Novels chinesas em português
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    Capítulo 370 — Já está resolvido

    — Chefe Peng, você pode comer o que quiser, mas não pode sair falando qualquer coisa — disse Wu Chen, num tom calmo. — Quem? Quem você diz que eu sequestrei? Se tá dizendo que eu cometi um crime, precisa ter provas!

    — Vocês não respeitam lei nenhuma! — vociferou Peng Wei, já sem controlar as emoções!

    Não tinha prova nenhuma, mas estava convencido de que o pessoal dele tinha sido pego por aquele rapaz chamado Wu Chen ou por gente mandada por An Menglan.

    Era a única explicação razoável!

    Pouco antes!

    Depois da ligação com Wu Chen, Peng Wei pensara e repensara e concluíra que ele estava só blefando. Então ligou para Yang Pinghe, querendo saber quando os três voltariam de Donghai, se tinha dado tudo certo, coisas assim.

    Só que a ligação não completava!

    Não só a de Yang Pinghe: a dos outros dois também não!

    Peng Wei ligou várias e várias vezes.

    No começo, ninguém atendia; depois, passaram a rejeitar a chamada; por fim… os três celulares foram desligados!

    Aquilo era anormal demais!

    E, juntando com o fato de Wu Chen saber o número dele e ter ligado direto! Peng Wei não conseguia pensar em outra possibilidade. Só havia uma: os três tinham sido pegos! Estavam em cárcere privado!

    Que petulância!

    — Chefe Peng, eu sinceramente não sei do que você tá falando. Heh! — disse Wu Chen, com um leve sorriso. Era para ser uma negativa, mas aquela risadinha no fim equivalia praticamente a admitir para Peng Wei: isso mesmo! Fui eu que peguei o seu pessoal!

    — Escuta aqui! Isso é crime! Eu vou chamar a polícia! — disse Peng Wei na hora, rangendo os dentes de raiva.

    — Fique à vontade — respondeu Wu Chen, com toda a calma.

    E desligou!

    Desligou na cara de Peng Wei de novo. Não tinha paciência para mais conversa!

    Todos tinham acompanhado a ligação. Assim que Wu Chen baixou o celular, An Menglan perguntou na hora:

    — Senhor Wu, era… era o Peng Wei? Que sequestro? Ele já sabe que…

    — O Peng Wei deduziu que fui eu que peguei o pessoal dele. E ainda me ameaçou, dizendo que vai chamar a polícia — disse Wu Chen, sorrindo para ela.

    — Mas… então isso não vai… — An Menglan começou a entrar em pânico.

    Se Peng Wei fosse uma pessoa comum, não seria problema nenhum; uma ligação de An Menglan resolveria.

    Mas Peng Wei não era comum!

    O sujeito tinha influência e contatos de sobra!

    E An Menglan era figura pública!

    Se Peng Wei chamasse a polícia, a coisa ficaria enorme! Não só ia abalar o país inteiro: podia até sair no noticiário internacional! Por causa da origem familiar e da influência de An Menglan, o caso ficaria grande a ponto de ninguém conseguir abafar!

    Sequestro, cárcere privado! Com certeza alguém ia ser preso! Mesmo que depois desse para tirar a pessoa mexendo os pauzinhos, primeiro ela ia ter de entrar!

    E An Menglan ficaria com a reputação destruída!

    Perto disso, um escândalo amoroso era bobagem!

    An Menglan tinha ouvido tudo o que Wu Chen dissera e não conseguia mesmo entender por que ele era tão cabeça-dura. O jeito como lidava com aquilo só podia ser chamado de inconcebível! Dava a sensação de estar empurrando tudo para o pior!

    — Não se preocupa, senhorita An — disse Wu Chen, sorrindo. — Eu disse que cuido disso, então deixa tudo comigo. Não vai ter problema.

    — E se ele chamar a polícia? Aí não vai… Que tal soltar o pessoal primeiro… — disse An Menglan na hora. Não conseguia ficar tranquila.

    Ela sabia que Peng Wei não teria receio nenhum só porque ela era An Menglan!

    Se o Langchao tinha coragem de caçar podres dela, era porque não tinha medo de ofendê-la! Agora que Peng Wei estava convencido de que era sequestro, aquele “material” era maior e mais pesado! Naturalmente, ele teria menos receio ainda!

    Com a influência que Peng Wei tinha na internet, bastava uma postagem qualquer no Weibo dizendo que o pessoal dele fora sequestrado para a internet inteira explodir!

    Seria uma comoção sem tamanho!

    Manchete na hora!

    A repercussão seria altíssima, a ponto de… nem Li Ruotai necessariamente conseguir segurar! Abafar a notícia seria dificílimo!

    Porque os internautas iam discutir por conta própria! É verdade que Peng Wei, com a capacidade que tinha, não conseguiria tocar num fio de cabelo de Li Ruotai, mas alguém teria de levar a culpa, e o impacto seria péssimo! Podia até causar certa turbulência entre as grandes famílias!

    — Ele não vai chamar a polícia — disse Wu Chen, mantendo o sorriso, num tom de total certeza!

    An Menglan ficou um instante aérea. Não sabia de onde vinha tanta confiança! Nem imaginava como Wu Chen ia resolver tudo no fim!

