Capítulo 513 — Matar com uma faca emprestada?
por NexoNovelCapítulo 513 — Matar com uma faca emprestada?
— …O senhor não quer… pensar melhor? — A voz de Meng Junhao chegava a tremer. Ele estava realmente com medo!
Wu Chen já o avisara de que interagiria com He Shiqin, e Meng Junhao sabia disso. Mas, pensando em Li Ruobing, imaginara que tudo não passaria de encenação, com gestos mais sugestivos do que explícitos: no máximo um toque na cintura, as mãos dadas, coisas assim.
Jamais imaginara que os dois chegariam a se beijar!
Aquilo fazia Meng Junhao pensar que não era só Ding Ruilong quem ganhava um par de chifres: Li Ruobing também!
A coisa tinha tomado proporções enormes, enormes demais!
Meng Junhao chegava a considerar aquelas fotos uma bomba capaz de mandar tudo pelos ares! De arrastar Wu Chen, e ele próprio junto, para a ruína!
— Pensar em quê? — Wu Chen nem levantou a cabeça. Enquanto falava, continuava passando as fotos e fazendo a seleção.
Incluindo as que os subordinados de Meng Junhao haviam enviado. Algumas, Wu Chen salvava no aparelho; outras, apagava.
Era preciso organizá-las. Nem todas iriam para os olhos de Ding Ruilong.
Wu Chen precisava manter a continuidade das imagens, passando a Ding Ruilong a impressão de que nada fora filtrado, e ao mesmo tempo usar aquelas fotos para criar uma atmosfera convincente.
Ding Ruilong tinha de olhar as fotos e concluir que He Shiqin e Wu Chen não estavam juntos de um dia para o outro.
E não podia perceber a menor falha.
Pareciam exigências demais, mas, na prática, a seleção não era difícil. Afinal, He Shiqin colaborara com a encenação. Sem falar no resto, só durante o jantar, com He Xinxin presente, os dois haviam trocado olhares repetidas vezes, cenas combinadas de antemão. Havia uma quantidade enorme de fotos assim, e praticamente todas serviam!
Havia ainda um detalhe crucial.
As fotos de He Xinxin.
Nenhuma mostrava o rosto dela de frente; só de perfil ou de costas.
Na ocasião, He Xinxin estava sentada na diagonal em relação à janela.
E também havia muitas fotos dela conversando animada com Wu Chen, sorrindo de orelha a orelha, num clima de perfeita harmonia. Essas imagens deveriam provocar Ding Ruilong ainda mais.
— Senhor Wu… — Meng Junhao ia começar a dizer alguma coisa.
— A Ruobing sabe de tudo. — Wu Chen o interrompeu. Era preciso tranquilizá-lo. — Ela sabe de tudo o que aconteceu hoje. Pode ficar sossegado e faça a sua parte.
Meng Junhao ficou de boca entreaberta e engoliu o resto das palavras.
Nem sabia se devia acreditar em Wu Chen.
Li Ruobing sabia mesmo de tudo?
Tinha tanta tolerância assim? Ou era tão destemida a ponto de pôr até o próprio namorado em jogo para se vingar de Ding Ruilong? Pensando bem, a segunda hipótese não era impossível.
Com a personalidade de Li Ruobing, não seria de estranhar.
Alguns minutos depois.
Wu Chen terminou de organizar as fotos. Ao todo, selecionara cento e trinta e nove. Em seguida, conectou o celular de Meng Junhao ao seu por Bluetooth e transferiu todas para o próprio aparelho.
Meng Junhao acompanhava cada gesto. Só quando a transferência estava quase concluída abriu a boca:
— Senhor Wu, quando exatamente eu mando essas fotos para o Ding Ruilong?
— Espere a minha ligação — respondeu Wu Chen.
A transferência terminou.
Wu Chen devolveu o celular a Meng Junhao, virou o rosto para a janela do carro e, com um sorriso tranquilo, continuou:
— Depois de mandar as fotos, diga o seguinte ao Ding Ruilong…
Wu Chen voltou a repassar os pontos principais.
Basicamente, por que não tinham conseguido seguir He Shiqin e fotografar o lugar onde ela morava.
