Capítulo 409 — O que aconteceu? Fala logo!
por NexoNovelCapítulo 409 — O que aconteceu? Fala logo!
Uma sensação arrepiante tomou conta de Li Ruotai!
Ele parou de falar de repente e virou a cabeça meio rígido. Viu que Wu Chen e Li Ruobing o encaravam de soslaio, sem desviar o olhar, e aquilo lhe deu calafrios!
Os dois emanavam uma verdadeira “intenção assassina”!
Li Ruotai não entendeu de imediato onde tinha errado. Fizera algo inadequado ou dissera algo indevido? Mas logo pareceu compreender! Estava tudo errado! Tudo o que fizera e dissera!
Wu Chen o avisara para ser discreto e não assustar ninguém. No caso de Li Ruobing, bastara uma menção casual para que ela entendesse quase tudo. Com Li Ruotai, Wu Chen até fizera questão de explicar um pouco mais.
Mas o resultado!
Li Ruotai havia entendido, sim! Só não entendera direito!
Desde que chegara, comportara-se muito bem. Escondera perfeitamente todas as suas “facetas sombrias”, sem sequer ousar mencionar os clubes que administrava!
Mas não escondera sua riqueza!
Muito menos moderara sua generosidade extravagante! Pelo contrário: fizera questão de exibir o próprio poder financeiro, oferecendo presentes caríssimos!
Achara que devia agir assim para dar prestígio a Wu Chen! Afinal, era por causa dele que presenteava Wu Jiao. Quanto mais caro o presente, mais respeito estaria demonstrando ao cunhado, não era?
A lógica em si estava certa!
O problema era que se esquecera da origem familiar de Wu Chen. Ou melhor… simplesmente não entendia o que o dinheiro significava para uma família comum! Um presente caro dava prestígio, claro, mas havia limites. Caro demais assustava e fazia os outros imaginarem coisas!
Tentara agradar e pisara na bola!
— É… é que… — Li Ruotai virou a cabeça outra vez, rígido, para evitar tanto o olhar inexpressivo do cunhado Wu Chen quanto o olhar da irmã Li Ruobing, que parecia prestes a lhe dar uma surra. Sem alternativa, voltou-se para Wu Jiao.
— Eu não posso aceitar, irmão A-Tai. Fica com isso, por favor — disse Wu Jiao, segurando a sacola com as duas mãos e mantendo-a estendida na direção dele. Apertou os lábios.
Estava mesmo um pouco assustada!
Parecia que aceitar aquilo a deixaria devendo um favor gigantesco! Nem sabia se a própria família tinha um milhão guardado!
— Ah… — Li Ruotai olhou para Wu Jiao e ficou sem saber o que dizer.
Aceitar de volta? Seria jogar a própria reputação no chão e pisoteá-la! Quem recolhe um presente que já ofereceu?
Mas insistir em dá-lo… também não tinha coragem agora.
Ficou paralisado.
Li Ruotai e Wu Jiao ficaram se encarando.
Não podiam continuar daquele jeito para sempre.
Sem outra saída, Li Ruotai olhou para Wu Chen, pedindo ajuda. Wu Jiao também o olhou com expressão suplicante. Li Ruobing lançou um olhar ao namorado. Chen Xue também.
Todos olhavam para Wu Chen!
— Mano… — chamou Wu Jiao, constrangidíssima, pedindo ajuda. Esperava que ele dissesse algo para que pudesse devolver os presentes.
— Fica com eles — disse Wu Chen.
— F-ficar? — Wu Jiao continuava nervosa.
— Uhum! — Wu Chen assentiu. — É uma lembrança do irmão A-Tai. Se ele deu, aceita. Não tem problema.
Aquele “não tem problema” tranquilizou Wu Jiao de imediato. Sozinha, não ousaria aceitar uma dívida de gratidão tão grande. Mas, se Wu Chen permitia, e Li Ruotai ainda era amigo do irmão, então…
— Hahaha! Isso, aceita! É só um presentinho! — Li Ruotai acompanhou apressadamente as palavras de Wu Chen.
— Então… obrigada, irmão A-Tai! — Wu Jiao não teve alternativa senão agradecer e aceitar, muito a contragosto.
Já decidira que de maneira nenhuma usaria aquele relógio. Se o batesse e arranhasse um pouquinho sequer, morreria de desgosto! Nem conseguiria pagar pelo conserto… Depois precisaria conversar com o irmão para decidir o que fazer com ele.
— Vamos comer, vamos comer! Não fiquem parados, a comida vai esfriar — chamou Wu Chen, dissipando o clima subitamente estranho em volta da mesa.
— Isso, vamos comer… Aliás, cunhado, mana, um brinde a vocês! — Li Ruotai também entrou na conversa e ergueu a taça.
Os três beberam vinho!
Wu Jiao e Chen Xue tomaram suco de laranja.
Li Ruobing continuava encarando o irmão. Depois de brindar e esvaziar a taça, pousou-a e disse:
— A-Tai, vem aqui um instante. Preciso falar com você…
E começou a se levantar.
