Novels chinesas em português
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    Capítulo 406 — Seu irmão aqui nasceu para ser um gênio!

    Wu Jiao voltou a encarar Wu Chen.

    O irmão tinha admitido! Se fosse só Wu Chen dizendo, ela não acreditaria. Mas aquilo não tinha saído da boca dele, e sim da de An Menglan. Por mais absurdo que fosse, a credibilidade era altíssima!

    Wu Jiao tentou se lembrar.

    A voz de Chenwu, o timbre dele… era mesmo muito parecido com o do irmão!

    A música tinha muito falsete e trechos no estilo da ópera chinesa, mas também tinha partes cantadas com a voz natural!

    Chen Xue já tinha pegado o próprio celular e aberto o aplicativo de música. A última que ouvira tinha sido justamente “Remédio para a Alma”, no modo repetir. Bastou dar o play.

    Começaram a ouvir!

    Os fones ainda estavam plugados no celular de Chen Xue; ela não os tinha tirado.

    Inclinando-se para a frente, ela enfiou um dos fones no ouvido de Wu Jiao.

    As duas ouviram juntas.

    E olharam juntas para Wu Chen.

    Se antes, ouvindo sem saber, ela achava a voz do cantor parecida com a do irmão, agora Wu Jiao tinha certeza! Era a voz dele!

    O irmão era o Chenwu!

    Na verdade, desde que An Menglan contara, Wu Jiao já tinha acreditado. A cantora não tinha motivo nenhum para mentir para ela. Só que era difícil demais engolir aquilo; precisava confirmar várias vezes!

    — O talento do seu irmão pra música é o maior que eu já vi até hoje. É como se ele tivesse nascido pra isso… — A voz de An Menglan saiu do celular.

    Ela vinha acompanhando a reação de Wu Jiao pelo vídeo e achou que já podia falar.

    Wu Jiao voltou a si e olhou para a tela.

    — É… é mesmo? — gaguejou.

    — É, sim — respondeu An Menglan, sorrindo. — Por isso pedi que ele compusesse pra mim. Ah, é… senhorita Wu, você não mora em Donghai?

    — Hã? — Wu Jiao não entendeu por que An Menglan perguntava aquilo de repente, mas respondeu mesmo assim: — Não, eu moro com meus pais lá no condado. Meu irmão trabalha em Donghai. Vim passear e ver ele hoje…

    — Ah, por isso — disse An Menglan, como quem finalmente entende, e sorriu. — Hoje na hora do almoço eu ainda tava em Donghai, almoçando com seu irmão. Só voltei pra Modu à tarde… Vai ver ele ainda não tinha tido oportunidade de te contar. Se você tivesse vindo a Donghai dois dias antes, quem sabe a gente até não se encontrava?

    Com aquilo, An Menglan também deu uma explicação em nome de Wu Chen: por que uma coisa tão grande não tinha sido contada à família.

    — A senhorita An tava em Donghai hoje no almoço? Almoçando com meu irmão? — Wu Jiao emendou duas perguntas.

    — Isso mesmo — riu An Menglan.

    Nos minutos seguintes, já um pouco mais recuperada, Wu Jiao encheu An Menglan de perguntas, quase todas sobre Wu Chen. An Menglan contou por alto que passara alguns dias em Donghai, que Wu Chen tinha escrito oito músicas para ela e assim por diante.

    — …Senhorita Wu, o assunto do meu novo álbum ainda é sigiloso. É melhor não espalhar — An Menglan não se esqueceu de avisar.

    — Pode deixar, pode deixar! — Wu Jiao assentiu sem parar, feito um pintinho bicando milho.

    Cinco minutos depois.

    — …Senhorita An, quando você vem pra Donghai de novo? — Wu Jiao ainda insistia. Queria conhecer o ídolo pessoalmente.

    — Hum… — An Menglan pensou um pouco e sorriu. — Difícil dizer. Ainda não tenho nada planejado.

    — Já chega, né? A senhorita An também precisa jantar — interveio Wu Chen de repente, lançando um olhar à irmã.

    — Então… — Wu Jiao olhou para Wu Chen e depois para a tela.

    — Então tá, senhorita An. Fiquei muito feliz de falar com você, sério, muito, muito feliz. Obrigada… e desculpa tomar tanto o seu tempo — disse Wu Jiao, vermelha de novo. No fundo, era uma menina muito educada.

    — Imagina, não atrapalhou em nada — respondeu An Menglan, sorrindo.

    — Então… você quer falar mais um pouquinho com meu irmão? — Wu Jiao já estendia o celular para Wu Chen.

    Dirigindo com uma mão só, Wu Chen pegou o aparelho, tocou direto em “mudar para voz” e o levou ao ouvido, sorrindo.

    — Senhorita An, obrigado pela ajuda.

    — Você ainda vem com essa pra cima de mim? — murmurou An Menglan, num tom de censura carinhosa, reclamando da cerimônia dele.

    Ainda no dia anterior tinham dormido juntos, e agora ele vinha todo formal. An Menglan sabia que Wu Chen estava fazendo teatro na frente da irmã, mas não resistiu a comentar.

    — Ha! — Wu Chen deu uma risada.

    — Sua irmã é muito bonita. E bem fofa — elogiou An Menglan.

    — Ela? É porque você não viu ela me aprontando — respondeu Wu Chen, rindo.

    Conversaram mais algumas amenidades e desligaram.

    Quando Wu Chen largou o celular, Wu Jiao, que não tirava os olhos dele, abriu a boca para perguntar alguma coisa, mas nada saiu. Havia coisa demais para perguntar!

