Capítulo 081 — Vamos, diga alguma coisa!
por NexoNovelCapítulo 081 — Vamos, diga alguma coisa!
Na rua antiga do distrito leste, a Lamborghini azul já estava havia várias horas encostada na calçada, do lado de fora da entrada do beco. Ninguém sabia de quem era, porque Wu Chen tomara muito cuidado ao trazer Su Qingying: antes de voltar, descera sozinho do carro para comprar máscaras.
Na verdade, ele não temia ser visto pelos vizinhos e conhecidos.
Su Qingying, sim.
Como herdeira do Grupo Jinfu e conhecida como a mulher mais bonita de Donghai, ela era famosa demais na cidade. Além disso, nos últimos dias aparecera com frequência nas notícias por causa do grande assalto de 7 de julho, e sua exposição pública tinha aumentado bastante.
Ninguém podia ver o rosto dela.
Por isso Wu Chen simplesmente comprara duas máscaras, evitando complicações caso alguém os reconhecesse.
Já passava das duas da tarde.
Ele a trouxera para lá pouco depois das dez da manhã. Quatro horas inteiras haviam se passado.
Quinto andar, antiga casa da família Wu, dentro do quarto.
Wu Chen raspava a cera do armário baixo com uma pequena espátula. Comprara as velas junto com as máscaras, e elas já tinham sido usadas. Como haviam queimado por muito tempo, mais da metade derretera e boa parte da cera pingara sobre o móvel.
Depois de limpar a superfície, recolheu as cordas do chão, enrolou-as e as guardou na gaveta de baixo do armário, junto com o mata-moscas… Aquilo já existia na casa. Embora Wu Chen tivesse se mudado e não morasse mais ali, levara consigo apenas algumas roupas e produtos de higiene. O Donghai Huafu já vinha pronto para morar, então não precisara transportar mais nada.
O mata-moscas fora lavado assim que ele voltou. Estava limpo.
Enquanto Wu Chen cuidava de suas coisas, atrás dele, Su Qingying dormia enrolada no cobertor.
Ela tinha o hábito de tirar um cochilo à tarde, porque fazia bem para a pele. Mas o fato de estar dormindo naquele momento, claro, não tinha nada a ver com esse hábito. Estava simplesmente exausta. Dormia profundamente, com um sorriso leve nos lábios.
Trim, trim…
O celular de Wu Chen tocou de repente.
Ele virou a cabeça, pegou o aparelho, olhou a tela e atendeu:
— Eles chegaram até você?
— Cunhado… ah, cunhado, então você já sabe! — Era Li Ruotai.
— Hum — respondeu Wu Chen pelo nariz.
Depois que voltaram, numa das pausas, Wu Chen perguntara a Su Qingying quem mais sabia das informações que ela havia levantado sobre ele. Su Qingying dissera que destruíra tudo ao concluir a investigação. Fora realmente cuidadosa, justamente porque temia que os pais descobrissem que ela andara investigando um homem jovem.
Investigar alguém, por si só, não seria problema.
O problema era o alvo ser um homem jovem.
Ela era cuidadosa a esse ponto.
E só conseguira investigá-lo com tanta facilidade porque Wu Chen lhe enviara uma mensagem primeiro; assim, ela tinha o número dele, registrado em seu nome verdadeiro.
A mãe dela, porém, não tinha.
É claro que a mãe também poderia descobrir o número de Wu Chen: bastaria consultar o histórico de chamadas da filha.
Mas…
Talvez não começasse por esse caminho.
A primeira linha de investigação deveria ser a Lamborghini azul. Com a placa, era só consultar direto o proprietário!
Só que a Lamborghini não estava no nome de Wu Chen.
Estava no nome de Wang Zhuangyuan, ainda sem transferência.
Wu Chen apenas dirigia o carro. Nem precisava se preocupar com multas ou infrações; Wang Zhuangyuan cuidaria disso.
Portanto, era óbvio que a mãe de Su Qingying chegaria primeiro a Wang Zhuangyuan.
E Wang Zhuangyuan, evidentemente, não revelaria informações sobre Wu Chen com facilidade.
Wu Chen conhecia aquelas pessoas bem demais.
Conseguia deduzir, passo a passo, como cada uma reagiria.
— …O Zhuangyuan me ligou primeiro. Disse que a senhora Su procurou por ele e perguntou quem estava dirigindo o carro. Ele não tinha o que responder e também não ousou falar de você, cunhado, então jogou a questão pra mim. Depois a senhora Su me ligou também… — resumiu Li Ruotai.
Wang Zhuangyuan realmente sabia se conduzir.
Tratava Wu Chen com o máximo de respeito, mas, no fim das contas, era mais próximo de Li Ruotai. E certos assuntos também eram mais fáceis de discutir com ele.
— E o que você disse? — perguntou Wu Chen, casual, virando a cabeça ao mesmo tempo.
Ouvira um movimento atrás de si.
Su Qingying havia acordado com o barulho.
Enrolada no cobertor, piscava enquanto olhava para ele, com aquele olhar de uma mulherzinha mergulhada numa paixão intensa…
É claro que os dois não estavam namorando.
O olhar apenas se parecia com o de uma mulher apaixonada.