E por que não tinham seguido e fotografado Wu Chen.
Uma única justificativa bastaria para as duas coisas.
Na verdade, não ter seguido Wu Chen não era grande problema. O endereço dele não era segredo; bastaria dizer que ele voltara para casa depois do jantar, e Ding Ruilong não desconfiaria.
A questão principal era explicar por que não tinham seguido He Shiqin.
Depois de deixar tudo bem explicado, Wu Chen mandou Meng Junhao descer do carro.
Agora Meng Junhao já não tinha como voltar atrás. Vira com os próprios olhos Wu Chen transferir as fotos selecionadas para o aparelho dele, e sabia perfeitamente que, mesmo que se recusasse a entregá-las a Ding Ruilong, Wu Chen poderia simplesmente encarregar outra pessoa disso.
…
Noite.
Por volta das sete e quarenta e cinco.
Residencial Zunrong · Donghai Huafu, villa número 36.
Na sala suntuosa, inteiramente iluminada, Li Ruobing andava de um lado para o outro diante das enormes janelas de pé-direito alto, que iam do chão ao teto, com os braços cruzados.
Toc, toc, toc.
O som dos saltos ecoava.
Ela e Su Qingying tinham terminado de jantar pouco depois das seis e chegado ali às sete. Mas Li Ruobing não trocara de roupa nem descansara um minuto; continuava andando sem parar, visivelmente inquieta.
— Ruobing, afinal, o que está acontecendo com você? Aconteceu alguma coisa com o Wu Chen? — Su Qingying aproximou-se por trás. Acabara de descer do andar de cima; já tinha tomado banho e vestido o pijama, e ainda exalava o perfume do sabonete líquido.
Li Ruobing virou-se para ela, mas ficou calada.
O assunto envolvia He Shiqin, a filha ilegítima de Ding Ruilong e até as famílias Li, Ding e Dong. Não era que fosse complicado de explicar; Li Ruobing simplesmente não sabia se devia deixar Su Qingying a par daquilo tudo.
É verdade que Su Qingying acabaria sabendo cedo ou tarde, bastava a questão de Su Ruiwen ter um desfecho.
Por ora, porém, sem a permissão de Wu Chen, Li Ruobing não diria nada.
Tampouco queria que Su Qingying passasse a se preocupar junto com ela.
Ding!
O som do elevador.
Wu Chen chegara!
Li Ruobing e Su Qingying viraram-se ao mesmo tempo. Ao ver Wu Chen sair do elevador, Su Qingying abriu um sorriso doce e foi até ele em passinhos rápidos, arrastando os chinelos.
Quando Wu Chen chegou ao sofá, ela já estava ao seu lado.
— Marido, você chegou! — Su Qingying o abraçou na mesma hora e sentou-se com ele. Depois farejou de leve e comentou: — Marido, você bebeu.
Estava toda grudenta.
Nos últimos dois dias, Su Qingying vinha procurando Wu Chen sempre que podia, porque queria ter um filho. Já fizera as contas e sabia que, naqueles dias, havia grandes chances de engravidar.
Com a cabeça só naquilo, era natural que se comportasse daquele jeito.
— Que cheirinho bom! — Wu Chen também a cheirou, deu um peteleco carinhoso no nariz dela e sorriu, provocando-a.
— Marido, você ainda tem alguma coisa para fazer hoje? Vai sair? — perguntou Su Qingying, com um sorriso meigo.
Quando aquela fada sorria, ficava de uma beleza indescritível.
— Não vou sair. Vou tomar um banho, conversar um pouco e depois descansar… — respondeu Wu Chen, sorrindo.
Toc, toc, toc.
Li Ruobing se aproximou.
— Vai tomar banho agora? Então a gente toma junto — disse ela, lançando de relance um olhar a Su Qingying. O rosto de Su Qingying mudou um tiquinho, mas voltou ao normal num instante.
Ela achou que Li Ruobing tinha feito aquilo de propósito, só para dizer aquilo na frente dela.
Chegou até a pensar que o seu chamego, assim que Wu Chen chegara, havia mexido com Li Ruobing, que já não estava de bom humor, e que por isso ela tomara a iniciativa… como quem marca território.
