Capítulo 447 — Meu amor, quero ter um filho
por NexoNovelCapítulo 447 — Meu amor, quero ter um filho
Donghai, 15h43. Torre 7 do CBD de Nancheng.
Escritório da presidente da Huancai Fashion.
— Senhor Wu.
— Senhor Wu.
Saudações soaram de repente do lado de fora. Logo em seguida, um guarda-costas abriu a porta, e Wu Chen entrou com uma das mãos, como de costume, no bolso da calça social.
Atrás da mesa de trabalho, duas mulheres que examinavam documentos com as cabeças próximas ergueram os olhos ao mesmo tempo.
— Qingying também está aqui? — Wu Chen demonstrou uma leve surpresa.
Su Qingying também estava no escritório de Li Ruobing.
— Mar… — Ao ver Wu Chen, Su Qingying estava prestes a chamá-lo de “marido” e já contornava a mesa, mas interrompeu a palavra.
A porta do escritório ainda estava se fechando.
Só quando ficou completamente fechada…
— Marido, abraço… — Su Qingying apressou o passo, fazendo os saltos baterem no piso, até chegar diante de Wu Chen.
Wu Chen passou os braços por ela e a ergueu diretamente no colo, sustentando-a na horizontal.
Isso deixou Su Qingying um pouco envergonhada. Ela só queria abraçá-lo por um instante… Era pleno dia e estavam no escritório de Li Ruobing.
Embora constrangida, Su Qingying passou os braços ao redor do pescoço de Wu Chen e lhe deu um beijo.
Li Ruobing estreitou ligeiramente os olhos ao ver Wu Chen carregando Su Qingying em direção ao sofá, mas não disse nada. Apenas começou a organizar os documentos sobre a mesa.
Achava aquilo estranho.
Conhecia Su Qingying havia muito tempo e recentemente passara a conviver com ela com frequência, pois a Huancai Fashion e o Grupo Jinfu já haviam fechado uma parceria. Por isso, tanto em assuntos particulares quanto profissionais, mantinham contato constante.
A impressão de Li Ruobing sobre Su Qingying era de que… não diferia dos rumores.
Ela não tinha uma personalidade infantil.
Também sabia ser muito firme nos negócios.
Era uma mulher de grande elegância e distinção.
Não se tratava de pose.
Ela realmente era assim.
Então por que mudava completamente assim que via Wu Chen?
Até aquele dia, Li Ruobing ainda não compreendia de onde vinha aquela atitude quase “bizarra” de Su Qingying diante de Wu Chen.
Não era estranho que tivesse se tornado mulher dele.
Mas precisava ser tão grudenta?
Quando chegou ao sofá, Wu Chen colocou Su Qingying ali, praticamente a deixando cair com um movimento nem forte nem suave, e sentou-se ao lado dela.
— Sentiu minha falta? — perguntou, erguendo-lhe o queixo com um dedo.
— Sim, sim. — Su Qingying assentiu. Então, como se tivesse se lembrado de alguma coisa, corou um pouco. Pegou a mão de Wu Chen, parecendo querer fazer algo, mas desistiu e a soltou.
— Quando voltou? Por que não ligou antes? — perguntou finalmente Li Ruobing, que terminara de organizar os papéis e agora assinava alguns documentos.
— Acabei de chegar. Vim direto de carro — respondeu Wu Chen, olhando para ela.
Dirigira em alta velocidade. Normalmente, a viagem entre Modu e Donghai pela rodovia levaria aproximadamente quatro horas, mas ele gastara menos de três.
E ainda considerava que dirigira devagar.
Não havia motivo para ter tanta pressa.
— Já liguei para minha mãe. Basta chegarmos em casa antes do jantar — acrescentou.
— Marido, você vai levar Ruobing para conhecer sua família? — perguntou Su Qingying.
— Vou, sim. — Wu Chen olhou para ela e sorriu. — Qingying, quer ir junto?
— Não quero. — Su Qingying balançou a cabeça com grande firmeza.
Já sabia daquilo havia dois dias, porque Li Ruobing lhe contara. E refletira sobre a situação. A menos que fosse absolutamente necessário, não iria conhecer os pais de Wu Chen.
