Capítulo 449 — Nossa! Chefe Li!
por NexoNovelCapítulo 449 — Nossa! Chefe Li!
Aqueles cigarros Huanghelou não eram apenas caros.
— Hum… Caríssimos — respondeu Wu Chen em voz baixa, assentindo.
— Quanto… custam? — perguntou Li Ruobing, voltando a olhar para a sacola de cigarros sobre a mesa de centro.
Li Ruobing entendia de bebidas alcoólicas, mas apenas de vinho. Não conhecia nem mesmo os destilados chineses, muito menos cigarros. Grande parte dos presentes que levara à família Wu viera da mansão de seu irmão mais novo, Li Ruotai.
Li Ruotai tinha facilidade para fazer amizades, conhecia gente de todo tipo e mantinha uma rede enorme de contatos. Recebia presentes com frequência e também costumava presentear os outros.
Na mansão que possuía na zona oeste da cidade, havia um cômodo inteiro repleto de presentes recebidos.
Li Ruobing sabia disso.
Por isso, depois de conversar com o irmão por telefone anteontem, dirigira até lá para buscar algumas coisas. Via uma vantagem em escolher presentes na casa dele: não precisaria se preocupar em decidir se eram apropriados para oferecer a alguém. Certamente tudo que estava ali serviria como presente!
Afinal, eram coisas que outras pessoas haviam dado a Li Ruotai.
Li Ruobing escolhera duas garrafas de vinho tinto de cinco mil yuans cada.
Não entendia de baijiu, mas naturalmente conhecia a marca Moutai. Pegara duas garrafas de uma safra comum, que custavam apenas alguns milhares de yuans cada.
Eram presentes caros, mas não absurdamente caros. Demonstravam consideração sem assustar ninguém.
Quanto aos cigarros, ao fazer sua escolha na mansão do irmão, Li Ruobing evitara deliberadamente todos os importados, inclusive os charutos com embalagens extremamente luxuosas.
Sabia que alguns deles tinham preços aterradores!
Procurara cigarros nacionais num armário com temperatura controlada e pegara alguns ao acaso.
O motivo pelo qual ousara escolher assim era que, embora não entendesse de cigarros, lera notícias sobre a limitação dos preços dos cigarros chineses. Um pacote fechado de dez maços não poderia custar mais de mil yuans.
Por isso, naturalmente, achara que podia escolher sem preocupação.
Era evidente que Li Ruobing tinha uma ideia equivocada sobre cigarros.
Wu Chen também não fumava, mas entendia muito mais do assunto do que ela.
Quanto custavam?
Aqueles Huanghelou eram, naquele momento, os cigarros mais caros de toda a China! Sem concorrentes!
Wu Chen virou ligeiramente o corpo e mostrou três dedos a Li Ruobing.
— Três mil pelo pacote de dez maços? — Ela ergueu uma sobrancelha.
— Trinta mil — respondeu Wu Chen, baixinho.
Huanghelou “Dajinzhuan”!
Eram cigarros de luxo de primeira linha, lançados na China nove anos antes pela empresa tabagista da província de Hudong. Tratava-se de uma edição limitada, especialmente produzida para comemorar o centenário de uma importante transformação histórica. Restavam pouquíssimas unidades em circulação.
Quando os Dajinzhuan foram lançados, estavam entre os cigarros mais caros, mas não ocupavam essa posição sozinhos.
Com o passar do tempo, porém, o preço só aumentara.
Nos últimos dois anos, o valor de mercado já chegara a trinta mil yuans por caixa fechada, e praticamente não havia oferta! Ou seja, mesmo tendo dinheiro, era difícil comprar: eram raríssimos!
Trinta mil era apenas o preço mínimo, que só se conseguiria com uma sorte extraordinária. Sem contatos, sem acesso e sem sorte, talvez nem por quarenta ou cinquenta mil fosse possível encontrá-los.
Quem comprava aqueles cigarros geralmente pretendia presentear alguém, não fumá-los.
Outros os compravam para colecionar, guardando as caixas intactas por anos em armários com temperatura controlada.
— Você pegou ao acaso? — Wu Chen perguntou novamente em voz baixa.
— Foi… — O rosto de Li Ruobing ficou meio paralisado.
É claro que compreendia o quanto trinta mil por caixa era caro!
Embora trinta mil yuans não significassem muito para ela. Nem sabia quantas garrafas de vinho de trinta mil já bebera.
Mas cigarros e vinho eram coisas diferentes.
