Capítulo 037 — Amor! Vem aqui!
por NexoNovelCapítulo 037 — Amor! Vem aqui!
Li Ruobing esperava que ele dissesse onde havia alguma pinta em seu corpo, ou talvez mencionasse alguma cicatriz discreta deixada por uma briga da adolescência.
B-baihu?!!
Li Ruobing realmente era baihu, e só ela mesma sabia disso. Assim que entrou na puberdade, percebeu depressa que era diferente. Como não queria que ninguém ficasse fazendo comentários sobre seu corpo, depois dos quatorze anos nunca mais entrou nem no banheiro coletivo feminino da escola.
As palavras de Wu Chen a assustaram tanto que os hashis escaparam de sua mão.
Porque Wu Chen não havia apenas revelado o assunto mais íntimo a seu respeito.
Era algo que simplesmente não deveria ser possível que outra pessoa soubesse!
Li Ruobing recolheu em silêncio os hashis que tinham caído sobre a mesa e ergueu outra vez os olhos para Wu Chen. Seu olhar estava carregado de uma sensação perigosa, e Wu Chen conseguia perceber com toda a clareza…
Li Ruobing olhava para um pervertido!
— Há quanto tempo você me segue? — perguntou ela, com o olhar sombrio.
Já achava mesmo que Wu Chen era um pervertido que a seguia e espionava. Talvez até tivesse invadido sua casa antes, se escondido dentro de um armário e passado uma noite inteira observando-a.
— Eu tenho vinte e dois anos — disse Wu Chen, mantendo o sorriso. — Me formei na universidade este ano. Antes do ensino médio, morei sempre na minha cidade natal. Foram três anos de ensino médio e quatro de faculdade. No total, estou na área urbana de Donghai há sete anos. E você, quatro anos atrás, ainda estava no exterior. Só voltou ao país e veio para Donghai depois de concluir o mestrado…
— Eu ainda precisava estudar, e minhas notas sempre foram muito boas. A Universidade de Donghai, de qualquer forma, é uma universidade importante, e eu consegui entrar. Além disso, não é só você que eu conheço. Conheço muito mais gente e muito mais coisa do que você imagina.
— Então, quanto tempo você acha que eu gastaria com uma única pessoa? Acha que eu usaria um método idiota como seguir alguém para investigar cada um de uma vez? Como corretor de informações, naturalmente tenho minha própria competência profissional. Tenho métodos que vão muito além do que você consegue imaginar, mas com certeza não são tão… simples quanto você pensa!
Li Ruobing pousou os hashis e apertou de leve os lábios.
Queria perguntar alguma coisa a Wu Chen, mas não chegou a fazê-lo, porque sabia que provavelmente receberia como resposta: “segredo comercial”!
Ela realmente precisava admitir que o que Wu Chen dizia fazia sentido!
Wu Chen não conhecia apenas ela. Conhecia gente demais.
Portanto, considerando que ele tinha apenas vinte e dois anos, era impossível que seu método de investigação consistisse em seguir pessoas e ficar de tocaia. Aquele método funcionava, mas consumia tempo demais. Wu Chen simplesmente não teria tempo suficiente para investigar tanta gente daquela maneira!
Ele certamente tinha algum método “mais avançado e mais eficiente”!
— Você está ficando cada vez mais interessante para mim — disse Li Ruobing de repente, sorrindo, com um brilho incomum nos belos olhos.
Desde que o conhecera, um dia antes, ele já a fizera achá-lo “interessante” mais de uma vez. Naquele momento, porém, o interesse de Li Ruobing por ele havia chegado ao ponto máximo!
A teimosia e a recusa em admitir derrota que existiam em seus ossos tornavam difícil para Li Ruobing aceitar a situação atual.
E a situação era simples: Wu Chen sabia tudo sobre ela, até seus segredos mais íntimos, enquanto ela não sabia absolutamente nada sobre ele.
Isso faria com que, depois daquele dia, Li Ruobing mobilizasse ainda mais gente para investigar Wu Chen de forma ainda mais intensa e profunda.
Ela própria também faria tudo o que pudesse para descobrir os segredos daquele homem extraordinário.
E era exatamente isso que Wu Chen queria ver.
Quando um homem conquista uma mulher, em geral tudo começa no momento em que ela passa a se interessar por ele.
Para uma mulher comum, esse “interesse” costuma nascer da aparência ou do dinheiro do homem.
Mas aparência e dinheiro eram justamente as coisas que menos interessavam a Li Ruobing. Ela já tinha visto homens bonitos demais. Um homem rico talvez nem fosse mais rico do que ela. Mesmo que fosse, e mesmo que tivesse conquistado a própria fortuna por competência, no máximo ganharia o respeito dela.
Respeito era apenas respeito.
Nada além disso.
Agora, porém, Wu Chen usava o “mistério” que o cercava para despertar o interesse de Li Ruobing.
