Novels chinesas em português
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    Capítulo 318 — Ding Ruilong, você levou chifre mesmo!

    Não chamou!

    Jiang Hongguang continuava sem conseguir completar a ligação. Tentou mais algumas vezes, e nada.

    Quanto mais pensava, mais esquisito tudo aquilo parecia. Se era para ameaçá-lo, fosse para pedir dinheiro, fosse para mandá-lo fazer alguma coisa, bastava falar. De um jeito ou de outro, iam ter que conversar, não iam?

    Pensando nisso, Jiang Hongguang deu uma volta pelo quarto, mas não encontrou nada.

    Nada que merecesse atenção.

    Olhou o relógio. Aquela ida ao banheiro já estava demorando demais; somando tudo, devia passar de dez minutos. Mesmo que fosse o número dois, já era para ter acabado. Estava na hora de voltar.

    Mas era questão de vida ou morte, e Jiang Hongguang decidiu esperar um pouco mais.

    Cinco minutos depois.

    Como ninguém apareceu, Jiang Hongguang resolveu deixar o quarto 1029.

    Voltou.

    Logo estava de novo no nono andar, diante da sala privativa. Os outros guarda-costas de Ding Ruilong olharam para ele, e um dos que eram mais chegados perguntou:

    — Demorou, hein?

    — Meu estômago tá ruim — respondeu Jiang Hongguang, baixinho.

    Na sala, o jogo continuava. Wu Chen e Li Ruobing ficavam o tempo todo atrás de Li Ruotai, dando uma dica aqui e ali. E, quando o assunto era alfinetar com sarcasmo, Li Ruotai era imbatível: além de ganhar o dinheiro de Ding Ruilong, não parava de cutucá-lo com indiretas.

    A cara de Ding Ruilong estava visivelmente alterada. Ele precisava manter a pose e vinha se segurando o tempo todo.

    Sem que se percebesse, deram cinco da tarde.

    Wu Chen olhou o relógio para confirmar a hora, inclinou a cabeça na direção de Li Ruotai e disse baixinho, sorrindo:

    — Vamos comer?

    Li Ruobing olhou para Wu Chen, conferiu também o relógio e assentiu.

    — Bora. Vamos.

    Enquanto falava, enlaçou o braço de Wu Chen, e os dois já iam saindo juntos.

    Não tinham dado dois passos quando a voz de Sun Yongzhang soou.

    — Bingbing, aonde você vai? Ainda tem visita aqui. — Sun Yongzhang olhou para Li Ruobing, franzindo de leve a testa.

    — Continuem jogando. A gente vai jantar — disse Li Ruobing, virando-se.

    Sun Yongzhang ficou visivelmente contrariado e ainda lançou um olhar atravessado a Wu Chen antes de dizer:

    — Vamos comer todo mundo junto. A gente já está quase terminando. Não tem pressa…

    — Terceiro Tio, mana, que tal jantar aqui mesmo? Mando o restaurante do quinto andar preparar tudo agora — propôs Li Ruotai. E, para Li Ruobing: — Mana, deixa eu jogar mais umas rodadas, que eu tô ganhando. Quando o restaurante estiver pronto, a gente desce direto.

    Li Ruobing não respondeu. Só olhou para Wu Chen.

    — Beleza, então fica do jeito que o Atai falou — disse Wu Chen, sorrindo. Ao falar, olhou para Li Ruotai, e os dois trocaram um rápido olhar.

    Estava combinado!

    Tinham acertado por telefone no dia anterior: não sairiam do clube e jantariam ali mesmo!

    Wu Chen e Li Ruobing voltaram e se sentaram atrás de Li Ruotai para vê-lo jogar. Li Ruotai pegou o celular e fez uma ligação. Disse só “prepara o jantar, do melhor” e desligou.

    O jogo continuou. Li Ruotai estava todo empolgado; até enquanto falava ao telefone não tirava os olhos das cartas.

    Mais uma hora se passou.

    Seis da tarde.

    Creeec!

    A porta da sala se abriu. Foi um guarda-costas, que já entrou avisando Li Ruotai:

    — Patrão, o jantar tá pronto.

    Li Ruotai assentiu, correu os olhos pelos outros e se levantou.

    — Vamos. Hora de comer.

    Depois olhou para Ding Ruilong, arqueou as sobrancelhas com um sorriso e acrescentou:

    — Ding Ruilong, aqui na minha casa não tem fiado, hein. Não esquece de acertar a conta!

    — Fica tranquilo. Não vou te ficar devendo — disse Ding Ruilong, levantando-se e fingindo um sorriso, como se não estivesse irritado.

    Naquele dia, ele tinha perdido quase nove milhões. O dinheiro não era nada para ele. O problema era Li Ruotai, irritante demais! Não calava a boca um segundo!

    E ainda tinha Wu Chen e Li Ruobing, que passaram o tempo todo de chamego atrás de Li Ruotai. Aquilo deixava Ding Ruilong mais irritado ainda. O estado de espírito dele já tinha ido para o espaço.

    Conversando, todos deixaram a sala.

    E desceram.

    No lado norte do quinto andar do Clube Huangguan havia um restaurante com salas privativas. Eram poucas, só algumas.

    Logo todos chegaram ao restaurante do quinto andar e entraram na maior sala.

    Os pratos já estavam todos na mesa. Uma mesa redonda enorme, com dezoito pratos. Cabiam vinte pessoas sem aperto, mas não havia tanta gente, então cada um se sentou onde quis, com espaço de sobra.

