…
Praticamente tudo o que havia para mostrar a Wu Chen já tinha sido mostrado.
He Shiqin olhou o relógio na parede, levantou-se e disse:
— Professor Wu, se você não tiver outro compromisso, fique para almoçar. Vou começar a cozinhar agora. Depois do almoço, podemos conversar mais. O que acha?
— Está bem. — Wu Chen assentiu.
He Shiqin abriu um sorriso imediatamente e gesticulou enquanto falava:
— Então fique à vontade, professor Wu. Pode olhar o que quiser… o ateliê é aquele quarto… vou preparar o almoço agora…
Depois disso, foi para a cozinha.
Wu Chen se levantou, tirou o celular, mexeu nele por alguns instantes, guardou-o de novo e então caminhou em direção ao ateliê.
O cômodo não era grande, mas, para um ateliê, também não era pequeno. Estava um pouco bagunçado: cadeira, cavalete, prancheta de desenho e uma caixa cheia de lápis sobre a mesa.
Wu Chen entrou e olhou ao redor, sem pressa.
Ao mesmo tempo, a porta do quarto ao lado se abriu por uma fresta.
He Xinxin observou a sala e só então abriu a porta por completo e saiu. Conseguia ouvir os sons vindos da cozinha. Procurou um pouco e logo viu Wu Chen no ateliê, de costas para a porta.
Ela entrou no ateliê e fechou a porta imediatamente.
Depois encostou-se nela, como se estivesse bloqueando a saída.
Wu Chen se virou e lançou um olhar para He Xinxin.
— Ai! Por que você está me batendo?! Para de me bater! — Assim que abriu a boca, He Xinxin falou num tom ao mesmo tempo assustado e magoado.
