Capítulo 518 — Que ele passe raiva até morrer!
por NexoNovelCapítulo 518 — Que ele passe raiva até morrer!
A reação de Li Ruobing foi intensa, como se as palavras de Ding Ruilong tivessem capturado toda a sua atenção de repente.
— Wu Chen tem outras mulheres? — repetiu. Logo depois, soltou uma risada fria. — Ha! Ding Ruilong! Está tentando colocar discórdia entre eu e ele? Você é infantil demais. Escute meu conselho: trate de cuidar dos seus ferimentos. Já se acostumou a segurar o celular com a mão esquerda? É melhor não usar a direita, senão pode acabar com uma deficiência. Depois não diga que não avisei!
Escárnio, descrença, provocação.
Mas não desligou depois disso, e Ding Ruilong entendeu que ela se importava com Wu Chen.
Dizia que não acreditava, mas, na verdade, queria ouvir mais.
— Sei que você tem muitos preconceitos contra mim, mas desta vez posso jurar que não estou mentindo! — disse ele, contendo à força a raiva, tentando manter a voz o mais calma possível.
— Se jurar adiantasse alguma coisa, você já teria morrido dez mil vezes, porra! — zombou Li Ruobing, num tom carregado de ironia.
Ding Ruilong ficou sem resposta por um instante e se calou. Ela conseguia ouvir sua respiração pesada.
— …Wu Chen está aí? Está ao seu lado? — perguntou de repente.
— Está, sim. Nós já tínhamos até apagado as luzes, e você vem ligar feito um maluco. — Enquanto falava, ela se virou para Wu Chen, a voz ficando de repente muito doce: — Querido, ele disse que você tem outras mulheres.
O tom era zombeteiro, mas não dirigido a Wu Chen; ridicularizava a tática tão rasteira de Ding Ruilong para semear discórdia.
— Esse idiota deve ter danificado o cérebro na explosão também — respondeu Wu Chen, sorrindo.
A frase não só insultava Ding Ruilong, como também equivalia a negar a “acusação” que ele fazia.
Era para mexer com as emoções dele!
Fazê-lo querer ainda mais contar tudo a Li Ruobing.
E também levá-lo a desmoronar e agir de maneira cada vez mais extrema depois.
— Seu… — Ding Ruilong ouvira naturalmente a conversa entre os dois. Começou a falar, furioso, mas se interrompeu de repente.
Não podia xingar. Não podia.
Tentava controlar as próprias emoções à força, fazendo o possível para não entrar em conflito com Wu Chen naquela ligação. Sabia muito bem que, se o xingasse, Li Ruobing não continuaria conversando.
Era muito provável que simplesmente desligasse, apagasse o celular e fosse dormir.
Embora depois ainda tivesse oportunidade de contar a “verdade” a ela, naquele momento estava ansioso demais. Queria falar logo, naquele instante, para que ela enxergasse a verdadeira face de Wu Chen!
— Ruobing… — Ding Ruilong levou vários segundos para se acalmar antes de voltar a falar.
— Vou repetir mais uma vez: não me chame de Ruobing! — ela o interrompeu imediatamente, rangendo os dentes, falando depressa.
— Está bem, está bem, está bem! Senhorita Li! — ele cedeu na hora. Respirou fundo e perguntou, com a voz rouca: — Você conhece He Shiqin?
— He Shiqin? — Li Ruobing repetiu o nome, como se não o ouvisse havia muito tempo. Depois soltou uma risada fria. — Ding Ruilong, eu já achava que você não tinha vergonha, mas não imaginava que pudesse ser tão sem-vergonha!
— A família Ding está desesperada para se aliar à família Li por casamento, e você vem me falar de He Shiqin? Embora isso não tenha muito a ver comigo, já que essa aliança é desejo unilateral de vocês… ainda assim, você vem me falar dela? A filha ilegítima que He Shiqin teve com você já deve ter treze anos, não é? Ou quatorze?
— Ouvi dizer que a menina nem sequer leva o seu sobrenome. Ding Ruilong… você é mesmo um animal! A mulher que teve um filho seu, você não reconhece; nem a própria criança você reconhece?
— Por que alguém como você ainda está vivo? Não seria melhor arranjar uma corda e se enforcar?
