Novels chinesas em português
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    Capítulo 491 — Investigar Wu Chen!

    — O teor da conversa… nem eu saberia esmiuçar — respondeu Li Ruobing num tom arrastado, deixando transparecer uma ponta de esquisitice no semblante. — Foi uma conversa a portas fechadas entre o Wu Chen e o meu pai. Nem eu nem meu irmão recebemos autorização para pisar no recinto. Ficaram trancados por duas ou três horas a fio…

    A fisionomia de Su Ruiwen assumiu contornos igualmente estranhos. Quanto mais Li Ruobing detalhava os bastidores, mais aquela trama resvalava para o mistério puro.

    Ele até encontrava lógica no fato de Li Maoren vetar os ouvidos da filha; a convivência entre pai e herdeira sempre fora desgastada, e havia temas de alta política que o patriarca decerto não articularia diante de Li Ruobing.

    A anomalia residia no fato de Li Ruotai também ter sido barrado da porta para fora.

    — E quais foram os desdobramentos? — indagou Su Ruiwen, imerso em reflexão.

    — Depois disso… almoçamos em conjunto, e o meu pai simplesmente abandonou qualquer veto à minha união com o Wu Chen. Deduzo que ambos continuem mantendo contatos reservados desde então, trocando ligações, mas o teor específico do diálogo ou a natureza da cooperação entre eles… fogem ao meu conhecimento — declarou Li Ruobing com a mais cândida naturalidade.

    Por trás daquela serenidade, contudo, ela ocultava fatos deliberadamente!

    Li Ruobing dominava uma fração das diretrizes traçadas naquele colóquio secreto. Fora o próprio Wu Chen quem lhe abrira o jogo mais tarde, descortinando manobras vitais envolvendo as famílias Ding e Dong.

    A jovem, todavia, tinha plena convicção de que não cabia a ela expor aquele maquinário a Su Ruiwen.

    Ou melhor: aquela confissão jamais poderia sair de seus lábios!

    O peso político era colossal demais!

    Su Ruiwen encarava Li Ruobing com uma fisionomia densa, incapaz de sacudir o espanto. Quanto mais revirava as variáveis, mais suas deduções desembocavam no cenário mais improvável de todos!

    Se Li Maoren estava a par de que Wu Chen pretendia aniquilar Ding Ruilong e, mesmo diante dessa certeza, chancelava Wu Chen como genro aceito, isso significava que a cúpula da família Li permitiria que as coisas descambassem para esse desfecho…

    A dinastia Li e a dinastia Ding já viviam uma aliança de pura fachada!

    Na verdade, os Li talvez já estivessem maquinando a transição de parceiros diplomáticos para inimigos mortais! Poderiam até desferir o primeiro golpe para decapitar a outra linhagem de surpresa!

    Seguindo essa linha dedutiva, Su Ruiwen esbarrou num veredito estarrecedor: a família Li operava em aliança com Wu Chen para golpear a dinastia Ding?!

    Aquilo desafiava todo o bom senso!

    Contudo, apenas essa hipótese conferia coerência matemática àquele quebra-cabeça!

    — Senhorita Li, ouvi dizer que, quando Ding Ruilong esteve em Donghai semanas atrás, bateu em retirada com o membro superior direito dilacerado. Pintaram aquilo como um mero infortúnio casual, mas… — sondou Su Ruiwen, soltando a insinuação nas entrelinhas.

    — O Chefe Su acertou em cheio — confirmou Li Ruobing, esboçando um meio sorriso tranquilo.

    As pupilas de Su Ruiwen contraíram-se uma vez mais.

    Fora mesmo Wu Chen quem desferira a mutilação!

    — E o seu pai está ciente disso? — cobrou ele.

    — Com certeza — assentiu Li Ruobing.

    A família Li realmente pretendia agir contra a dinastia Ding! A intuição de Su Ruiwen acabava de se consolidar em certeza íntima!

    Ele simplesmente… não conseguia vislumbrar que moeda de troca um jovem com a folha corrida comum e devassada de Wu Chen teria oferecido para dobrar Li Maoren. Que trunfo ele colocara sobre a mesa para fazer a dinastia Li rasgar o tratado sagrado com os Ding e marchar para o confronto aberto?!

    Seria feitiçaria pura?!

    Su Ruiwen era um operador de negócios, e um operador calejado no topo da pirâmide. Dominava, portanto, a verdade eterna do jogo de poder: não há aliados eternos nem inimigos eternos; apenas interesses permanentes!

    Sendo assim, o que diabos Wu Chen carregava nas mãos?…

    Su Ruiwen afundou no silêncio.

    Li Ruobing checou o relógio de pulso; a conversa com o veterano já se estendera por tempo suficiente. Marcava três e meia da tarde; estava na hora de partir.

    Su Ruiwen captou o movimento. Tamborilou os dedos de leve sobre a mesa e pontuou:

    — Senhorita Li, conceda-me apenas mais uma resposta.

    — Fique à vontade, Chefe Su — anuiu Li Ruobing, sorrindo de volta.

    — O seu pai… está a par do enlace entre a Qingying e o senhor Wu?

