Novels chinesas em português
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    Capítulo 522 — Conquistar essa mulher de vez

    An Menglan ficou apreensiva não só porque temia que Wu Chen e o pai se encontrassem e acabassem em conflito aberto, mas também porque tinha medo de que o pai descobrisse a relação que ela mantinha com ele!

    Sabia que, nesse aspecto, não estava conseguindo se controlar!

    Apesar de já ter feito uma aposta com Li Ruobing, ainda assim não conseguira se conter e acabara se envolvendo com Wu Chen!

    Além disso, sentia que talvez já não conseguisse mais se afastar dele.

    Sabia que nunca mais encontraria alguém tão compatível com ela quanto Wu Chen! O talento musical dele, a forma como entendia música, exerciam sobre ela uma atração profunda.

    Há coisas que as pessoas fazem mesmo sabendo que vão ter consequências graves.

    An Menglan era assim.

    Agora, não temia só que Li Ruobing descobrisse o que acontecera entre ela e Wu Chen; temia ainda mais que seu próprio pai descobrisse!

    Porque Wu Chen não era solteiro!

    Tinha uma namorada oficial, Li Ruobing! Todo mundo nos círculos das grandes famílias sabia disso!

    Se seu pai descobrisse que ela estava sendo “a outra”?! Que consequências isso traria?!

    O fato de Wu Chen vir de uma família comum era, na verdade, um problema menor. Hong Kong e a China continental eram ambientes diferentes. Havia pouquíssimas famílias que podiam ser chamadas de famílias de poder na China continental, enquanto famílias de magnatas eram numerosas em Hong Kong!

    Nessas famílias ricas, o casamento dos filhos podia sofrer interferência, mas isso não significava que todos fossem obrigados a se casar por aliança!

    Quando os homens dessas famílias chegavam à idade de casar, era mais provável que a família interferisse. Casamentos entre famílias poderosas eram comuns, mas casar sem aliança também não era tão raro.

    Relacionamentos por escolha própria não eram incomuns.

    Por exemplo, já tinha acontecido de o herdeiro legítimo de um conglomerado de primeira linha se casar com uma atriz de origem familiar comum. Ou com uma atleta famosa que tivesse conquistado um campeonato. Esse tipo de coisa já acontecera!

    Para as mulheres dessas famílias, as regras eram ainda mais flexíveis!

    Não faltavam histórias de mulheres de famílias ricas que se casavam com rapazes pobres… Bastava que o homem fosse suficientemente talentoso e tivesse bom caráter, e dava pra resolver!

    Além do mais, Wu Chen nem era um rapaz pobre. Era extraordinariamente talentoso, um gênio raro!

    Se alguém perguntasse a An Menglan se ela queria se casar com ele, ela admitiria que já pensara nisso secretamente. E acreditava que sua família não se oporia com muita força: bastaria que conhecessem Wu Chen para não serem contra!

    Mas havia um problema…

    An Menglan sabia muito bem que não tinha chance de se casar com Wu Chen!

    Ele tinha muitas mulheres, e a mais importante era Li Ruobing, a neta mais velha do ramo principal da família Li!

    Pra ficar com Wu Chen, ela não só teria de passar pelo obstáculo chamado Li Ruobing, como também teria de aceitar ser a segunda mulher! Se o pai descobrisse… pensando no temperamento inflexível de Wu Chen, An Menglan sentia que aquilo ia dar em desastre!

    Afinal, os dois lados eram igualmente importantes para ela.

    Ela tinha uma boa relação com o pai. Todos aqueles anos dedicados à música não teriam sido possíveis sem o apoio da família.

    O que fazer?!

    Mesmo que o pai não descobrisse a relação dos dois, um confronto direto entre ele e Wu Chen também a colocaria numa posição difícil!

    Pouco depois das cinco da tarde.

    Distrito de Dongpu, em Modu. Restaurante francês Caisiqi.

    Uma sala privativa no terceiro andar.

    Wu Chen e An Menglan já estavam fazendo os pedidos. An Menglan estava distraída e escolheu algumas coisas quase sem pensar; Wu Chen pediu o filé Wellington, especialidade da casa.

    No ciclo de mil anos, além de Donghai, a cidade que Wu Chen mais visitara fora Modu, seguida pela capital!

    A viagem de trem-bala até Modu levava pouco mais de duas horas, e o tempo até a capital não era muito diferente.