Xingue-o! Só continue xingando!
Ao mesmo tempo, fazia parecer que não conhecia He Shiqin pessoalmente. Apenas ouvira falar daquela mulher e sabia que tinha uma filha ilegítima da família Ding ao seu lado.
Isso era crucial!
A questão influenciaria a decisão de Ding Ruilong sobre revelar ou não a He Shiqin que ele havia matado Dong Yuantao.
Originalmente, ele não pensaria nisso com facilidade. Afinal, aquilo acontecera havia catorze ou quinze anos. Na época, mesmo que o caso viesse à tona, não abalaria os alicerces da família Ding.
Só que, nos últimos anos, a família Dong tinha crescido! Por isso, se o caso fosse revelado agora, o problema seria muito mais grave.
Mas quantas outras coisas vergonhosas Ding Ruilong tinha feito, capazes de causar grandes problemas à família Ding, além do caso de Dong Yuantao?
Comparativamente, aquele era um dos segredos mais bem guardados.
Ninguém podia apresentar provas concretas. Havia apenas uma testemunha, e a palavra dela, por si só, não bastava como prova.
Quanto a He Shiqin… Ding Ruilong a conhecia muito bem. Sabia que ela não teria coragem de revelar aquilo. Se tivesse, já teria se voltado contra ele naquela época, em vez de suportar tudo em silêncio.
Apesar disso, se Ding Ruilong descobrisse que Li Ruobing já sabia que He Shiqin estava em Donghai e que estava com Wu Chen, isso teria consequências graves.
Poderia suspeitar que não fora Wu Chen quem levara He Shiqin para Donghai, mas Li Ruobing!
O resultado da aposta seria decidido no fim do ano, e Ding Ruilong ainda estava em vantagem.
Poderia muito bem acreditar que Li Ruobing estava tentando uma última cartada desesperada: se não conseguisse vencer a aposta, usaria He Shiqin e He Xinxin para enfrentá-lo.
Embora Ding Ruilong acreditasse que He Shiqin não revelaria espontaneamente aquele assunto…
E se Li Ruobing a procurasse por iniciativa própria e perguntasse se ela sabia de algo comprometedor sobre ele?
Era absolutamente necessário impedir que Ding Ruilong começasse a pensar nessa direção.
Por isso, Li Ruobing podia “descobrir” que He Shiqin estava em Donghai por meio do próprio Ding Ruilong; podia parecer que Wu Chen a trouxera para lá para lhe pôr chifres. O que não podia acontecer era Ding Ruilong descobrir que ela já sabia de tudo, ou que já tinha até se encontrado com He Shiqin.
Havia uma diferença enorme entre Li Ruobing procurá-la por conta própria e ficar sabendo da situação passivamente.
Ding Ruilong estava à beira de perder o controle.
Ela já o xingara antes, mas desta vez era diferente. Simplesmente não o deixava falar: qualquer coisa que ele dissesse servia de gancho para mais uma rodada de insultos.
— He Shiqin está em Donghai! — Ding Ruilong elevou a voz de repente.
— Ah? E daí? — respondeu Li Ruobing, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
— Ela está com Wu Chen! Foi ele quem a trouxe de Modu para Donghai! Eles até jantaram juntos hoje à noite! — ele despejou tudo de uma vez.
Li Ruobing ficou em silêncio.
Parecia estar tentando descobrir se o que ele dizia era verdade.
Alguns segundos depois, voltou a falar.
— Ding Ruilong! Você não percebe como é ridículo? Uma mentira tão infantil e rasteira, tentando colocar discórdia entre nós! E eu vou acreditar em você? Ha! — Tornou a falar como se não acreditasse, fez uma pausa, sem lhe dar chance de responder, e continuou: — E, além disso, o fato de Wu Chen ter outras mulheres tem alguma coisa a ver com você? Meu homem dá conta, e daí? Pare de vir me encher a cabeça com fofocas!
Aquelas palavras não correspondiam à imagem que o público tinha de Li Ruobing, muito menos à imagem que o próprio Ding Ruilong fazia dela.
Todos sabiam que ela, a neta mais velha do ramo principal da família Li, era uma mulher dura e dominadora, que não tolerava a menor falha!
