Novels chinesas em português
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    Capítulo 514 — Loucura! Loucura! Loucura!

    Ding Ruilong parou. Até para se virar foi lento; bebera demais, e estava com os reflexos embotados.

    O segurança postado atrás, ao lado da poltrona, adiantou-se no mesmo instante, pegou o celular na mesa de centro e, em poucos passos, chegou até Ding Ruilong e o entregou a ele:

    — Chefe.

    Ding Ruilong pegou o aparelho e olhou. O nome salvo na tela: Meng Junhao.

    Tocou duas vezes na tela antes de acertar o botão de atender. Levou o celular ao ouvido e ouviu a voz respeitosa de Meng Junhao:

    — Jovem Mestre Ding.

    — O que foi? — perguntou Ding Ruilong, embriagado.

    — Jovem Mestre Ding, aquilo que o senhor me mandou investigar hoje à tarde, eu descobri. — Percebendo que ele tinha bebido demais, Meng Junhao começou com esse lembrete antes de continuar: — Consegui tirar fotos. O senhor quer que eu mande…?

    Ding Ruilong despertou de repente.

    Num instante, ficou bem mais lúcido.

    — Você fotografou a He Shiqin? E a menina? — perguntou.

    — Fotografei, fotografei tudo. O Wu Chen também. Vi os três jantando juntos. Foi coincidência: só hoje à tarde mandei gente ficar de olho nos carros usados pelo Wu Chen, pela Li Ruobing e pelo Li Ruotai, e nem sabia qual carro o Wu Chen ia usar, porque ele não tem nenhum no próprio nome… E aí…

    — Mande as fotos! — Ding Ruilong o interrompeu antes que terminasse.

    Meng Junhao engoliu o resto da explicação. No fundo, isso até lhe poupou trabalho: a história inventada nunca o deixava totalmente seguro, e ele vivia com o coração na mão, morrendo de medo de que Ding Ruilong desconfiasse.

    Ser interrompido assim mostrava justamente que Ding Ruilong não suspeitara de nada.

    — Certo, certo, certo, Jovem Mestre Ding! Vou mandar agora para o seu e-mail. Dê uma conferida… — apressou-se Meng Junhao.

    A ligação terminou.

    Bêbado, Ding Ruilong virou a cabeça, de pescoço torto, para o segurança e ordenou com um gesto displicente:

    — Computador.

    O segurança correu na mesma hora para o andar de cima, buscar o notebook de Ding Ruilong.

    Ding Ruilong voltou cambaleando ao sofá e sentou-se. Sem perceber, apertava o celular com força. A expressão embriagada ia se desfazendo; estava bêbado, sim, mas não a ponto de perder a consciência — tinha quebrado mais garrafas do que bebido.

    Aquele “os três jantando juntos”, dito por Meng Junhao ao telefone, tivera sobre Ding Ruilong um efeito poderosíssimo para despertá-lo.

    Logo.

    O segurança desceu às pressas com o notebook, chegou à mesa de centro, abriu o aparelho e ainda o ajeitou para que a tela ficasse bem de frente para Ding Ruilong.

    O computador já estava ligado.

    Ding Ruilong abriu o e-mail. Entre a pressa e a bebedeira, errou a senha duas vezes antes de acertar. Por fim, entrou na conta e viu que havia recebido um arquivo compactado.

    Baixar.

    Descompactar.

    Abrir a pasta.

    Lá dentro, mais de cem fotos.

    Ding Ruilong abriu a primeira. Mal a ampliou e conseguiu enxergar direito, ficou inteiro “paralisado”, encarando a tela de olhos arregalados, as pálpebras tremendo.

    Era uma foto diante do restaurante de Sichuan.

    Nela, Wu Chen enlaçava a cintura de uma mulher com um braço e lhe sussurrava algo ao ouvido. Ding Ruilong não via He Shiqin pessoalmente havia muitos anos; a lembrança que tinha do rosto dela ainda era da época em que ela não completara vinte anos.

