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    Capítulo 211 — Número um do mundo

    Mao Rusong estava realmente em pânico.

    Achava que Wu Chen era um assassino mandado por algum inimigo! E não um
    assassino qualquer, mas um matador internacional de elite, contratado
    por uma quantia astronômica, como nos filmes. Chegou a suspeitar de que
    Wu Chen pertencesse a alguma organização de assassinos de nível mundial!

    Era uma suposição bem exagerada!

    Mas não tinha como não exagerar. Nada menos que isso combinaria com a
    habilidade que Wu Chen acabara de mostrar. Sua pontaria era absurda a
    esse ponto. Ultrapassava não só a compreensão das pessoas comuns, mas
    até… a de atiradores profissionais!

    Não era só Mao Rusong que estava intimidado. Seus guarda-costas e todos
    os presentes tinham sido completamente dominados pelo choque.

    Wu Chen sabia que o efeito seria esse.

    Porque sabia que sua pontaria já alcançara um nível acima de qualquer
    outro ser humano na Terra!

    Desde que percebera, no ciclo, que sua memória estava melhorando, Wu
    Chen notara também que sua capacidade de aprendizado e sua concentração
    em certos aspectos tinham aumentado enormemente.

    E continuavam aumentando!

    No treino de tiro, Wu Chen tinha ainda uma vantagem que ninguém mais
    tinha: podia disparar muito mais balas por dia!

    Para atirar bem, é preciso atirar muito.

    Armas têm recuo. Uma pessoa comum, que não sabe usá-las, pode torcer o
    pulso num único disparo. Mesmo alguém treinado já faz muito se disparar
    cem ou duzentas balas por dia. Passando disso, no dia seguinte o pulso
    fica inchado e dolorido, e a mão fica temporariamente inutilizada.

    Numa unidade policial tática, o treinamento de atiradores de elite prevê
    só uns trinta mil disparos por ano.

    Mesmo os melhores atiradores, como os ases dessas unidades, conseguem
    disparar no máximo quinhentas ou seiscentas balas por dia num
    treinamento intensivo. Tantos disparos num só dia costumam abrir a pele
    entre o polegar e o indicador, deixando-a em carne viva.

    Nem os melhores atiradores aguentam muitos dias de um treino tão
    extremo.

    Wu Chen, porém, disparava milhares de balas por dia quando treinava.
    Continuava mesmo com as mãos ensanguentadas, enrolando-as em ataduras.
    Chegara a ter fissuras e fraturas nos ossos.

    Mas, para Wu Chen, as consequências daquele excesso não importavam!

    Porque todo dia havia reinicialização!

    Qualquer lesão causada pelo treino desaparecia quando chegava o novo dia
    e tudo recomeçava.

    A quantidade de balas que Wu Chen disparara em algumas centenas de dias
    de treino insano superava tudo o que um atirador de elite dispararia na
    vida inteira!

    E, mais importante, as sensações e as memórias não desapareciam!

    Não só não desapareciam…

    Permaneciam para sempre.

    Durante o ciclo, Wu Chen não entendia bem por que conseguia manter o
    nível técnico de forma permanente. Os outros enferrujavam um pouco
    depois de alguns dias sem atirar, mas ele não.

    Só depois do começo de sua nova vida entendeu o motivo: seu valor de
    Força Mental havia aumentado em mais de dez mil pontos.

    Por isso, Wu Chen tinha certeza de que, só na pistola, era o número um
    do mundo!

    E não por pouco: estava um nível inteiro acima do segundo colocado!

    Os outros atiradores de elite de nível mundial estavam num patamar.

    Wu Chen estava um patamar acima deles.

    E, nesse patamar, só havia ele.

    Wu Chen continuava apontando a pistola para Mao Rusong, com um sorriso
    no rosto.

    Ninguém ousava se mexer.

    Além da pontaria quase divina, Wu Chen parecia ter olhos na nuca.

    — C-cem milhões… Eu pago cem milhões! Não! Eu cubro com mais cem
    milhões! — Mao Rusong aumentou a oferta de novo. Gotas de suor frio já
    brotavam em sua testa, e a voz estava ainda mais seca. — Não me mate!
    Seja lá quanto o outro esteja pagando, eu dou mais cem milhões!

    Mao Rusong estava realmente apavorado.

    Quanto mais pensava, mais medo sentia.

    Levava ao extremo a ideia de que Wu Chen era um assassino. Já se
    imaginava com a cabeça estourada por um tiro, enquanto Wu Chen ia embora
    tranquilamente, sem que nenhum de seus homens ousasse detê-lo.

    Um detalhe merece ser mencionado.

    Aquilo era um bar.

    A maior diferença entre um bar e um prédio residencial ou comercial
    comum é que, na reforma, o bar recebe tratamento acústico. O Jiudu
    Kongjian era um dos bares mais sofisticados de Modu e, na reforma, não
    economizara no isolamento acústico de todo o espaço.

    Por isso, embora Wu Chen tivesse disparado sete vezes dentro da sala,
    quem estivesse do lado de fora, se ouvisse alguma coisa, ouviria só
    alguns baques abafados. Não daria para reconhecer como tiros.

    O escritório estava em silêncio.

