Novels chinesas em português
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    Capítulo 377 — Dar uma surpresa… ou melhor, um susto!

    No caminho para Donghai, Peng Wei já tinha pensado bem no assunto. Procurar Li Ruobing de supetão e mostrar a ela as fotos de Wu Chen com An Menglan estava fora de questão!

    As fotos não serem uma “prova cabal” era só um dos motivos. O outro era que… se acabasse provocando um conflito entre a família Li e a família An, ele estaria ferrado!

    Levando ao extremo: se, por expor que Wu Chen, namorado de Li Ruobing, estava pulando a cerca com An Menglan, as duas mulheres virassem inimigas e as duas famílias entrassem em choque, o primeiro a morrer seria ele, Peng Wei!

    Por isso…

    Peng Wei tinha muitas ideias! Havia muito o que fazer em Donghai. Talvez investigar primeiro, descobrir direitinho o que estava acontecendo, que relações e que rolos havia ali e, assim… tirar o máximo proveito!

    Não havia pressa!

    Peng Wei sempre fora cauteloso!

    O que ele jamais imaginara era que, poucas horas depois de chegar a Donghai, já teria nas mãos um material decisivo… An Menglan? Nem precisava mais das fotos dela! Bastavam as de Wu Chen com aquela garota na porta do Laopinxuan para resolver o problema!

    Peng Wei ainda queria mais fotos!

    O ideal seria pegar algum gesto entre Wu Chen e a garota durante o jantar, num momento em que Li Ruobing tivesse se ausentado, ido ao banheiro, por exemplo.

    Parado ao lado do utilitário, Peng Wei ergueu a cabeça e observou os arredores.

    Não parecia viável. Em frente ao Laopinxuan não havia prédio comercial, e sim um edifício residencial de sete andares. Sem conhecer ninguém ali, seria difícil, em pouco tempo, subornar algum morador para usar o apartamento. Se forçasse a mão e oferecesse dinheiro, talvez conseguisse, mas era mais provável que a pessoa desconfiasse que ele era algum bandido e chamasse a polícia!

    Nisso, Peng Wei tinha muita experiência!

    Já tinha passado pela situação de alguém chamar a polícia e ele ter de se explicar aos policiais.

    Paparazzo não era profissão das mais honrosas. Sempre havia muito constrangimento.

    Depois de observar um pouco, Peng Wei voltou para o carro e virou-se para o homem de meia-idade no banco do motorista:

    — Lao Qian, vai lá. Entra no restaurante, dá uma volta e vê em que sala os guarda-costas tão parados na porta. Confirma pra mim…

    — Beleza! — Lao Qian topou na hora. Pegou um boné, pôs na cabeça, desceu do carro e foi a pé até o Laopinxuan.

    Eram profissionais. Aquilo era rotina.

    Peng Wei viu Lao Qian entrar no Laopinxuan.

    Sete ou oito minutos depois, Lao Qian saiu e voltou para o utilitário.

    Abriu a porta e entrou.

    — E aí? — perguntou Peng Wei.

    — Segundo andar, a última sala do lado sul.

    Lao Qian não deu o número da sala, e sim a localização. Como teriam de fotografar o interior de fora, pela janela, o que importava era saber para qual janela mirar.

    Peng Wei desceu de novo e ficou observando.

    Depois de um bom tempo, voltou para o carro e fechou a porta.

    — Esquece. Vamos esperar eles saírem — disse.

    Tinha desistido. Não dava tempo. Um jantar durava, no máximo, duas ou três horas; no mínimo, uma. Quando conseguissem resolver o prédio da frente, talvez todos já tivessem terminado de comer e ido embora. Não valia o trabalho.

    Fotografar o alvo pela janela costumava servir para vigilância prolongada, escondida, na casa da própria pessoa.

    Restava esperar, entediado.

    Lao Qian desceu outra vez, dessa vez para comprar comida.