Mulheres sempre têm suas pequenas suscetibilidades.
Na verdade, porém, Su Qingying se enganara.
Li Ruobing fizera de propósito, sim, mas só porque precisava ficar a sós com Wu Chen. Se dissesse com todas as letras que queria uma conversa particular, Su Qingying até diria que entendia, mas talvez ficasse chateada, achando que os dois escondiam dela algo importante.
Li Ruobing também sabia ter consideração pelos sentimentos dos outros.
— Banho, então. Vamos — respondeu Wu Chen, sorrindo. Deu um beijo no rosto de Su Qingying e só então se levantou para subir.
Li Ruobing subiu atrás dele.
Os dois chegaram ao quarto, no segundo andar.
O banho era para valer, o que não os impedia de conversar.
— Já mandou tirarem todas as fotos? — perguntou Li Ruobing.
— Já. Quer ver? — Wu Chen sorriu.
Conversavam enquanto se despiam.
Li Ruobing não tinha o menor interesse em ver as fotos. Conhecia Ding Ruilong melhor do que a maioria. Quando a família Li o avaliara como possível genro, investigara a vida dele a fundo, e Li Ruobing lera todo aquele material.
Por isso, conseguia imaginar a reação dele.
Bastava serem fotos daquele tipo para Ding Ruilong enlouquecer!
— Por que você acha que o Ding Ruilong não vai perceber? Sobre a família Dong, mesmo que seja só por precaução… — perguntou Li Ruobing.
Falava com toda a calma. Mais cedo, ao telefone, ficara aflita; agora a agitação já passara. Só queria entender como Wu Chen pensava e de que forma pretendia evitar os riscos.
— Você imagina tantas possibilidades porque sabe o que eu fiz. Está pensando nisso tudo do meu ponto de vista…
— O que o Ding Ruilong sabe?
— Ele não sabe que conversei com o seu pai, nem o que ando fazendo ultimamente. Sabe, sim, que a He Shiqin conhece o assassinato que ele cometeu anos atrás, mas… por que eu saberia disso?
— Ele não vai achar que eu sei. Essa é a premissa.
— E, pelo que ele conhece da He Shiqin, vai ter certeza absoluta de que ela jamais teria coragem de me contar isso por conta própria. E, de fato, ela não teria.
— Mesmo na pior das hipóteses, se ele achasse que eu fiquei sabendo, jamais imaginaria que eu pudesse ter alguma ligação com a família Dong. É distante demais. E eu realmente não tenho contato com os Dong, pelo menos por enquanto.
— Ele não vai acreditar que eu seja capaz de chegar até a família Dong.
Chuá…
Conversando, Wu Chen e Li Ruobing já tinham entrado no banheiro e aberto o chuveiro. A água corria num volume moderado; com o eco do banheiro, ainda dava para ouvir bem o que diziam.
— Mas não fica estranho? — Li Ruobing franziu de leve a testa enquanto ensaboava Wu Chen. — Você trouxe a He Shiqin para Donghai do nada. Tem que haver um motivo, e ele vai querer adivinhar qual é.
— A vingança é o motivo, ué. — Wu Chen sorriu e a fez lembrar: — Lembra o que aconteceu comigo antes de eu ir para Modu?
Li Ruobing ficou surpresa. Olhou-o nos olhos, repassou as datas e logo se lembrou.
Antes daquilo, Wu Chen fora atacado por um bando de criminosos profissionais liderados por Lao Dao!
— Então ele vai achar que é a sua vingança contra ele? Só isso? — perguntou Li Ruobing.
— Cabeça de homem. — Wu Chen sorriu. — Comparados às mulheres, os homens são muito mais sensíveis à ideia de levar chifre, ligam muito mais para isso. Ele vai achar que fui atrás da He Shiqin de propósito para me vingar dele, que a conquistei e a trouxe para Donghai. E vai achar também que mantenho a filha dele perto de mim para o caso de precisar, para usá-la como ameaça. Esse vai ser o raciocínio instintivo dele, o primeiro que vai lhe passar pela cabeça!
