Novels chinesas em português
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    Capítulo 329 — Alguém está tentando me incriminar!

    Aos berros, Li Ruotai ergueu a arma, apontou para Ding Ruilong e avançou a passos rápidos até a cama. Tinha o rosto assustador; parecia inteiramente tomado por uma fúria insana!

    — Atai! Para! — gritou Sun Yongzhang, levantando-se de um salto.

    Li Ruotai estremeceu e, por instinto, desviou os olhos para Sun Yongzhang. Naquele instante curtíssimo, Sun Yongzhang venceu a distância em poucos passos e agarrou a mão do sobrinho!

    A reação de Sun Yongzhang tinha sido absolutamente genuína!

    Ele achou mesmo que Li Ruotai ia matar Ding Ruilong. Assustado, perdeu a compostura e partiu para tomar a arma. Com quarenta e poucos anos, Sun Yongzhang ainda estava longe de ser velho; dava para dizer que estava em plena força da idade, e continuava bem ágil!

    — Terceiro Tio, não se mete!

    — Atai! Calma, primeiro explica direito!

    — Eu vou encher ele de bala agora mesmo!

    — Atai!!

    Os dois se engalfinharam por alguns instantes. Sun Yongzhang usou toda a força que tinha e arrancou a arma da mão de Li Ruotai.

    Estava com medo de verdade! Medo de que Li Ruotai simplesmente atirasse em Ding Ruilong!

    Recostado na cama, Ding Ruilong também estava um pouco abalado. Mantinha o rosto fechado, quase sem mudar de expressão, mas os olhos o traíam.

    A fúria descontrolada de Li Ruotai não parecia fingimento nenhum!

    Era impossível Ding Ruilong não ter medo!

    Ele sabia que não tinha nada a ver com o incêndio, mas Li Ruotai estava convencido de que tinha sido obra dele. Anos de trabalho tinham virado cinzas; daquele jeito, Li Ruotai era bem capaz de matá-lo ali mesmo!

    Com raiva, a pessoa é capaz de qualquer coisa!

    — Atai!! Se acalma de uma vez!! — Sun Yongzhang também perdeu a paciência e berrou.

    O grito segurou Li Ruotai, que se acalmou bastante na hora.

    — O que é isso? O que você pensa que está fazendo? Ficou maluco? Que assunto não dá pra conversar? Precisa partir direto pra violência? Hein?! — esbravejou Sun Yongzhang, encarando o sobrinho.

    Ele também tinha perdido a paciência!

    Tinha levado um susto de verdade! Estava encharcado de suor frio. Tinha sido por muito pouco!

    — Tio! Ele mandou pôr fogo no meu clube, como é que eu vou ficar calmo? Por que você tá gritando comigo? Agora a culpa é minha? — Li Ruotai gritou de volta, apontando para Ding Ruilong.

    Estava num estado em que simplesmente não conseguia controlar as emoções!

    — E a prova? Você tem prova pra dizer que foi o Ruilong? — perguntou Sun Yongzhang.

    — Tenho! — gritou Li Ruotai.

    — Então mostra! Mostra pra gente ver, conversar e entender se não foi algum mal-entendido! — Sun Yongzhang falou no tom de quem diz “não é assim que se faz?” e voltou a fuzilá-lo com os olhos. — Onde já se viu? Sacar uma arma sem nem saber o que aconteceu! Não dava pra explicar primeiro?

    Sun Yongzhang estava mesmo dando uma bronca no sobrinho.

    De cara fechada, Li Ruotai se calou. Olhou para o tio, lançou um olhar furioso para Ding Ruilong na cama e se virou bruscamente para sair.

    Na porta da enfermaria, fez sinal para fora.

    — Traz o computador! Rápido!

    Logo um guarda-costas de Li Ruotai entrou com um notebook. Abriu o aparelho, carregou as gravações das câmeras do clube que já tinham sido copiadas, fez alguns ajustes e só então passou o notebook a Li Ruotai.

    Li Ruotai o pegou e mostrou direto a Sun Yongzhang.

    — Terceiro Tio, olha. Isso é de ontem à tarde… esse cara aqui é guarda-costas do Ding Ruilong, não é? É ele, olha…

    As gravações não tinham sido editadas e envolviam várias câmeras. Depois de assistir a um trecho, era preciso ajustar o horário à mão e trocar de vídeo.

    Alguns minutos depois.

    Depois de ver por alto as imagens mais importantes, Sun Yongzhang já mudava de expressão a todo instante.

    De repente, ergueu a cabeça e lançou um olhar a Ding Ruilong. Estava com uma cara muito estranha.

    — Ruilong, dá uma olhada. Esse homem é seu guarda-costas? — perguntou Sun Yongzhang, pegando o notebook e indo até ele.

    A cama daquela enfermaria VIP tinha, aos pés, uma mesinha de refeição deslizante. Sun Yongzhang a puxou e pousou o notebook em cima.

    — Olha direitinho! Vai tomar no cu! Se você não me explicar isso hoje, eu te mato, caralho! — Li Ruotai também foi até a mesinha, apontou para Ding Ruilong e soltou mais dois xingamentos antes de começar a mexer no computador.

    Só ele podia fazer isso com rapidez. Sun Yongzhang não tinha guardado os horários exatos dos trechos importantes; se fosse ajustar os tempos, ia demorar muito mais.

