Novels chinesas em português
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    Capítulo 345 — Quero convidar você e sua namorada para jantar

    Distrito de Beicheng, Zunrong · Donghai Huafu.

    Trim, trim…

    Wu Chen dirigia a Lamborghini azul e mal tinha saído do condomínio quando o celular tocou. Com uma mão no volante, pegou o aparelho, olhou a tela e atendeu.

    — Alô, colega Song — disse Wu Chen, sorrindo.

    — Veterano, você tem tempo? A senhorita An veio pra Donghai e quer se encontrar com você — disse Song Xuan, com a voz doce.

    — Ao meio-dia não dá. À tarde, sim.

    — Então à tarde — respondeu Song Xuan na hora. Ela também não tinha tempo ao meio-dia; desde o começo, pretendia marcar para a tarde.

    Combinaram horário e lugar e desligaram.

    Pouco mais de dez minutos depois.

    Distrito de Beicheng, Residencial Jinzun.

    Li Ruobing tinha ali uma villa desocupada. Quando He Shiqin trouxe He Xinxin para Donghai, as duas foram instaladas nela. Antes de sair de casa, Wu Chen tinha ligado para He Shiqin e avisado que passaria para almoçar.

    Villa nº 9 do Residencial Jinzun.

    Wu Chen tinha a chave. Entrou de carro direto na garagem subterrânea e, de lá, atravessou o subsolo e subiu pela escada.

    Sala do térreo da villa.

    Ao subir, Wu Chen não viu ninguém, mas ouviu barulho vindo da cozinha. Foi até lá quase sem fazer ruído e parou na porta, com uma das mãos no bolso do paletó, observando, com um sorriso, He Shiqin às voltas com as panelas.

    De avental, He Shiqin refogava um prato. Na bancada comprida havia ainda uma porção de ingredientes já preparados. Pelo jeito, ia fazer pelo menos oito pratos!

    Ela estava maquiada!

    Para cozinhar em casa, em geral ninguém se maquia. Mas He Shiqin tinha se maquiado, e com um batom bem vivo!

    — Ai! — He Shiqin soltou um grito de repente. Tinha se virado e dado com Wu Chen parado na porta, e levou um susto de verdade. Logo levou a mão ao peito e riu. — Senhor Wu, quase me matou de susto. Por que não fez barulho…?

    Wu Chen sorriu e disse:

    — Não precisa fazer tanta coisa. Não vai dar pra comer tudo.

    — Não tem problema. Eu não tenho nada pra fazer mesmo. Se o senhor Wu vem, claro que tenho que receber direito — respondeu He Shiqin, com um sorriso.

    Ela parecia um pouco mudada. Vai saber o que tinha passado pela cabeça dela naqueles dias em Donghai.

    — E a Xinxin? — perguntou Wu Chen.

    — Deve estar lá em cima. Vou chamar… Xin…

    He Shiqin deu alguns passos para fora da cozinha, pronta para gritar, mas Wu Chen fez um gesto com a mão e a impediu.

    — Não precisa. Deixa ela por enquanto — disse ele, sorrindo. — E esses dias? Como vocês estão? Já se acostumaram?

    Fazia alguns dias que não se viam. Não chegavam a estar sem jeito um com o outro, mas era inevitável jogar um pouco de conversa fora.

    Não conversaram muito tempo.

    — O Ding Ruilong veio pra Donghai. Tá no hospital agora — comentou Wu Chen de repente.

    He Shiqin mudou de cor na hora. Arregalou um pouco os olhos para Wu Chen, levou um instante para se recompor e perguntou:

    — Ficou aleijado?

    O pensamento de He Shiqin era, digamos, maldoso ao extremo. Como Wu Chen não dissera que Ding Ruilong tinha morrido, ela logo foi pelo pior: teria ido parar no hospital gravemente ferido, inválido?

    — Mais ou menos — disse Wu Chen, sorrindo. — Acho que, daqui pra frente, a mão dele não vai funcionar tão bem.

    He Shiqin apertou os lábios e então sorriu. Um sorriso radiante feito manhã de primavera!

    Por dentro, sentia uma satisfação enorme!

    Foi até Wu Chen e disse, sorrindo:

    — Senhor Wu, obrigada!

    E deu um beijo na bochecha dele. Depois, olhou por reflexo para fora da cozinha, como se tivesse medo de que He Xinxin descesse de repente e visse.

    — Ai, desculpa, ficou… — Ao se virar de volta, He Shiqin percebeu a marca de batom que tinha deixado no rosto dele e tratou de limpá-la depressa.

    — Não tem problema — disse Wu Chen, sorrindo.

    Depois de limpar a marca, He Shiqin continuou bem perto dele e perguntou baixinho:

    — Senhor Wu, já que aquele desgraçado tá em Donghai… precisa que eu faça alguma coisa?

    Ninguém queria mais do que He Shiqin ver Ding Ruilong morto!

    Wu Chen ficou conversando com ela na porta da cozinha por mais de dez minutos. Depois, He Shiqin voltou para o fogão e ele subiu.

    Logo se ouviu lá em cima o gritinho assustado de uma menina.

    — Ai! Professor! Que susto! Quando você chegou?

    He Xinxin praticava desenho no quarto do segundo andar e nem tinha fechado a porta. Wu Chen apareceu de repente atrás dela e a assustou.

    — A Xinxin é tão aplicada, tão comportada — elogiou Wu Chen, sorrindo.