Vinhos particularmente caros só eram bebidos em ocasiões especiais ou festas. Quando tomava uma taça em casa, Li Ruobing normalmente escolhia garrafas de alguns milhares de yuans. Só em restaurantes gastava um pouco mais.
Ou seja, vinhos muito caros não eram produtos de consumo diário!
Cigarros, por outro lado… Li Ruobing sabia que Wu Dahai era fumante havia muitos anos e consumia dois maços por dia.
Sabia também que até seu irmão, Li Ruotai, costumava fumar cigarros de cem yuans o maço. Fumava sempre a mesma marca e a mesma variedade, dois maços por dia, havia anos.
Cigarros de trinta mil yuans por caixa eram realmente assustadores!
— Quantas caixas você pegou, ao todo? — Wu Chen voltou a olhar para a sacola na mesa de centro e perguntou baixinho.
— …Cinco — respondeu Li Ruobing.
Trinta mil por caixa. Cinco caixas custavam cento e cinquenta mil.
Wu Chen achava que, se Li Ruobing simplesmente colocasse cento e cinquenta mil yuans em dinheiro num envelope vermelho e os desse aos pais dele, eles certamente a considerariam muito rica e recusariam a quantia, mas não ficariam tão chocados.
Agora, gastar cento e cinquenta mil em cinco caixas de cigarros para presentear os dois era assustador demais!
Wu Chen segurou a mão de Li Ruobing, apertou-lhe de leve a palma e lançou-lhe um olhar divertido.
— Foi pegar qualquer coisa e trouxe logo cinco caixas dos cigarros mais caros. Com essa sua mão… devia ter comprado um bilhete de loteria hoje.
Ainda tinha disposição para provocá-la.
— E agora? — perguntou Li Ruobing, baixinho. Já trouxera os cigarros. Não poderia simplesmente levá-los de volta.
Mesmo que os pais de Wu Chen ainda não soubessem o preço, acabariam descobrindo. Qualquer pessoa teria curiosidade de consultar o valor de um presente recebido, sobretudo com a facilidade proporcionada pela internet.
Aquilo claramente lhes causaria muita pressão.
— O que mais podemos fazer? Abrir o jogo — respondeu Wu Chen, sorrindo.
— Abrir o jogo? — Li Ruobing ficou espantada.
— Em parte — acrescentou Wu Chen.
Só então ela se acalmou um pouco. Havia levado um susto, pensando que Wu Chen pretendia contar absolutamente tudo à família.
Se os pais dele descobrissem que seu filho já fora perseguido por assassinos por causa dela, como poderiam aceitá-la como nora?
— Cof, cof! Irmão, estamos na sala, hein? Se comportem… — Wu Jiao finalmente não resistiu e interveio, pigarreando.
Aos olhos de Wu Jiao…
Wu Chen e Li Ruobing não paravam de trocar carícias. Estavam com os rostos praticamente colados, cochichando, e o irmão ainda segurava a mão da namorada.
Não havia nada de errado com um casal agir assim.
Mas, em casa e na frente do pai, estavam se exibindo demais!
Wu Chen lançou um olhar à irmã, como quem dizia que ela falava demais. Mesmo assim, endireitou o corpo, recostou-se no sofá de casa e assumiu uma postura de quem era dono do pedaço.
Li Ruobing não tinha motivo para sentir vergonha.
— Tio, Wu Chen me contou que a família tem um pequeno restaurante, é verdade? — perguntou diretamente a Wu Dahai, iniciando uma conversa com naturalidade e um sorriso.
— Ah, temos, sim. Uma loja de macarrão puxado à mão. Já faz mais de vinte anos… — respondeu Wu Dahai, rindo, sem abandonar sua postura excessivamente formal.
— E os negócios vão bem?
— Vão, sim. Dá para ganhar uns duzentos mil por ano.
— Nada mal!
— Pois é… Ah, Bingbing, a Jiao comentou outro dia que você é dona de uma empresa?
— Sim, tio. Tenho uma empresa de cosméticos.
— Deve ser um negócio grande.
— Não posso reclamar.
Era apenas conversa descompromissada.
Li Ruobing permanecia à vontade e aos poucos também relaxava completamente por dentro. Wu Dahai, porém, continuava rígido, tratando-a com uma deferência excessiva.
Wu Chen praticamente não falava. Ficara largado no sofá, assistindo à televisão.
Mais de dez minutos depois.
Li Ruobing e Wu Dahai haviam praticamente esgotado os assuntos triviais. Ele tampouco ousara perguntar a fundo qual era o tamanho da empresa dela.
