Novels chinesas em português
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    Capítulo 355 — Você com certeza não aceitaria, não é?

    Distrito de Beicheng, Zunrong · Donghai Huafu, villa nº 36.

    Suíte principal do segundo andar.

    Trim, trim…

    O celular sobre o criado-mudo tocou de repente. A tela acendeu e mostrou quem ligava: An Menglan!

    Era o celular de Wu Chen, mas ele não estava no quarto. Li Ruobing também não.

    A cama ainda estava toda revirada, como se os donos tivessem acabado de se levantar e não tivessem dado tempo de arrumar. Do banheiro vinha o barulho contínuo da água correndo, mas… não era só o barulho da água…

    Trim, trim… O celular continuou tocando. Só depois de dezenas de segundos a chamada caiu sozinha, sem ser atendida.

    Um minuto depois, o celular voltou a tocar, e de novo ninguém atendeu.

    Uma hora depois.

    Por volta das nove e meia.

    A porta do banheiro se abriu. Enrolada numa toalha, Li Ruobing saiu com o rosto corado, a expressão bem mais sedutora que de costume. Estava, como se diz, radiante.

    Wu Chen saiu um pouco depois, com uma toalha na mão, enxugando o cabelo enquanto andava.

    — Querido, hoje é sábado. Combinei de fazer compras com a Qingying. Vem junto? — perguntou Li Ruobing, sentada diante da penteadeira, abrindo a base.

    — Vão vocês duas. — Wu Chen foi até o guarda-roupa, abriu a porta, tirou a toalha e começou a escolher a roupa.

    — E você vai fazer o quê hoje? — Li Ruobing olhou de canto para ele e, sem perceber, mediu-o de cima a baixo. Mulher também gosta de olhar; só depende de quem está na frente.

    — Tenho umas coisas pra resolver — disse Wu Chen, sorrindo.

    — Que coisas? Com quem? — insistiu Li Ruobing.

    — Com a An Menglan! — respondeu Wu Chen, direto.

    — A An Menglan? — Li Ruobing ergueu uma sobrancelha, e o sorriso dela ficou meio esquisito. — Tá tão confiante assim? Acha que ela ainda vai te procurar? Depois do circo que a Wu Yurong armou ontem, ela ficou apavorada!

    — Vai procurar — disse Wu Chen, sorrindo, sem explicar mais.

    — Parece que você conhece ela muito bem — comentou Li Ruobing, também olhando para ele, sem perder o sorriso.

    — Eu sou corretor de informações, ué — disse Wu Chen, sorrindo.

    — Mentiroso! — ralhou Li Ruobing, dengosa.

    Fazia tempo que ela não acreditava mais nessa história de corretor de informações! O que Wu Chen fazia estava muito além do alcance de qualquer suposto corretor de informações!

    Poucos minutos depois, Wu Chen já estava vestido.

    Foi até o criado-mudo e pegou o celular. E parou. A tela acendeu, e ele viu dois avisos de chamada perdida.

    As duas de An Menglan!

    — Já vou indo — disse Wu Chen, virando-se para Li Ruobing.

    — Hã? — Li Ruobing, que desenhava a sobrancelha, virou-se para ele, intrigada. — Já? Vai fazer o quê?

    — Ela ligou. Agora há pouco, enquanto a gente tava no banho. — Wu Chen balançou o celular para ela.

    Li Ruobing estreitou os olhos, depois sorriu de lábios fechados e fez um gesto para ele:

    — Boa sorte!

    Wu Chen ficou até meio sem palavras diante de Li Ruobing. Ela ainda tinha coragem de dizer “boa sorte”. Não sabia se aquilo era racionalidade demais ou desprendimento demais!

    Poucos minutos depois.

    Wu Chen saiu pelo portão sul do condomínio dirigindo a Lamborghini, que os guarda-costas de Li Ruobing tinham trazido de volta na noite anterior. Assim que entrou na avenida principal, tirou o celular.

    Ligou de volta para An Menglan!

    Ela atendeu na hora!

    — Alô, senhor Wu?

    — Senhorita An, eu tava longe do celular agora há pouco. Você me ligou? — disse Wu Chen.

    — Ah… liguei. Queria conversar com mais calma sobre a nossa parceria. Senhor Wu, você tem um tempo? Quando for bom pra você, a gente se encontra de novo… — disse An Menglan.

    — Tenho agora mesmo. Acabei de sair de casa. Vê o que é melhor pra você; por mim, qualquer horário serve… — respondeu Wu Chen.

    — Hum… então… vamos marcar um lugar… — disse An Menglan, pensando.

    Meia hora depois.

    Segundo andar do Hotel Jiahua.

    Restaurante Ocidental Jiahua.

    O restaurante fazia parte do hotel, mas era aberto ao público! Qualquer um podia comer ali.

    Como Wu Chen dissera que já tinha saído de casa, An Menglan não quis deixá-lo esperando muito e marcou logo no restaurante do andar de baixo. Assim, ela economizava o tempo de deslocamento.

    Pouco depois das dez, Wu Chen apareceu no Restaurante Ocidental Jiahua.

    Escolheu uma mesa qualquer, pediu um café e avisou ao garçom que esperava alguém. O serviço ali era de altíssimo nível, e o garçom não o incomodou além do necessário.

    Sem que percebesse, passaram-se mais vinte minutos.

    De máscara e óculos escuros, An Menglan apareceu na entrada do corredor do restaurante. Àquela hora quase não havia clientes, e o salão enorme parecia vazio.