    — Eu odeio quando falam palavrão comigo — disse Wu Chen enfim, sorrindo,
    num tom leve.

    — Desculpe! Fui cego, não reconheci quem estava na minha frente.
    Desculpe, amigo! — Mao Rusong se desculpou na hora. Quem é esperto não
    briga quando está em desvantagem, e ele sabia se curvar quando era
    preciso.

    Primeiro precisava salvar a pele.

    Só depois poderia reagir e se vingar!

    Wu Chen continuou com a arma erguida, olhando para Mao Rusong com um
    sorriso, sem dizer nada.

    — Mestre, o senhor é quem manda. Eu tenho esse vício de falar palavrão,
    não leve a mal, está bem? — disse Mao Rusong. Ergueu a mão e deu um
    tapa, nem forte nem fraco, no próprio rosto, abrindo um sorriso largo
    para Wu Chen.

    Baixinho e magro como era, com aquele sorriso lembrava muito os chefes
    de esquadrões de traidores colaboracionistas dos dramas de guerra.

    Wu Chen abaixou a arma.

    Afinal, não tinha vindo matar ninguém.

    Sentou-se e sorriu para Mao Rusong.

    — Que tal conversarmos a sós?

    — Isso… — Mao Rusong hesitou, mas concordou em seguida. — Está bem, está
    bem, claro… Saiam. Todos vocês, saiam.

    Hesitara por medo. Temia que, se todos os homens saíssem, Wu Chen lhe
    desse um tiro. Mas logo pensou melhor. Não fazia sentido. Se Wu Chen
    quisesse matá-lo, poderia fazer isso ali mesmo. A presença dos outros
    não fazia diferença; estavam todos assustados demais para se mexer.

    E mandar seus homens para fora ainda tinha uma vantagem…

    Os homens de confiança poderiam avisar outras pessoas, e os subordinados
    poderiam ir buscar armas.

    Mao Rusong mandou todos saírem.

    Os outros se apressaram em deixar a sala. Ninguém queria ficar ali nem
    mais um segundo. Estavam num dilema: tinham medo de que Wu Chen abrisse
    fogo contra todos, mas também não sabiam se deviam avançar para proteger
    o chefe. Avançar seria suicídio; não avançar pareceria deslealdade.

    Sair era o melhor.

    Todos deixaram o escritório em fila, inclusive Sun Jiamei, a mulher de
    maquiagem pesada de Mao Rusong.

    Logo, só Wu Chen e Mao Rusong restavam na sala.

    A porta se fechou.

    — Sente-se, chefe Mao — disse Wu Chen, sorrindo, com um gesto.

    — Ah, sim… — Mao Rusong recuperou a compostura e até exibiu um sorriso
    meio falso, como se recebesse um convidado de honra. Mas, ao se sentar,
    os olhos ainda escorregaram instintivamente para a pistola na mão de Wu
    Chen.

    Depois que Mao Rusong se sentou,

    Wu Chen simplesmente pôs a pistola sobre a mesa e a deslizou na direção
    dele.

    Pá!

    Mao Rusong bateu a mão sobre a arma, prendendo-a na borda da mesa, e
    ficou atônito por um instante.

    O que aquilo queria dizer?

    Na verdade, nem o próprio Mao Rusong lembrava quantas balas havia na
    pistola. Fazia muito tempo que não a usava. Mas Wu Chen disparara sete
    vezes e a arma não tinha travado aberta, ou seja, o ferrolho não ficara
    retido para trás.

    Isso significava que ainda havia munição!

    Mao Rusong não entendia de jeito nenhum por que Wu Chen lhe devolvera a
    arma.

    — Ainda tem uma bala aí — disse Wu Chen, sorrindo. — Guarde direito.
    Seria ruim se alguém se ferisse por acidente.

    Mao Rusong ficou atônito outra vez.

    Nem ele sabia quantas balas havia na pistola, e Wu Chen, sem sequer
    conferir o carregador, afirmava com certeza quantas restavam!

    Seria verdade?

    Como era possível?

    O que ele não sabia era que Wu Chen conseguia saber a quantidade de
    munição só pelo peso da pistola.

    — Bem… — Mao Rusong escolhia as palavras enquanto pegava a arma bem
    devagar, retirava o carregador e olhava.

    O carregador estava vazio.

    Wu Chen tinha razão. Restava mesmo uma bala, na câmara, pronta para
    disparar a qualquer momento.

    Mao Rusong recolocou o carregador, abriu a gaveta e guardou a pistola.

    Era um homem inteligente. Não só fora completamente intimidado por Wu
    Chen, como entendera que, mesmo com a arma e a última bala de volta, não
    tinha chance alguma.

    Se ousasse tentar qualquer coisa de novo, já não dava para saber se Wu
    Chen o mataria ou não.

    Diante de um especialista desse nível, a uma distância tão curta,
    cooperar por ora era sempre a escolha mais acertada.

    — Bem… amigo… — Mao Rusong voltou a olhar para Wu Chen, com um sorriso
    falso.

    — Ouvi dizer que você preparou uma mulher para Ding Ruilong. Uma garota
    muito bonita, não é? — perguntou Wu Chen, sorrindo.

    A expressão de Mao Rusong mudou na hora.

    Nota