Sentia que, se insistisse naquele assunto, daria a impressão de que a família queria se aproveitar do dinheiro da moça.
— Vou dar uma olhada na cozinha — avisou Li Ruobing a Wu Chen, levantando-se.
Foi até a cozinha.
Wu Dahai acompanhou-a com os olhos até ela desaparecer pela porta, virou-se para o filho e o chamou:
— Xiao Chen.
— Hum? — Wu Chen se endireitou imediatamente e sorriu. — O que foi, pai?
— Você… — Wu Dahai começou, mas voltou a olhar para a cozinha e fez um gesto com a mão. — Conversamos depois do jantar.
Naturalmente, queria perguntar ao filho, a sós, qual era exatamente sua situação com Li Ruobing. Era sério? Daria certo? Duraria?
Mas aquele não era um bom momento para isso.
Precisaria esperar uma oportunidade para conversarem sem ninguém por perto.
Toc, toc, toc!
De repente, alguém bateu à porta.
Wu Chen lançou um olhar para a entrada.
— Deve ser a Xiaoxue — disse Wu Jiao, enfiando os pés nos chinelos e correndo até a porta para abri-la.
— Lao Wu! Hahaha! Soube que seu filho traria a namorada para casa hoje! Já chegaram? — O que se ouviu primeiro foi a risada franca de um homem.
Chen Xue realmente havia chegado.
Mas estava acompanhada por um homem alto, de meia-idade, na casa dos quarenta e poucos anos. Ela se parecia um pouco com ele.
Era o pai de Chen Xue: Chen Jinye.
Wu Dahai e Chen Jinye eram amigos desde crianças. Depois de concluírem o ensino fundamental, haviam servido juntos por dois anos no Exército. Em seguida, regressaram à terra natal e cada um abriu um pequeno negócio.
A loja de macarrão da família Wu nunca se expandira muito e continuava mais ou menos como sempre.
Chen Jinye, porém, era empreendedor. Perdera bastante dinheiro em outros tempos e chegara a receber ajuda financeira de Wu Dahai. Por fim, conseguira abrir um negócio bem-sucedido, usando dinheiro emprestado pelo amigo.
Por isso, embora agora possuísse um patrimônio de dezenas de milhões, a amizade entre as famílias nunca esfriara.
Chen Jinye e Chen Xue trocaram os sapatos por chinelos na entrada e seguiram para a sala.
— Tio Chen — cumprimentou Wu Chen, sorrindo.
— Quando voltou, Xiao Chen? — perguntou Chen Jinye, enquanto Wu Dahai o convidava a sentar.
— Acabei de chegar.
Depois de se sentar, Chen Jinye viu a mesa coberta de presentes e compreendeu imediatamente. Abriu um sorriso largo.
— Xiao Chen trouxe a namorada, não é? Cadê ela? Por que não a vejo?
— Está na cozinha, conversando com a mãe dele — respondeu Wu Dahai, sorridente.
— E aí, como ela é? — Chen Jinye se virou imediatamente para o amigo.
— Muito boa — respondeu Wu Dahai, sem saber como descrevê-la.
Naquele instante…
— Chegaram visitas? — Li Ruobing saiu da cozinha. Pretendera ajudar Zhang Xiujuan, mas a mãe de Wu Chen não permitira, e ela não insistira.
— Bingbing, venha, vou apresentar… — Wu Dahai se levantou para chamá-la.
Mas, antes mesmo que ele começasse a apresentação, Chen Jinye se levantou de um salto.
— Chefe Li?! — exclamou, atônito. Não fazia ideia de como poderia encontrar Li Ruobing naquele lugar.
— Hum? — Li Ruobing olhou para ele, confusa. — O senhor é…?
— Nossa, Chefe Li! É a senhora mesmo! Mas que surpresa! O que está fazendo aqui? Eu sou aquele, da Shengye Química… — Chen Jinye apressou o passo em sua direção.
— Shengye Química… — repetiu Li Ruobing. A empresa lhe parecia vagamente familiar. Ao ver Chen Jinye se aproximar, estendeu a mão.
— Ah, Chefe Li! A senhora conhece tanta gente que nem deve se lembrar de mim! Esqueceu? Faz dois anos, quando sua empresa construiu a segunda fábrica… Aquela licitação! A senhora mesma esteve lá!
Chen Jinye apertou a mão de Li Ruobing, visivelmente emocionado e ansioso por agradá-la, numa postura extremamente submissa.
