Novels chinesas em português
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    Capítulo 351 — Aprendeu coisas ruins com Wu Chen!

    An Menglan ficou chocada!

    Song Xuan também! De olhos arregalados, encarava Li Ruobing, espantadíssima.

    O clima da sala despencou na hora para o ponto de congelamento!

    Até ali, An Menglan só achava que Li Ruobing tinha um desejo de controle e de posse forte demais, que tinha medo de que outra mulher lhe roubasse Wu Chen e, por isso, interpretara mal a relação entre os dois… E ela já tinha explicado.

    Nem em sonho An Menglan imaginaria que Li Ruobing fosse tão direta, a ponto de ter coragem de dizer na cara dela uma coisa tão absurda!

    Li Ruobing tinha mesmo parado de fingir!

    Chamada de mulher mais velha, recebida com um aparato para intimidá-la… com o gênio que tinha, claro que não ia engolir. Tudo bem que era mal-entendido; se a outra parte tivesse pedido desculpas e explicado, ainda passava. Mas não houve explicação nenhuma, e ainda desconfiavam que era ela quem controlava Wu Chen, insistindo no assunto bem na cara dela.

    Li Ruobing não era impaciente, mas dependia de com quem estava lidando!

    Desde antes de chegar, já sentia certa hostilidade por An Menglan. Era a mesma hostilidade que sentia por Wu Yurong… A posição de An Menglan não ficava nada abaixo da dela! Por isso podia representar uma “ameaça”!

    Naquele momento, An Menglan e Wu Chen não tinham relação especial nenhuma, mas… os truques de Wu Chen, ninguém conhecia melhor do que Li Ruobing!

    Achava necessário fazer alguma coisa de antemão!

    Se não conseguia controlar Wu Chen, será que também não conseguia controlar você, que queria virar uma “irmãzinha”?

    O silêncio na sala durou mais de dez segundos.

    — Senhorita Li. — An Menglan apertou os lábios, recolheu boa parte do sorriso e a olhou nos olhos. — Não sei por que você faria uma pergunta dessas, mas não acha que falar assim é muito indelicado?

    — Será? — Li Ruobing sorriu para ela, recolheu o sorriso logo em seguida e indicou a porta com um gesto. — Então montar todo esse aparato hoje pra me receber foi muito educado, é isso? Qual é a ideia? Me assustar?

    An Menglan ficou visivelmente sem graça. O jeito de montar aquele aparato tinha sido decidido por ela e Song Xuan juntas; explicasse como explicasse, nesse ponto a razão não estava do lado dela.

    — Senhorita Li! — Song Xuan se levantou de repente, meio aflita. Sentia que as duas iam brigar e quis apaziguar a situação. — Isso foi culpa minha. Senhorita Li, desculpa, eu peço desculpas!

    E fez uma reverência para Li Ruobing.

    Depois pegou a taça e disse, com a voz mansa e cheia de culpa:

    — Senhorita Li, deixa eu brindar a você, como forma de pedir desculpas, pode ser?

    Ainda sem ter saído da faculdade, Song Xuan não estava acostumada a ocasiões sociais “formais” como aquela, e não tinha como se mostrar tão serena quanto An Menglan.

    Mas, quando errava, pedia desculpas. Era o jeito dela.

    Li Ruobing olhou para Song Xuan, de taça em punho, sorriu de leve e ergueu a sua em resposta.

    Desculpas aceitas.

    Li Ruobing não tinha a menor intenção de implicar com uma “menininha” como Song Xuan. Song Xuan já não era tão menina assim, mas, afinal, ainda era estudante.

    Também não ia pensar nada contra ela só por ser filha de Wu Yurong; não ia descontar nela. Aos olhos de Li Ruobing, Song Xuan não representava ameaça nenhuma!

    Depois do brinde das duas, o clima na sala aliviou bastante.

    An Menglan viu Li Ruobing pousar a taça, mas não achava que tivesse de pedir desculpas.

    Em princípio, devia.

    Mas Li Ruobing tinha lhe dito uma coisa ofensiva demais! Ela também tinha seu gênio!

    — Senhorita An, não vai me responder? — Li Ruobing, com a taça já pousada, voltou a olhar para ela. — Você tem meu senhor Wu em tão alta conta… afinal, quando pretende ir com ele…

    — Senhorita Li! — An Menglan a interrompeu e, franzindo de leve a testa, continuou: — Você não acha isso um absurdo? Eu e o senhor Wu nos conhecemos hoje. Do que exatamente você desconfia?

    — Foi você que veio a Donghai procurar ele, não foi? — rebateu Li Ruobing.

    — Fui! — admitiu An Menglan. — Mas vim falar de contrato e estreia, não pra ter alguma coisa com ele. Você mesma disse que eu nem conheço ele direito. Não pode achar que a gente vai ter alguma coisa só porque eu… elogiei ele, pode?

    — Se você não conhece ele, por que acha que sou eu que não deixo ele estrear? Acha que eu controlo ele, e não que ele não quer mesmo? Senhorita An, pode me dizer como você enxerga a mim, Li Ruobing? Me acha dominadora? Acha que eu não sou razoável? — Li Ruobing disparou uma série de perguntas, olhando-a nos olhos.

    An Menglan não soube responder.

