Novels chinesas em português
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    Capítulo 372 — Prévia da manchete do ano

    Peng Wei tinha postado no Weibo!

    O conteúdo era curtíssimo: uma linha de texto e uma imagem.

    “2 de agosto: a manchete do ano!”

    A imagem era uma montagem de humor: um demônio de dois chifres, com uma florzinha vermelha na cabeça, de mãos dadas com um herói. No canto superior esquerdo, um microfone; no inferior direito, um coração vermelho.

    A montagem era tosquíssima, claramente feita às pressas no Photoshop!

    O texto era simples e direto: no dia 2 de agosto ia ter bomba! Do tipo capaz de virar a manchete do ano!

    A imagem é que era mais complicada! Não dizia claramente de quem seria o podre nem qual!

    Peng Wei sempre fazia assim, e não era para fazer mistério!

    Era para ter margem de manobra.

    Paparazzi caçam escândalos e podres por dinheiro! Para o grande público, uma postagem daquelas era um “aviso de fofoca”; para An Menglan, era uma ameaça!

    Peng Wei, naturalmente, queria que alguém pagasse para levar o “material”!

    Por isso, aviso nenhum podia ser claro. Se ele escrevesse que no dia 2 de agosto ia expor An Menglan e depois ela, ou outra pessoa, comprasse o material, o que ele faria?

    Publicaria mesmo assim? Perderia a credibilidade no ramo!

    Não publicaria? Quebraria a palavra com os internautas, um golpe devastador na reputação construída ao longo de tantos anos!

    Por isso! Aviso vago! Se o material fosse comprado, no dia 2 de agosto ele podia substituí-lo pelo podre de outra celebridade!

    An Menglan olhava o tablet.

    A postagem tinha só alguns minutos, mas já fervia: mais de mil comentários e, pelo ritmo, com certeza entraria ainda naquele dia nos assuntos do momento e nos mais buscados do Weibo!

    Outras pessoas talvez não entendessem a imagem de cara, mas An Menglan entendeu na hora!

    E não só ela.

    Ao abrir os comentários, descobriu que alguns “internautas prestativos” também tinham entendido! E já tinham destrinchado o significado da imagem!

    O demônio indicava o Rei Demônio!

    O microfone indicava cantor!

    O coração indicava amor, ou seja, escândalo romântico.

    O herói era homem, então o demônio era mulher.

    A florzinha vermelha na cabeça do demônio também reforçava isso.

    Somando tudo: um escândalo amoroso de uma cantora do nível de Rainha Demônio!

    Na música em língua chinesa atual, só uma cantora era chamada de “Rainha Demônio”: a Grande Rainha Demônio, An Menglan!

    “Rainha Demônio namorando? An Menglan?!!”

    “An Menglan?!!”

    “Lá vem o Peng Wei pegar carona na fama de novo. Nunca que é a nossa deusa An.”

    “Quem tá fazendo intriga, rala daqui.”

    An Menglan viu o próprio nome nos comentários. Alguns internautas espertos já tinham adivinhado!

    Sem tirar os olhos do tablet, voltou devagar ao sofá e se sentou, sempre de cabeça baixa, olhando.

    — O que o Peng Wei postou? — veio a voz de Wu Chen.

    An Menglan ergueu os olhos para ele e lhe passou o tablet.

    Wu Chen pegou o aparelho, olhou e ergueu de leve uma sobrancelha.

    Ao lado, Li Ruobing, com a mão no ombro dele, inclinou o corpo para também ver a postagem na tela.

    Ao mesmo tempo, Song Xuan pegou o próprio celular, abriu o app do Weibo, procurou direto a postagem de Peng Wei e também ficou olhando.

    — Dois de agosto. Falta uma semana — disse An Menglan, com uma ponta de preocupação na voz. Entendia muito bem: ao marcar a revelação para dali a uma semana, Peng Wei estava deixando uma semana para negociar.

    — Uma semana — repetiu Li Ruobing, com o canto da boca erguido, e olhou de canto para Wu Chen, provocando, toda afetada: — Pelo jeito, o meu senhor Wu vai sair em manchete.

    De uma coisa Li Ruobing tinha certeza: Wu Chen jamais deixaria uma notícia sobre ele virar manchete! Ele carregava coisas demais naquele momento: a família Ding, a família Li, muitos planos, muitas relações. Uma exposição daquelas, evidentemente, seria ruim para ele!

    Por isso, Peng Wei não tinha a menor chance de soltar o material!

    Li Ruobing não estava nem um pouco preocupada.

    An Menglan, por sua vez, continuava aflita.

    — Senhor Wu, afinal, como o senhor pretende resolver isso? — perguntou de novo. Estava mesmo apavorada. Para Peng Wei, aquilo talvez fosse só fofoca amorosa; para ela, era escândalo!

    Justamente porque Wu Chen tinha namorada!

    — O Peng Wei vai me ligar. Aí eu converso direito com ele — disse Wu Chen, sorrindo para ela. — Senhorita An, eu sei com o que você tá preocupada. Na verdade, eu quero ainda menos do que você que isso venha a público. Quanto menos gente souber disso, melhor. Então… se eu não conseguir resolver, eu te aviso antes.

    An Menglan apertou os lábios e assentiu.

