Novels chinesas em português
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    Capítulo 265 — 16h39min21s

    Jiang Chuan sabia muito bem que talvez não conseguisse vencer Wu Chen.

    A foto do elevador que Wu Chen tirara e lhe mandara naquela ocasião o deixara, por assim dizer, apavorado. Ele simplesmente não conseguia acreditar que um ser humano fosse capaz daquilo: sete contra um, e os sete aniquilados no contra-ataque de uma única pessoa!

    É verdade que, depois, numa ligação, Lao Dao contara que por pouco não ferira Li Ruobing. Com isso, Jiang Chuan “entendeu”: Lao Dao e os outros não tinham sido derrubados só por Wu Chen. Li Ruobing chegara a tempo com seus homens e interviera, e a coisa toda tinha sido mais complicada. A foto do elevador provavelmente tinha algo de montagem!

    Mas, mesmo assim!

    Wu Chen, o alvo principal do ataque, saíra sem um arranhão. Por qualquer ângulo que se pensasse… ele tinha que ter uma capacidade de combate individual altíssima!

    Por isso… Jiang Chuan conseguia concluir que Wu Chen era muito forte!

    O fato de ele ter coragem de mandar os outros saírem e encarar sozinho um homem armado com uma faca também provava isso. Do contrário, seria pedir para morrer!

    Jiang Chuan não sabia se conseguiria vencê-lo, mas precisava tentar! Não tinha escolha, não tinha para onde recuar. Tinha que tentar!

    Quando a pessoa está encurralada, mesmo sabendo que não vai dar conta, precisa partir para cima!

    Além disso, tudo não passava de suposição. Talvez desse, sim!

    A faca ainda caía em direção ao chão.

    O chute de Jiang Chuan já vinha. Ele era um profissional, e o golpe era brutal!

    O olhar de Wu Chen, porém, não se deixou atrair pela faca caindo. No instante em que Jiang Chuan ergueu a perna, ele também se moveu e também ergueu a sua.

    Embora tivessem chutado um depois do outro, Wu Chen foi mais rápido. Num piscar de olhos, os dois chutes se cruzaram. Ouviu-se um “bam”, e Jiang Chuan recolheu a perna de repente, com o corpo pendendo para o lado.

    Wu Chen tinha acertado a parte de trás do joelho dele!

    O tempo de reação e o controle de Wu Chen davam a Jiang Chuan uma sensação aterradora! Mas ele não desistiu tão fácil.

    No mesmo instante em que o corpo pendeu, aproveitou o movimento para desferir um soco pesado contra o queixo de Wu Chen.

    Wu Chen desviou o golpe com um movimento da mão e, na volta, lhe deu um tapa.

    Pá!

    Um tapa estalado!

    O corpo de Jiang Chuan cambaleou. No embalo do balanço, ele ergueu o joelho, tentando acertar o peito de Wu Chen.

    Wu Chen baixou a mão num golpe cortante em diagonal e acertou primeiro, com força, a parte interna da coxa de Jiang Chuan. No mesmo movimento, recolheu o braço e lançou o cotovelo para cima, em diagonal, atingindo-lhe o abdômen.

    Jiang Chuan se dobrou com o golpe e, aproveitando o impulso, desceu a mão em cutelo contra o pescoço de Wu Chen.

    Wu Chen agarrou o pulso dele com a outra mão e torceu com violência!

    — Aaah!!

    Jiang Chuan soltou um grito de dor e desabou de joelhos diante de Wu Chen. Não tinha como não se ajoelhar: pelo ângulo em que Wu Chen torcia seu braço… se não se ajoelhasse, ficaria com a mão quebrada. Só baixando o corpo conseguia aliviar a dor.

    Além disso, a perna já tinha levado o golpe atrás do joelho e não aguentava mais sustentar força.

    Contado assim, parece complicado, mas tudo aconteceu num intervalo curtíssimo. Do chute repentino de Jiang Chuan até ele acabar de joelhos, com o braço torcido, passaram-se só alguns segundos.

    Cada ataque dele era devolvido por Wu Chen, e ele ainda apanhava!

    Jiang Chuan continuava “duro na queda”. Aguentava pancada como poucos: nas várias vezes em que Wu Chen revidou, ele não recuou nem caiu… mas, no fim, acabou de joelhos, com o braço torcido.

    Afinal, já não era tão jovem. Tinha passado dos quarenta, e seu auge físico ficara para trás.

    Só em termos de capacidade de luta, havia entre ele e Wu Chen uma diferença de nível. Isso sem falar daquela percepção de reação monstruosa de Wu Chen.

    Na sala, os três homens de confiança de Lao Dao ouviram o grito, mas não invadiram o quarto… porque quem gritava era Jiang Chuan.

    Wu Chen afrouxou um pouco a pegada.

    Jiang Chuan parou de gritar, mas também não se debateu nem tentou atacá-lo de novo. Já tinha entendido que, contra Wu Chen, não tinha a menor chance.

    Wu Chen então o soltou.

    — Me dê a faca — repetiu.

    Jiang Chuan apertou com a mão esquerda o ombro e o cotovelo direitos. Ao ouvir aquilo, olhou para a adaga caída no chão, bem ao seu lado. Pegou-a e a estendeu de novo para Wu Chen.

    Dessa vez, não tentou nenhum truque. Entregou a arma que lhe dava sensação de segurança e era seu último recurso.

    Wu Chen pegou a adaga, girou-a entre os dedos e a examinou. Depois olhou para Jiang Chuan e sorriu:

    — Dê graças por ter deixado uma saída para si mesmo.