Não era falta de vontade.
O problema era que seus próprios pais tornavam tudo muito complicado.
Sua relação com Wu Chen não poderia, de maneira alguma, ser tornada pública.
Além disso, os dois nem sequer tinham um namoro convencional… Por isso.
Wu Chen perguntara apenas por perguntar. Sabia que Su Qingying não iria.
— Marido, quando você volta? — perguntou Su Qingying, comprimindo os lábios.
— Amanhã — respondeu Wu Chen com um sorriso.
— Então… — Su Qingying ia dizer alguma coisa, mas parou. Lançou um olhar para Li Ruobing, aproximou-se do ouvido de Wu Chen e sussurrou: — Marido, quero ter um filho.
— Hum?
O sorriso de Wu Chen ganhou um significado especial. Ele assentiu.
— Claro. Mas pense bem: se engravidar, durante pelo menos alguns meses você não vai ter energia suficiente para cuidar da empresa…
— Já pensei nisso. Ter um filho mais cedo é melhor do que deixar para depois. Depois que ele nascer… vou poder me concentrar mais na carreira. Não acha, marido? — respondeu Su Qingying.
— Só não se canse demais — disse Wu Chen, sorrindo e acariciando seus cabelos.
Na verdade, compreendia perfeitamente o que Su Qingying estava pensando.
A relação entre os dois não podia ser revelada, e seria difícil torná-la pública nos anos seguintes. Além disso, Su Qingying já tinha vinte e sete anos.
Seu pai estava com a saúde debilitada, mas, por enquanto, ainda conseguia se manter à frente dos negócios. Por isso, Su Qingying não precisava enfrentar sozinha toda a administração da empresa.
Mais tarde, seria difícil prever.
Assim, como ela própria dissera, era melhor ter um filho cedo do que tarde.
Sua ambição profissional não era menor do que a de Li Ruobing.
Tinha seus próprios planos para a vida.
— O que vocês dois estão cochichando tanto? — Li Ruobing perguntou ao vê-los trocando palavras íntimas.
Normalmente, ela nem se daria ao trabalho de perguntar sobre uma conversa ao pé do ouvido.
Mas Su Qingying vivia lançando olhares para ela enquanto falava com Wu Chen.
— Adivinha — respondeu Wu Chen, erguendo a cabeça e sorrindo.
— Quero engravidar logo e ter um filho com meu marido — respondeu também Su Qingying, erguendo a cabeça e dizendo aquilo aberta e tranquilamente.
Li Ruobing arqueou um pouco a sobrancelha, mas sua expressão praticamente não mudou. Tampouco comentou alguma coisa.
Continuou cuidando dos documentos.
— Quase quatro horas! — Su Qingying olhou de repente para o relógio. Levantou-se e pegou a bolsa. — Tenho uma reunião às quatro e meia na empresa. Preciso voltar para conduzi-la. Ruobing, tenho que ir. Marido… muá!
Deu outro beijo em Wu Chen antes de sair, com o som de seus saltos ecoando pelo corredor.
Depois da partida de Su Qingying.
— Qingying está com tanta pressa para ter um filho. Você não está? — Wu Chen perguntou a Li Ruobing, sorrindo.
— Por que eu estaria? — respondeu Li Ruobing, num tom um pouco frio. Em seguida, mudou de assunto, levantou os olhos e sorriu para ele com a confiança de quem já tinha a vitória garantida. — Você e eu alguma vez usamos anticoncepcional?
Para Li Ruobing, que estava decidida a ser a esposa principal, era absolutamente inadmissível que outra mulher tivesse um filho de Wu Chen antes dela.
Entretanto, há pouco, não demonstrara a menor preocupação.
Porque ela e Wu Chen jamais haviam usado qualquer método contraceptivo.
Li Ruobing até suspeitava que já pudesse estar grávida, mas que fosse cedo demais para um exame detectar a gestação ou para apresentar qualquer sintoma.
Durante os dez minutos seguintes.
Wu Chen e Li Ruobing continuaram conversando sobre assuntos diversos.
Já se comportavam quase como um casal casado havia muitos anos.