    Embora não tivesse investigado Modu com tanto cuidado, já tinha comido em todos os restaurantes famosos da cidade!

    Mesmo quando não tinha dinheiro, durante o ciclo de mil anos, isso não fazia diferença nenhuma. Não precisava pagar, nem se preocupar com consequências… Chegara até a assaltar banco de tarde, ir jantar à noite num restaurante e ser morto ali mesmo pelos policiais que o encontraram.

    Foram muitas as loucuras autodestrutivas que cometera quando enlouquecia!

    Afinal, nada daquilo era “real”. Ao morrer, o dia simplesmente recomeçava!

    O filé Wellington do Caisiqi agradava muito ao paladar de Wu Chen. Durante o ciclo de mil anos, ele chegara a pedir ao chef do restaurante que lhe ensinasse a receita, fingindo ser um blogueiro fazendo entrevista e gravando vídeo.

    Depois de fazer o pedido, veio o vinho tinto. Duas garrafas foram deixadas para respirar; uma delas já foi aberta e servida de imediato.

    Os dois conversaram.

    — …Meu pai… talvez fosse melhor deixar Peng Wei lidar com isso. Ele podia ganhar tempo, enrolar por enquanto. Acho que… — An Menglan tentava dizer algo, mas parava repetidamente, sem terminar.

    — Eu sei que seu pai não vai ser fácil de convencer, principalmente depois de uma coisa tão grave. Ele deve estar fervendo de raiva por dentro… — Wu Chen respondeu sorrindo, completando a frase por ela.

    — Mas as pessoas… por mais furiosas que estejam, por mais princípios que tenham, por mais preocupadas… ou até aterrorizadas! Se houver benefício e interesse grande o bastante, tudo pode ser deixado de lado!

    — A natureza humana não resiste à prova. Fora quem já enxergou a vida por completo e desistiu de todas as ambições — e, na verdade, muitos desses até têm algum transtorno mental —, todos os outros…

    — Por exemplo: se eu te desse dois bilhões, você me transferiria os outros 50% das ações da Menghua Music? — perguntou Wu Chen.

    An Menglan olhou para ele e balançou a cabeça devagar.

    Não era questão de dinheiro. Aquela empresa era o trabalho da vida dela!

    — E se fossem cinco bilhões?

    — Dez bilhões?

    — Cem bilhões?

    An Menglan ficou calada! A lógica era simples. Se alguém realmente desse cem bilhões a ela, claro que venderia a empresa. No máximo, começaria outra do zero!

    — Mas o que você está dizendo não é realista. Quem estaria disposto a pagar cem bilhões pela minha empresa? — perguntou An Menglan.

    — É só um exemplo — disse Wu Chen, sorrindo. — Suponha que alguém oferecesse. Você venderia?

    — Claro — respondeu An Menglan, assentindo.

    — Então, outra pergunta: se o Grupo Huaxing estivesse à beira da falência e você pudesse salvar o negócio da família vendendo sua empresa, faria isso? — perguntou Wu Chen.

    — Faria — respondeu ela, assentindo de novo.

    — Pois é… — Wu Chen sorriu.

    Ele só apresentara exemplos simples, situações extremas imaginadas. An Menglan já entendia aquele raciocínio, mesmo que ele não o explicasse diretamente.

    Mas… eram situações um tanto distantes da realidade!

    An Menglan não sabia o que Wu Chen diria ou faria na conversa com o pai dela.

    Além disso, naquele momento, ela não estava pensando só no que aconteceria caso os dois entrassem em conflito…

    — Cof… — An Menglan tossiu baixinho, respirou fundo e olhou para Wu Chen com seriedade. — Senhor Wu, posso te fazer uma pergunta?

    — Vou deixar que ele saiba — respondeu Wu Chen na hora.

    — Hã? — An Menglan ficou surpresa e, depois de ponderar, explicou: — Eu queria perguntar… não sobre como você orientou Peng Wei a agir… Quero dizer, sobre nós dois, sobre… aquilo. Vai contar ao meu pai?

    — Não foi isso que acabei de responder? — Wu Chen sorriu.

    — Ah? — An Menglan ficou atônita.

    Ela ia enlouquecer!

    O que o senhor Wu estava pensando?!

    Não sabia que Wu Chen só queria acelerar as coisas… Como An Huaiguo já tinha entrado em contato direto com Peng Wei, Wu Chen decidira envolvê-lo no plano antes do previsto. E a relação dele com An Menglan era uma etapa muito importante disso!

