Capítulo 293 — Infiltrando-se no quarto 616
por NexoNovelCapítulo 293 — Infiltrando-se no quarto 616
Wu Chen saiu do elevador, deu alguns passos e virou sem a menor hesitação. Não olhou em volta; simplesmente seguiu pelo corredor.
Era um corredor muito comprido. Saindo do elevador, havia um longo trecho tanto para a esquerda quanto para a direita, com quartos dos dois lados. Mas nem todos eram suítes executivas; também havia suítes business superiores.
Em qualquer hotel de luxo, as suítes de categoria máxima eram poucas. Não existia um andar inteiro só de suítes de primeira linha.
No Grande Hotel Heyi era assim também.
Wu Chen sabia que, ao sair do elevador, precisava ir para a esquerda. Só daquele lado ficavam as suítes executivas.
O acabamento do sexto andar era excelente. O padrão do carpete do corredor parecia um pouco antiquado, mas tudo continuava limpo e luxuoso.
Mais à frente, diante da suíte executiva 616, dois guarda-costas de terno preto andavam de um lado para o outro.
Ao verem alguém sair do elevador e vir na direção deles, os dois ficaram atentos. Wu Chen estava vestido de um jeito bem casual, de boné e máscara. Na verdade, aquele visual nem chamava tanta atenção.
Ninguém sabia dizer desde quando usar máscara tinha virado “moda”.
Hoje em dia, jovens de ambos os sexos tinham o hábito de sair de máscara. Alguns até a deixavam no queixo; diziam que fazia o rosto parecer menor.
Embora Wu Chen parecesse só mais um jovem descolado, os dois guarda-costas ainda o observaram por alguns instantes. Era hábito da profissão.
Wu Chen também teve uma reação “normal”: olhou para eles por um momento e só então desviou os olhos.
Com toda a pinta de quem voltava para o próprio quarto, passou diante da suíte 616 e seguiu corredor adentro. Só quando chegou à porta do quarto 630 é que se virou, decidido.
Passou o cartão-mestre!
Entrou!
E fechou a porta atrás de si.
Wu Chen não avançou para dentro. Ficou parado junto à porta, porque aquele quarto… tinha hóspede! A pessoa só não estava lá naquele momento.
Subir ao sexto andar sem entrar em quarto nenhum, dar uma volta e descer seria suspeito demais. Wu Chen estava fazendo teatro para os dois guarda-costas.
Fingia estar voltando para o próprio quarto.
E tinha escolhido justamente aquele, com a certeza de que não havia ninguém lá dentro, por um motivo simples: na maçaneta estava pendurada uma plaquinha de “Favor arrumar o quarto”.
Além disso, já era meio-dia.
Portanto, dava para concluir que o hóspede tinha feito check-in, no mínimo, na noite anterior, ainda não tinha feito check-out e provavelmente tinha saído para almoçar.
Da porta, Wu Chen enxergava o hall e a sala. Havia uma mala encostada na parede, uma toalha de banho usada no encosto de uma cadeira, e ainda dava para sentir no ar um leve perfume.
Devia ser uma mulher. Antes de sair para almoçar, provavelmente tinha passado perfume diante do espelho do hall.
Wu Chen olhou para dentro por alguns instantes, mas continuou sem avançar.
Ficou só esperando junto à porta.
Não tinha o hábito de mexer nas coisas de desconhecidos. Não tinha esse tipo de curiosidade.
Uns dois minutos depois.
— Já vou, já vou.
Ao sair, Wu Chen ainda ergueu o celular e falou umas duas frases.
Voltou ao corredor.
Guardou o celular.
Passou de novo diante do quarto 616 e dos dois guarda-costas, voltou ao elevador, apertou o botão e entrou.
Passou o cartão-mestre.
Desceu.
Wu Chen saiu direto do Grande Hotel Heyi de Donghai.
Daquela vez, tinha subido só para confirmar em que quarto Ding Ruilong estava. Agora estava claro: Ding Ruilong estava na suíte executiva 616.
E, pelo que Wu Chen sabia do jeito como os guarda-costas de Ding Ruilong costumavam organizar as coisas, se ele estava no 616, então os quartos vizinhos, 614 e 618, e o 617, em frente, provavelmente também tinham sido reservados junto!
Para os guarda-costas, assistentes e demais acompanhantes, naturalmente.
Claro que havia outras possibilidades. Algum daqueles quartos podia já ter sido reservado por outra pessoa. Mas o mais provável era isso.
Na verdade, isso não importava.
O que importava era que Ding Ruilong estava no quarto 616.
Ao sair do Grande Hotel Heyi, Wu Chen atravessou a rua e entrou numa lanchonete de hambúrgueres.
Pediu qualquer coisa para comer e beber, levou o hambúrguer e a Coca-Cola até uma mesa junto à janela, sentou-se, baixou a máscara, tomou um gole e olhou para fora… Dali, naturalmente, dava para ver a entrada principal do Grande Hotel Heyi.
No estacionamento diante da entrada havia muitos carros, entre eles os seis de Ding Ruilong e seu pessoal.