    — Provavelmente sim — estimou Li Ruobing. — Se o meu irmão domina o fato, fica óbvio que o meu pai também foi informado. Nós nunca tocamos no assunto em família, mas deduzo que ele já tenha tratado dessa pauta diretamente com o Wu Chen.

    — Compreendo… — anuiu Su Ruiwen com um meneio sóbrio, calando-se outra vez.

    Li Ruobing correu os olhos pela paisagem do lado de fora da vidraça, voltou a fitá-lo e declarou:

    — Encerramos o nosso expediente por aqui hoje, Chefe Su. Preciso pegar a estrada… — Dito isso, recolheu a bolsa e pôs-se de pé.

    — Claro… — aquiesceu Su Ruiwen, levantando-se no mesmo movimento.

    Seguiram-se amenidades protocolares e um aperto de mão cortês.

    Li Ruobing retirou-se!

    Su Ruiwen acompanhou com o olhar a silhueta da herdeira sumindo pelos degraus da escadaria. Ponderou por alguns instantes, caminhou até a vidraça panorâmica e mirou a diagonal esquerda. Dali, abria-se o ângulo perfeito para monitorar o portão nobre do Clube Tangsha e a área do estacionamento.

    Em poucos minutos, Li Ruobing surgiu no seu campo de visão.

    Escoltada por seus seguranças, ela cruzou a cancela, embarcou no veículo e o comboio ganhou velocidade, sumindo no horizonte… Su Ruiwen sustentou o olhar até que o último vestígio dos carros desaparecesse. Só então recolheu a vista.

    Puxou o smartphone do bolso e discou um número. A ligação foi completada de imediato.

    — Onde vocês estão? Estou no café. Hum… Perfeito… E a Qingying?… Isso, quero trocar duas palavras com ela. Certo… — Após mais algumas frases curtas, encerrou a chamada e afundou novamente no estofado.

    Mergulhou em pensamentos densos, perdendo-se aos poucos na própria reflexão.

    Dez minutos se esvaíram.

    O som ritmado e ligeiramente apressado de saltos altos quebrou a calmaria do recinto. Eram Su Qingying e a senhora Su que se aproximavam.

    — Pai, o senhor queria falar comigo…? — inquiriu Su Qingying antes mesmo de alcançar a mesa, lançando um olhar involuntário para a mãe.

    Pouco mais de meia hora atrás, a senhora Su a interceptara de supetão por telefone; nada de urgente, apenas o protocolo de apresentá-la a algumas figuras de destaque.

    Eram comitivas vindas de fora que prestigiavam o casório de Lu Guangnian, empresários de porte de outras cidades.

    Há poucos minutos, contudo, a senhora Su recebera as instruções diretas de Su Ruiwen e arrastara a filha até o lounge, avisando que o pai exigia uma conferência.

    Su Ruiwen correu os olhos pela esposa e pela filha. Pareceu prestes a desabafar, mas a voz morreu na garganta.

    — O que houve, pai? Qual é o assunto afinal? — insistiu Su Qingying, parando diante da mesa com um sorriso tímido de surpresa, voltando a mirar a mãe de soslaio.

    A senhora Su trocou um olhar mudo com a herdeira e voltou a atenção para o marido.

    Ela tampouco fazia a menor ideia do teor da conversa que ele pretendia ter com a jovem.

    Antes, apenas cumprira a ordem do marido de resgatar a filha de perto de Li Ruobing por telefone, ignorando completamente as motivações por trás da manobra. Su Ruiwen ainda não abrira o jogo.

    — O que aconteceu afinal? — cobrou Su Qingying outra vez, com o sorriso desvanecendo aos poucos. Seus olhos vasculhavam os dois rostos à sua frente; começava a suspeitar de que algum desastre colossal abatera a família.

    — Querido, o que está acontecendo? — reforçou a senhora Su.

    — Hum… Vamos voltar para casa primeiro. Conversamos com calma quando chegarmos lá… — determinou Su Ruiwen, levantando-se.

    Ele precisava, sem dúvida, ter uma conversa definitiva com a filha!

    Logo após encerrar o colóquio com Li Ruobing, julgara que deveria confrontar a jovem imediatamente. Contudo, após ponderar no isolamento da vidraça, concluíra que o atropelo não traria respostas; a sabatina ocorreria, com certeza, mas em momento oportuno.

    Su Ruiwen era absolutamente desarmado contra a própria herdeira. Concluíra que, antes de chamá-la para a mesa, precisava adotar uma postura definitiva! E, naquele momento, simplesmente não dispunha de subsídios para bater o martelo!

    Havia peças demais naquele tabuleiro que Su Ruiwen ainda precisava periciar.

    Sua mente recusava-se a engolir cegamente que cada palavra cuspida por Li Ruobing fosse a mais pura verdade! Como conceber que tantos descalabros mirabolantes fossem fatos consumados da realidade?

    Por isso, pretendia investigar!

    Investigar Wu Chen a fundo!

    …

    Mais de duas horas se passaram.

    Seis horas da tarde, as primeiras sombras do crepúsculo engoliam o horizonte.