    — Então… senhor Wu… e a senhorita Li…? — An Menglan estava em pânico total.

    Conseguia imaginar a reação do pai!

    Também temia que a notícia chegasse aos ouvidos de Li Ruobing! Ela certamente ia acabar com ela! Se a grande estrela An Menglan de fato se tornasse “a outra”, quanto mais alto, mais feia a queda. Aquele escândalo seria o bastante pra destruir sua reputação!

    E o caso se espalharia entre as grandes famílias!

    Ela, An Menglan, ainda ia ter de se ajoelhar diante de Li Ruobing e pedir perdão, com a cabeça no chão!

    — Senhor Wu, acho que… — An Menglan acelerou de repente a fala.

    — Você realmente acha que Ruobing não sabe? — perguntou Wu Chen, sorrindo.

    — O quê?! — An Menglan ficou chocada outra vez.

    Sabia que Li Ruobing certamente suspeitava, mas achava impossível que tivesse provas! An Menglan só queria aguentar até o fim do mês do acordo.

    — Embora eu nunca tenha contado a Ruobing, e ela nem sequer tenha me perguntado — porque sabe que eu não diria nada —, ela sabe…

    — Ela sabe?!

    — Sabe.

    — Tem certeza?!

    — Claro que tenho!

    A reação de An Menglan foi intensa. O coração batia tão rápido que parecia querer saltar do peito, os olhos arregalados.

    — Então… então por que ela… — De repente, An Menglan percebeu que havia algo que não fazia sentido. — Por que ela não veio atrás de mim? Ela não ia…

    O temperamento de Li Ruobing e a atitude dela naquele jantar tinham feito An Menglan acreditar que, se descobrisse o que houve entre ela e Wu Chen, destruiria-a sem piedade.

    — Primeiro você precisa entender por que Ruobing não tem problema com Zhuang Xiaodie, mas tem com você… — disse Wu Chen, sorrindo.

    — Por quê? — perguntou An Menglan na hora.

    — Porque Zhuang Xiaodie não representa ameaça pra ela. — Wu Chen balançava a taça de vinho sem perceber, virando-se para An Menglan. — Resumindo: você faz ela se sentir ameaçada!

    — Sua família, suas origens, você mesma, tudo é excepcional. Eu e Ruobing vamos nos casar no futuro. Ela não tem interesse em interferir na minha vida privada, que não é exatamente convencional, e nem conseguiria controlá-la. Mas no seu caso… ela acha que você pode me tirar dela.

    — Por isso, desde o começo, ela sentiu muita hostilidade em relação a você — concluiu Wu Chen.

    An Menglan entendeu parte da explicação, mas ainda havia coisas que não compreendia.

    — Então… agora que ela sabe, não deveria vir atrás de mim? — perguntou.

    — E que sentido teria fazer isso agora? — Wu Chen sorriu. — Você acha que eu deixaria ela destruir sua carreira? Ou revelar o que existe entre nós e causar um escândalo em toda parte?

    An Menglan ficou atônita de novo, olhando para Wu Chen de olhos arregalados, pensando.

    Pouco a pouco, pareceu entender.

    Independentemente de como fosse Li Ruobing, An Menglan sabia que, na relação dela com Wu Chen, quem ocupava a posição dominante era ele! Li Ruobing não podia controlar o fato de ele ter outras mulheres.

    Isso incluía o que acontecera entre Wu Chen e ela.

    Mesmo sabendo, Li Ruobing não ia reclamar com Wu Chen.

    Em vez disso, ia atrás dela, An Menglan!

    Se An Menglan de fato ficasse com Wu Chen, do ponto de vista dele, Li Ruobing só podia assistir e aceitar o que acontecesse.

    Pelo visto, Li Ruobing também não se importava tanto que Wu Chen tivesse outras mulheres.

    O que a incomodava era… que aquela mulher ameaçasse sua posição!

    An Menglan tinha esse potencial, e por isso já vinha sendo pressionada mesmo antes de tudo ficar explícito!

    Então…

    — Você quer dizer que Li Ruobing quer me manter abaixo dela? Quer me humilhar? Quer que eu me sinta culpada por ser a terceira pessoa, pra que depois… eu tenha que ceder a ela em tudo? — concluiu An Menglan.

    Era bastante perspicaz!