Wu Chen deu uma olhada, desviou os olhos, tirou o celular e conferiu a hora.
Eram 12h54.
O encontro de Ding Ruilong com Lei Cheng estava marcado para as duas da tarde. Restava só uma hora. Descontando o tempo para chegar até Lei Cheng… Ding Ruilong não tinha muita folga!
Wu Chen pensou um pouco e discou um número.
Ligou para Lei Cheng!
A ligação foi atendida na hora.
— Alô! Irmão Wu, você tá vindo pra cá agora? Já deixei tudo preparado… — disse Lei Cheng assim que atendeu.
— Surgiu um imprevisto. — Wu Chen sorriu, fez uma pausa e continuou: — Faz o seguinte, irmão Lei: liga agora pro Ding Ruilong e diz que o encontro vai atrasar uma hora e meia. Fala que surgiu um imprevisto do seu lado…
— Hum… fechado! — Lei Cheng topou na hora, sem pensar muito.
Desligaram.
Wu Chen tomou um gole de Coca-Cola e voltou a olhar pela janela.
E esperou!
Dez minutos depois.
Da lanchonete, Wu Chen viu Ding Ruilong e mais uns dez e poucos homens saírem pela entrada principal do hotel… Achou que provavelmente iam almoçar.
Tinha sido obra dele.
Antes, Ding Ruilong não teria tempo de ir a um restaurante. Com o horário apertado, mesmo com fome, provavelmente pediria serviço de quarto, comeria qualquer coisa e, terminado, iria encontrar Lei Cheng.
Mas Wu Chen, por meio de Lei Cheng, tinha acabado de lhe dar tempo de sobra!
Enquanto Ding Ruilong e os outros entravam nos carros, Wu Chen prestou atenção de propósito. Entre os guarda-costas que o acompanhavam estavam justamente os dois que antes vigiavam o corredor do sexto andar. Isso indicava que ele muito provavelmente tinha levado todos os guarda-costas consigo.
Ding Ruilong viera secretamente a Donghai. Era cauteloso, mas não tanto assim.
Isso poupava muito trabalho a Wu Chen e deixava tudo bem mais simples.
Assim que viu os seis carros partirem, Wu Chen subiu a máscara, levantou-se e saiu da lanchonete. Pouco depois, estava de volta ao Grande Hotel Heyi de Donghai, do outro lado da rua.
Dessa vez, entrou pela porta principal.
Passou o cartão e subiu.
Wu Chen chegou mais uma vez ao sexto andar.
O corredor estava vazio.
Foi até a porta da suíte executiva 616, mas não passou o cartão de imediato. Havia duas possibilidades: ou não tinha ninguém lá dentro, porque Ding Ruilong levara todo mundo, ou tinha alguém, porque ele deixara um guarda-costas.
A primeira era mais provável.
Ding Ruilong não tinha o hábito de deixar gente no próprio quarto quando saía. Além disso, os seis carros tinham ido embora. Deixar alguém sem deixar carro seria pouco prático.
Toc, toc!
Por cautela, Wu Chen bateu à porta.
Nenhuma resposta.
Passou o cartão e entrou.
Era uma suíte executiva bem ampla, com quarto, sala e banheiro. Ao entrar, Wu Chen não viu a bagagem de Ding Ruilong. Era evidente que os subordinados dele já tinham arrumado tudo e guardado as malas.
Parado no hall, Wu Chen tirou do bolso um par de propés e os calçou por cima dos sapatos. Depois tirou de outro bolso um par de luvas brancas e as vestiu.
Começou a busca!
Foi direto ao quarto e abriu o guarda-roupa. Lá dentro, ternos e camisas já pendurados, obviamente tirados da bagagem e arrumados.
Ding Ruilong levava uma vida requintada. E nem precisava cuidar dessas coisas pessoalmente; os subordinados faziam tudo.
Wu Chen abriu a outra porta do guarda-roupa.
Ali estavam algumas malas e uma caixa metálica prateada.
Primeiro, tirou a caixa metálica. Ergueu-a um pouco: era pesada. Levou-a até um armário ao lado, ajeitou-a ali, pensou por um instante e então girou direto os seletores, inserindo a senha!
Wu Chen conhecia todas as senhas de Ding Ruilong. A não ser que ele tivesse trocado alguma nos últimos dez e poucos dias, não tinha como errar!
Depois de acertar a combinação, apertou os dois fechos ao mesmo tempo.
Destravou!
Clique!
A senha estava certa. A fechadura abriu!
Wu Chen levantou a tampa da caixa e sorriu.
Lá dentro havia vários objetos bem organizados, entre eles a pistola de Ding Ruilong, alguns documentos especiais e objetos de valor. Mas tudo isso ocupava só uma pequena parte do espaço.
O que ocupava mais espaço era um notebook!
O computador pessoal de Ding Ruilong!
E era justamente um notebook que Wu Chen tinha vindo procurar!
Ali não havia só dados comerciais de Ding Ruilong, mas também informações extremamente privadas e assustadoras, suficientes para mandá-lo para a cadeia!
