Capítulo 231 — Como fui ter um filho perdulário como você?!
por NexoNovelCapítulo 231 — Como fui ter um filho perdulário como você?!
Não existe ódio sem motivo, nem amor sem razão.
Mao Qi, Tang Shanshan e He Xinxin não tinham nenhum parentesco. Também
não eram vizinhos que tinham crescido juntos, e suas famílias não tinham
negócios entre si. Então por que protegiam He Xinxin?
No fim das contas, tudo se devia a Mao Rusong!
Tang Shanshan fora influenciada por Mao Qi. Ela era apenas uma entre as
muitas namoradas dele. Embora fosse a favorita do momento, ninguém sabia
como seria no futuro. Como Mao Qi tinha colocado alguns amigos na escola
para cuidar de He Xinxin, Tang Shanshan sabia disso e, por essa razão,
também passou a tratá-la bem.
As duas acabaram até se tornando “melhores amigas”.
Quanto a Mao Qi… na verdade, ele nem sabia por que o pai precisava
cuidar de He Shiqin e He Xinxin. Ainda era jovem, tinha apenas dezoito
anos naquele ano. Algumas coisas talvez já pudessem ser contadas a ele
agora, mas alguns anos antes, certamente não.
Mao Rusong, porém, havia dito ao filho que por trás de He Shiqin e He
Xinxin existia uma família extremamente poderosa, da qual as duas se
haviam afastado por certos motivos…
Mao Qi entendia o que aquilo significava.
Mao Rusong também pedira que ele ajudasse a cuidar delas na escola e,
pouco a pouco, as coisas chegaram ao ponto atual.
Além disso, no começo Mao Qi apenas seguia as ordens do pai. Mas agora
tanto ele quanto Tang Shanshan já estavam próximos de He Xinxin. Ela era
bonita e tinha boa personalidade, então havia também uma parcela de
sinceridade na forma como cuidavam dela.
Era como se tivessem adotado uma “irmã caçula”.
Wu Chen sabia de tudo isso.
Por causa da situação especial de He Shiqin e He Xinxin, Wu Chen
conhecia tudo a respeito das duas com enorme clareza!
Mao Qi olhou para Wu Chen com o rosto mudando de expressão, os olhos
brilhando de raiva.
Quando Wu Chen perguntou “sua família sabe que você é tão fodão assim lá
fora?”, a frase soou muito como provocação. Na verdade, Wu Chen não
estava provocando; queria dizer exatamente o sentido literal.
Mao Qi, porém…
É claro que não interpretaria literalmente.
Para ele, aquilo era puro deboche!
Era uma frase muito popular, usada justamente para provocar.
— Caralho! Você é bom mesmo, hein? Sabe quem eu sou e ainda tem coragem
de bancar o fodão? — Mao Qi inclinou a cabeça na direção dele e soltou o
palavrão, mantendo o tom extremamente arrogante, típico da impulsividade
da juventude.
Não ficou nem um pouco surpreso por Wu Chen saber seu nome.
Em Dongpu, gente demais conhecia o “irmão Daqi”!
— Por que você fala tanta merda? — Wu Chen sorriu para Mao Qi, a dois
metros de distância. — Não era para brigar? Embora eu não tenha o hábito
de educar os filhos dos outros, detesto quando alguém fala palavrão
comigo.
— Ora!
— Caralho! Esse moleque fica se exibindo e não tem medo de morrer?
— Porra, até me fez rir!
Dessa vez, antes mesmo de Mao Qi dizer qualquer coisa, a multidão ao
redor ficou barulhenta. Algumas pessoas deram alguns passos à frente
segurando bastões, mas ninguém atacou.
Mao Qi ainda não havia terminado de se exibir. Eles não podiam roubar o
protagonismo.
— Fodão! Você é fodão mesmo! Porra, em toda a minha vida eu nunca vi
alguém como você! Fodão demais! — Mao Qi riu de raiva. Enquanto falava,
tirou uma das mãos do bolso.
E junto com ela tirou um objeto: um soco-inglês.
Era para brigar.
Mao Qi não pretendia pegar leve com um “professor particular”, embora a
namorada, Tang Shanshan, tivesse dito que aquele professor parecia ter
algum dinheiro e dirigia um Mercedes.
Agora ele também via que as roupas de Wu Chen não eram baratas.
Mas… se o cara trabalhava como professor particular, não importava
quanto cobrasse: que pessoa de uma família realmente poderosa sairia por
aí dando aulas particulares?!
Mao Qi achava que conseguia julgar a classe social de Wu Chen.
Não tinha preocupação alguma!
Originalmente, queria apenas recuperar a gravação para He Xinxin, dar
uma bronca em Wu Chen e fazê-lo pedir desculpas. Aí acabaria.
Mas Wu Chen o havia “provocado”.
Ele não conseguia engolir aquilo!
— Pensou bem? — Ao ver Mao Qi colocar o soco-inglês, Wu Chen voltou a
sorrir com calma. — Não diga depois que eu não lhe dei uma chance.
— Ha! — Mao Qi ficou tão irritado que nem sabia como rir.
— Você é bom. Quero ver se daqui a pouco ainda vai conseguir falar
comigo desse jeito, bancando o fodão… — Mao Qi fechou o punho, ergueu a
mão e fez um gesto brusco. — Acabem com ele!