Por isso, Ding Ruilong interpretou aquelas palavras como um acesso de raiva, dito de propósito para provocá-lo.
— Tenho provas! Tenho fotos! — disse em voz baixa, rouco, com um leve tom estridente.
— Você conseguiu até tirar fotos? Mande para eu ver… — Li Ruobing demonstrou grande interesse, mas logo mudou o tom e soltou uma risada fria. — Só vou avisando: mande seus homens editar as imagens direito. Não quero perceber que são falsas!
Depois disso, desligou.
Fim da atuação!
No instante em que desligou, não conseguiu mais conter o sorriso. Virou-se e deu outro beijo na bochecha de Wu Chen, sorrindo de orelha a orelha…
Nunca tinha sentido uma satisfação tão grande.
Antes, embora sempre xingasse Ding Ruilong, fazia isso para extravasar a raiva. Não lhe dava prazer algum; na verdade, era bastante irritante! Precisava administrar a empresa, não podia ficar desligando o celular o tempo todo. Também não podia perder a aposta e precisava fazer tudo o que estivesse ao seu alcance. Por isso, não tinha escolha: bastava ouvir a voz dele para ficar irritada, mas ainda assim precisava atender.
Dessa vez, porém, não estava irritada.
Tinha conseguido controlá-lo!
Conseguia sentir as mudanças de humor de Ding Ruilong. Estava furioso, mas não se atrevia a xingar; estava tão ansioso que quase perdia o controle e ainda esperava que sua tentativa de “semear discórdia” desse certo!
Era isso que tornava tudo tão divertido!
Se ele descobrisse depois que Li Ruobing preferia dividir Wu Chen com outras mulheres a se casar com aquele lixo que era ele, será que não teria vontade de morrer?
— Já conseguiu extravasar? — perguntou Wu Chen, olhando de lado para ela, bem perto dele.
— Hmpf. — Li Ruobing soltou um resmungo, sorrindo, e murmurou: — Esse desgraçado… por que não morre de raiva?
Do outro lado, Su Qingying apoiava o queixo no ombro de Wu Chen, olhando de lado para os dois. Conseguira ouvir vagamente o que Ding Ruilong dissera. Na verdade, ele não falara muita coisa; Li Ruobing é que falara bastante, xingando-o.
Su Qingying também percebeu que ela estava encenando.
Embora não entendesse todas as implicações por trás da conversa, isso não era importante para ela. Enquanto ouvia, não pensava em mais nada; só se lembrava de uma coisa: Ding Ruilong contratara alguém para matar Wu Chen!
E Li Ruobing nem sequer mencionara essa questão durante a ligação.
Era evidente que estava fingindo não saber.
Isso deixou Su Qingying ainda mais tranquila.
Porque significava que Li Ruobing realmente confiava em Wu Chen e acreditava que o plano dele daria certo, sem que sua vida corresse perigo.
Era tudo para fazer Ding Ruilong passar raiva!
Glup!
O celular de Li Ruobing emitiu de repente um som de notificação diferente: ela recebera um e-mail.
Abriu a mensagem imediatamente. Depois de descompactar o arquivo… lá estavam as fotos. Já as tinha visto antes.
Trim, trim…
O celular tocou.
Era Ding Ruilong ligando.
Ela nem atendeu; desligou a chamada e, em seguida, desligou o próprio celular.
Que passasse raiva até morrer!
Sabia que ele devia estar ansioso para descobrir se, depois de ver as fotos, ela ficaria furiosa e confrontaria Wu Chen… Queria saber o resultado, saber se ela terminaria com ele por causa daquilo!
Li Ruobing não lhe daria a chance de descobrir tão facilmente.
— Vou voltar para o quarto e dormir — disse, virando a cabeça para Wu Chen. Parecia estar de ótimo humor, mas lançou-lhe um olhar significativo.
Ainda não tinha conversado seriamente com ele sobre a encenação do atentado.
Naquela noite já não era o momento adequado. Os dois precisavam conversar a sós, sem Su Qingying presente.
Deixariam para o dia seguinte.
Li Ruobing se levantou e voltou para o quarto de hóspedes.
Um novo dia: 4 de agosto de 2020.