    Peng Wei baixou a cabeça e voltou a olhar as fotos na câmera. No fundo, sabia que aquilo já bastava! Era praticamente um trunfo fatal, uma prova decisiva que nem precisava de outras fotos para sustentá-la…

    Ao mesmo tempo.

    Na sala reservada do segundo andar do Laopinxuan.

    Um homem e quatro mulheres conversavam e riam!

    Quem organizara o jantar fora Li Ruobing. Chamara todas as outras mulheres de Wu Chen, menos Wu Yurong! E Wu Chen sabia muito bem o que Li Ruobing tinha em mente!

    Também não dava para chamar de exclusão. Era só questão de quem era mais próxima e quem era menos.

    Não havia assunto sério nenhum a tratar naquele jantar!

    Era só uma reunião, com todo o clima de “encontro de família”! Li Ruobing comandava o ambiente à mesa, e Su Qingying não disputava com ela.

    Nem tinha vontade.

    A relação de Su Qingying com Wu Chen, para começo de conversa, nem era propriamente um namoro, e sim algo mais singular! Ela obedecia a Wu Chen mais do que qualquer outra!

    Os pratos chegaram!

    Abriram o vinho!

    Trim, trim…

    O celular de Li Ruobing tocou de repente.

    Ela pousou a taça de vinho, pegou o aparelho, olhou a tela e franziu de leve a testa antes de atender:

    — O que foi?

    Havia certa tensão na voz dela!

    Porque quem ligava era um guarda-costas!

    Não um dos que estavam com ela naquele momento, e sim um dos que ela mandara proteger em segredo os pais e a irmã mais nova de Wu Chen!

    — Chefe, pegamos dois… — O tom do guarda-costas era meio estranho.

    Li Ruobing ficou ouvindo um bom tempo. A expressão mudou várias vezes até se fixar numa cara esquisita, mas já sem tensão.

    — Eles disseram… que o chefe deles se chama Peng Wei — disse o guarda-costas, por fim.

    — Tá. Entendi.

    Li Ruobing desligou.

    — Querido. — Virou-se para Wu Chen e, quando ele olhou para ela, inclinou-se até o ouvido dele e disse baixinho: — O Peng Wei mandou gente pra sua cidade. Meu pessoal descobriu. Eram dois. Pegaram os dois…

    — Não mataram ninguém de pancada, né? — perguntou Wu Chen, sorrindo, sem a menor surpresa.

    Era bem o estilo de Peng Wei!

    Quando investigava alguém, investigava tudo! Ia até a cidade natal!

    — Acho que não. Eles sabem a medida, não vão assim tão fácil… — disse Li Ruobing, mas a cara dela dizia outra coisa.

    Que não matariam ninguém assim tão fácil, era verdade!

    Mas os guarda-costas que Li Ruobing mandara proteger os pais de Wu Chen estavam lá, originalmente, para se precaver contra Ding Ruilong! Se pegassem alguém suspeito por perto, com certeza iam espancar a pessoa até quase matá-la, para arrancar o nome do mandante!

    E os homens de Peng Wei, naturalmente, não iam abrir o jogo fácil. Então… dava para imaginar que já tinham apanhado até quase morrer!

    — Manda trazer os dois de volta pra Donghai e entregar pro Atai — disse Wu Chen baixinho, inclinando a cabeça para ela.

    — Tá. — Li Ruobing assentiu e, franzindo de leve a testa, sorriu para ele. — Esse Peng Wei é um saco. Quer que eu…

    — Esse cara é muito útil. Vamos dar uma surpresa pra ele — disse Wu Chen, sorrindo.

    — O que vocês dois tão falando? Cochichando de novo… e nem dão bola pra gente! — De repente, dois braços envolveram o pescoço de Wu Chen. Era Mu Qianqian, que se levantara e viera abraçá-lo por trás.

    Wu Chen mal tinha virado a cabeça para dizer alguma coisa quando Mu Qianqian se inclinou por cima do ombro dele e o beijou bem na boca.