    Distrito de Xicheng, cidade de Donghai, mansão número seis do condomínio de mansões Shenghe Tianxia.

    No escritório nobre, Su Ruiwen tamborilava os dedos muito de leve sobre a escrivaninha maciça, afundado em conjecturas. Diante dele, perfilava-se um homem esguio de terno sóbrio, beirando os quarenta e poucos anos de idade.

    Chamava-se Du Jun. Era o assistente pessoal de Su Ruiwen e seu escudeiro mais leal havia quase duas décadas. Ficava encarregado das missões de estrita intimidade do patrão, incluindo aquelas que jamais poderiam ver a luz do dia.

    O recinto permaneceu em silêncio por um intervalo considerável.

    Du Jun fora convocado com urgência por telefone e aguardava ali havia alguns minutos. Contudo, desde que cruzara o umbral, o patriarca não pronunciara uma única frase.

    Conhecendo a psicologia do magnata, Du Jun sabia perfeitamente o significado daquele silêncio: uma missão de altíssima relevância estava prestes a ser depositada em suas mãos.

    — Você vai… — quebrou Su Ruiwen por fim, erguendo os olhos para o subordinado: — Fazer um levantamento minucioso sobre uma garota chamada Zhuang Xiaodie. Trata-se de uma universitária. Ela provavelmente… mantém contato com Qi Chenghong, filho de Qi Min, o controlador da Shuangqi Imóveis; talvez tenham sido colegas de classe… Conduza essa averiguação com cautela extrema. Ninguém sob o céu pode descobrir os nossos passos, e você está terminantemente proibido de perturbar o sossego da garota. Limite-se a… levantar sua ancestralidade, sua rotina e todos os dados possíveis…

    — Fique descansado, chefe, entendi o recado — anuiu Du Jun, inclinando a cabeça numa mesura rápida. Sua resposta foi firme e imediata, embora, por dentro, estranhasse a natureza daquela ordem.

    Não atinava por que o patrão cismara em devassar a vida de uma estudante qualquer.

    — Tem outro detalhe… — continuou Su Ruiwen. — Posicione a equipe para monitorar o Grupo de Mídia Zhonghe. Exijo um relatório cirúrgico da holding na minha mesa, e mantenha a corporação sob escuta permanente. Qualquer movimentação atípica ou oscilação interna precisa chegar a mim em primeira mão…

    — Perfeitamente, chefe! — anuiu Du Jun, sem hesitar.

    — Pode ir. E preserve o sigilo absoluto.

    — Sim, senhor.

    Du Jun retirou-se em passos apressados.

    Su Ruiwen acompanhou a saída do homem e tornou a perder-se nos próprios pensamentos. Ordenara aquela devassa sobre os passos de Wu Chen, mas não agia movido por rancor ou pelo intuito de sabotar o rapaz.

    Pretendia apenas verificar se Li Ruobing não articulara uma colossal farsa. Wu Chen seria realmente dono daquela autoridade desmedida?

    Era difícil demais engolir aquilo sem provas!

    Por isso, escolhera dois alvos de baixo risco para a sondagem.

    Mandar bisbilhotar o entorno de An Menglan ou de Li Maoren seria cortejar o perigo. Su Ruiwen não era tolo de correr riscos desnecessários; se os clãs An ou Li flagrassem suas equipes farejando seus passos, a retaliação traria dores de cabeça incalculáveis.

    Assim, fixara a mira em Zhuang Xiaodie: queria checar sua origem e atestar que reviravoltas materiais a garota experimentara após se tornar amante de Wu Chen.

    Quanto ao Grupo de Mídia Zhonghe… Li Ruobing afiançara que a investida contra a corporação já fora deflagrada por Wu Chen, e que o linchamento de Zhou Shenglong configurava apenas o tiro inicial, garantindo que o clímax ainda estava por vir.

    Su Ruiwen queria assistir àquele espetáculo de camarote; queria constatar como Wu Chen desmantelaria o Grupo Zhonghe, um dos três maiores impérios de mídia de todo o país!

    O que mais aquele sujeito seria capaz de desatar? Qual era o limite real de sua força?!

    Após vagar pelas reflexões, Su Ruiwen recobrou os sentidos, puxou o telefone celular e examinou o visor. Tocou na tela, buscou o catálogo de contatos e deslizou até o número de Wu Yurong. Hesitou por um breve instante antes de disparar a chamada.

    A ligação foi atendida de imediato.

    — Irmão Su — ecoou a voz aveludada e doce de Wu Yurong pelo fone.

    — Yurong, está com a agenda livre? Gostaria de marcar um jantar nós dois esta noite. Temos assuntos a tratar — propôs Su Ruiwen.

    — Esta noite… receio que hoje fique complicado — prolongou ela, arrastando as sílabas com suavidade, antes de sugerir: — Irmão Su, podemos deixar para amanhã? É que já tenho um compromisso firmado para logo mais.

    — Compromisso? Com quem? — sondou Su Ruiwen.

    — Com um amigo, ora — esquivou-se ela, rindo suavemente.

    — É com o Wu Chen, não é? — disparou Su Ruiwen.

    O outro lado da linha congelou no mesmo instante.

    Nota