Capítulo 205 — Esta noite, você terá um infortúnio com sangue
por NexoNovelCapítulo 205 — Esta noite, você terá um infortúnio com sangue
Li Ruobing usava um vestido longo azul-claro. Os cabelos negros, longos
e lisos tinham sido claramente arrumados e exalavam uma fragrância
suave. No pescoço, algo também cintilava: ela havia colocado um colar de
diamantes.
Era óbvio que se arrumara com todo o cuidado antes de vir.
Wu Chen a abraçava e, sorrindo, contemplava os olhos dela. Naquele dia,
Li Ruobing chegara até a passar uma sombra de tom bem discreto, que
realçava ainda mais os contornos de seu rosto.
Normalmente, ela não se arrumava daquele jeito. Com sua beleza natural,
não precisava! Só fazia isso quando comparecia a ocasiões importantes,
como banquetes.
A beleza de Li Ruobing valia nove pontos. Wu Chen tinha dois requisitos
básicos para dar nota à aparência de alguém: primeiro, sem maquiagem;
segundo, sem cirurgia plástica! Ou seja, Li Ruobing era nota nove de
rosto limpo!
E agora, nos braços de Wu Chen, com uma maquiagem diferente da habitual,
parecia ainda mais bonita. Merecia no mínimo 9,5, talvez até mais!
A maquiagem realmente podia mudar a aparência de uma pessoa!
Até uma mulher feia podia virar uma beldade com maquiagem.
Que dirá uma mulher que já era bonita.
— Quando você percebeu que eu tinha chegado? — Li Ruobing não respondeu
à pergunta de Wu Chen. Em vez disso, perguntou baixinho, sorrindo.
Os dois estavam muito próximos; não precisavam falar alto.
— Seus saltos não são exatamente silenciosos. Mesmo você andando de
propósito bem devagar… quando chegou à porta do quarto, eu acordei —
respondeu Wu Chen, sorrindo, em voz baixa.
Li Ruobing aproveitara que Wu Chen dormia para fazer um “ataque
surpresa”!
Ela não tinha a chave daquela casa. Mas a villa pertencera originalmente
a Li Ruotai e, depois de ser transferida para Wu Chen, todas as chaves
também lhe tinham sido entregues. Só que… a porta principal da sala, no
térreo, tinha fechadura com senha e impressão digital.
E Wu Chen nunca havia mudado a senha nem nada do tipo.
Ele sabia que, antes de vir, Li Ruobing certamente telefonara para Li
Ruotai para perguntar a senha da porta de entrada.
— Você já estava acordado e ainda fingiu que dormia? Não teve medo de
ser algum bandido? — perguntou Li Ruobing outra vez, sorrindo, em voz
baixa.
— Eu conheço o som dos seus passos — disse Wu Chen, sorrindo.
— Você conhece até o som dos meus passos? — rebateu Li Ruobing na hora.
Ela sabia que era mesmo possível reconhecer alguém pelos passos, mas,
para isso, era preciso conhecer a pessoa muito, muito bem e ter ouvido
aqueles passos inúmeras vezes. O peso, a maneira de andar, o hábito de
parar e retomar a caminhada… tudo variava de pessoa para pessoa! E isso
tornava diferente o som de cada passo!
A própria Li Ruobing conseguia reconhecer os passos do irmão, Li Ruotai,
porque o conhecia bem o bastante.
Mas, naquele momento, achou aquilo realmente um pouco estranho. Admitia
que Wu Chen era extraordinário, mas, até aquele dia, os dois se
conheciam havia apenas oito ou nove dias. Como ele podia estar tão
familiarizado com ela?
— Se eu disser que conheço tudo sobre você, acredita? — perguntou Wu
Chen, sorrindo.
— Por exemplo? — Li Ruobing ergueu levemente as sobrancelhas.
— Por exemplo, eu sei que você está com um “infortúnio com sangue” e
veio aqui só para brincar comigo — disse Wu Chen, sorrindo.
Li Ruobing sorriu, mas sua expressão ficou um pouco estranha. Com um
toque de manha e reprovação, disse:
— Também não dá para dizer que vim brincar com você… falando assim, fica
tão feio…
Wu Chen apenas sorriu, sem dizer nada, com um olhar que Li Ruobing
entendia muito bem.
Os dois se aproximaram e se beijaram.
Não foi um beijo intenso.
Foi lento.
Pareciam ambos mergulhados naquele instante. Li Ruobing sentiu de
verdade… a sensação de estar apaixonada!
Depois de um bom tempo.
Os dois se separaram.
— A-Tai vem à noite — disse Li Ruobing baixinho, apertando os lábios
mais uma vez.
— Eu realmente não estou bravo — disse Wu Chen, voltando a sorrir.
Ele entendia perfeitamente por que Li Ruobing aparecera de repente.
Aquilo contrariava claramente o jeito dela, quase como se estivesse se
oferecendo de bandeja, mas, ainda assim, ela viera sem avisar.
Por causa do que acontecera naquela tarde.
Li Ruotai, naturalmente, já confessara à irmã o que havia feito para
levar Lao Dao a arriscar a vida numa fuga. Embora Wu Chen tivesse
entrado em cena e resolvido tudo, Li Ruotai tinha mesmo aprontado — e do
tipo de coisa que poderia fazer Wu Chen pensar que ele talvez não
confiasse no próprio cunhado!
Li Ruobing não queria que Wu Chen guardasse qualquer mágoa do seu irmão.