    — Mais ou menos — disse Wu Chen, sorrindo. Depois acrescentou: — Mas acho que Ruobing está se preocupando demais… Vou me casar com ela. Também preciso admitir que o fato de eu ter outras mulheres tira um pouco da sensação de segurança dela…

    Era a segunda vez que Wu Chen dizia a An Menglan que se casaria com Li Ruobing no futuro!

    Precisava deixar isso bem claro!

    Queria que An Menglan tomasse sua própria decisão! Não ia pedir abertamente que ela declarasse sua escolha; nem sequer ia tocar diretamente no assunto. Além disso… já tinha previsto qual seria a decisão dela!

    O fato de An Menglan ter tomado a iniciativa de falar sobre a transferência das ações naquela tarde, e ter cooperado de imediato com Wu Chen e Zhuang Xiaodie pra concluir a transferência, já bastava pra demonstrar isso.

    Wu Chen tinha certeza absoluta!

    — Então… o que eu faço daqui pra frente? — perguntou An Menglan.

    Agora, o problema dela já não era o que ia acontecer entre ela e Wu Chen.

    Aquilo já tinha acontecido, e Li Ruobing sabia.

    Ela não estava indo atrás dela naquele momento, mas certamente ia fazer isso antes do prazo acabar! An Menglan estava errada e não tinha como se defender. Se simplesmente continuasse negando tudo, quem sabe o que Li Ruobing seria capaz de fazer?

    Além disso, talvez Li Ruobing tivesse provas que nem Wu Chen conhecia!

    Era isso que An Menglan pensava. Quanto mais refletia, mais entrava em pânico. Li Ruobing era claramente muito mais calculista do que ela.

    — Na verdade, Ruobing já está quase aceitando a situação — disse Wu Chen, sorrindo com um suspiro. — Porque estou fazendo muita coisa que, aos olhos dela, é extremamente perigosa. Por isso, o jeito como ela vê você também mudou um pouco.

    Wu Chen nunca conversara com Li Ruobing sobre isso, mas conseguia entender o estado de espírito dela.

    — Agora, Ruobing acha que consegue aceitar qualquer pessoa ou coisa que, na opinião dela, possa me ajudar. Na verdade, isso também ajuda a ela mesma…

    Wu Chen não explicou o que queria dizer com “isso também ajuda a ela mesma”.

    An Menglan ainda não sabia a dimensão do plano que ele já preparara contra a família Ding.

    — Por isso, Ruobing também não vai fazer nada contra você. Quanto a se ajoelhar e pedir desculpas… se você estiver disposta a seguir o que eu disser, pode evitar isso!

    — Como… como eu posso evitar? — perguntou An Menglan.

    Toc, toc!

    Uma batida repentina na porta interrompeu a conversa.

    A comida estava chegando!

    Mas quem trouxe os pratos não foi o garçom do restaurante, e sim os seguranças de An Menglan. Os garçons no corredor entregavam os pratos aos seguranças, que os levavam até a sala.

    Não queriam que os garçons vissem An Menglan jantando ali.

    Naquele momento, ela estava em evidência demais!

    Se a notícia de que estava ali se espalhasse, em no máximo meia hora teria um monte de jornalista bloqueando a entrada do restaurante!

    A comida foi servida.

    Comeram.

    Beberam vinho.

    Conversaram.

    Wu Chen contou a An Menglan algumas maneiras de lidar com Li Ruobing — ou melhor, de evitar ser humilhada. Claro que tudo dependia de An Menglan não provocar Li Ruobing!

    Pensando bem…

    Até o meio-dia daquele dia, Wu Chen não tinha intenção de ensinar nada disso a An Menglan.

    Pretendia só observar as duas se entenderem por conta própria. Mais cedo ou mais tarde chegariam a um resultado! E esse resultado não seria muito diferente do que ele já previra.

    Mas, por causa de An Huaiguo, mudou de ideia.

    Era melhor não deixar An Menglan tão angustiada!

    Durante o jantar, Wu Chen voltou a mencionar duas vezes que se casaria com Li Ruobing no futuro. Era algo que precisava ficar claro antes de avançar com o plano.

    An Menglan precisava entender isso.

    Os dois ficaram à mesa até pouco depois das nove da noite.

    Comeram pouco; passaram a maior parte do tempo bebendo e conversando.

    Não falaram só de Li Ruobing, mas também do pai de An Menglan e de música! Quanto a An Huaiguo, Wu Chen não declarou claramente se abandonaria ou não seu plano contra o Grupo de Mídia Zhonghe por causa dele.