    E Jiang Chuan tinha mesmo deixado uma saída.

    Não atacara Wu Chen com a faca, e sim com socos e chutes.

    Com a faca, seria outra história. Jiang Chuan não sabia se conseguiria derrotá-lo, nem se Wu Chen andava armado, então… não usara a faca!

    Se tivesse usado e perdido, Wu Chen talvez o matasse ali mesmo!

    — Eu sei. O que você teme são as famílias Ding e Li… Seja Ding Ruilong, seja Li Ruotai, os dois querem você morto agora… — continuou Wu Chen, virando-se e começando a andar devagar pelo quarto. — Na verdade, muita coisa não é como você imagina.

    Enquanto falava, passou pelo armário encostado na parede e cravou nele a adaga, como quem não quer nada. Depois esticou o braço, puxou a cadeira do outro lado e a virou.

    Sentou-se, cruzou as pernas e olhou para Jiang Chuan, sorrindo.

    — Vamos pensar por outro ângulo. Você não quer morrer, mas acha que sua morte é inevitável. Então, se é para morrer, quer que a morte valha alguma coisa. Por exemplo, proteger sua família…

    Fez uma pausa, ainda sorrindo, e prosseguiu:

    — Só que, na verdade, nada é inevitável…

    Ao mesmo tempo.

    Na sala.

    O brutamontes de costas largas e o de pele clara e óculos estavam sentados no sofá, conversando em voz baixa, enquanto o franzino andava de um lado para o outro diante deles.

    Os três olhavam a todo momento para a porta do quarto.

    Nenhum deles se atrevia a ir encostar o ouvido na porta para escutar.

    Lao Dao já tinha dado as instruções pelo telefone. Eles sabiam que aquele jovem chamado “Wu Chen” era o atual patrão do irmão mais velho deles, Lao Dao. Ou seja, o chefe do chefe!

    Lao Dao ainda repetira várias vezes que Wu Chen “não era humano”…

    Eles conheciam bem o próprio irmão mais velho, por isso aquelas palavras tinham, de fato, os assustado. Agora, diante de Wu Chen… sentiam um misto de temor e respeito!

    Assim, por mais curiosos que estivessem para saber o que Wu Chen viera conversar com Jiang Chuan, não ousavam nem pretendiam escutar escondidos.

    Nem havia necessidade.

    Pouco mais de vinte minutos depois.

    A porta do quarto se abriu.

    Wu Chen saiu, e Jiang Chuan veio logo atrás, com uma expressão muito complicada, como quem carrega muita coisa na cabeça. Wu Chen tinha a mão pesada: um lado do rosto de Jiang Chuan continuava inchado.

    — Senhor Wu.

    Todos se levantaram para cumprimentá-lo.

    — Vocês ficam aqui por enquanto. Depois o Lao Dao avisa quando for para mudar de lugar. — Wu Chen tinha uma das mãos no bolso. Indicou Jiang Chuan com um leve movimento de cabeça. — Não precisa mais amarrar ele. E não batam nele.

    — Pode deixar, senhor Wu.

    — Fique tranquilo, senhor Wu.

    O franzino e o de óculos responderam depressa.

    Wu Chen não disse mais nada.

    Foi embora!

    Ninguém sabia o que exatamente os dois tinham conversado. Depois que Wu Chen saiu, a atitude de Jiang Chuan também ficou esquisita: sem dizer uma palavra, voltou para o quarto e fechou a porta.

    O franzino acompanhou Wu Chen até a saída. Ao voltar, fez uma pergunta, empurrou a porta do quarto e entrou para ver Jiang Chuan.

    Jiang Chuan estava sentado na cadeira, ainda calado e pensativo. Ao ver alguém entrar, só lançou um olhar e voltou a ficar ali, absorto.

    Sua expressão ora se agitava, ora se abatia, ora deixava escapar um fio de expectativa.

    Wu Chen desceu e entrou no carro.

    Já acomodado, primeiro ligou para Zhuang Xiaodie e só então pegou a estrada.

    Dezenove minutos depois.

    Eram exatamente 16h36.

    Perto do grande mercado de roupas do distrito de Xicheng, Avenida Jingyang, Bar Manyin.

    Qingba era um tipo de bar mais tranquilo, voltado para música leve, ideal para amigos conversarem e tratarem de assuntos.

    Wu Chen estacionou a Lamborghini na rua, em frente ao Bar Manyin, entrou e escolheu uma mesa do lado sul, perto do canto. Um garçom veio logo atendê-lo, mas Wu Chen disse que ia esperar um amigo antes e não pediu nada.

    Alguns minutos depois.

    Eram exatamente 16h39min21s.

    Um homem e uma mulher entraram de braços dados. Ele usava boné; ela, máscara. Ambos estavam vestidos de um jeito meio misterioso, como se tivessem medo de ser reconhecidos.

    Pareciam muito íntimos, como marido e mulher.

    Nesse momento, Wu Chen pegou o celular e começou a gravar um vídeo. Apoiou o aparelho no abajur decorativo em forma de vela que havia em todas as mesas, deixando-o um pouco deslocado em relação à luminária, de modo que a câmera ficasse apontada, na diagonal, exatamente para o lugar mais ao canto.

    Ao entrar, o casal parou por um instante e olhou em volta à procura de lugar. Depois veio na direção de Wu Chen… e se sentou justamente ali, no lugar mais ao canto, ao lado da mesa dele.

    Nota