Novels chinesas em português
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    Capítulo 301 — Não somos amigos

    Enquanto Wu Chen falava ao telefone com Wu Yurong, no corredor do lado de fora da sala privativa, Lei Cheng também conversava com Tao Manying sobre o jantar.

    Dois minutos depois.

    Na sala privativa.

    Wu Chen enfim acertou com Wu Yurong onde iam jantar. Mal tinha desligado quando Lei Cheng abriu a porta e entrou.

    — Irmão, vamos, bora jantar — disse Lei Cheng assim que entrou, gesticulando com o celular na mão. — A Manying também já terminou o que tinha pra fazer. Vamos achar um lugar e…

    — Vamos pra Rua Ronghu, no Restaurante Liuji — disse Wu Chen, levantando-se com um sorriso.

    — Beleza. Então vou mandar a Manying ir direto pra lá. — Lei Cheng voltou a olhar para o celular, prestes a ligar.

    — Aproveitando, vou te apresentar uma amiga. Ela já está indo pra lá — acrescentou Wu Chen.

    Lei Cheng, que já ia fazer a ligação, parou e ergueu os olhos para Wu Chen. Pensou um pouco e perguntou:

    — Então… tudo bem a Manying ir também? Se não der, eu falo pra ela…

    Wu Chen tinha dito que ia apresentar uma amiga.

    Lei Cheng não sabia quem era. Gente comum com certeza não seria, e com certeza haveria assunto a tratar. Por isso ele não sabia se seria conveniente Tao Manying estar presente.

    — Tudo bem, sem problema nenhum — riu Wu Chen.

    — Então tá… — Lei Cheng relaxou e ligou para Tao Manying.

    — Dabao, vai pro Restaurante Liuji, na Rua Ronghu. Isso, o motorista sabe onde é. Vai direto pra lá. Tá, eu e o irmão Wu já estamos indo…

    Lei Cheng desligou.

    Depois, os dois desceram juntos e entraram nos carros.

    Wu Chen jogou a chave do Audi A8 para um dos guarda-costas de Lei Cheng e pediu que ele levasse o carro. Ele mesmo entrou no Bentley Mulsanne de Lei Cheng e se sentou com ele no banco de trás. Ainda tinham o que conversar no caminho.

    Partiram!

    Pouco mais de dez minutos depois.

    No carro, Wu Chen conversava com Lei Cheng.

    Trim-trim…

    O celular de Wu Chen tocou de repente. Ele o tirou do bolso e viu que era Li Ruobing.

    — Alô, Ruobing — atendeu Wu Chen.

    — Hoje vou fazer hora extra. Tenho uns documentos pra resolver, então não vou pra sua casa… — disse Li Ruobing. Ela tinha descansado no dia anterior e também naquela manhã, um dia e meio seguido. Numa fase tão decisiva, o trabalho estava mesmo corrido demais, e muita coisa tinha se acumulado.

    — Vai dormir na empresa? — perguntou Wu Chen, sorrindo.

    — Vou, né. Acho que só termino lá pelas onze, meia-noite — disse ela.

    — Trabalhando pesado, hein.

    — É só por esses dias. Quando chegar o fim do mês, não vai ficar tão corrido. — Então ela perguntou, como quem não quer nada: — Você já voltou pra casa?

    — Ainda não. Hoje não vou voltar — respondeu Wu Chen, sorrindo.

    — Não… vai voltar? — O tom de Li Ruobing mudou, carregado de insinuação: — Então cuida bem da saúde, hein? Não vai se cansar demais, meu querido senhor Wu.

    Olha só o que ela disse…

    Li Ruobing nem se dava mais ao trabalho de perguntar onde Wu Chen ia dormir aquela noite, nem com quem. Só estava provocando.

    — Ciúme? — riu Wu Chen.

    — É, ciúme. Tô morrendo de ciúme — respondeu Li Ruobing, numa voz afetada. Logo mudou de tom: — Tá, tá. Vai cuidar das suas coisas… que eu também tenho que trabalhar.

    Os dois trocaram mais umas palavras e desligaram.

    Em seguida, Wu Chen fez outra ligação.

    Para Zhuang Xiaodie.

    Ainda havia hóspedes em casa. Li Ruobing não ia para lá naquele dia, e Wu Chen também não voltaria; precisava avisar Zhuang Xiaodie e explicar a situação por alto.

    Assim que desligou de novo…

    — Irmão Wu, faz tempo que eu quero te pedir um conselho. Só não sei se você pode… — Lei Cheng lançou-lhe um olhar de esguelha, sorrindo, num tom bem esquisito.

    Não parecia que fosse perguntar nada sério.

    — O quê? — Wu Chen olhou para ele.

    — É que… vejo que você e a senhorita Li se dão superbem, e ainda tem a senhorita Zhuang… Com a posição que a senhorita Li tem, isso aí… — Lei Cheng falava e gesticulava ao mesmo tempo. Não terminou a frase, mas o sentido ficou mais do que claro. — Como é que você conseguiu?

    Era papo de homem.

    Lei Cheng perguntava aquilo de repente porque tinha acabado de ver Wu Chen atender uma ligação e depois fazer outra. Não conseguia ouvir direito a voz do outro lado, mas tinha ouvido Wu Chen chamar uma de Ruobing e a outra de Xiaodie.

    Então sabia com quem ele tinha falado.

    Essa história de voltar ou não voltar pra casa… e tudo assim, numa harmonia dessas?

    Na verdade, Lei Cheng também tinha muitas mulheres e mantinha todas na linha. A diferença era que, mesmo quando as mulheres dele tinham posição, essa posição tinha sido dada por ele. Tao Manying, por exemplo.

    Com Wu Chen era outra história!

    Era Li Ruobing!