— Peguem ele!
— Vai!
A multidão ao redor gritou e se preparou para avançar. Não muito longe,
He Xinxin começou a ficar nervosa. Sabia que, se a briga realmente
começasse, alguma coisa grave podia acontecer…
Trim, trim…
Um celular tocou de repente.
O som inesperado fez todos hesitarem por um instante, porque vinha de
Mao Qi. Ele, que estava mais perto de Wu Chen e prestes a atacar, também
parou. Tirou o celular, olhou a tela e imediatamente gesticulou para os
outros.
— Esperem!
A multidão que já começava a avançar ondulou e parou por completo.
— Shh! É meu pai! — Mao Qi gesticulou outra vez e falou rápido, em voz
alta.
Todos entenderam.
Era uma ligação do pai de Mao Qi. Não podiam deixar o velho ouvir sons
de briga. Nenhum pai gostava de saber que o filho vivia brigando por aí.
— Você teve sorte. Pode bancar o fodão mais um pouco! — Mao Qi olhou
outra vez para Wu Chen e deixou a ameaça com um sorriso torto.
Ele não sabia que aquilo não era sorte…
Era exatamente o que deveria acontecer.
Depois de falar com Wu Chen, Mao Qi atendeu:
— Pai!
— VAI TOMAR NO CU! Moleque desgraçado, você não consegue passar um dia
sem arrumar problema para mim, porra?! Eu vou quebrar as suas pernas!
CARALHO!! — Assim que abriu a boca, Mao Rusong estava tão furioso que
parecia querer estrangular o próprio filho.
Mao Qi ficou completamente atordoado com os xingamentos. O coração
apertou e a cabeça começou a zumbir.
Por mais influente que fosse entre os jovens da segunda e terceira
gerações ricas de Dongpu, ele tinha medo do pai. Sem o pai, não era
porra nenhuma. E fazia anos que não ouvia o velho perder a cabeça e
xingá-lo daquele jeito.
E já começou xingando?
Por quê?
Mao Qi não tinha ideia do motivo. Era impossível adivinhar de imediato.
— Pai… — respondeu baixinho, por reflexo, e então ficou em silêncio.
Instintivamente quis se explicar, mas nem sabia o que deveria explicar.
— Seu… eu… — Mao Rusong estava tão furioso que parecia prestes a ter um
ataque cardíaco. Precisou de um momento antes de perguntar, às pressas:
— Você já bateu nele?
— Hã? — Mao Qi ainda estava desnorteado.
— Estou falando com você! Já encostou no senhor Wu? — perguntou Mao
Rusong entre os dentes.
— Quem? — Mao Qi ainda não havia se recuperado da bronca repentina.
— Quem você acha? Você chamou toda essa gente para ir ao parque bater em
quem, porra, e ainda pergunta quem? Como fui ter um filho perdulário
como você?! Caralho! — Mao Rusong estava realmente possesso.
— Ah… — Com o celular na mão e uma expressão estupefata, Mao Qi ergueu
os olhos para Wu Chen.
Finalmente entendeu o motivo.
— Não… não bati… ainda não, pai… — gaguejou ao telefone.
— Ótimo, ótimo. Ainda não bateu, ótimo… ótimo… — Mao Rusong repetiu
várias vezes, soltando um profundo suspiro de alívio.
Um ou dois minutos antes, recebera o relatório de um subordinado dizendo
que o próprio filho havia levado mais de cem pessoas armadas para atacar
o “senhor Wu”.
Mao Rusong quase teve um ataque cardíaco de verdade.
Estava apavorado!
E esse medo vinha dos dois lados.
Ele sabia que Wu Chen certamente era muito habilidoso. A pontaria do
homem parecia coisa de fantasma, e Gu Ruibo também já lhe mencionara
algumas coisas. Aquilo simplesmente não era humano!
Então…
Mao Rusong estava preocupado tanto com Wu Chen quanto com o próprio
filho. Quem sabia se Wu Chen estava armado? Quem sabia quantos daqueles
mais de cem jovens e arruaceiros Wu Chen teria de matar antes que os
outros se assustassem e fugissem…
Qualquer que fosse o resultado, Mao Rusong sentia que aquilo poderia
acabar destruindo toda a sua família!
Ótimo!
Ótimo de verdade!
Ainda bem que ninguém tinha começado.
— Pai… ele… quem é ele…? — Mao Qi perguntou outra vez, gaguejando. A
atitude do pai o havia assustado. Enquanto perguntava, afastou-se alguns
passos e cobriu parcialmente a boca com a mão, para impedir que os
outros ouvissem.
— Você nem sabe quem ele é e foi provocar o cara feito um idiota?! — Mao
Rusong voltou a xingar. Ele viera de baixo e não tinha muita instrução;
quando se irritava, soltava muitos palavrões.
— Não, pai… eu…
— Seu tio Gu praticamente trata ele como se fosse o próprio pai, e você
ainda pergunta quem ele é? Seu… — Mao Rusong continuou com mais uma
sequência de palavrões.
Mao Qi ficou atordoado outra vez.
Porque o “tio Gu” mencionado por Mao Rusong era Gu Ruibo, membro central
da terceira geração da família Gu de Modu, alguém ainda mais poderoso
que Mao Rusong!