Às sete em ponto da manhã, Wu Chen abriu os olhos pontualmente. Virou a cabeça, olhou para Su Qingying, que dormia tranquila, e sorriu. Não fez barulho; abraçou-a, virou-se com ela e fechou os olhos de novo.
Era raro acordar às sete em ponto e voltar a dormir sem sequer abrir os olhos de verdade.
Precisava confirmar uma coisa: o tempo estava avançando.
Não queria voltar a viver preso no mesmo dia, então sempre precisava abrir os olhos e olhar ao redor para ter certeza.
O tempo passou silenciosamente.
Oito da manhã.
Wu Chen e Su Qingying acordaram um depois do outro, fizeram uma higiene rápida, vestiram-se e saíram do quarto.
Ao chegar ao topo da escada, não havia nenhum movimento na sala do térreo, o que indicava que Li Ruobing ainda não tinha se levantado.
— Vou dar uma olhada — disse Wu Chen, fazendo um gesto com a mão.
— Está bem — respondeu Su Qingying, assentindo.
Ela desceu primeiro.
Wu Chen foi até a outra ponta do corredor e abriu diretamente a porta do quarto de hóspedes.
Li Ruobing já estava acordada. Sentada diante do espelho, se maquiava. Quando ele entrou, lançou-lhe um olhar pelo espelho e voltou a olhar para o próprio reflexo, continuando a passar o batom.
— Ding Ruilong não voltou a ligar para você? — perguntou Wu Chen, sorrindo, aproximando-se da penteadeira.
— Meu celular está desligado. Não tenho pressa — respondeu ela.
Fechou o batom, apertou os lábios um contra o outro e virou a cabeça para ele. Inclinou-a um pouco, apoiou de leve a mão esquerda na bochecha e fez uma pose, perguntando com um sorriso doce:
— Estou bonita?
— Está. Bonita até morrer — respondeu Wu Chen, sorrindo.
O sorriso de Li Ruobing desapareceu quase na hora.
— E ainda assim você quer brincar com a própria vida? Não tem medo de dar tudo errado e acabar morrendo de verdade? É tão fácil assim me abandonar?
— Você não sabe? Já me perguntou isso antes. Eu… não sou uma pessoa comum — respondeu ele, sorrindo.
— Então você não é feito de carne? — Li Ruobing ergueu as sobrancelhas.
— Claro que sou.
— Então para de falar bobagem! Todo mundo é feito de carne. Brincar com a própria vida pode acabar em morte!
— Vai brigar comigo? — Wu Chen riu.
— Você acha que eu quero brigar com você? — perguntou ela, num tom melancólico.
— Você não conhece meu plano, nem sabe que outros preparativos fiz. E ainda vem me questionar? Quando foi que suas dúvidas deram certo? — Já tinha chegado ao lado dela e pousou as duas mãos em seus ombros.
— Quando foi que alguma coisa foi tão perigosa quanto desta vez? — rebateu Li Ruobing.
— Para mim, é a mesma coisa. Não há perigo nenhum — respondeu Wu Chen, sorrindo.
— Você… — ela ainda queria dizer mais alguma coisa.
— Está bem… Hoje preciso ir a Modu. Quanto ao atentado, só vou organizar os detalhes depois que voltar a Donghai. Aí conversaremos com calma. Não precisa se apressar agora… — Apertou delicadamente os ombros dela.
— Está com tanta pressa para ver An Menglan, é? — resmungou Li Ruobing.
— Está com ciúmes? — Wu Chen riu.
— Estou, sim. Estou quase morrendo de ciúmes — respondeu ela, como se dissesse o contrário do que sentia, num tom irritado.
Trocaram mais algumas provocações e saíram do quarto, um atrás do outro, descendo também para o térreo.
Enquanto Wu Chen e Li Ruobing conversavam no quarto, Su Qingying, que descera antes, já estava ocupada na cozinha. Gostava mesmo de cozinhar. Fora reprimida demais antes, e agora acreditava que só uma refeição preparada por suas próprias mãos dava a sensação de uma vida de verdade.
Não preparou nada complicado.
Havia ovos e linguiças na geladeira, além de fatias de pão.
Para o café da manhã, algo simples bastava.
…
Por volta das onze e meia da manhã.
Modu.