Li Ruotai entrou em pânico imediatamente.
Se a irmã o chamava para conversar a sós naquele momento, obviamente pretendia lhe dar uma surra! Não lhe dar um chute na frente de Wu Jiao e Chen Xue já era uma demonstração de consideração!
Li Ruotai fez menção de se levantar, mas muito devagar. Seus olhos se moviam para todos os lados, até encontrarem Wu Chen num pedido mudo de socorro.
— Deixa pra lá. Se tiver algo pra falar, conversa depois do jantar. O A-Tai vai embora amanhã… — disse Wu Chen a Li Ruobing.
O que estava feito estava feito. Wu Chen nem tinha vontade de repreender Li Ruotai. Aquilo também lhe daria trabalho, mas, desde que conseguisse lidar com a irmã e impedisse que a família descobrisse o presente de valor tão alto, não haveria um problema muito grande!
O verdadeiro incômodo era que Wu Jiao ficaria fazendo suposições. Contudo, para Wu Chen, acalmá-la era fácil.
Wu Chen já se pronunciara.
Li Ruobing se sentou de novo, e Li Ruotai imediatamente a imitou. Aliviado, retomou a conversa sem assunto:
— Vamos comer, vamos comer.
Wu Jiao e Chen Xue perceberam muito bem as reações dos três.
E tiveram a mesma impressão!
Parecia que, naquela “família”, quem mandava era Wu Chen?!
Na segunda metade do jantar, o ambiente voltou a ser agradável. Li Ruotai também tinha a pele grossa. Ao perceber que a irmã e o cunhado não o repreenderiam, agiu como se nada tivesse acontecido: continuou comendo e conversando.
Na verdade, seu principal objetivo era fazer todos esquecerem depressa aquela história! Por isso se esforçava especialmente para puxar assuntos aleatórios…
Cometera um erro até ao oferecer um presente, criando mais problemas para o cunhado. Li Ruotai sentia que, desde que conhecera Wu Chen, sua inteligência diminuíra… Ou talvez não fosse isso. Às vezes simplesmente não conseguia acompanhar o raciocínio de pessoas tão inteligentes quanto a irmã e o cunhado!
Sem que percebessem, já eram quase nove da noite.
O jantar também estava praticamente terminado.
— Bom… cunhado, mana, já comi bastante. Vou indo. Vocês continuem conversando… — Li Ruotai limpou a boca, pegou o paletó e se preparou para sair.
— Pra que tanta pressa? Fica mais um pouco — disse Li Ruobing, olhando de lado para o irmão num tom carregado de intenção.
— Não, não! Preciso voltar e preparar umas coisas. Meu voo é amanhã cedo — disse Li Ruotai, agitando as mãos.
Tendo terminado a refeição, estava com medo de que a irmã quisesse outra conversa particular. Por isso tentava fugir!
— Jiaojiao, Xiao Xue, vou indo — despediu-se das duas, sem dar tempo para Li Ruobing dizer mais nada.
— Tchau, irmão A-Tai!
— Até mais, irmão A-Tai!
— Tá bom, tchau, tchau.
Li Ruotai fugiu!
Arrumaram a mesa.
Lavaram a louça.
Depois ficaram conversando na sala.
Os quatro sentaram-se lado a lado e falaram sobre assuntos variados. Wu Jiao queria conversar a sós com Wu Chen, mas não teve oportunidade, pois Li Ruobing estava presente. Não lhe parecia adequado falar diante dela sobre o que pensava dos presentes de Li Ruotai.
Depois das dez da noite.
Todos estavam com sono. Despediram-se desejando boa-noite e subiram para seus quartos.
Pouco depois.
No banheiro da suíte principal.
Wu Chen e Li Ruobing tinham acabado de tomar banho quando ela se lembrou de repente de que as duas meninas provavelmente não tinham artigos de higiene pessoal.
Ela possuía um conjunto de reserva, tudo de uso feminino. Tirou-o de um armário e foi entregá-lo às garotas.
Wu Chen saiu do banheiro de roupão, puxou as cobertas e se deitou. Encostou-se à cabeceira e ficou mexendo no celular.
Trim, trim…
O celular de Wu Chen tocou de repente!
Na tela: An Menglan!
Já eram dez e meia da noite! Pela educação de An Menglan, ela jamais incomodaria alguém tão tarde sem necessidade, a menos que fosse algo urgente!
Wu Chen atendeu.
— Alô, senhorita An.
— Senhor Wu, a-aconteceu uma coisa! — An Menglan parecia apressada, um pouco aflita, e Wu Chen chegou a perceber um traço de culpa na voz dela.
— O que foi? — perguntou.
— A culpa é minha, toda minha! Eu fiz besteira! Me desculpa, senhor Wu! — An Menglan não se conteve. Assumia toda a culpa, sem tentar disfarçar, chegando a pedir desculpas.
Wu Chen ficou um pouco desconcertado.
O que An Menglan tinha feito?
— Você… O que aconteceu? Fala logo! — disse Wu Chen.