    Se ele dizia assim, não havia outro jeito!

    Sete dias também eram tempo de sobra para ela. Em último caso, despejaria uma fortuna e deixaria Peng Wei pedir o absurdo que quisesse, mas compraria as fotos de volta!

    — Vamos falar da nossa parceria. Relaxa um pouco, esquece os paparazzi — disse Wu Chen, sorrindo de novo.

    — Tá bom! — An Menglan assentiu.

    — Vocês conversem — disse Li Ruobing, levantando-se de repente e pegando a bolsa. — Tô indo.

    — Pra empresa? — perguntou Wu Chen, erguendo os olhos.

    — Pra Jinfu. Combinei ontem com a Qingying — respondeu Li Ruobing.

    Ela não tinha a menor vontade de ficar ali ouvindo Wu Chen e An Menglan falarem de música. E tinha mesmo combinado com Su Qingying na véspera: a parceria entre a Huancai Fashion e o Grupo Jinfu já tinha começado. Era fim de semana, mas nada a impedia de trabalhar por conta própria.

    — Hoje à noite a gente janta junto — disse ainda a Wu Chen, e se inclinou para dar um beijo no rosto dele.

    Virou-se e foi embora!

    Depois que Li Ruobing saiu, Wu Chen e An Menglan passaram a falar só da parceria e de música.

    Song Xuan também estava lá e, ao saber que Wu Chen tinha escrito oito músicas para An Menglan na véspera, ficou maravilhada.

    Sem que percebessem, deram dez da manhã.

    An Menglan comentou que queria gravar “demos” das músicas, e Song Xuan logo ofereceu a casa dela!

    Quer dizer, a casa onde morava sozinha: uma villa.

    Lá havia um estúdio de gravação com todo o equipamento de um estúdio profissional; custara mais de dez milhões para montar. Só que gravar não é trabalho de uma pessoa só, e Song Xuan preferia ir ao estúdio de amigos. O de casa, ela usava pouco.

    Depois do episódio dos paparazzi, ir para a casa de Song Xuan era, pela privacidade e pela segurança, uma boa escolha.

    Dito e feito!

    Ninguém ali era de enrolar.

    Saíram todos juntos do hotel rumo à casa de Song Xuan.

    …

    Meio-dia.

    Modu, distrito de Nanhui, Edifício Comercial Luyuan!

    No escritório, Peng Wei desligava o computador para ir almoçar.

    Trim, trim…

    O celular dele tocou.

    Ele pegou o aparelho e viu na tela: “Presidente Zheng – Guangyue Donghai”. Atendeu na hora, sorrindo:

    — Chefe Zheng, alguma novidade?

    — Sim. Já descobri — disse Zheng Shaoqing, com a voz rouca e um tom meio esquisito.

    — Tão rápido? — O sorriso de Peng Wei ganhou um quê de surpresa.

    Tinha falado com Zheng Shaoqing só três horas antes, e sem contar muita coisa. Como não eram tão próximos, primeiro jogou um bom tempo de conversa fora, depois pediu o favor e passou o celular de Wu Chen.

    Sabia que, com a influência de Zheng Shaoqing em Donghai, a partir de um número de celular não seria difícil descobrir o titular e todo tipo de informação em nome dele!

    Mas não esperava tanta rapidez!

    Isso melhorou a imagem que tinha de Zheng Shaoqing. Achou o sujeito bem prestativo, de resolver as coisas na hora. Mais para a frente, quando aparecesse coisa boa, podia dar uma força a ele, fazer umas pontes, apresentar gente.

    Com a rede de contatos que Peng Wei tinha no meio artístico, ajudar uma empresa de entretenimento de médio porte a fechar uma parceria era muito fácil.

    Era também por isso que donos de empresas de entretenimento tratavam um paparazzo como Peng Wei como amigo.

    — Informação de origem até que é fácil de levantar. Pedi pra um amigo checar o registro de residência dele… — disse Zheng Shaoqing, ainda com aquele tom estranho, e mudou de rumo: — Chefe Peng, você e esse Wu Chen… tão com algum problema?

    — Esse moleque é arrogante demais! — foi só o que disse Peng Wei, sem explicar mais. — Chefe Zheng, o que você achou? Esse garoto tem alguém por trás? A família dele faz o quê?

    — Alguém por trás… não. A família dele também é comum… — Zheng Shaoqing parecia querer dizer algo e não dizer.

    — O que foi, Chefe Zheng? Por que tá falando pela metade? Somos amigos, não somos? Se descobriu alguma coisa, é só falar — disse Peng Wei, forçando intimidade.

    — Não é que eu não possa falar — disse Zheng Shaoqing, e fez uma pausa. Ao continuar, baixou a voz sem perceber. — É o seguinte, Chefe Peng: se houve algum mal-entendido entre você e o senhor Wu, o melhor é esclarecer. É melhor não… entrar em conflito… com ele!

    O tom de Zheng Shaoqing tinha ficado, sem que ele percebesse, extremamente cauteloso.

    Peng Wei travou. Levou um instante para se recompor e, mesmo assim, não entendeu.

    Em que posição Zheng Shaoqing estava para chamar Wu Chen de… senhor Wu?

    Eles se conheciam?!

    Nota