— Hum… — Li Ruobing ficou pensativa e pareceu concordar. Também tentou se colocar no lugar de Ding Ruilong.
Percebeu que, antes, tinha mesmo caído numa armadilha de raciocínio.
O equívoco vinha justamente de ela conhecer a capacidade de Wu Chen; por isso sabia que arma letal He Shiqin era nas mãos dele.
Ding Ruilong, porém, não conhecia Wu Chen tão bem assim.
Talvez achasse apenas que Wu Chen tinha muito jeito com as mulheres e, além disso, que era duríssimo de briga!
Em outros aspectos, Ding Ruilong provavelmente ainda não tinha uma impressão muito marcante dele.
— E se mesmo assim…? — perguntou Li Ruobing, depois de um breve silêncio.
— Aí depende de você. O que você disser quando o Ding Ruilong te ligar pode decidir se esse “e se” vai existir ou não — respondeu Wu Chen, sorrindo.
— De mim? — Li Ruobing parou por um instante e então perguntou: — E o que eu devo dizer?
Wu Chen lhe passou algumas orientações. Não eram nada complicadas. O objetivo principal do que Li Ruobing diria era atiçar ainda mais a fúria de Ding Ruilong, deixá-lo mais furioso, fazê-lo perder a razão, enlouquecer de vez!
Alguns minutos depois.
— Marido, você pode me dizer com sinceridade qual é o verdadeiro objetivo de tudo isso? É só para irritar o Ding Ruilong? — perguntou Li Ruobing, erguendo um pouco o rosto para ele.
— Adivinha. — Wu Chen sorriu.
— Fala, vai, marido, marido… — Talvez porque estivesse mais relaxada, talvez porque estivesse começando a experimentar outra forma de tratar Wu Chen.
Chegou a imitar o tom de Su Qingying, fazendo manha para ele.
E nem soou estranho.
No fim das contas, Li Ruobing também era mulher, e uma mulher de beleza extraordinária.
— O Ding Ruilong… — começou Wu Chen. Aquilo ele podia contar a Li Ruobing. — Quando chega ao extremo, ele tem um comportamento que nunca falha. Já era assim no ensino médio, e houve outros casos ao longo desses anos…
— Qual? — perguntou Li Ruobing, piscando.
— Ele tenta matar os inimigos com as próprias mãos! — respondeu Wu Chen.
Li Ruobing ficou surpresa; depois, recompondo-se, refletiu.
Parecia mesmo ser verdade. Pelo que ela sabia, o rapaz da família Dong fora morto pelas mãos do próprio Ding Ruilong. E o da família Wei tivera as pernas quebradas por ele em pessoa. Os motivos de não tê-lo matado eram complicados; em resumo, alguns membros mais velhos da família Ding chegaram a tempo e impediram Ding Ruilong, que tentava torturá-lo até a morte.
— Então… — perguntou Li Ruobing outra vez.
— Então, onde eu estiver, o Ding Ruilong vai atrás. Posso atraí-lo para Donghai! — disse Wu Chen, sorrindo.
— …E depois? — insistiu Li Ruobing.
— Depois… alguém que não é dos nossos, que pode até ser chamado de inimigo, e que também tem contas a acertar com o Ding Ruilong, vai partir para cima dele! — O sorriso de Wu Chen ganhou um ar sutil.
— Hã? — Li Ruobing ficou realmente atônita, os olhos arregalados.
Então o plano terminaria justamente em…
— Matar com uma faca emprestada?! — exclamou Li Ruobing, achando aquilo inacreditável.
E o que mais a deixava incrédula era: quem teria coragem de atacar Ding Ruilong?
— Não sei se o Ding Ruilong vai morrer. Afinal, a capacidade dessa pessoa é limitada; o que ela tem é coragem. Mas… dê certo ou não, quer o Ding Ruilong saia ferido, quer morra, vai ser cachorro mordendo cachorro. Para nós, só há vantagens — disse Wu Chen, sorrindo.
— Quem é? — perguntou Li Ruobing.
— Lei Cheng… o irmão mais velho dele, Lei You! — respondeu Wu Chen.