    Duas vezes seguidas.

    Numa ocasião daquelas, se qualquer outra fizesse isso de repente, sempre soaria um pouco como provocação a Li Ruobing. Mu Qianqian era a exceção: por ser a mais nova, só ela podia fazer gracinha!

    — A Qianqian tava com saudade do marido — disse Su Qingying, sorrindo de lábios fechados. O olhar que lançou a Wu Chen, porém, ficou meio fixo demais.

    Ela também estava com saudade.

    — Humpf, nada a ver — retrucou Mu Qianqian, erguendo o queixo. E soltou Wu Chen e voltou para o lugar.

    Continuaram conversando e rindo.

    Mais de dez minutos depois.

    Trim, trim…

    Dessa vez foi o celular de Wu Chen.

    Ele olhou a tela e atendeu:

    — Atai.

    — Cunhado, pegamos. Era um carro só, duas pessoas — disse Li Ruotai.

    — Ótimo. Segura os dois aí — disse Wu Chen.

    — Cunhado, tá acontecendo alguma coisa? Quer que eu…

    — Nada. Tô jantando com a sua irmã.

    — Então… então beleza. Vou desligar.

    Fim da ligação!

    — O Atai? — perguntou Li Ruobing, ao lado.

    — Os outros dois homens do Peng Wei. Mandei ele pegar — disse Wu Chen baixinho, inclinando a cabeça.

    O sorriso de Li Ruobing ficou esquisito por um instante.

    — Como você sabia quanta gente o Peng Wei mandou pra Donghai?

    — Pelas placas, ué — disse Wu Chen, sorrindo.

    No caminho para o restaurante, pouco depois de perceber que Peng Wei o seguia, Wu Chen ligara para Li Ruotai e lhe passara várias placas.

    Não tinha certeza de quanta gente nem de quantos carros Peng Wei trouxera a Donghai, mas os carros que o Estúdio Langchao costumava usar eram aqueles poucos. Bastava citar todos.

    Para Li Ruotai, achar um carro ou vários dava no mesmo! O sistema de trânsito reconhecia placas automaticamente!

    A única placa que Wu Chen não passou foi a do carro do próprio Peng Wei.

    Esse ele não ia pegar!

    Exatamente como dissera a Li Ruobing: dar uma surpresa a ele! Ou melhor, um susto! Wu Chen estava esperando Peng Wei vir procurá-lo!

    Uma hora depois.

    O clima na sala reservada estava ainda mais animado. Todos tinham bebido, e todos falavam mais.

    Do lado de fora do Laopinxuan.

    No utilitário parado perto do cruzamento.

    Peng Wei segurava o celular, visivelmente aflito, porque tinha descoberto que… ninguém atendia!

    Dessa vez, viera a Donghai com três carros e seis pessoas, em duplas. A dupla de Peng Wei seguia Wu Chen pessoalmente. Das outras duas, uma fora à sede de um condado a algumas dezenas de quilômetros de Donghai, investigar a família de Wu Chen; a última procurava Yang Pinghe e os outros desaparecidos, atrás de provas do sequestro.

    Pouco antes!

    Peng Wei ligara para as duas duplas, uma depois da outra, querendo saber como estavam as coisas.

    Não conseguiu completar nenhuma das ligações!

    Tentou de novo os quatro números. Deu no mesmo: estavam todos desligados!

    A chance de os quatro celulares ficarem sem bateria ao mesmo tempo era praticamente zero!

    Só havia uma possibilidade: tinha acontecido alguma coisa com eles!

    Peng Wei estava tão aflito que chegava a sentir frio!

    Fazia quanto tempo que tinham chegado a Donghai?

    E já… tinham sumido?!!

    De cara fechada, Peng Wei olhava o celular. Já tinha aberto o número de Wu Chen e ficou encarando aquele número, encarando… Queria ligar para ele!

    Ligou!

    Peng Wei apertou o botão de chamada e levou o celular ao ouvido.

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