    O álcool consumido pouco a pouco também fez An Menglan deixar de se preocupar tanto com todos aqueles problemas. Sentia muita pressão, e conversar sobre música a ajudava a relaxar.

    Por volta das nove e dez da noite…

    Trim-trim…

    O celular de Wu Chen tocou. Era Peng Wei.

    — Alô, senhor Wu… Shang Yunlu chegou a Modu. O que o senhor acha…? — perguntou Peng Wei.

    — Amanhã de manhã… — respondeu Wu Chen, dando a hora e o local do encontro.

    Desligou.

    Guardou o celular e olhou para An Menglan.

    Ela estava um pouco embriagada, mas não a ponto de perder a consciência. Bebera com moderação naquele dia; estava só meio bêbada, ainda perfeitamente lúcida.

    — Já está bom. Vamos embora — disse Wu Chen.

    An Menglan assentiu.

    Arrumou-se e colocou de novo a máscara, o lenço e o chapéu.

    Wu Chen também vestiu o paletó e guardou o celular.

    — Você vai pra casa? — perguntou de repente.

    — Vou. E você? — respondeu ela, devolvendo a pergunta.

    — Pro hotel — disse Wu Chen, sorrindo.

    Na verdade, podia ir até Zhuang Xiaodie, mas não pretendia fazer isso. Já estava tarde, e ela andava trabalhando até tarde, se esforçando pra aprender, estudar e se aprimorar.

    Os dois saíram da sala privativa.

    Wu Chen chegou a amparar An Menglan, um pouco embriagada.

    Desceram de elevador.

    Um dos seguranças foi pagar a conta.

    Os outros acompanharam os dois até a saída do restaurante. Do lado de fora havia um estacionamento a céu aberto, onde todos os carros estavam parados.

    Durante o caminho do elevador até o estacionamento, An Menglan lançou olhares estranhos pra Wu Chen repetidas vezes.

    Por fim, quando ele pegou a chave do carro e caminhou em direção à própria Lamborghini, ela falou:

    — Senhor Wu, que tal… ir pra minha casa? Tenho quartos disponíveis.

    — Hã? — Wu Chen virou-se para ela.

    — Você bebeu. Dirigir seria meio perigoso — acrescentou An Menglan, como quem tenta justificar a proposta.

    — Hum… tudo bem! — concordou Wu Chen.

    Entregou a chave da Lamborghini a um dos seguranças dela, pra que dirigisse.

    Wu Chen e An Menglan entraram no banco de trás de uma van Alphard! Era um dos carros que ela usava com frequência. Grande, confortável, uma versão especial, na configuração mais luxuosa.

    O banco de trás era separado da parte da frente, e tinha até uma televisão.

    Pouco mais de vinte minutos depois…

    Ainda no distrito de Dongpu, em Modu. Às margens do rio Huangpu, havia três torres residenciais cercadas por jardins paisagísticos. Era um dos complexos residenciais mais luxuosos da cidade, chamado “Residencial Yuanda Binjiang Huafu”!

    Os apartamentos eram vendidos individualmente, todos com plantas enormes!

    Mesmo o mais barato custava cerca de cinquenta milhões de yuans!

    Os mais caros chegavam a duzentos milhões!

    Era inacreditável que um apartamento num prédio alto, e não uma mansão, pudesse custar tanto! Nenhuma outra cidade do país tinha imóveis verticais tão caros, nem mesmo a capital!

    An Menglan tinha um apartamento ali, uma de suas residências em Modu!

    Quase não ficava nele. Só se mudara pra lá por conta de alguns acontecimentos recentes: o endereço da residência onde costumava ficar vazara, e jornalistas passaram a cercar a entrada.

    Sem outra opção, mudara-se pra lá alguns dias antes.

    Por volta das nove e quarenta da noite.

    69º andar do Binjiang Huafu, apartamento 6901.

    Wu Chen empurrou a porta pesada e entrou com An Menglan atrás. Assim que entraram, deram de cara com um salão amplo…

    O apartamento era uma unidade enorme, com mais de setecentos metros quadrados! Sete quartos, quatro salas, oito banheiros! Além da planta e da metragem extravagantes, a decoração também era luxuosa!

    An Menglan pagara mais de cem milhões de yuans por ele.

    Quem entrasse ali pela primeira vez até podia “se perder”, sem conseguir se localizar dentro do próprio apartamento!