    Se fosse dois dias antes, ela não acreditaria nele de jeito nenhum. Um jovem cantor amador, sem nenhum respaldo, metendo-se numa coisa dessas? Seria pedir para ir para a cadeia! Mas agora era diferente…

    An Menglan acreditava que a capacidade de Wu Chen ia muito além da música.

    Wu Yurong até gostava de música.

    Mas Li Ruobing, não!

    Wu Chen com certeza tinha outros talentos! Só assim faria Li Ruobing amá-lo e até tolerar que ele tivesse outras mulheres!

    An Menglan ia pensando, especulando.

    — É que… — Song Xuan não se segurou. Estava perdida desde o começo, mas dava para perceber que era coisa grave. — Que sequestro? E polícia? Esse Peng Wei… é aquele paparazzo?

    Song Xuan acompanhava muito o meio artístico, por isso sabia quem era Peng Wei.

    An Menglan olhou para ela. Não queria muito contar, mas Song Xuan tinha ouvido e perguntado; esconder não adiantava.

    — Foi assim… agora há pouco, quando eu e o senhor Wu távamos tomando café, bateram na porta e aí… — E An Menglan contou a ela, por alto, o que tinha acontecido.

    Foi direto aos pontos principais!

    E evitou a questão de por que Wu Chen estava ali tão cedo, tomando café da manhã!

    Ao mesmo tempo.

    Distrito de Nanhui, Edifício Comercial Luyuan.

    Peng Wei andava de um lado para o outro diante da janela panorâmica. A paisagem da cidade lá fora era linda, mas ele não tinha cabeça para ela. Apertava o celular, com o rosto lívido, tomado de raiva.

    Estava mesmo a ponto de enlouquecer de ódio!

    Era a primeira vez que via um rapaz tão sem lei, tão arrogante ao extremo! Ele falava em chamar a polícia, e o sujeito ainda tinha a cara de pau de dizer “fique à vontade”?!!

    Peng Wei andava e andava. Várias vezes ergueu o celular para olhar e baixou de novo.

    Quanto mais pensava, mais achava que talvez… devesse se acalmar! Não tinha medo de An Menglan. No meio artístico, ele já era da facção do Grupo de Mídia Zhonghe, do mesmo lado, em oposição direta à Huaxing Entertainment da família An!

    Mas!

    Naquele momento, o que Peng Wei considerava não era An Menglan, e sim aquele rapaz chamado Wu Chen!

    Tão abusado, sem receio nenhum: ele tinha de ter… algum respaldo, não?!

    Um homem que aparecia ao lado de An Menglan não podia ser um qualquer!

    Quanto mais arrogante Wu Chen era, mais Peng Wei achava que ele não era simples! Não sabia de ninguém assim em Donghai, mas… nada o impedia de investigar antes!

    Peng Wei estava havia mais de dez anos no meio artístico, e ainda num negócio desprezado, que vivia ofendendo os outros, o de paparazzo. Em todos aqueles anos, não só não se metera em encrenca, como prosperara. Além da competência e do talento para cultivar contatos, isso tinha muito a ver com a cautela dele!

    Ofender, sem saber, alguém que não podia ser ofendido: isso, Peng Wei jamais permitiria!

    Primeiro, investigar!

    Decidido, ergueu o celular, percorreu depressa os contatos e escolheu um número salvo como “Presidente Zheng – Guangyue Donghai”!

    A Companhia de Agenciamento Artístico Guangyue de Donghai era uma agência de entretenimento da cidade. No cenário nacional, não figurava entre as grandes, mas, em Donghai, estava entre as primeiras, com uma avaliação de algumas centenas de milhões.

    O dono se chamava Zheng Shaoqing e também era figura de prestígio em Donghai! Como vivia trabalhando com emissoras de TV, tinha contatos fortíssimos na cidade!

    Peng Wei ligou para Zheng Shaoqing. Ia mexer os pauzinhos! Investigar Wu Chen!

    Donghai.

    Hotel Jiahua, suíte presidencial do décimo quinto andar.

    An Menglan terminou de contar a Song Xuan o que tinha acontecido.

    — Esses paparazzi são horríveis! Bater na porta pra tirar foto! Que proteção à privacidade é essa desse hotel? Depois eu vou falar com eles! — Song Xuan franziu de leve a testa, toda indignada, e virou-se para Wu Chen. — Veterano, e você… vai fazer o quê?

    — Assim mesmo — disse Wu Chen, sorrindo. — Já tá resolvido.

    — Hã?

    — Hã?

    Todos na sala soltaram a mesma exclamação, olhando para Wu Chen sem entender o que ele queria dizer.

    A coisa não tinha acabado de ficar maior? Como assim, já estava resolvida?

    De repente, veio algum movimento lá de fora; parecia ter chegado muita gente.

    Logo em seguida, bateram à porta.

    Toc, toc, toc!

    — Senhorita An! O meu senhor Wu tá aí com você? — veio em seguida uma voz de mulher!

    Era Li Ruobing!

    An Menglan virou a cabeça de supetão e mudou de cor! Ficou em pânico na hora!

    Uma sensação de… ter sido pega em flagrante!

    Nota