Finalmente.
Li Ruobing concluiu a documentação, terminou o trabalho daquele dia e se afastou da mesa.
— Comprei roupas para você. Estão lá dentro — disse, encaminhando-se para a pequena sala de descanso e indicando-a a Wu Chen.
Wu Chen se levantou e entrou com ela.
Os dois tomaram banho juntos.
Trocaram de roupa.
Li Ruobing fez uma maquiagem discreta. Não porque estivesse com pressa, mas deliberadamente: bastava arrumar as sobrancelhas e passar batom.
Não queria “assustar” os pais de Wu Chen.
Seu visual habitual e a imponência de uma presidente-executiva dominadora não eram algo com que qualquer pessoa conseguisse lidar.
Por volta das cinco da tarde, os dois desceram e deixaram a empresa.
Li Ruobing preparara tudo, inclusive o veículo em que iriam visitar os pais de Wu Chen.
Era um Audi A8 relativamente discreto. Também comprara todos os presentes, que já estavam dentro do carro.
Partiram.
Pouco mais de quarenta minutos depois.
O Audi A8 saiu da rodovia nacional e entrou na sede do condado onde Wu Chen nascera.
Na verdade, não ficava muito longe da área urbana de Donghai, apenas pouco mais de trinta quilômetros.
Mais alguns minutos.
Número 67 da Rua Nongji, Residencial Yangguang Huayuan.
Era um conjunto residencial muito antigo, tão antigo que nem sequer tinha uma administração condominial. O portão permanecia aberto, não havia taxas de condomínio e bastava pagar anualmente uma pequena contribuição de limpeza à comunidade.
O Audi A8 entrou diretamente. Wu Chen estava dirigindo e estacionou num lugar qualquer onde não atrapalhasse a passagem.
Já eram quase seis da tarde.
Mas estavam em pleno verão. Em Donghai, não escureceria antes das sete e tanto; naquele momento, o céu apenas começava a perder a claridade.
Li Ruobing saiu do carro, vestindo um vestido de chiffon azul-claro.
Wu Chen desceu do outro lado.
Reuniram-se atrás do veículo para retirar os presentes do porta-malas.
Li Ruobing também observou os arredores. Havia um único prédio residencial, antigo e muito desgastado, com sete andares e paredes acinzentadas. Era bastante largo, dividido em seis blocos de entrada.
O pátio do conjunto era espaçoso. Havia sete ou oito carros populares, de preços variando de algumas dezenas a pouco mais de cem mil, estacionados sem qualquer organização.
O piso do pátio era de tijolos vermelhos, já quase totalmente escurecidos pelo tempo. Ninguém sabia quantos anos tinham. Estavam desnivelados e cheios de buracos.
Diante de cada entrada havia canteiros antigos, mas sem flores. Alguém plantara verduras e rabanetes ali.
No conjunto geral, o residencial era… razoavelmente limpo. Pelo menos tinha essa qualidade.
— Foi aqui que você cresceu? — perguntou Li Ruobing, voltando o olhar para Wu Chen.
— Foi, sim. — Wu Chen retirou todas as sacolas do porta-malas. Passou a parte superior do pé sob o carro, fazendo a tampa do porta-malas se fechar automaticamente.
— Por quê? Está achando ruim? — perguntou depois, meio de brincadeira.
— O que haveria de ruim? Só acho curioso. — Li Ruobing segurou seu braço e voltou a examinar os arredores. — Como um lugar assim conseguiu formar um homem tão extraordinário quanto o meu?
— Talvez eu seja um gênio — respondeu Wu Chen, rindo.
Li Ruobing nem se deu ao trabalho de responder.
Wu Chen foi na frente.
Entraram pelo quinto bloco.
Subiram ao terceiro andar.
Finalmente, pararam diante da porta do apartamento 301.
— Bate na porta — disse Wu Chen, lançando-lhe um olhar sorridente. Tinha as mãos ocupadas com as sacolas.
— Hum… — Li Ruobing respondeu baixinho. Ergueu a mão, mas hesitou. Respirou fundo, preparando-se emocionalmente, e só então bateu.
Toc, toc, toc!
