Capítulo 386 — Por que vai transferir dinheiro pra mim?
por NexoNovelCapítulo 386 — Por que vai transferir dinheiro pra mim?
An Menglan já tinha decidido: se Peng Wei topasse, ia gastar trinta milhões para comprar as fotos de volta!
Liu Jing foi providenciar tudo.
Falou com o financeiro da empresa para separar os trinta milhões e ligou para Peng Wei para marcar o lugar!
An Menglan também saiu da academia. Estava de roupa de ioga; precisava subir para se trocar!
No segundo andar, o quarto principal e o quarto de hóspedes ficavam de porta para porta. Quando An Menglan voltou ao quarto, a porta do quarto principal estava aberta: Song Xuan, deitada de bruços na cama, abraçada a um travesseiro, assistia a uma série de sucesso no tablet.
Como An Menglan estava na ioga, Song Xuan não tinha o que fazer, e a série que ela acompanhava tinha ganhado episódio novo na noite anterior, então resolveu assistir.
Song Xuan ouviu os passos.
Quando se levantou e saiu do quarto, viu a porta da frente se fechando. Foi até lá, bateu e perguntou:
— Senhorita An? Já terminou?
Estava meio intrigada. An Menglan dissera que ia praticar uma hora, e nem tinha dado tanto tempo. Por que já tinha voltado?
— Tá aberta — respondeu An Menglan.
Song Xuan entrou.
An Menglan já tinha começado a trocar de roupa. Eram duas mulheres, não havia muito o que esconder, e An Menglan não era nada fresca.
— Vou parar por hoje. Daqui a pouco preciso sair — disse An Menglan, erguendo os olhos para Song Xuan na porta, com um sorriso.
— Aconteceu alguma coisa urgente? Quer ajuda? — perguntou Song Xuan. Quando se tratava da “ídola”, estava sempre prontíssima a ajudar.
— Hum… não precisa — disse An Menglan, depois de pensar um pouco. Fez uma pausa e acrescentou: — Só vou ver um velho amigo.
An Menglan não contou a verdade a Song Xuan.
Principalmente porque não queria envolvê-la demais naquilo. E também porque queria esconder de Wu Chen; tinha medo de que Song Xuan fosse correndo avisar o veterano!
Ainda na escada, An Menglan tinha pensado se devia falar com Wu Chen antes de ir encontrar Peng Wei.
Decidiu na hora: não ia falar!
Ela achava, sinceramente, que o jeito como Wu Chen tinha lidado com aquilo estava muito errado!
Wu Chen não entendia o meio artístico!
Parecia estar fazendo tudo de qualquer jeito! Ameaça, sequestro… autoritário demais!
O medo era justamente esse: se avisasse Wu Chen e ele soubesse que ela ia se encontrar com Peng Wei, era capaz de pegar o carro, aparecer lá e querer negociar junto… Aí a conversa com certeza ia desandar!
Por isso, era mais seguro ela conversar sozinha com Peng Wei!
Desse certo ou não, depois contaria a Wu Chen, e pronto.
An Menglan terminou de se trocar, conversou mais um pouco com Song Xuan e saiu! Song Xuan também não perguntou quem, exatamente, ela ia encontrar. Se ela tinha dito que era um velho amigo, não dava para ficar interrogando.
O Rolls-Royce pegou a rua.
Quem dirigia, naturalmente, era A-Li, o guarda-costas de An Menglan.
A assistente Liu Jing ia no banco do passageiro.
An Menglan, no banco de trás.
— Chefe, marquei na Casa de Chá Qingyuan, no distrito de Zhongcheng. O Peng Wei disse que tá ali perto, que pode ir direto… — disse Liu Jing, virando o corpo para An Menglan.
Ainda segurava o celular, com o mapa e a navegação na tela.
— Hum, tá bom! — An Menglan assentiu, sem dizer mais nada.
Nem precisava perguntar. Liu Jing trabalhava com ela havia anos e sempre resolvia tudo de um jeito que a deixava tranquila.
Cerca de meia hora depois.
Distrito de Zhongcheng.
Casa de Chá Qingyuan.
O Rolls-Royce apareceu na rua, foi reduzindo e parou junto ao meio-fio, em frente à casa de chá. A-Li estacionou e desceu com An Menglan e Liu Jing.
Os três entraram.
Liu Jing deu à recepcionista o nome da sala reservada, e ela os levou para cima.
Terceiro andar, sala Tianshui Yise.
A recepcionista os acompanhou até a porta, abriu, convidou-os a entrar e se retirou.
Sem que An Menglan precisasse dizer nada, o guarda-costas A-Li e a assistente Liu Jing ficaram do lado de fora. An Menglan entrou sozinha.
Dentro da sala.
Peng Wei já estava de pé. Ao vê-la entrar, deu dois passos para recebê-la, todo sorridente:
— Hahaha, senhorita An! Que honra pra este Peng aqui a senhora ter aceitado vir, hahahaha…
Rindo alto, estendeu a mão.
An Menglan, que acabara de tirar a máscara, também ergueu a mão.
Os dois se cumprimentaram.
— Chefe Peng, já ouvi falar muito de você — disse An Menglan, com um leve sorriso e a voz magnética.
O clima era dos mais amistosos!
Paparazzi seguiam celebridades por dinheiro; celebridades queriam pagar para se livrar do problema. Lados opostos por natureza, mas cada um precisava do outro, então… o clima ficava amistoso!
