Capítulo 296 — Um impulso de se lançar de corpo e alma
por NexoNovelCapítulo 296 — Um impulso de se lançar de corpo e alma
Wu Chen tirou um pen drive do bolso e o entregou a Wu Yurong.
Ela pegou e olhou aquele pen drive comum, que Wu Chen usava desde os tempos de faculdade. Depois olhou para ele e perguntou, com doçura:
— Isso? O que é?
— Digamos que… pode considerar um presente. — Wu Chen sorriu, mas logo acrescentou: — Na verdade, também não é bem isso. Você vai entender quando olhar. Depois a gente conversa.
— Então deixa eu ver… — disse Wu Yurong, soltando Wu Chen e indo até a mesa.
— Eu tenho que ir — disse Wu Chen de repente. — Ah, me empresta um carro.
— Carro? Que história é essa de emprestar? Qual você quer? — Wu Yurong, ao lado da mesa, virou-se para ele. Depois deu dois passos e abriu uma gaveta da escrivaninha: dentro, um monte de chaves de carro!
— Porsche, Bentley ou… A Ferrari tá em casa. Tem uma McLaren lá embaixo. Você quer…
— O mais barato. Uma coisa discreta — cortou Wu Chen.
— Se é pra ser discreto… o A8? — Wu Yurong tirou da gaveta a chave de um Audi A8, ergueu os olhos para ele e a balançou no ar.
— Pode ser. — Wu Chen assentiu.
Largou a chave da Lamborghini em cima da mesa, pegou a do Audi A8, inclinou-se para dar mais um beijo em Wu Yurong e saiu apressado.
Mal chegou à porta, porém, parou de repente e se virou para ela.
— Irmã Rong — chamou Wu Chen.
— O quê? — Wu Yurong, que tinha acabado de se sentar, ergueu os olhos.
— Nas próximas duas horas. — Wu Chen levantou dois dedos, balançou-os e sorriu. — Não me liga. Tenho umas coisas pra fazer e não posso ser interrompido.
— E por que você acha que eu ia te ligar do nada pra te atrapalhar? — devolveu Wu Yurong, com um sorriso doce e a voz suave. Depois, com segundas intenções, acrescentou: — Você passou esses dois dias grudado na Li Ruobing. Por acaso eu apareci de repente pra atrapalhar vocês?
— Ciúme? — Wu Chen sorriu.
— Imagina. — Wu Yurong também sorriu, negando com os olhos cheios de ternura.
— Ha. — Wu Chen riu e não disse mais nada. Só ergueu a mão num aceno. — Fui.
Empurrou a porta e saiu da sala.
Por uns bons dez e tantos segundos depois que ele saiu, Wu Yurong ficou olhando para a porta por onde ele tinha desaparecido. Ficou só olhando, até que murmurou:
— Que estranho.
Achava mesmo aquilo bem estranho.
Nem sabia o que Wu Chen estava fazendo naquele dia. Ao meio-dia, tinha pedido que ela rastreasse uns carros; agora aparecia para entregar um pen drive, trocava de carro e ainda tinha outra coisa para fazer? E fazia questão de avisar que não podia ser interrompido?
Por que ela iria interrompê-lo assim, do nada? Ele adivinhava o futuro, por acaso?
Wu Yurong deixou esses pensamentos de lado.
Voltou a olhar para o pen drive na mão. O que haveria ali? Era presente e ao mesmo tempo não era… O que podia ser?
Ela não fazia ideia.
Era só olhar.
Espetou o pen drive no computador e voltou os olhos para a tela. Assim que o sistema reconheceu o dispositivo, ela clicou, abriu o conteúdo e viu que havia um único arquivo compactado.
Descompactou-o, e saíram mais de mil arquivos, grandes e pequenos, ordenados pela data da última modificação.
Wu Yurong abriu um e deu uma olhada.
Pouco depois, abriu outro.
Em seguida abriu vários, um atrás do outro, e ainda escolheu alguns específicos pelo nome.
Não demorou nada!
Wu Yurong ficou chocada!
Tinha olhado só por alguns minutos, uma parcela mínima de tudo aquilo, e quanto mais via, mais espantada ficava!
Havia contratos, acordos de participação acionária em nome de terceiros, acordos de transferência de ações, propostas de licitação, planos de investimento recentíssimos e até versões digitais de atas de reuniões de altíssimo nível! Registravam conversas extremamente sigilosas.
Além disso, havia relatórios de produtos de outras empresas, alguns de anos atrás e outros bem recentes!
E todos aqueles arquivos tinham algo em comum: estavam ligados a uma única pessoa. Ding Ruilong!
Era um conteúdo impressionante!
E o impressionante não era a variedade nem a quantidade de arquivos. A maior parte era “material histórico”, documentos antigos ligados a investimentos que Ding Ruilong já tinha feito!
Isso não surpreendia.
O que surpreendia era ter material recente!
Tinha até coisa de ontem! Até de ontem!
Wu Yurong estava realmente chocada!
Se aquilo fosse verdadeiro, então o valor… Saber o próximo passo de Ding Ruilong, que empresa ia receber investimento dele, de onde ele ia tirar recursos, de onde talvez fosse retirar capital, que empresa queria comprar, e por aí vai!