Mesmo que Wu Chen já tivesse repetido várias vezes que não estava bravo.
Li Ruobing achava que o que precisava ser feito tinha de ser feito.
Ding-dong! Ding-dong!
A campainha tocou de repente.
O som ecoou por todos os andares da villa.
Wu Chen soltou Li Ruobing e se virou um pouco. Ela então se sentou,
levantou-se e ajeitou o vestido, dizendo:
— São os guarda-costas…
E saiu.
Wu Chen, de pijama, também se sentou, calçou os chinelos e foi atrás
dela sem pressa.
Li Ruobing desceu primeiro e abriu a porta principal da sala. Do lado de
fora estavam justamente seus dois guarda-costas, carregados de sacolas
cheias de ingredientes. Pareciam ter acabado de voltar da feira.
— Onde fica a cozinha? — Li Ruobing deixou os guarda-costas entrarem e
virou a cabeça para perguntar a Wu Chen, que acabava de descer
arrastando os chinelos.
Ela realmente não conhecia aquela villa. Era a segunda vez que ia ali; a
primeira fora no dia anterior.
Afinal, era uma villa que Li Ruotai mandara reformar, mas na qual nunca
chegara a morar.
— Ali — disse Wu Chen, indicando a direção com a mão.
Os dois guarda-costas levaram as compras depressa até a cozinha, e Li
Ruobing foi atrás. Logo depois, os dois saíram às pressas da villa.
Wu Chen foi até a porta da cozinha, cruzou os braços, encostou-se no
batente e inclinou a cabeça, observando Li Ruobing com um sorriso.
Ela estava arrumando as coisas. A cozinha tinha todos os utensílios e
toda a louça, mas, como nunca fora usada, não havia sequer temperos. Li
Ruobing, porém, mandara os guarda-costas comprá-los e agora tirava os
itens das sacolas um a um…
— Vai cozinhar? — perguntou Wu Chen, sorrindo.
— Vou. Quero que você prove a minha comida — respondeu Li Ruobing,
lançando-lhe um olhar de lado.
A expressão de Wu Chen ficou estranha por um instante.
Li Ruobing sabia cozinhar! Por ter estudado no exterior, sabia fazer
tanto comida chinesa quanto ocidental. Para uma mulher independente e
competitiva como ela, estranho seria não saber. Mas, pelo que Wu Chen
sabia, pelo menos nos últimos anos — ou melhor, desde que Li Ruobing
começara a trabalhar de fato —, ela quase não cozinhara.
Estar enferrujada era inevitável.
E, mesmo antes, sua habilidade na cozinha era bem mediana, inferior à de
Su Qingying. Agora, ainda por cima enferrujada… Wu Chen realmente não
esperava grande coisa do que ela preparasse. Mas comestível, com
certeza, seria.
— Que cara é essa? — Li Ruobing lançou outro olhar para ele. — Parece
que não acredita muito em mim.
— Eu sei que você sabe cozinhar — disse Wu Chen, sorrindo.
— Sabe mesmo? — Li Ruobing ficou um pouco desconfiada. Sentia que Wu
Chen não acreditava nela; o olhar o havia traído.
— Faz alguns anos que quase não cozinho, mas culinária, depois que se
aprende, não se esquece… — Enquanto falava, Li Ruobing despejava numa
bacia o peixe já limpo que estava numa das sacolas. — Não vou dizer que
cozinho melhor que Qingying, mas com certeza sou melhor que um marmanjo
feito você… Aliás, você sabe cozinhar?
Depois de falar, Li Ruobing empurrou um pouco para o lado a bacia com o
peixe.
Clang!
A bacia não estava bem apoiada. Ficara perto demais da borda, virou e
caiu no chão com um estrondo.
Era de inox, então não quebrou, mas o barulho deu um susto!
O peixe também foi parar no chão.
Silêncio!
O clima ficou constrangedor de repente.
Li Ruobing tinha um autocontrole extraordinário e não demonstrou o menor
constrangimento. Foi pegar o peixe. Embora já estivesse limpo, ele ainda
se mexia, porque os nervos continuavam reagindo. Mal Li Ruobing segurou
a carpa bem gorda, ela se contorceu, escapou-lhe das mãos, bateu contra
seu corpo e caiu de novo no chão.
O vestido ficou imediatamente sujo de água ensanguentada.
E Li Ruobing nem sequer tinha colocado um avental.
O clima voltou a ficar constrangedor.
Li Ruobing, sempre tão competente e decidida, parecia inesperadamente
desajeitada diante de um peixe já limpo!
Nem ousava olhar para Wu Chen. Tinha medo de encontrar nele um olhar
zombeteiro — e isso a deixaria furiosa!
— No meu quarto tem pijama. Meu… — disse Wu Chen, sorrindo.
Li Ruobing baixou os olhos para o vestido e depois para as mãos.
Primeiro abriu a torneira e enxaguou as mãos; sacudiu a água e então
saiu da cozinha, os saltos fazendo toc-toc-toc. Ao passar por Wu Chen,
nem olhou para ele…
Li Ruobing subiu para trocar de roupa.
Wu Chen ouviu-a subir a escada e voltou a olhar para dentro da cozinha.
O peixe ainda se debatia no chão. Pensou por um instante e entrou,
arregaçando as mangas do pijama; depois pegou um avental e o vestiu…
Wu Chen achou que, naquela noite, poderia conquistar um título bem
exagerado. Algo como… Deus da Cozinha!
