Novels chinesas em português
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    Capítulo 462 — Como alguém consegue se lembrar de tudo isso?

    — Esses carros… — Wu Chen lançou um sorriso de lado para Li Ruobing. — O primeiro é aquele Santana branco que entrou e saiu do estacionamento antes de o caminhão ir embora. Foi nesse carro que o motorista do caminhão chegou ao estacionamento…

    — Hã? — Li Ruobing ficou surpresa e perguntou: — Com base em quê você chegou a essa conclusão?

    — Quando o carro saiu, você pode conferir nas gravações: o pneu traseiro estava um pouco murcho — respondeu Wu Chen.

    Li Ruobing ajustou a barra de progresso e verificou as imagens.

    Também comparou as gravações da entrada e da saída do Santana branco. De fato, parecia ser verdade.

    Quando o Santana branco saiu, dava a impressão de que havia algo pesado no porta-malas, fazendo com que o pneu traseiro ficasse bem mais murcho.

    — O motorista do caminhão foi levado por esse carro. E o verdadeiro motorista do caminhão provavelmente também foi colocado no porta-malas desse carro e levado embora.

    Assim que Wu Chen terminou de falar, Li Ruobing percebeu o problema.

    O que ele dizia era subjetivo demais!

    Por que aquele carro, especificamente?

    Só porque entrara e saíra do estacionamento antes de o caminhão partir? Só porque o pneu traseiro parecia um pouco murcho?

    — Talvez estivessem transportando alguma carga. Pelo que vimos, muitos caminhões que entram e saem desse estacionamento trabalham com logística, não é? — perguntou Li Ruobing.

    — Além disso, não foi só esse carro de passeio que entrou e saiu do estacionamento antes de o caminhão partir. Houve outros, e também outros caminhões. Por que escolher justamente…

    — Eu explico isso daqui a pouco. Vou juntar tudo numa explicação só — disse Wu Chen com um sorriso. Em seguida, continuou: — O segundo carro que pedi que você memorizasse estava parado perto de um cruzamento.

    — Ele estava trabalhando com o motorista do caminhão. Sua função era observar se havia policiais de trânsito por perto, já que o caminhão estava prestes a entrar na Avenida Tongjiang, onde sua circulação era proibida.

    — O terceiro carro estava parado do outro lado da rua quando o caminhão estacionou irregularmente por alguns minutos na Avenida Tongjiang. Ele estava ali para dar cobertura ao caminhão e evitar imprevistos. Por exemplo, se um policial aparecesse de repente, poderia provocar uma ocorrência de propósito para afastá-lo…

    — Assim, garantiria que o caminhão pudesse continuar a executar sua missão.

    — Já no caso do comboio de Mao Rusong, todos os carros que pedi que você memorizasse eram veículos que se revezavam para segui-lo e informar sua posição!

    — Para assassinar alguém provocando um acidente de carro, é preciso acompanhar os movimentos do alvo com precisão. Por isso, esses veículos eram indispensáveis!

    — O caminhão parou temporariamente porque provavelmente recebeu uma informação sobre a posição do comboio. Precisava esperar para acertar o momento e provocar o acidente exatamente naquele cruzamento!

    Wu Chen explicou de uma só vez a função de todos os carros que mandara Li Ruobing memorizar!

    Ela conseguia entender.

    Para organizar um assassinato daquele tipo, era necessário fazer tudo isso!

    Caso contrário, seria difícil prever por qual caminho o comboio de Mao Rusong seguiria: voltaria para casa? Iria a outro lugar? Poderia decidir mudar o trajeto de repente?

    Também seria impossível calcular com precisão a hora em que o comboio passaria por determinado cruzamento.

    Portanto, Li Ruobing entendia perfeitamente essa parte!

    Mas!

    A pergunta continuava sendo a mesma.

    Como ele sabia?!

    Carros parados à beira da rua? Carros que seguiam pela mesma via que o comboio de Mao Rusong?

    Havia muitos, muitos deles! Estavam por toda parte, e nenhum tinha uma característica especial que chamasse a atenção. Não havia nada em comum entre esses carros que permitisse identificá-los.

    — Você está contando uma história inventada — disse Li Ruobing, depois de pensar um pouco, com uma expressão estranha. — Em que se baseia para dizer que esses carros são os envolvidos?

    — A impressão que você me dá é que imaginou o plano do assassinato e, depois, foi apontando aleatoriamente para carros na rua para encaixá-los no plano que inventou. Não há lógica nenhuma nisso.

    Li Ruobing foi muito direta, mas não estava duvidando de Wu Chen.

    O resultado já estava ali. Não adiantava questioná-lo.

    Ela queria uma explicação perfeita, não que ele simplesmente dissesse algo como “é complicado, adivinhe”.

    — A base do meu julgamento é que os donos desses carros, os chefes deles… — Wu Chen sorriu para Li Ruobing e fez um gesto com a mão. — Ou, melhor dizendo, os chefes dos chefes dos donos dos carros, e assim por diante… todos apontam para a mesma pessoa.

    — Para quem? — perguntou Li Ruobing. Então ficou surpresa e deixou escapar: — Cao Liangpeng?!

    — Isso mesmo! — confirmou Wu Chen com um sorriso.

    — Todos esses carros pertencem a pessoas que trabalham para Cao Liangpeng? — Li Ruobing perguntou, espantada.

    — Isso mesmo! — repetiu Wu Chen, assentindo.