Sabendo de tudo isso, fosse para atravessar e tomar para si os investimentos dele, operar vendido ou fazer arbitragem… havia muitos jeitos de agir. Dava para ganhar uma fortuna e ainda ferrar Ding Ruilong!
Na verdade, o tamanho do valor daqueles arquivos dependia também de em que mãos caíssem. Nas mãos de um empresário comum, não serviriam para muita coisa. Ele simplesmente não teria coragem de mexer! E, mesmo que tivesse, não teria força suficiente. Qualquer deslize e acabaria se denunciando antes da hora!
Mas Wu Yurong, naturalmente, não era uma empresária “comum”!
Ela também sabia que a família Ding estava com os dias contados, e Ding Ruilong junto. O respaldo dela própria não bastava, mas ela já tinha se aliado a Gu Ruibo!
Por isso, não só podia agir, como podia agir em grande escala. Mais adiante, poderia até atacar sem medo da família Ding e pressioná-la até o fim!
Nas mãos de Wu Yurong, o valor daqueles arquivos podia ser descrito como incalculável!
Até o “material histórico” era útil demais! Havia ali informação demais que merecia o nome de segredo comercial, e Wu Yurong e Gu Ruibo já pretendiam cercar os ativos da família Ding…
Wu Yurong jamais imaginaria que o pen drive guardasse algo assim.
E ela ali pensando em presentinho!
Agora… aquilo não tinha nada de presentinho! Era uma surpresa gigantesca! Era Wu Chen… mimando-a!
Finalmente ela entendeu por que Wu Chen tinha dito que era e não era presente. Aquilo era um assunto sério, parte da ofensiva contra Ding Ruilong, mas ele tinha entregado os arquivos justamente a ela, Wu Yurong, para que ela cuidasse disso…
Então, de qualquer ângulo, as duas coisas eram verdade!
Wu Yurong ficou emocionada.
Era difícil descrever o que sentia. Quanto mais pensava, mais emocionada ficava. Chegou a corar, e a respiração acelerou bastante. O impacto era tão forte que ela ficou meio tonta. Nessa vertigem, chegou a sentir que, se Wu Chen a tratava daquele jeito, ela faria qualquer coisa por ele, faria tudo o que ele mandasse… Um impulso de se jogar de cabeça, sem se importar com as consequências!
Naquele momento, emocionalmente, estava com um jeito especialmente feminino e delicado!
Pensando nisso, Wu Yurong se levantou de repente.
Pegou o celular. Queria ligar para Wu Chen. Queria perguntar como ele tinha conseguido aquilo. Tinha até arquivo de ontem? Mais do que isso, queria conversar com ele, queria vê-lo e falar com calma…
Mas, depois de encontrar o número dele, Wu Yurong parou de repente.
Não ligou.
Porque se lembrou de que, antes de sair, Wu Chen tinha pedido que ela não o incomodasse pelas próximas duas horas.
Naquele instante, também entendeu por que ele tinha feito questão de avisar.
Wu Chen tinha previsto a reação dela.
De pé atrás da mesa, com o celular na mão e o rosto corado, Wu Yurong ficou pensando por um bom tempo. Por fim, respirou fundo duas vezes, apertou os lábios e xingou baixinho:
— Seu malvado!
Queria muito ligar para Wu Chen, mas ele não deixava. Aquilo a deixava até angustiada por dentro, sem ter onde extravasar a emoção!
Achava que ele tinha feito de propósito!
Estava mexendo com a cabeça dela!
…
Distrito de Zhongcheng, Donghai, Terceira Rua Qingmu.
Casa de Chá Shuiyuehe.
Era uma casa de chá de alto padrão, mas pequena, numa esquina. Para os padrões do distrito de Zhongcheng, ficava num ponto um pouco afastado. Desde que abrira, alguns anos antes, o movimento sempre fora mediano, embora não chegasse a dar prejuízo.
O dono por trás da Casa de Chá Shuiyuehe era alguém extremamente discreto em Donghai, que também não se importava se ela dava lucro ou não. Era Lei Cheng!
15h28!
Um Audi A8 preto vinha em alta velocidade e começou a reduzir ao se aproximar da Casa de Chá Shuiyuehe.
Dentro do carro.
Com as mãos no volante, Wu Chen olhava de esguelha pela janela. Viu menos de dez carros na fileira de vagas diante da casa de chá. Seis deles eram os carros usados por Ding Ruilong e seus homens!
Ding Ruilong já tinha chegado!
Provavelmente já tinha se encontrado com Lei Cheng. Mas, antes de Wu Chen chegar, Lei Cheng só ia trocar cortesias e jogar conversa fora com ele. O assunto de verdade só começaria quando Wu Chen estivesse lá!
Wu Chen contornou a esquina com o Audi A8 e estacionou à beira da rua, do outro lado.
Desceu, entrou num beco e chegou à casa de chá pela porta dos fundos.
Estava na hora de “conhecer” Ding Ruilong!
Naquele dia, bastava Ding Ruilong dizer uma única coisa errada para tudo ficar… muito interessante!