    An Menglan correu os olhos pelo salão e logo viu Wu Chen junto à janela.

    Toc, toc, toc!

    O som dos saltos foi se aproximando.

    Wu Chen virou a cabeça, sorriu e ergueu a mão num cumprimento. An Menglan chegou à mesa, tirou a máscara e disse:

    — Desculpa, senhor Wu, fiz você esperar.

    — Acabei de chegar — disse Wu Chen, sorrindo.

    O atraso dela era compreensível. Devia ter trocado de roupa e se maquiado.

    Depois que An Menglan se sentou, Wu Chen chamou o garçom que estava por perto.

    Ao se aproximar, o garçom ficou visivelmente surpreso: tinha reconhecido a superestrela An Menglan! Mas foi só um instante. Os garçons dali tinham treinamento rigoroso e não podiam incomodar os clientes. Mesmo sendo celebridade, era expressamente proibido pedir foto ou autógrafo!

    An Menglan também pediu um café.

    E os dois foram direto ao assunto da parceria!

    Ela só queria tratar de trabalho com Wu Chen! Não queria tocar na noite anterior!

    — …Senhor Wu, na verdade, eu acho que, se você assinasse direto com a minha empresa como compositor e letrista contratado, seria melhor pra nossa parceria… — disse An Menglan, sorrindo, renovando o convite.

    — Não é impossível. — Wu Chen pensou um pouco e sorriu. Então mudou o tom: — Mas… senhorita An, a gente ainda não se conhece bem. Se eu te pedisse um preço inacreditável, você com certeza não aceitaria, não é?

    A conversa dos dois tinha todo o clima de uma negociação comercial!

    — Inacreditável… como assim? — perguntou An Menglan, depois de pensar um pouco, muito interessada.

    — Por exemplo: eu abro um estúdio. — Wu Chen olhou para ela. — Aí peço que você use cinquenta por cento das ações da empresa que está no seu nome pra incorporar o meu estúdio… uma troca de participação societária! Você aceitaria?

    An Menglan travou!

    Chegou a arregalar um pouco os olhos!

    O apetite de Wu Chen só podia ser descrito como inacreditável! Pedir cinquenta por cento das ações de cara era, de fato, um preço absurdo!

    A gravadora independente no nome de An Menglan não se comparava a alguns gigantes do setor, e muito menos ao império do entretenimento controlado pela família dela, mas, ainda assim, valia mais de três bilhões!

    E era bom lembrar que a própria An Menglan, como artista, também estava na empresa!

    Só ela, sozinha, já respondia por um valor de mais de um bilhão! E isso porque estava em semiaposentadoria; senão, seria ainda mais!

    Embora estivesse semiaposentada e tivesse migrado para os bastidores, dedicando-se sobretudo a formar novos artistas e descobrir talentos, a empresa ainda tinha alguns cantores e cantoras de primeira linha! Todos no auge! E havia ainda mais gente em ascensão!

    Nessas condições, Wu Chen queria entrar na empresa como compositor e letrista e tinha a ousadia de pedir de cara cinquenta por cento das ações?!! Queria simplesmente levar metade de tudo o que ela construíra em todos aqueles anos?!!

    An Menglan voltou a ter a sensação de que alguém tinha “enlouquecido”!

    Song Xuan já lhe contara que Wu Chen cobrava cem mil pela letra e música de uma canção, mais cinquenta por cento da receita!

    Era exagerado demais, mas Wu Chen era alguém capaz de criar milagres!

    Se ele conseguisse manter aquele nível de criação, talvez houvesse cantores dispostos a abrir mão de toda a receita em favor dele e ainda pagar uma quantia astronômica por cima para ter uma música dele… Afinal, uma música de Wu Chen podia levar um cantor do nada ao topo! Fazer dele um fenômeno!

    Por isso, An Menglan conseguia entender o preço que Wu Chen cobrava por uma música! Gênio é gênio!

    Mas exigir cinquenta por cento das ações, isso ela não conseguia entender de jeito nenhum! Era loucura!

    — …Senhor Wu… — An Menglan levou um bom tempo para se recompor antes de falar, mantendo o sorriso. — Se você quer recusar, pode dizer direto, tá? Não precisa fazer esse tipo de brincadeira…

    Por dentro, já estava um pouquinho irritada. Achava que Wu Chen não estava levando a negociação a sério e ainda fazia piada.

    — Não tô brincando. — Wu Chen também manteve o sorriso. — Tô falando sério! Por isso eu disse que você com certeza não aceitaria!

    An Menglan ficou sem saber o que dizer! Chegou até a desconfiar que Wu Chen tinha feito exigências exorbitantes a Song Xuan e agora fazia o mesmo com ela… sem outro motivo, nem por precisar de dinheiro, só por ser ganancioso demais!

    Por gostar de dinheiro!

    — Então… — Wu Chen voltou a falar por iniciativa própria, sorrindo. — É melhor a gente começar testando. Eu trabalho com você como compositor e letrista independente. Uma música, um pagamento! Que tipo de música a senhorita An gosta? Posso escrever pra você agora mesmo…

    An Menglan ergueu os olhos para Wu Chen.

    Naquele instante, sentiu com toda a clareza: Wu Chen estava aplicando um truque nela!

    — Senhor Wu, não vai me dizer que você já deixou algumas músicas prontas, esperando eu escolher uma, pra depois fingir que compôs na hora… — disse An Menglan, já meio contrariada, falando de forma ainda mais direta.

    O tom era de brincadeira, só para não criar constrangimento, mas ela já tinha deixado a desconfiança bem clara!

    Nota