    Levou alguns segundos para se recompor.

    — Mano! Você e a An Menglan… Você… Você ganhou dinheiro compondo? É por isso que você tá com dinheiro agora? — Wu Jiao foi direto ao ponto principal.

    Era exatamente o que Wu Chen queria!

    Na verdade, ele poderia perfeitamente ter ficado quieto sobre An Menglan. Bastava deixar a irmã achar que era alguém com o mesmo nome, e nada daquilo teria acontecido! Mas ele mesmo fizera questão de dizer que era a An Menglan de verdade!

    Tudo para que a irmã soubesse de onde vinha o dinheiro dele!

    Uma história absurda daquelas, contada por ele mesmo, teria pouca credibilidade!

    Mas, com a própria An Menglan dizendo que os dois trabalhavam juntos, não havia mais problema algum!

    Havia coisas demais na vida de Wu Chen que a família não podia saber: Ding Ruilong, a família Li, as tentativas de assassinato, as dezenas de milhões, as centenas de milhões que tinha recebido de outros… Se a família soubesse, ia ficar preocupada!

    Já a parceria com An Menglan era a melhor coisa para contar em casa. O dinheiro vinha “limpo”!

    — Isso. Escrevi oito músicas pra senhorita An, e ela me pagou oitocentos mil — respondeu Wu Chen, sorrindo. — E isso é só o que acabei de receber. Com a parceria, ainda vem mais…

    — Mano, desde quando você sabe compor? Como é que eu nunca soube? — perguntou Wu Jiao.

    — Eu mesmo só descobri este ano. Seu irmão aqui nasceu um gênio, só não tinha percebido antes — disse Wu Chen, se gabando meio de brincadeira.

    E Wu Jiao percebeu que não tinha como rebater!

    Mal começar a compor e já trabalhar com uma superestrela do nível de An Menglan: se aquilo não era ser um gênio, era o quê?

    Além do mais, talento não dependia de anos de prática. Se Wu Chen dizia que era um gênio, Wu Jiao não tinha mesmo como questionar.

    Três minutos depois.

    Distrito de Nancheng, Residencial Jinhui, um condomínio de mansões.

    Como Wu Chen estava com o Bentley de Li Ruobing, a cancela subiu sozinha assim que chegaram à portaria. Ele entrou, desceu para a garagem subterrânea e estacionou numa das vagas da mansão 26.

    A mansão 26 tinha três vagas no subsolo, uma ao lado da outra. Logo atrás delas ficava a porta blindada do porão da casa, que dava acesso direto ao interior.

    Wu Chen não tinha a chave da casa de Li Ruobing.

    Mas sabia a senha da fechadura biométrica.

    Desceram do carro!

    Pegaram as sacolas, grandes e pequenas, e Wu Chen levou Wu Jiao e Chen Xue para dentro da mansão. No caminho, Wu Jiao continuava perguntando coisas como “Como a An Menglan é longe das câmeras?” e “Como é jantar com a An Menglan?”.

    Logo depois.

    Wu Chen mostrou a casa às duas e escolheu um quarto para elas.

    Havia vários quartos de hóspedes, mas as duas quiseram ficar no mesmo. Tinham crescido juntas, viviam dormindo uma na casa da outra, e, para melhores amigas como elas, dividir a cama era a coisa mais normal do mundo.

    Segundo andar, o quarto de hóspedes no fim do corredor.

    — Pode ser este. Vocês ficam aqui hoje à noite — disse Wu Chen da porta, indicando o interior.

    As duas já tinham entrado e jogado as sacolas sobre a cama. Olhavam tudo, de um lado para o outro. O quarto de hóspedes era o dobro do quarto principal das casas delas, enorme, com banheiro próprio e um pequeno closet. A decoração era em tons frios, mas tudo parecia luxuoso e requintado.

    Não havia um grão de poeira!

    Uma diarista vinha regularmente limpar a mansão de Li Ruobing.

    — Mano, não é melhor avisar a cunhada antes? A gente vai ficar aqui sem nem falar com ela, tudo bem mesmo? — perguntou Wu Jiao de repente, ainda olhando em volta. Era uma menina ajuizada e tinha medo de que Li Ruobing não gostasse.

    — Tudo bem. Se você não ficar, aí sim ela fica chateada — disse Wu Chen, sorrindo.

    Com isso, Wu Jiao sossegou.

    — Jiaojiao, vem ver! Aqui tem até closet… — chamou Chen Xue de repente.

    Wu Jiao ia até ela.

    Mal tinha dado alguns passos.

    Trim, trim…

    O toque vinha da bolsa de Wu Jiao.

    Com a bolsa no ombro, ela parou, revirou lá dentro até achar o celular, olhou quem era e atendeu na hora:

    — Mãe!

    — Sua pestinha, você sabe que horas são? Não vai voltar, não? Endoidou de tanto passear, foi? — Zhang Xiujuan já começou soltando fogo. Eram quase seis horas, e Wu Jiao não tinha voltado nem ligado para avisar.

    — Mãe, hoje eu não vou voltar.

    — Não vai? Vai dormir aí com seu irmão? E nem liga pra avisar! Essa menina…

    — Esqueci, ué. Ah, mãe, tenho uma coisa pra te contar! — De repente, a voz de Wu Jiao ficou empolgadíssima. — Mãe, adivinha só, meu irmão… — Lá ia ela de novo soltar uma bomba sobre o irmão para a mãe!

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