— Hahaha, imagina, imagina! Falar de fama na frente da senhorita An? Como é que eu ia me comparar? Haha… Venha, venha, sente-se, por favor! Desculpe o incômodo de a senhora ter vindo até aqui. Eu é que pretendia ir visitá-la…
Rindo alto, Peng Wei a convidou a se sentar, desfiando uma série de gentilezas!
An Menglan não estranhou nem um pouco tanta educação, porque… era sempre assim! Nesse tipo de negociação, paparazzi sempre se mostravam especialmente humildes.
Por dinheiro, ora!
E mais!
O mais importante!
Para se proteger de gravações!
Na hora de negociar, paparazzi costumavam ser muito habilidosos. Nunca diziam nada duro; só falavam nas entrelinhas, ou por insinuação…
Jamais diriam qualquer coisa que soasse como ameaça! Nem uma frase! Porque isso podia ser enquadrado como extorsão! E, com uma quantia daquelas, dava para passar a vida inteira na cadeia!
No caminho, An Menglan tinha perguntado a Liu Jing, em detalhes, como funcionava negociar com paparazzi.
Era a primeira vez que passava por aquilo. Liu Jing já tinha ouvido falar de muitos casos e entendia mais do assunto!
Liu Jing lhe explicara um monte de coisas e ainda fizera questão de alertar: de jeito nenhum se deixar enganar por aquela falsa cordialidade dos paparazzi!
Trinta milhões. Nem um centavo a mais! Não podia ceder de jeito nenhum!
— Senhorita An, antes de mais nada, preciso lhe pedir desculpas! — Assim que se sentou, Peng Wei olhou para An Menglan, ainda de óculos escuros, e foi direto ao ponto.
— Meu pessoal incomodou a senhora! Sinto muito mesmo! Na verdade… espero também que a senhora entenda: quem vive deste ramo, quem come deste prato, acaba fazendo esse tipo de coisa… Posso lhe garantir: não vai ter próxima vez! Sinto muitíssimo!
Começava pedindo desculpas!
Falso, como era de esperar!
Enganador, como era de esperar!
Mesmo assim, An Menglan ficou bem mais satisfeita, porque Peng Wei tinha dito “não vai ter próxima vez”, ou seja, daquela vez dava para acertar! Ele tinha vindo disposto a fechar negócio!
— Chefe Peng, acho que não precisa pedir desculpas. A gente veio aqui com sinceridade, não é? — disse An Menglan, sorrindo.
— É, é, é, com sinceridade! — Peng Wei assentiu depressa e, ao mesmo tempo, levantou-se às pressas, pegou o bule e serviu chá para ela.
O chá gorgolejou na xícara…
— Já que os dois lados têm sinceridade… — An Menglan tirou os óculos escuros, dobrou-os e os segurou na mão. Esperou Peng Wei terminar de servir e se sentar, então o encarou com um sorriso. — Eu gosto de ser direta. Então vamos simplificar e falar menos… coisas desnecessárias. Que tal?
— Ah… — Peng Wei travou um instante. Não esperava que An Menglan fosse tão direta.
Mas aquilo… era exatamente o que ele queria!
Porque estava com pressa de ir embora!
Pouco depois de Wu Chen partir, Peng Wei recebera ligações dos subordinados desaparecidos: o pessoal de Li Ruotai os tinha soltado.
Peng Wei combinara com eles um ponto de encontro.
Queria voltar imediatamente para Modu e começar a montar a caçada ao material de Zhou Shenglong. Como An Menglan estava em Donghai, entrara em contato com ela às pressas.
Das duas coisas que Wu Chen lhe pedira, aquela era a primeira. Queria resolvê-la logo, quanto mais rápido, melhor!
— Ótimo! Então vamos direto ao ponto! — disse Peng Wei, sem rodeios, depois do susto.
An Menglan fez um gesto, indicando que ele falasse.
— Hum… — Peng Wei ponderou, observou a expressão dela, fez uma pausa de uns dois segundos e disse: — Trinta milhões!
An Menglan se surpreendeu.
Não esperava que Peng Wei tivesse coragem de falar em dinheiro assim, abertamente. Ela mesma não tinha tocado no valor porque sabia que, se tocasse, ele não ia entrar no assunto.
Qualquer coisa que pudesse ser enquadrada como extorsão, Peng Wei com certeza evitaria; era raposa velha!
Mas, para surpresa dela, ele tinha dado o preço direto!
Melhor assim!
— Tá bom! Trinta milhões! — An Menglan assentiu.
— A senhorita An é mesmo uma pessoa direta, hahaha. — Peng Wei sorriu. — Então, senhorita An… me passa uma conta bancária!
— Hum? — An Menglan travou, levou um instante e perguntou: — Pra que você quer a minha conta?
Achou que Peng Wei tinha roubado a fala dela. Quem devia pedir a conta era ela!
Peng Wei também travou com a pergunta.
— A sua conta… pra transferir o dinheiro pra senhora, ué — disse ele, piscando.
— Transferir… pra mim? Por que vai transferir dinheiro pra mim? — An Menglan continuava atônita. — Não era eu que tinha que… transferir pra você?
Peng Wei também continuava atônito.
Os dois ficaram se encarando.
Ambos meio perdidos.
Que história era aquela?! Onde é que tinha dado errado?!
A sala ficou em silêncio.