    Não por falta de resposta, mas porque era difícil dizê-la em voz alta! Tinha mesmo um preconceito contra Li Ruobing, ou melhor, um “estereótipo” formado a partir dos boatos!

    — Você acha que sou eu que impeço o Wu Chen de seguir no meio artístico e, por isso, é hostil comigo, não é? — insistiu Li Ruobing.

    De novo An Menglan ficou sem resposta, porque era exatamente o que pensava!

    A sala voltou a ficar em silêncio!

    A presença de Li Ruobing intimidava, e An Menglan não tinha a mesma lábia. Dava para dizer que Li Ruobing tinha “dominado” por completo An Menglan e Song Xuan.

    — O meu senhor Wu… faz muito sucesso com as mulheres — disse Li Ruobing, com a mão na taça. Por reflexo, ergueu-a e girou de leve e, ao terminar de falar, também por reflexo, lançou um olhar de canto a Song Xuan.

    Não ia dizer nada a Song Xuan sobre Wu Yurong. Uma baixeza dessas, ela não era capaz de fazer.

    An Menglan sentiu que havia algo nas entrelinhas, mas não fazia ideia do que Li Ruobing estava insinuando.

    — Senhorita An. — Li Ruobing fez uma pausa e voltou a encará-la. — Que tal sermos francas? É só você me dizer: você! Quando! Vai com o Wu Chen…

    — Isso é um absurdo! — An Menglan voltou a interromper, a ponto de rir de raiva. — Senhorita Li, vou repetir! Vim procurar o senhor Wu pra contratá-lo pela minha empresa e fazê-lo estrear oficialmente como cantor. Admiro muito o talento dele, e só isso. O que você está dizendo simplesmente não vai acontecer!

    — Não vai? — devolveu Li Ruobing.

    — Não! — disse An Menglan, com toda a certeza!

    — Tem certeza? — perguntou Li Ruobing de novo.

    — Tenho. Certeza absoluta! — frisou An Menglan.

    Li Ruobing fez uma pausa e então, olhando-a nos olhos, disse:

    — Não acredito!

    Naquele instante, An Menglan sentiu vontade de surtar. Chegou a se perguntar se Li Ruobing não tinha algum problema! Queria explodir, mas se segurou.

    Porque, revendo tudo desde o começo, quem estava um pouco errada era ela! Fora ela quem primeiro se mostrara hostil, montando aquele aparato!

    E, mais importante, se aquilo vazasse, seria péssimo para a reputação dela. Sendo do meio artístico, An Menglan sabia muito bem o poder de um boato!

    — Senhorita Li, acredite ou não, entre mim e o senhor Wu não existe nada — disse An Menglan. — Eu admiro o talento dele. Se ele não estrear, vai ser uma perda para todo o cenário musical de língua chinesa. A senhorita Li não é do meio musical, talvez não entenda que tipo de milagre o senhor Wu criou…

    Mesmo naquela hora, An Menglan não tinha desistido de fazer Wu Chen estrear. Também não tinha motivo para se sentir culpada; quem não deve não teme, e as suspeitas de Li Ruobing eram um problemão!

    Ainda queria convencê-la!

    — Vamos fazer uma aposta — disse de repente Li Ruobing, que até então só ouvia, interrompendo-a.

    An Menglan travou um instante antes de perguntar:

    — Aposta? Apostar o quê?

    — Se você vai ou não se apaixonar pelo Wu Chen — disse Li Ruobing, olhando-a nos olhos, com uma expressão sutil.

    Tinha “aprendido coisa ruim”!

    Com Wu Chen!

    As pessoas mudam, e Li Ruobing também. Wu Chen a pegara em armadilhas tantas vezes que, naturalmente, ela acabara aprendendo umas coisas!

    Ao mesmo tempo.

    No corredor de fora havia uma bifurcação; no pequeno corredor que saía dela ficavam, um de cada lado, os banheiros masculino e feminino.

    Wu Chen já tinha saído do banheiro masculino, mas não deixara o corredorzinho. Estava parado no fim dele, com uma das mãos no bolso, olhando pela janela.

    Como quem espera alguma coisa.

    E esperava, sim: alguém!

    Plim! Do outro lado do corredor comprido, a porta do elevador se abriu.

    — Chefe!

    — Chefe!

    Os guarda-costas no corredor cumprimentaram quem chegava.

    Wu Yurong tinha chegado!

    Ao ouvir o movimento, Wu Chen se virou e foi saindo.

    — Como estão as coisas? — Wu Yurong vinha a passos rápidos pelo corredor, perguntando enquanto andava.

    — Por enquanto nada. Estão lá dentro jantando — respondeu um guarda-costas.

    Os passos se aproximavam da bifurcação. Logo Wu Yurong ia passar diante dela, e, no mesmo instante, Wu Chen saiu do corredorzinho. Os dois deram de cara um com o outro.

    Wu Yurong ficou surpresa por um instante ao vê-lo; depois foi direto até ele, segurou-o pelo braço e voltou com ele para dentro do corredorzinho, perguntando baixinho enquanto andavam:

    — O que tá acontecendo? A Li Ruobing e a minha filha… estão tendo algum conflito?

    Bastou abrir a boca, e o tom de Wu Yurong ficou, por reflexo, muito mais suave e doce.

    Nota