— Um brinde? — Wu Chen ergueu a taça.
Li Ruobing o examinou com um sorriso, ergueu a sua e brindou com ele.
Àquela altura, provavelmente já estava elaborando mentalmente um grande plano para lidar com Wu Chen. Quanto a isso, ele não tinha medo algum. Pelo contrário, recebia a ideia de braços abertos.
Que Li Ruobing viesse enlouquecidamente! A fundo! Sem qualquer escrúpulo!
Que viesse conhecê-lo!
O primeiro “encontro” dos dois, seu primeiro jantar juntos, terminou enfim, aos poucos, sem novos incidentes.
Não precisaram pagar a conta. Lu Guangnian já havia pago.
Ele pagara as contas de todas as mesas do térreo.
Li Ruobing saiu do Restaurante Laopinxuan de braço dado com Wu Chen, sob inúmeros olhares.
— Eu levo você para casa — disse ela assim que saíram.
Entraram no carro.
Rumo à casa de Wu Chen!
No caminho, Wu Chen contou brevemente a Li Ruobing sobre o caso de Lu Guangnian. Falou principalmente de Liu Caixiu e Liu Ligang. Quanto ao primeiro amor de Lu Guangnian, não mencionou nada.
Ainda não se sabia se Lu Guangnian conseguiria reconquistar aquele primeiro amor, nem se o filho o reconheceria.
Antes de haver um resultado, Wu Chen achava melhor não espalhar a história.
Mais de meia hora depois.
A entrada do beco onde ficava a casa de Wu Chen, na parte antiga do distrito de Dongcheng, já podia ser vista à distância.
Wu Chen sabia por que Li Ruobing tomara a iniciativa de levá-lo para casa.
Primeiro, para manter a encenação. Se ela nunca sequer o tivesse levado para casa, o namoro dos dois pareceria falso demais.
Segundo, ela queria ver se Wu Chen realmente morava ali.
Trim, trim—
Dentro do Bentley Continental, o celular de Li Ruobing tocou de repente.
Com uma das mãos no volante, ela pegou o aparelho, olhou a tela e atendeu direto:
— Fala!
— Chefe, tem um carro nos seguindo — informou um dos guarda-costas que estava na Mercedes Classe G logo atrás.
— Entendi.
Li Ruobing franziu a testa e desligou, um pouco irritada.
— Tem alguém seguindo a gente. Provavelmente é gente de Ding Ruilong.
Ela voltou a suspeitar de Ding Ruilong porque, na opinião dela, só alguém tão obsessivo quanto ele mandaria pessoas segui-la sem motivo, a qualquer hora.
— Como você sabe que foi Ding Ruilong quem mandou? — perguntou Wu Chen.
— Quem mais seria doente desse jeito? — retrucou ela.
— Tudo bem.
Wu Chen sorriu e não disse mais nada.
Na verdade, ele sabia que havia alguém o seguindo desde o meio-dia. Só que não estavam seguindo Li Ruobing.
Estavam seguindo ele.
Inclusive quando, no Restaurante Laopinxuan, saíra para conversar com Lu Guangnian, havia alguém observando.
Mas a distância era grande. A pessoa não conseguiria ouvir a conversa. Só poderia ver detalhes como Wu Chen e Lu Guangnian falando a sós e Lu Guangnian oferecendo um cigarro a ele.
Wu Chen sabia quem havia mandado segui-lo.
Li Ruobing estava enganada.
Que continuasse enganada.
Logo o Bentley Continental chegou à entrada do beco e parou devagar. A rua lá dentro não era muito boa. Como o Bentley Continental era um cupê e tinha pouca altura em relação ao chão, mesmo contando com suspensão ajustável, entrar e sair dali daria trabalho.
— Pode parar aqui. Já está ficando tarde. Volte e descanse cedo. Boa noite e bons sonhos.
Enquanto falava, Wu Chen abriu a porta, desceu e começou a caminhar para dentro do beco.
Foi embora sem hesitar.
Nem sequer olhou para trás.
Li Ruobing observou Wu Chen pelo para-brisa enquanto ele avançava pelo beco. Não se sabia no que ela pensara, mas de repente baixou o vidro, inclinou a cabeça e chamou:
— Amor!
Outra encenação?
Para quem?
Wu Chen se virou e olhou para Li Ruobing dentro do carro.
Ela inclinou a cabeça e fez um gesto para que ele se aproximasse.
Wu Chen franziu levemente a testa, voltou até o Bentley e parou ao lado da porta do motorista.
— Vem aqui — disse Li Ruobing, curvando novamente o dedo, como se quisesse lhe contar algum segredo.
Wu Chen se inclinou um pouco.
Li Ruobing passou de repente um braço ao redor do pescoço dele, projetou metade do corpo para fora da janela e o beijou diretamente na boca.