    Mas aquele não era o maior imóvel do Binjiang Huafu.

    Havia unidades com mais de mil metros quadrados, embora fossem apartamentos duplex, não de um pavimento só.

    An Menglan levou Wu Chen para conhecer o lugar.

    Ele já estivera ali durante o ciclo de mil anos, mas fingiu não conhecer, e passeou com ela. An Menglan também lhe mostrou pessoalmente o quarto onde ele ficaria.

    Era o quarto em frente ao dela.

    Pouco depois, os dois foram ao escritório de An Menglan.

    Apesar do nome, o cômodo era enorme. Parecia ter sido projetado originalmente como segundo quarto principal, e ela transformara em escritório.

    A escrivaninha, os armários e o resto dos móveis ocupavam só um canto.

    Havia também muitos equipamentos ali.

    Inclusive um piano.

    Plim, plim!

    An Menglan foi até o piano e tocou algumas notas ao acaso. O som cristalino ecoou pelo ambiente.

    — Ainda consegue tocar? — perguntou, sorrindo com um ar embriagado. — Você está bêbado.

    — Talvez eu toque até melhor depois de beber — respondeu Wu Chen, sorrindo.

    Pouco depois…

    Uma melodia encantadora encheu o cômodo.

    An Menglan sabia que, se deixasse Wu Chen tocar piano, com os dois tendo bebido, podia acontecer alguma coisa. Já tinha “acontecido” entre eles antes!

    Fizera aquilo de propósito!

    Não queria exatamente que algo acontecesse; estava “testando” a si mesma, tentando descobrir se conseguiria se afastar de Wu Chen, apesar do talento extraordinário dele. Se a mesma situação se repetisse, que escolha faria?

    Depois de beber, as pessoas ficam mais corajosas pra expressar o que sentem, e também agem de jeitos estranhos, movidas por pensamentos inesperados. An Menglan estava nesse estado!

    E havia uma diferença entre aquela noite e a ocasião anterior.

    Depois de voltarem pra casa, os dois não beberam mais!

    Ela estava meio embriagada, mas consciente.

    Tocaram piano!

    Wu Chen tocava uma peça, depois An Menglan tocava outra, depois ele voltava a tocar… alternaram-se assim, chegando até a tocar a quatro mãos!

    Durante a execução a quatro mãos, An Menglan ficou especialmente animada.

    A animação não aparecia no rosto, mas era intensa por dentro! Sua expressão mostrava só alegria, prazer, enlevo, e o rubor provocado pelo álcool.

    Sem perceberem…

    Já eram onze da noite.

    Os dois terminaram mais uma execução a quatro mãos.

    — Você errou duas notas — disse Wu Chen, sorrindo, “apontando defeitos” na execução de An Menglan.

    — Eu bebi — respondeu ela, também sorrindo. Tirou as mãos do teclado, mas ficou sentada, sem se levantar. Inclinou a cabeça e perguntou, com sorriso embriagado: — Você… tem alguma outra música que eu ainda não tenha ouvido? Uma que você tenha composto…

    — Tenho muitas — respondeu Wu Chen, sorrindo.

    — Então… toca uma. Toca uma que eu não conheça — pediu An Menglan.

    — Escuta com atenção — disse Wu Chen, lançando-lhe um olhar brincalhão, como quem manda ela sentar e prestar atenção. Pôs as mãos sobre o teclado e começou.

    Aquela peça…

    Tinha melodia muito simples! Era uma canção de ninar!

    A melodia era suave, doce e tranquila, transmitindo conforto. Sem variações complexas, sem passagens rápidas pra exibir virtuosismo; tudo evocava só a serenidade da noite.

    An Menglan, com domínio extraordinário de música, a princípio achou a peça muito comum. Não conseguia perceber nada de profundo, nem algo particularmente brilhante.

    Parecia sem conteúdo nenhum, e dava sono!

    Já estava tarde, e os dois tinham bebido. Ouvir uma música tão simples naturalmente provocava sono.

    Mas justamente quando An Menglan começou a ficar sonolenta e perder a concentração, se surpreendeu de repente.

    O que era uma canção de ninar?

    Originalmente, servia pra ajudar a adormecer, pra fazer uma criança dormir!

    Hoje, muitas canções desse tipo pareciam ter esquecido isso. Mudavam de tom de repente, ou incluíam melodias suaves demais, surpreendentes demais, que faziam as pessoas se admirarem… na verdade, isso contrariava a própria qualidade especial de uma canção de ninar.