    De cara fechada, Ding Ruilong não disse uma palavra. Nem revidou os xingamentos.

    Não tinha coragem de provocar Li Ruotai naquele momento. Melhor ver primeiro as tais provas.

    — Olha esse trecho… — Li Ruotai deu o play. Então ergueu a cabeça de repente e se dirigiu a Tang Jingbin, que continuava no sofá com uma cara péssima: — Segundo Mestre Tang, vem ver também. Seja testemunha e diz se eu, Li Ruotai, tô acusando esse Ding injustamente!

    Tang Jingbin não respondeu. Só se levantou e disse:

    — Deve ter algum mal-entendido…

    E foi ficar atrás de Li Ruotai.

    Na verdade, estava louco para ver. Já vinha pensando nisso: queria saber que provas Li Ruotai tinha para afirmar com tanta certeza que fora Ding Ruilong quem mandara incendiar o clube.

    Silêncio na enfermaria.

    As gravações não tinham som.

    Todos assistiam calados. Só se ouvia, de vez em quando, o clique do mouse.

    Ding Ruilong não tirava os olhos da tela.

    Naturalmente, reconheceu Jiang Hongguang à primeira vista!

    Pouco depois das quatro da tarde do dia anterior, Jiang Hongguang subia ao décimo andar, voltava ao nono, dava uma volta, falava com uma moça da limpeza e então retornava ao décimo, passava o cartão e entrava direto no quarto 1029!

    Pouco depois das seis, Jiang Hongguang subia de elevador a partir do quinto andar e, chegando ao décimo, ia de novo direto para o 1029.

    Nas duas vezes, ficava alguns minutos lá dentro antes de sair.

    Estava tudo gravado!

    Com riqueza de detalhes!

    E havia muitos outros detalhes: Jiang Hongguang roubando o cartão da moça da limpeza; no corredor em frente ao restaurante do quinto andar, olhando o celular antes de sair… como se lesse uma mensagem.

    Tudo isso dava para deduzir direto das imagens.

    Terminaram de ver.

    Li Ruotai pausou o vídeo e disse a Ding Ruilong, com frieza:

    — Vai! Explica! Quero ouvir! Que história é essa? Ele não é seu homem? Entrando escondido… Antes do incêndio, só ele entrou no 1029. Se não acredita, olha as gravações de depois. Por que ele foi no 1029? O que você mandou ele aprontar lá? Explica, porra!

    Com o rosto sombrio, Ding Ruilong olhou para Li Ruotai, ficou alguns segundos em silêncio e disse:

    — Ele desapareceu! Alguém está tentando me incriminar!

    Ding Ruilong sabia que Jiang Hongguang tinha sumido de repente na noite anterior. Naquela manhã, quando acordou e tomava café, um guarda-costas tinha lhe contado.

    Na hora, Ding Ruilong não conseguiu avaliar o que tinha acontecido. Jiang Hongguang era só um entre tantos guarda-costas, não alguém de nome feito como Jiang Chuan, e não tinha nada de especial.

    Ding Ruilong não tinha como fazer uma associação mais profunda de imediato. Somando-se a isso o ferimento e o abatimento, nem perguntou muito; só mandou os outros guarda-costas procurarem por ele.

    Agora, porém…

    Ding Ruilong tinha entendido!

    Alguém estava tentando incriminá-lo!

    Inteligente como era, enxergou a lógica na hora!

    — Desapareceu? — Li Ruotai travou um instante e então xingou com mais fúria ainda: — Vai tomar no cu, tá achando que eu sou idiota? Quer sumir com a testemunha pra ninguém te desmentir? Ele é seu homem, porra, e você…

    — Li Ruotai! — Ding Ruilong cortou os xingamentos. — Pode ficar tranquilo. Isso com certeza é alguém querendo me incriminar! Eu quero descobrir a verdade mais do que você! Vou te dar uma explicação!

    Dito isso, pegou o celular. Não estava acostumado a usá-lo com a mão esquerda; levou um bom tempo tocando na tela até achar o número e ligar.

    — Alô! Sou eu… Levanta agora a situação financeira recente do Jiang Hongguang e o histórico de ligações. Quero o último mês. Principalmente ontem à tarde: descobre com quem ele falou…

    Mais de uma hora depois.

    Já era meio-dia.

    Distrito de Beicheng, Zunrong · Donghai Huafu, villa nº 36.

    Na sala de jantar, Wu Chen, Zhuang Xiaodie, Tang Xinbao e Guo Qiqi já almoçavam. Wu Chen não tinha saído naquela manhã. Além de jogar conversa fora com Tang Xinbao, ainda fora à cozinha antes da refeição preparar pessoalmente dois pratos.

    Muita coisa precisava de tempo para maturar. Por ora, Wu Chen não tinha o que fazer. Já que estava à toa…

    — Hum… Irmão, isso aqui tá bom, bom demais… você cozinha bem pra caramba… — Tang Xinbao provou uma costelinha agridoce e elogiava a mão de Wu Chen.

    Trim-trim…

    Era o celular de Wu Chen.

    Ele tirou o aparelho, olhou e viu que era Li Maoren.

    — Alô, tio — atendeu Wu Chen.

    — O que aconteceu? — perguntou Li Maoren direto, num tom muito sério.

    — Aconteceu o quê? — devolveu Wu Chen.

    — O incêndio no clube! — disse Li Maoren. Ele já sabia.

    Nota