Mais uma vez, Li Ruobing ficou momentaneamente sem reação.
Lei You?!
Mas aquilo era… afinal, quão complicado era aquele plano? Como Wu Chen conseguiria fazer Lei You atacar Ding Ruilong?!
— É complicado — disse Wu Chen, desta vez sem esperar que ela perguntasse.
Li Ruobing então não perguntou mais. Desde que tivesse certeza de que Wu Chen estava seguro, o resto não a preocupava tanto, e não tinha pressa de entender tudo. Afinal, muita coisa ainda nem tinha acontecido; quando acontecesse, perguntaria.
Por volta das oito e meia, Wu Chen e Li Ruobing terminaram o banho.
No fim, Li Ruobing deu uma olhada no celular de Wu Chen, nas mais de cem fotos, mas só por curiosidade, já mais relaxada. Depois de ver, não teve nenhuma reação especial; chegou até a sorrir e murmurar:
— O Ding Ruilong vai morrer de raiva, né?
— Ha. — Wu Chen também riu.
Li Ruobing devolveu o celular e saiu primeiro do quarto, descendo para conversar com Su Qingying.
Wu Chen sentou-se para descansar um pouco. Mexeu no celular, tocou e deslizou na tela algumas vezes e ligou para Meng Junhao.
A ligação foi atendida quase no mesmo instante.
— Alô, senhor Wu. — Meng Junhao baixou a voz sem perceber.
— Pode mandar — disse Wu Chen.
— Hum… certo — respondeu Meng Junhao.
…
Ao mesmo tempo.
No sul, sob a mesma noite, nos arredores a oeste da cidade de Nanguang.
Mansão Hushu.
Era a propriedade de Ding Ruilong em Nanguang e, no momento, o lugar onde ele se recuperava dos ferimentos. A princípio, Ding Ruilong voltara à terra natal para convalescer perto do avô, mas não aguentara ficar em casa mais que alguns dias e retornara a Nanguang.
Embora detivesse o maior poder da terceira geração da família Ding, Ding Ruilong não era bem-visto por todos dentro da família. Alguns o invejavam; outros tinham sido ofendidos por ele, que se impunha demais em casa, apoiado no patriarca.
Por isso, desde que voltara ferido, não foram poucas as indiretas e alfinetadas que precisou engolir.
Havia quem se alegrasse com sua desgraça, e havia quem o cobrisse de sarcasmo.
Alguns não ousavam dizer nada na cara dele, mas Ding Ruilong ficava sabendo de tudo.
E não queria passar raiva dentro da própria casa.
Na villa da propriedade.
No salão.
A mão direita de Ding Ruilong ainda estava enfaixada; com a esquerda, segurava uma garrafa de vinho tinto. Cambaleava: ora se sentava no sofá, ora acendia um cigarro, de vez em quando tomava um gole.
Parecia vagar sem rumo, como quem quisesse se afogar na bebida.
A televisão de cem polegadas diante do sofá já fora destruída, e na parede revestida de um papel requintado havia marcas de garrafas arremessadas, deixando grandes manchas de vinho.
Muitos pontos da sala tinham sido depredados.
Tudo obra de Ding Ruilong naquela tarde, e até aquele momento ninguém havia arrumado nada.
Não por falta de empregados: como Ding Ruilong não mandara limpar, ninguém ousava fazê-lo.
Por todo o salão, empregados e seguranças permaneciam de pé, mal ousando respirar. Estavam apavorados — não tanto com a possibilidade de Ding Ruilong descontar a raiva neles sem motivo, mas com a de ele beber até morrer. Nesse caso, a responsabilidade seria enorme.
Mesmo assim, ninguém ousava aconselhá-lo.
Pá!
De repente, um estalo seco!
Ding Ruilong acabara de jogar no chão, sem cerimônia, a garrafa de vinho pela metade, fazendo todos darem um pulo.
Cambaleando, ele se levantou de novo do sofá e foi trôpego até o armário de bebidas, para pegar mais vinho.
Foi nesse instante.
Trim, trim…
O celular que Ding Ruilong deixara sobre a mesa de centro começou a tocar.