    Família poderosíssima! Competência de sobra! E ainda por cima linda num nível de primeiríssima! Ding Ruilong quase tinha enlouquecido para conquistá-la! Não, errado: já tinha enlouquecido!

    Num casal formado por Li Ruobing e Wu Chen, em tese ela seria a parte forte e ele a parte fraca. E todo o meio empresarial de Donghai sabia muito bem o gênio e o jeito de agir de Li Ruobing. Como é que ela podia permitir, aceitar que Wu Chen tivesse outras mulheres?

    Como ele tinha conseguido? Lei Cheng não conseguia imaginar. Nunca tinha entendido.

    — Isso… — Wu Chen olhou para Lei Cheng, pensou um instante e sorriu. — Irmão Lei, não é que eu não queira te contar. É que esse assunto… é complicado. Muito complicado!

    Wu Chen gostava especialmente de dizer “é complicado”.

    Às vezes era só para desconversar. Outras vezes, não: era complicado de verdade, coisa que não se explicava de um jeito simples.

    — Hahahaha! Então tá, não pergunto mais. Acho que, mesmo perguntando, eu não ia conseguir aprender. — Lei Cheng caiu na gargalhada e suspirou, admirado. — Essa sua cabeça, esse seu talento… não se aprende! Tiro o chapéu! Me rendo!

    Lei Cheng se rendia de verdade!

    E não só na questão das mulheres. Em tudo!

    Vinte minutos depois.

    Distrito de Nancheng, Rua Ronghu, nº 79, Restaurante Liuji.

    O nome “Restaurante Liuji” era dos mais comuns, mas na verdade se tratava de um restaurante privado de altíssimo padrão.

    Alguns carros pararam à beira da Rua Ronghu.

    Wu Chen e Lei Cheng desceram. Ao mesmo tempo, abriu-se a porta de uma minivan executiva Alphard estacionada um pouco mais à frente, e Tao Manying desceu, de máscara e óculos escuros.

    Ela tinha chegado primeiro e esperado um pouco do lado de fora.

    Encontraram-se.

    Entraram.

    Uns cinco minutos antes de chegar, Wu Chen tinha recebido uma mensagem de Wu Yurong com o nome da sala privativa. Ela já estava lá, esperando no andar de cima.

    Wu Chen deu o nome da sala à recepcionista. Ela perguntou se ele era o senhor Wu e, com a confirmação, conduziu o grupo escada acima.

    Logo.

    Segundo andar, sala privativa Fugui Jixiang.

    Wu Chen abriu a porta e entrou.

    Lá dentro, Wu Yurong, de qipao, estava sentada à mesa com a mão apoiada na xícara de chá, absorta em pensamentos. De repente, voltou a si.

    Ao erguer os olhos, abriu um sorriso, levantou-se e disse com doçura:

    — Chegou.

    Ao ver Wu Chen, naturalmente viu também Lei Cheng e Tao Manying, que entravam com ele.

    — Já pediu? — perguntou Wu Chen, sorrindo, logo ao entrar.

    — Ainda não. Tava te esperando, ué. — Enquanto falava, Wu Yurong voltou os olhos para Lei Cheng.

    A recepcionista fechou a porta da sala por fora.

    — Deixa eu apresentar: Lei Cheng, o chefe Lei, e a senhorita Tao Manying… — Wu Chen gesticulou e então apresentou Wu Yurong a Lei Cheng. — A senhora Wu Yurong.

    — Hahahaha! Senhora Wu, muito prazer, muito prazer! Hahahahaha! — Lei Cheng avançou rindo e apertou a mão dela. — Antes de vir, o irmão Wu disse que ia me apresentar uma amiga, e eu achando que era alguém que eu não conhecia… E é a senhora Wu! Quem em Donghai não conhece a senhora Wu? Faz tempo que ouço falar da senhora! Haha, é uma honra, uma honra…

    — Chefe Lei, a honra é minha! — respondeu Wu Yurong, sorrindo, apertando-lhe a mão. Depois cumprimentou Tao Manying também com um aperto de mão.

    Tao Manying tinha tirado a máscara e os óculos enquanto Lei Cheng falava.

    — Senhorita Tao, muito prazer. Você é linda mesmo. Não é à toa que é uma grande estrela — elogiou Wu Yurong.

    — A senhora Wu é muito gentil. Linda de verdade é a senhora — respondeu Tao Manying na hora.

    Depois de trocarem cortesias, todos se sentaram.

    Wu Chen ficou ao lado de Wu Yurong. Para facilitar a conversa, Lei Cheng naturalmente se sentou com Tao Manying do outro lado, de frente para Wu Chen.

    Formou-se assim a cena de dois casais sentados frente a frente.

    A imagem tinha um certo… quê!

    Pelo tom da conversa entre Wu Chen e Wu Yurong logo na entrada, Lei Cheng percebeu que os dois eram muito próximos, de uma intimidade pessoal bem profunda. Só não sabia como Wu Chen tinha se ligado a Wu Yurong.

    Era um mistério. Em tese, os dois não deveriam ter nada a ver um com o outro; não frequentavam os mesmos círculos.

    — Eu não esperava mesmo que fosse a senhora Wu — comentou Lei Cheng depois de se sentar.

    — Ficou tão surpreso assim? — perguntou Wu Yurong, sorrindo.

    — Claro que fiquei. — Lei Cheng também abriu um sorriso largo. — Nunca ouvi dizer que o irmão Wu fosse seu amigo. Eu…

    — Nós não somos amigos — interrompeu Wu Yurong, de repente.

    — Hã? — Lei Cheng travou e, por reflexo, lançou um olhar a Wu Chen. A expressão dele mudou.

    Porque aquela frase de Wu Yurong era uma tremenda desfeita com Wu Chen.

    Nota