    Começaram a comer.

    E a conversar.

    Wu Chen, naturalmente, sentou-se ao lado de Li Ruobing. Os dois não entravam nas conversas dos outros. Pareciam um casal de namorados, cochichando o tempo todo e, de vez em quando, servindo comida no prato um do outro.

    Meia hora depois.

    Do lado de fora da sala privativa, no quinto andar, o celular de Jiang Hongguang vibrou. Ele tinha posto o aparelho no silencioso antes, com medo de receber uma ligação de repente e chamar atenção.

    Tirou o celular do bolso e olhou. Era uma mensagem, só quatro caracteres: “Surgiu um imprevisto!”

    E vinha do mesmo número desconhecido!

    Jiang Hongguang guardou o celular, esperou um pouco e disse ao guarda-costas ao lado:

    — Vou no banheiro. Meu estômago tá meio desarranjado.

    E saiu apressado.

    Logo chegou ao banheiro do quinto andar e ligou de novo para aquele número.

    Dessa vez chamou!

    — Vem pro 1029! Tô te esperando! — disse a voz rouca, e desligou na hora!

    Dessa vez Jiang Hongguang nem tentou ligar de volta. Saiu do banheiro e foi direto para os elevadores. Ainda estava com o cartão-mestre que tinha roubado da moça da limpeza, e ele liberava os andares VIP.

    Mais de dez minutos depois, Jiang Hongguang voltou com uma cara péssima.

    Tinha ido de novo e não havia ninguém. Esperou um bom tempo, ninguém apareceu, a ligação também não completava, e ele não teve outra saída senão voltar.

    Naquele momento, Jiang Hongguang chegava a sentir que estavam brincando com a cara dele!

    Mas por quê?

    Não conseguia entender!

    Sem que se percebesse, já eram umas sete e meia da noite.

    Na sala privativa, o jantar já durava uma hora e meia. O assunto principal continuava sem conclusão, mas bebida não tinha faltado. Sun Yongzhang e Tang Jingbin brindavam sem parar, e as gargalhadas de Tang Jingbin ecoavam pela sala de tempos em tempos.

    Wu Chen também parecia ter bebido demais. O sorriso estava esquisito, com um ar de embriaguez, e de vez em quando ele olhava para Ding Ruilong com um sorriso enviesado.

    Ficou olhando tanto que acabou irritando Ding Ruilong!

    — Wu Chen, por que você fica me olhando? — Ding Ruilong enfim falou com ele.

    Assim que abriu a boca, a sala ficou bem mais silenciosa…

    — Tava aqui pensando… você gosta de sofrer, é? — Wu Chen já começou com cara de bêbado arrumando confusão, sorrindo. — Me diz: o que diabos você veio fazer em Donghai? Não é procurar sarna pra se coçar?

    — Wu Chen! — Sun Yongzhang interveio na hora.

    — Tio! — Li Ruobing se virou de imediato para Sun Yongzhang.

    Wu Chen ignorou Sun Yongzhang. Continuou encarando Ding Ruilong com um sorriso de bêbado.

    — Falando sério, tô começando a desconfiar que você tem algum problema na cabeça. Você gosta tanto assim de levar chifre? Ser corno é bom, é?

    Assim que a frase saiu, todo mundo mudou de expressão.

    Aquilo era bater para matar!

    Era o que um homem menos suportava ouvir!

    E havia segundas intenções no que Wu Chen dizia. À primeira vista, dava a impressão de que ele se referia a Li Ruobing, já que ela devia ter se casado com Ding Ruilong, não aceitara e agora era namorada de Wu Chen!

    A cara de Ding Ruilong ficou horrível. Ele estava quase perdendo o controle.

    — Se você gosta tanto de levar chifre, devia ter falado antes. Eu já tinha te dado uma força faz tempo! — provocou Wu Chen de novo, com o mesmo sorriso de bêbado!

    Ding Ruilong se levantou num pulo.

    Dessa vez não aguentou mesmo!

    Wu Chen falando aquilo dele na frente de tanta gente.

    Pá!

    Li Ruobing também bateu na mesa e se levantou. Queria ver o que Ding Ruilong ia ter coragem de fazer!

    Ding Ruilong olhou para Li Ruobing, e a raiva baixou um pouco. Na verdade, àquela altura, ele sentia até certo ódio dela. Mas, quanto mais sentia isso, mais queria se casar com ela. Só assim poderia se “vingar” de verdade!

    — Ruobing, é esse o homem que você escolheu? Ele não tem o menor respeito por você! — disse Ding Ruilong, de cara fechada, gesticulando.

    O que Wu Chen tinha dito parecia mesmo um pouco desrespeitoso com Li Ruobing. Mas, na verdade… não era isso que ele queria dizer!

    — Não, não, não! — Wu Chen falou, ainda com o sorriso de bêbado. — Ding Ruilong, deixa eu te lembrar de uma coisa! Não tô falando de chifre simbólico. Isso aí com a Ruobing é paixão de um lado só, vocês não têm nada. Tô dizendo que você levou chifre de verdade, que é corno de verdade… e parece que nem sabe. Quer que eu te conte?

    A sala ficou num silêncio completo.

    A expressão de Li Ruobing mudou de leve, e ela olhou de esguelha para Wu Chen.

    Será que ele ia falar de He Shiqin?!

    Nota