A Lamborghini azul com placa de Donghai, depois de mais de duas horas pela rodovia, finalmente saiu da via expressa. Normalmente, o trajeto de Donghai a Modu pela rodovia levava mais de quatro horas. Wu Chen viera dirigindo feito um louco.
Não era exatamente por estar com pressa; simplesmente queria dirigir rápido.
Depois de sair da via expressa, a Lamborghini azul seguiu pela Avenida Linjiang, no distrito de Dongpu. Não era ali que ficava a empresa de An Menglan; ele iria até lá à tarde.
Ao meio-dia, porém, Wu Chen iria primeiro almoçar.
Zhuang Xiaodie já o esperava no restaurante.
Às onze e quarenta e cinco, no restaurante ocidental Baía dos Golfinhos, na Avenida Linjiang.
Sentada perto da janela, Zhuang Xiaodie percebeu a Lamborghini familiar encostando na rua. Levantou-se animada; seus saltos altos fizeram toc-toc enquanto caminhava apressada para fora do restaurante.
Wu Chen estacionou o carro e mal tinha descido quando ela chegou ao seu lado. Enlaçou o braço dele com naturalidade e disse, sorrindo baixinho:
— Senhor Wu, você chegou.
— Vamos entrar e conversar — respondeu Wu Chen, sorrindo, observando discretamente os arredores, como se fosse por acaso.
Havia alguém vigiando Zhuang Xiaodie.
Na verdade, não era bem vigiá-la, mas protegê-la em segredo.
Eram pessoas da família Tang.
Ela já tinha uma boa relação com Tang Xinbao e Guo Qiqi. Desde que Wu Chen usara alianças estratégicas para aproximar a família Tang das famílias Li e Gu, sua posição dentro da família Tang havia subido a ponto de Tang Jingbin precisar tratá-lo como igual.
O próprio Wu Chen, porém, não ficaria morando em Modu.
Zhuang Xiaodie, por outro lado, ficaria.
Por isso, para a família Tang, ela não era apenas a mulher de Wu Chen; tinha também um pouco do papel de representante dele.
A princípio, Mao Rusong já pretendia providenciar guarda-costas para ela, ostensivos e discretos. Mas, nesse aspecto, evidentemente não podia competir com a família Tang. Não que não fosse confiável; é que a família Tang tinha pessoal mais profissional.
A família Tang era uma família de militares. Seus guarda-costas não vinham de meios improvisados: todos eram ex-integrantes de forças especiais!
Wu Chen e Zhuang Xiaodie entraram no restaurante.
Sentaram-se perto da janela.
Fizeram o pedido e conversaram um pouco.
Era só conversa casual.
— Já se acostumou a ser dona de uma empresa? — perguntou Wu Chen, sorrindo, com um tom provocador.
— Mais ou menos — respondeu Zhuang Xiaodie, sorrindo com os lábios cerrados, um pouco sem graça.
Fazia alguns dias que não se viam, e ela realmente parecia diferente. Ainda era universitária e nem sequer tinha se formado, mas se vestia de maneira mais madura: um vestido longo, justo na cintura, de um roxo profundo… Tinha a melhor silhueta entre as mulheres de Wu Chen, e aquela roupa realçava ainda mais suas curvas.
A maquiagem também estava um pouco mais marcante.
Mas a maturidade de Zhuang Xiaodie era sobretudo uma impressão, uma aura criada pelas roupas e pela aparência.
É claro que não era possível mudar tanto em apenas alguns dias.
Era só que, depois de receber participação acionária e assumir um cargo na empresa, precisava se vestir mais como uma mulher do que como uma garota.
Diante de Wu Chen, porém, não fazia pose nenhuma; percebia a provocação dele e ainda ficava sem graça.
— Como está o chefe Mao?
— Ainda está no hospital… Pelo que ouvi, não é nada grave, mas precisa ficar em observação por uma semana antes de receber alta.
Os dois continuaram conversando.
Logo a comida foi servida.
Sem perceber, já eram doze e meia.
Trim, trim!
O celular de Wu Chen tocou.
Ele tirou o aparelho do bolso e viu que era An Menglan ligando.
— Alô, senhorita An — atendeu, sorrindo.
— Ele pulou do prédio — disse An Menglan, direta.