    — Claro! — He Xinxin empinou o queixo com um muxoxo orgulhoso.

    — Aqui… não pode desenhar assim. Me dá o lápis…

    Wu Chen apontou para a prancheta e entrou direto no papel de “professor”. Havia muita coisa que He Xinxin não podia saber. Quando a trouxeram para Donghai, o pretexto tinha sido justamente facilitar as aulas de desenho com Wu Chen.

    Por isso, já que estava ali, ia aproveitar para ensiná-la um pouco.

    Mais de uma hora depois, já era meio-dia.

    — O almoço tá pronto! — gritou He Shiqin lá de baixo.

    Desceram para comer.

    Depois do almoço, Wu Chen ainda conversou um pouco com as duas e ensinou He Xinxin por mais um tempo antes de ir embora de carro.

    Duas da tarde em ponto.

    Distrito de Zhongcheng, cidade de Donghai. Café Bandao, sala reservada no fundo do segundo andar.

    Wu Chen abriu a porta e entrou.

    Duas mulheres já o esperavam: Song Xuan e An Menglan! Tinham marcado para as duas da tarde, e as duas chegaram antes.

    — Veterano! — chamou Song Xuan, acenando, ao vê-lo entrar de terno.

    — Colega Song — cumprimentou Wu Chen, sorrindo, e então olhou para An Menglan.

    An Menglan também o observava.

    A primeira impressão que Wu Chen lhe causou foi, antes de tudo, de serenidade. Depois, de beleza. E então… das roupas e acessórios, que valiam no mínimo três milhões! Parecia ainda mais “rico” do que Song Xuan tinha descrito!

    Vale mencionar um detalhe: tudo o que Wu Chen vestia naquele dia, inclusive o relógio, tinha sido comprado por Li Ruobing no dia anterior. O relógio que Wu Yurong comprara para ele fora tirado na véspera. O que ele usava agora era um pouco mais caro, também um Patek Philippe, de mais de dois milhões!

    — Senhor Wu, muito prazer!

    — Senhorita An, o prazer é meu!

    Os dois apertaram as mãos, trocaram algumas gentilezas e se sentaram.

    An Menglan, de roupa casual, sentou-se ao lado de Song Xuan. Wu Chen ficou de frente para as duas.

    — Quando a senhorita An chegou? — perguntou Wu Chen, sorrindo.

    — Hoje de manhã — respondeu An Menglan.

    Primeiro veio a conversa fiada, as cortesias de praxe de um primeiro encontro. E bastaram aqueles poucos minutos para An Menglan ter uma sensação muito sutil a respeito de Wu Chen!

    Era uma sensação que vinha do contraste!

    Wu Chen era sereno demais. Fazia muitos anos que An Menglan não via alguém que, ao conhecê-la pessoalmente, se comportasse com tanta naturalidade. Era como se estivesse diante de uma pessoa comum que acabara de conhecer: falava normalmente, sorria o tempo todo e não ficava passeando os olhos por ela só porque era uma celebridade.

    Era muito confortável!

    Lembrando de como Song Xuan estivera naquela manhã, ao vê-la pela primeira vez, An Menglan chegou a sentir um certo espanto diante de Wu Chen!

    — …Senhor Wu, vamos falar da sua música. Tem acompanhado a internet? As discussões sobre você não param… — An Menglan levou a conversa para a música por iniciativa própria.

    — De vez em quando dou uma olhada… — respondeu Wu Chen, sorrindo.

    E começaram a falar de música.

    Era “linguagem em comum”, por isso falaram bastante, e com muito prazer!

    Mais de meia hora depois.

    — …Senhor Wu, você não pretende mesmo estrear? Na verdade, eu acho que você…

    — Não é o que eu quero da vida! — Wu Chen a interrompeu, sorrindo.

    — Então o que… faz você não querer estrear? Tenho certeza de que, se quisesse, você chegaria muito longe na música! Você tem outros objetivos profissionais? Ou será que a sua… namorada não deixa você estrear? — An Menglan chegou ao ponto principal!

    Falou de forma bem velada, chamando de “namorada” a tal “mulher mais velha” que imaginava existir!

    — Acho que não. Também não tem ninguém que possa simplesmente me proibir de estrear. Eu é que não quero — respondeu Wu Chen, num tom meio sutil, lançando um olhar a Song Xuan.

    Já tinha percebido que An Menglan talvez tivesse entendido alguma coisa errado.

    E, indo à raiz, esse mal-entendido tinha sido obra dele mesmo! Quando Song Xuan o interpretara errado lá no começo, fora Wu Chen quem, de propósito, a deixara pensar assim!

    — Me desculpe, mas não consigo entender muito bem como o senhor Wu pensa… — disse An Menglan.

    Também não sabia se ele dizia a verdade ou não. Pensou um pouco e voltou a tomar a iniciativa:

    — Vamos fazer assim, senhor Wu: se for conveniente, posso convidar você e a sua… namorada pra jantar? Pode ser?

    An Menglan ia direto para a cartada final!

    Chega de perguntas!

    Ia encontrar a tal “mulher mais velha” em pessoa! Fosse quem fosse, An Menglan confiava que resolveria a questão ali mesmo!

    — Jantar… pode, claro. Quando? — Wu Chen aceitou e devolveu a pergunta.

    — Hoje à noite, pode ser? — perguntou An Menglan.

    Nota