Capítulo 312 — Aproveitar a força! Aproveitar a força! Aproveitar a força!
por NexoNovelCapítulo 312 — Aproveitar a força! Aproveitar a força! Aproveitar a força!
Por qualquer ângulo que se pensasse, o que Wu Chen tinha dito era impossível!
Com a experiência que tinha e o que sabia da família Tang, Sun Yongzhang achava aquilo impossível!
Para começar, as famílias Tang e Li não tinham a menor base de cooperação. E, mesmo que tivessem… o círculo da família Tang era peculiar. Eram muito diferentes das grandes famílias comuns, com poucos envolvimentos. Por isso, quando os Li e os outros começassem a agir, provocando alinhamentos e uma guerra de todos contra todos entre as grandes famílias, a família Tang podia ficar de fora!
Aquilo simplesmente não chegava até a família Tang!
E nenhuma força seria capaz de obrigar os Tang a escolher um lado!
A família Tang podia, isso sim, ficar sentada no morro vendo os tigres brigarem e entrar só no último momento, apoiando o lado que estivesse em vantagem.
Para a família Tang, essa era a melhor escolha: risco mínimo! E o ganho também podia ser enorme!
Por isso…
A proposta de Wu Chen parecia pouco confiável demais! Risco enorme, chance de sucesso baixíssima!
— Você… afinal, o que você quer… — Sun Yongzhang encarava Wu Chen, sem conseguir manter a calma.
— É complicado. — Wu Chen olhou para ele, sorrindo, e continuou: — Senhor Sun, eu sei o que te preocupa, mas a situação concreta… não dá mesmo pra explicar em poucas palavras. O convidado está esperando lá fora. A gente pode conversar sobre isso depois. Ou, quando eu for tratar disso em detalhes com o Tang Jingbin, você pode estar presente.
— Jovem Wu, pensa bem! Se isso der errado, todos os nossos planos vão pro brejo! — disse Sun Yongzhang. Estava mesmo um pouco aflito.
— Eu sei. Não vai dar errado. — A reação de Wu Chen continuou serena, sem perder o sorriso.
Sun Yongzhang olhou para ele. Não tinha o que fazer.
Muita coisa tinha sido tratada diretamente entre Wu Chen e Li Maoren; somavam-se a isso a avaliação que Li Maoren fazia dele e as recomendações especiais que dera a Sun Yongzhang.
Sun Yongzhang entendia que o que Wu Chen decidisse fazer ou não fazer não dependia dele. Para mudar uma decisão de Wu Chen, só o próprio Li Maoren!
Silêncio no escritório.
— …Está bem. Por enquanto, fica assim — disse Sun Yongzhang, depois de um instante calado.
Não tentou convencer Wu Chen de novo. Sabia que não adiantava.
Só restava observar primeiro e ficar de olho.
Na sala da suíte.
Os quatro já tinham voltado a conversar, só trocando banalidades. Li Ruotai tinha recebido as instruções de Wu Chen e falava pouco, então a principal interlocutora de Tang Jingbin passou a ser Li Ruobing.
Falavam de qualquer coisa: da empresa de Li Ruobing; Tang Jingbin ainda elogiou a beleza e a competência dela. Ele adorava mesmo elogiar os outros.
Creeec!
A porta do escritório se abriu de repente. Wu Chen e Sun Yongzhang, terminada a conversa, saíram um atrás do outro.
— Hahahahaha! Irmão Tang, desculpa, te fiz esperar de novo. Surgiu um assunto que a gente precisava tratar… — Sun Yongzhang voltou ao seu lugar gargalhando, parecendo de ótimo humor.
Na verdade, por dentro não estava tão contente assim. Era atuação, para Tang Jingbin ver.
— Vendo o irmão Sun assim radiante, aconteceu alguma coisa boa? — sondou Tang Jingbin, todo sorridente, lançando um olhar a Wu Chen.
— Que nada, que nada. — Sun Yongzhang abanou a mão e suspirou: — Ai! Com a encrenca que o Atai arrumou, que coisa boa ia ter… — E trouxe o assunto de volta.
Depois disso, os dois retomaram a conversa vazia e o jogo de empurra.
Wu Chen voltou ao lugar de antes e se sentou junto de Li Ruobing.
— Conversaram sobre o quê? — Li Ruobing apoiou a mão no ombro dele e perguntou baixinho, junto ao ouvido.
Wu Chen olhou para ela de canto, sorriu, inclinou a cabeça e respondeu baixinho:
— Adivinha.
— Você acha isso divertido? — devolveu Li Ruobing, baixinho, olhando-o de esguelha.
— Acho. Muito divertido. — Wu Chen sorriu, e logo em seguida o canto da boca dele deu um leve tremelique.
Porque Li Ruobing o tinha beliscado, num ângulo que ninguém mais conseguia ver.
— Lá vem você de novo, feito uma menininha, beliscando os outros — provocou Wu Chen.
— Você não queria que eu fosse um pouco mais feminina? — rebateu Li Ruobing, lançando-lhe um olhar sedutor.
Os dois, sentados lado a lado no sofá, cochichavam, cheios de intimidade.
Destoavam bastante do clima da sala.
Isso chamou a atenção de Tang Jingbin. Embora continuasse conversando com Sun Yongzhang, ele não parava de reparar em Wu Chen e foi formando muitas ideias sobre a atitude das famílias Li e Sun em relação a ele.