    A peça de Wu Chen era extremamente “clássica”!

    E também dava muito sono.

    An Menglan virou a cabeça e observou o rosto dele. Quanto mais olhava… mais se impressionava de novo com o talento dele! Na verdade, já não era mais questão de talento, mas de entender que tipos diferentes de música exigiam entendimentos diferentes.

    Havia um detalhe digno de nota.

    Embora a peça de Wu Chen fosse “simples”, não repetia nenhum trecho rítmico, mas ainda assim mantinha o núcleo da composição: a tranquilidade da noite!

    Wu Chen continuava tocando.

    An Menglan, sentada ao lado, virada para ele, o observava atentamente.

    De repente!

    Wu Chen errou uma nota.

    Foi porque An Menglan o “atacou de surpresa”! Inclinou-se de repente e deu um beijo na bochecha dele. Embora tenha recuado logo, acabou roçando no braço de Wu Chen.

    Ele parou de tocar.

    — O que foi? — perguntou, virando-se para ela, sorrindo.

    — Te beijei — respondeu ela, sem a menor vergonha. Depois, apertou os lábios e ficou olhando direto pra ele.

    — Ha — Wu Chen riu de leve e fechou a tampa do piano.

    — Está tarde. Hora de descansar — disse. Virou-se, estendeu os braços e ergueu An Menglan no colo, carregando-a pra fora do escritório.

    Ela não recusou.

    Mais do que não recusar, passou os braços ao redor do pescoço de Wu Chen e beijou seu pescoço.

    Tudo aconteceu de forma muito natural.

    Naquele instante, pode-se dizer que An Menglan tomara sua decisão!

    Wu Chen também obtivera a resposta que já previra!

    An Menglan sabia que ele tinha muitas mulheres e que se casaria com Li Ruobing no futuro, mas ainda assim queria continuar com ele, mesmo que… tivesse de aceitar ser a segunda mulher.

    Se antes a relação entre os dois era indefinida, com algo tendo acontecido, mas mantendo certa distância, naquela noite ela se tornou verdadeiramente uma mulher dele — ou, mais precisamente, sua amante!

    Tomar essa decisão fora muito mais difícil para ela do que para as outras mulheres! Precisava pensar em muita coisa, tinha inúmeras preocupações. Ainda assim, decidira seguir em frente!

    Sem dúvida, era uma das pessoas ao redor de Wu Chen que mais profundamente fora enfeitiçada por ele!

    Um novo dia.

    5 de agosto de 2020.

    Residência de An Menglan, quarto principal voltado para o sul.

    Às sete da manhã em ponto, Wu Chen abriu os olhos pontualmente. Olhou o teto de estilo clássico, com ornamentos dourados ao centro, e sorriu.

    A noite anterior fora muito prazerosa.

    An Menglan estivera extremamente, extremamente proativa, quase como se quisesse “devorá-lo”. Por isso, os dois só conseguiram descansar de verdade perto das quatro da madrugada.

    Debaixo do cobertor, An Menglan o abraçava, apoiada no ombro dele. O cabelo um pouco desalinhado, ainda dormindo profundamente.

    Sua beleza extraordinária não diminuía por causa do cabelo despenteado; pelo contrário, ela parecia ainda mais feminina, com aquele ar de mulher satisfeita depois de uma noite de intimidade.

    Wu Chen virou a cabeça e olhou para An Menglan, que dormia profundamente.

    Sem acordá-la, levantou-se.

    Descalço, foi primeiro ao banheiro privativo do quarto. Precisava escovar os dentes e tomar banho. Havia uma escova de dentes reserva de An Menglan ali, e Wu Chen sabia onde ficava sem precisar perguntar.

    Mais de dez minutos depois…

    Já tinha escovado os dentes e estava terminando de se enxaguar no banheiro.

    No quarto…

    Trim-trim…

    O celular de An Menglan tocou.

    Ela despertou com um sobressalto, virou a cabeça, estendeu a mão e atendeu assim que viu quem ligava.

    — Alô, pai… O quê? Ah… não, não aconteceu nada… Está bem… — An Menglan estava com a expressão estranha, tentando controlar o tom de voz.

    Depois de desligar, olhou em volta. Ao ouvir o barulho vindo do banheiro, se levantou e gritou:

    — Senhor Wu, rápido! Meu pai chegou a Modu, acabou de desembarcar!

    Nota