    — Como você sabe? — perguntou ela. Essa era a parte que realmente a deixava chocada.

    — Eu simplesmente sei — respondeu Wu Chen com um sorriso. Não podia explicar mais do que isso, pois acabaria revelando o segredo de seu ciclo de mil anos.

    — Não se esqueça de que sou um corretor de informações — lembrou ele, meio brincando.

    “Corretor de informações” era apenas uma expressão. O que Wu Chen queria recordar a Li Ruobing era sua capacidade extraordinária e incompreensível de obter informações!

    No fim das contas, ele resolvera o caso usando essa capacidade.

    Havia dois motivos para Wu Chen ter pedido as gravações a Gu Ruibo.

    Primeiro, quem ousasse atacar Mao Rusong certamente não seria alguém comum. Wu Chen já havia investigado pessoas desse tipo em Modu!

    Segundo, ele sabia muito bem o que seria necessário organizar para provocar um acidente fatal preciso usando um caminhão, ainda mais numa via em que caminhões eram proibidos de circular.

    Com a memória de Wu Chen, ele era capaz de recordar qualquer instante de sua vida e qualquer carro que tivesse visto.

    Lembrava-se das características de cada veículo, de arranhões e pequenas amassaduras! Trocar a placa não adiantaria.

    Só seria possível enganá-lo se o carro passasse por uma reforma completa, fosse repintado e recebesse outra placa.

    Embora Wu Chen conhecesse Modu muito menos do que Donghai, e não soubesse a quem pertenciam a maioria dos carros que lembrava ter visto, ele conhecia praticamente todos os veículos que pessoas poderosas podiam mobilizar.

    Muitos carros tinham sido memorizados sem que ele fizesse esforço. Durante o ciclo de mil anos, ao investigar certas figuras poderosas, ele os vira.

    Não precisava tentar memorizá-los; já se lembrava deles!

    E, para resolver aquele caso, não era necessário reconhecer todos os veículos envolvidos. Bastava que alguns deles apontassem para a mesma pessoa!

    Pois bem.

    Li Ruobing olhou para Wu Chen com uma expressão extremamente estranha.

    Embora ele explicasse tudo de maneira simples e descontraída, aquilo continuava sendo inacreditável. Wu Chen conhecia os carros das pessoas que trabalhavam para Cao Liangpeng?

    Ele havia identificado Cao Liangpeng por meio dos carros.

    E se o mandante não fosse Cao Liangpeng, mas outra figura poderosa? A confiança que Wu Chen demonstrara desde o começo significava que… ele era capaz de identificar as pessoas pelos carros!

    Ou seja, precisava memorizar uma quantidade gigantesca de informações sobre veículos!

    Como alguém conseguia se lembrar de tudo isso?!

    Li Ruobing refletiu mais um pouco e percebeu que nem sequer era esse o ponto principal!

    O mais absurdo era que Wu Chen havia assistido às gravações por apenas dez minutos… Na maioria das imagens, ele só lançara um olhar rápido e, com isso, identificara a quem pertenciam todos aqueles carros espalhados pela cidade?

    — Você… Isso… Há tantos carros nas ruas! Existem veículos de pessoas que trabalham para Cao Liangpeng, mas também de outras figuras influentes. Os que têm alguma relação com o caso… — Li Ruobing se atrapalhou um pouco ao falar.

    Wu Chen entendeu o que ela queria dizer.

    — É verdade. Mas os carros que correspondem plenamente às características do crime, e que aparecem em maior número, são justamente os que apontam para Cao Liangpeng — respondeu ele com um sorriso.

    Li Ruobing olhou para a tela.

    Depois, olhou para Wu Chen.

    Seus olhos se arregalaram um pouco, e sua expressão continuou estranha.

    Ela não conseguia assimilar aquilo.

    Já não duvidava de sua própria inteligência! Aquilo não era uma questão de inteligência, caramba! Era quase sobrenatural!

    A lógica da investigação parecia correta.

    Mas a condição básica para solucionar o caso daquela maneira era o próprio Wu Chen e a quantidade de informações que ele possuía. Não havia outra explicação além de algo sobrenatural.

    — Pronto, não fique pensando tanto nisso. Não precisa se atormentar desse jeito — disse Wu Chen, sorrindo e passando um braço ao redor dela.

    Na verdade, havia muitos detalhes que ele não mencionara. Os pontos que comparara e usara para chegar à conclusão eram muito mais numerosos do que aqueles que explicara.

    Só queria que Li Ruobing entendesse, em linhas gerais, como resolvera o caso. Explicar tudo em detalhes seria complicado demais e não faria sentido.

    Li Ruobing pensou por um instante.

    Depois, desistiu.

    Ela raramente insistia em tentar encontrar uma explicação para tudo que envolvia Wu Chen, porque havia coisas demais que não podiam ser explicadas. E aquela não era a primeira vez.

    — Humpf! — resmungou, colocando o notebook de lado. Em seguida, abraçou o pescoço de Wu Chen, virou-se e olhou para ele.

    — Marido, você acha que nosso filho vai ser tão inteligente quanto você?

    — Acho que sim — respondeu Wu Chen, sorrindo.

    — Então… vamos ter vários — disse Li Ruobing, com os cantos da boca erguidos, antes de beijá-lo.

    Mais de meia hora depois.

    Algumas coisas ainda não tinham terminado.

    Trim, trim…

    O toque repentino do celular interrompeu os dois.

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