Uns dez e poucos minutos depois.
Sun Yongzhang se levantou de repente, disse que ia ao banheiro e saiu apressado. A suíte tinha banheiro, mas ele preferiu usar o de fora.
Com Sun Yongzhang de novo fora da sala, a principal interlocutora de Tang Jingbin voltou a ser Li Ruobing.
Tang Jingbin queria conversar com Wu Chen, sondá-lo, tentar arrancar alguma informação.
Mas, menos de um minuto depois de Sun Yongzhang sair, Wu Chen chamou “chefe Gu”, levantou-se e foi com Gu Ruibo, que também se levantou, até a varanda da sala.
Tinham todo o ar de quem queria tratar de algum assunto e se afastava um pouco para não atrapalhar a conversa entre Tang Jingbin e Li Ruobing.
A sala da suíte era enorme. Falando baixo na varanda, ninguém na sala conseguiria ouvir; só dava para ver os dois de costas e os gestos que faziam.
Wu Chen e Gu Ruibo também não falaram de nada especial.
Só conversaram por alto sobre a parceria entre Gu Ruibo e Wu Yurong, alguns avanços, coisas assim. Wu Chen também mencionou Lei Cheng, dizendo que era amigo dele, para que Gu Ruibo já ficasse ciente.
Alguns minutos depois.
Sun Yongzhang voltou e continuou a conversa com Tang Jingbin.
Wu Chen e Gu Ruibo só olharam para trás, sem voltar para a sala. Continuaram na varanda, de costas para todos, ombro a ombro, falando baixinho.
Dez minutos depois.
— Senhor Wu, olha… no caso do Tang Xinbao, em que eu posso ajudar? Sei que o senhor com certeza tem uma saída, mas… se eu puder ser útil, é só falar. Eu e o Atai somos irmãos, não tem cerimônia entre a gente. — Esgotado o assunto da parceria, Gu Ruibo puxou por conta própria o caso de Tang Xinbao.
— Você já está ajudando — disse Wu Chen, virando-se para ele com um sorriso.
— Hã? — Gu Ruibo ficou sem entender.
Já estava ajudando? Desde quando? Antes, na conversa, ele tinha dito umas coisas a favor de Li Ruotai, mas aquilo não surtira efeito nenhum!
— Senhor Wu, você quer dizer que eu… — Gu Ruibo ficou ainda mais perdido. Ele não tinha feito nada.
Gu Ruibo jamais entenderia que a própria atitude dele em relação a Wu Chen já era uma ajuda para Wu Chen!
E não só a dele!
A atitude de todo mundo em relação a Wu Chen estava ajudando Wu Chen!
Wu Chen era mestre em aproveitar a força e a posição dos outros, em usar a força alheia contra ela própria, em usar um peso para esmagar outro!
E naquele dia estava levando isso ao extremo!
Wu Chen tinha outras mulheres. Qual era a atitude de Li Ruobing em relação a ele? E a de Li Ruotai?
A família Li pretendia selar uma aliança por casamento com a família Ding. Então qual era a atitude de Sun Yongzhang em relação a Wu Chen?
E ainda havia Gu Ruibo, descendente direto da terceira geração da família Gu de Modu, que em princípio nem devia ter ligação nenhuma com Wu Chen. Qual era a atitude dele? Por que parecia até tratá-lo com deferência?
Tudo isso Tang Jingbin estava vendo.
Ele ia deduzir e ia elevar cada vez mais a avaliação que fazia de Wu Chen! No fim, talvez chegasse a uma conclusão em que nem ele mesmo teria coragem de acreditar facilmente!
E não parava por aí… depois ainda vinha Ding Ruilong, que também ia “ajudar” Wu Chen!
Trim-trim…
Um celular tocou na varanda. Era o de Wu Chen.
Wu Chen tirou o aparelho do bolso e olhou. Na tela: Tio!
Era Li Maoren!
Provavelmente, quando saíra para ir ao banheiro, Sun Yongzhang tinha ligado para Li Maoren e contado que Wu Chen queria trazer a família Tang para o plano. Senão Li Maoren não ligaria justo naquela hora.
Wu Chen atendeu:
— Tio.
— Pode falar? — perguntou Li Maoren, de cara.
— Não — respondeu Wu Chen.
— …Tem certeza de que dá conta? — Depois de um breve silêncio, Li Maoren perguntou direto, sem tentar dissuadi-lo.
— Claro que tenho — disse Wu Chen, sorrindo.
Li Maoren ficou mais um instante em silêncio e disse:
— Não estrague tudo.
— Não vou.
— Se precisar de alguma coisa, fala com o Yongzhang.
— Entendido.
Tu-tu-tu…
Fim da ligação!
Uma conversa simplíssima. Gu Ruibo estava bem ao lado e conseguia ouvir vagamente um pouco da voz no celular, mas não tinha como entender do que os dois falavam.
Trim-trim…
Menos de um minuto depois de Wu Chen desligar, outro celular tocou na sala.
Era o de Li Ruotai!
Li Ruotai atendeu, ouviu por um instante e se levantou de repente, de cenho franzido e cara fechada!
— Entendi. Manda ele subir.
Desligou e, na mesma hora, ergueu a cabeça e gritou para Wu Chen, na varanda:
— Cunhado! O Ding Ruilong chegou. Tá lá embaixo!