Como ela era M, depois do que Wu Chen fizera com ela, a sensação que ele lhe proporcionava passara a ocupar um lugar completamente diferente em seu coração.
Wu Chen ergueu a mão e acariciou seus cabelos.
Su Qingying se arrastou um pouco na direção dele, inclinou a cabeça, esfregou o rosto no dorso de sua mão e então a segurou, mordendo de leve a ponta de um de seus dedos.
Sem dizer nada.
Sabia perfeitamente que ele estava ao telefone.
— …Eu disse que você é meu cunhado, ué. Que você e minha irmã já estão quase se casando — disse Li Ruotai. E perguntou: — Cunhado, afinal, o que está acontecendo? A família Su está investigando você há dois dias. Minha irmã falou disso ontem, não falou? Agora mesmo, pelo tom da senhora Su no telefone, ela estava furiosa. Perguntei se você tinha ofendido ela, mas ela não disse nada. Só falou que estava procurando você…
É claro que a senhora Su não ousaria dizer.
Não admitia qualquer “mancha” na reputação da filha. Por isso, naquele momento, procurava apenas Wu Chen e não mencionaria Su Qingying.
— Eu ainda disse que, se tivesse alguma coisa, podia falar comigo. Ela também não quis. Só disse que não tinha nada a ver com a família Li, que era assunto só com você, cunhado — concluiu Li Ruotai. — Depois desligou.
— Hum. Certo, entendi — disse Wu Chen.
— Cunhado, afinal… Não precisa esconder nada de mim. Se acontecer alguma coisa, eu seguro a bronca por você. Somos todos da mesma família, não precisa fazer cerimônia comigo — insistiu Li Ruotai.
— Não aconteceu nada. É uma coisinha — respondeu Wu Chen, sorrindo. — Você acha que alguma coisa vai acontecer comigo?
— Eu sei que você é incrível, cunhado, mas dessa vez… está meio estranho…
— Chega. Não se meta nisso. Eu vou resolver. Vou desligar.
— Então… tá bom…
Wu Chen desligou.
Tudo dentro de suas previsões.
Plim!
Plim!
Mal largara o celular, ouviu dois alertas seguidos.
Pegou o aparelho outra vez.
Duas mensagens de notificação: enquanto falava com Li Ruotai, alguém tentara ligar e não conseguira completar a chamada.
Era Li Ruobing!
Provavelmente, depois de falar com a senhora Su, Li Ruotai ligara primeiro para a irmã.
Wu Chen não achava que a senhora Su telefonaria diretamente para Li Ruobing.
Ao descobrir que o homem que levara sua filha embora era namorado de Li Ruobing, ela não só deixaria de telefonar para questioná-la como talvez até ficasse confusa e começasse a duvidar da própria conclusão.
O namorado de Li Ruobing teria coragem de levar outra mulher embora?
Não era fácil questioná-la diretamente.
A senhora Su temia que a situação crescesse.
E, mais importante: conhecendo o temperamento de Li Ruobing, ela talvez não tolerasse nada daquilo. Se a senhora Su ousasse dizer algo desagradável, Li Ruobing acabaria com ela numa discussão!
A senhora Su tinha uma posição elevadíssima em Donghai.
Afinal, era esposa do homem mais rico da cidade.
Além disso, quando se casara com Su Ruiwen, ele já era rico, mas ainda estava longe da fortuna atual. Em outras palavras, grande parte do patrimônio que hoje fazia dele o homem mais rico de Donghai era patrimônio adquirido durante o casamento!
E havia outro ponto.
Su Ruiwen respeitava e mimava muito a esposa. A senhora Su era uma intelectual e, ao longo dos anos, também ajudara bastante na carreira do marido!
Ela podia ligar diretamente para Li Ruotai e perguntar o que estava acontecendo.
Não chegaria ao ponto de descontar a raiva nele; não era tão irracional assim. E, mesmo que os dois tivessem uma discussão, depois ainda seria possível fazer as pazes.
Com Li Ruobing era diferente.
Entrar em conflito com Li Ruotai talvez não significasse ofendê-lo de verdade; ainda haveria reconciliação.
Mas ir procurar confusão com Li Ruobing era ofender Li Ruotai diretamente!
Trim, trim…
Wu Chen acabara de ler as mensagens quando o celular tocou.
Terceira ligação de Li Ruobing.
Dessa vez, completou.
Wu Chen atendeu.
— O A-Tai já me ligou — disse ele primeiro.
— Afinal, qual é a sua situação? — perguntou Li Ruobing, num tom apenas intrigado. — O que você tem a ver com a família Su? Pelo jeito que o A-Tai falou, parece que você ofendeu a família Su. Ontem estavam investigando você às escondidas e hoje já ligaram direto pra perguntar de você pro A-Tai…
— Quer saber? — Havia um sorriso na voz de Wu Chen.
— Se quiser contar, conte — respondeu Li Ruobing.
Ela sabia que, quando Wu Chen não queria falar de alguma coisa, não falava de jeito nenhum.
— Hum… espera um pouquinho.
E, dizendo isso, Wu Chen se virou para Su Qingying, estendeu-lhe o celular e falou:
— Vamos, diga alguma coisa!