    Mesmo assim, reconheceu de imediato: aquela mulher alta e bonita da foto, de vestido longo esvoaçante e ainda com ar tão jovem, era He Shiqin!

    À esquerda da imagem, Ding Ruilong via também uma menina de pouco mais de dez anos entrando pela porta giratória. A foto não estava nítida e só mostrava as costas dela, mas ele sabia muito bem quem era aquela menina!

    Clicou na foto seguinte.

    Agora era o ângulo de uma janela do outro lado da rua. Pela janela do restaurante, viam-se três pessoas à mesma mesa: Wu Chen brindava com He Shiqin, enquanto He Xinxin, de perfil, abraçada a uma garrafa grande de refrigerante de cola, enchia o próprio copo.

    A próxima!

    A próxima!

    A próxima!

    Os pratos chegaram.

    Os três comiam juntos.

    Um clima de pura harmonia.

    He Shiqin e Wu Chen se olhavam nos olhos.

    He Xinxin, radiante, sorria de orelha a orelha.

    He Shiqin servia sopa para Wu Chen.

    Wu Chen gesticulava, sorrindo, enquanto dizia algo a He Xinxin, que escutava interessadíssima, com um sorriso no rosto.

    Brindes! Olhares! Um guardanapo passado de mão em mão!

    He Shiqin, toda sorrisos, a cabeça inclinada e o queixo apoiado na mão, contemplava Wu Chen falar, absorta.

    He Xinxin estava tão animada que se levantara e parecia imitar alguma coisa para Wu Chen.

    À medida que via as fotos, Ding Ruilong parecia ir ficando sóbrio. Tinha o rosto sombrio como nunca, as veias da testa saltadas e os olhos avermelhados de tão injetados.

    Até a respiração ficou pesada.

    Por fim, Ding Ruilong chegou à foto mais decisiva de todas: aproveitando que a filha, He Xinxin, não estava na sala privativa, He Shiqin se inclinara e beijara Wu Chen.

    BAM!

    Um estrondo!

    Ding Ruilong golpeara a tela do notebook com a mão, mandando o aparelho pelos ares. A força foi tamanha que ele voou seis ou sete metros, caiu no chão e se partiu em dois.

    — Puta que pariu! Puta que pariu! Filho da puta! — Ding Ruilong pôs-se de pé num salto, como se estivesse enlouquecendo. Ergueu as duas mãos num gesto brusco, tornou a baixá-las, xingando sem parar e andando de um lado para o outro, tomado por uma fúria que não encontrava saída.

    Golpeara o computador com a mão esquerda. Embora ela não estivesse ferida antes, um golpe daqueles contra a tela certamente a deixaria inchada.

    Mas Ding Ruilong parecia não sentir nada, alheio à dor na mão.

    — Wu Chen, Wu Chen…

    — Quer me foder, é…?

    — Desgraçado…

    — Maldito!

    Ding Ruilong estava à beira da loucura, quase neurótico, e o álcool só inflamava suas emoções. Andou de um lado para o outro resmungando por um ou dois minutos inteiros até se acalmar um pouco; então se virou de repente e gritou para o segurança:

    — Computador!! Traga um computador!! Porra, seu inútil!

    O segurança correu de novo para cima e trouxe outro notebook.

    Ding Ruilong adorava quebrar coisas, por isso a casa sempre tinha uma reserva de aparelhos eletrônicos, como computadores e celulares. Quando estava de bom humor, ele sabia muito bem o gênio que tinha, mas nunca refletia sobre isso; não achava que precisasse se controlar.

    Afinal, não custavam quase nada. Se dava vontade de extravasar, extravasava; pôr para fora era até melhor.

    Mais uma vez, Ding Ruilong entrou no e-mail, baixou de novo o anexo, descompactou, abriu a pasta e voltou às fotos.

    Desta vez, viu também as que faltavam.

    A última mostrava Wu Chen olhando fixamente o táxi que se afastava, falando ao celular com a testa levemente franzida.

    Depois disso, nada mais.

    Ding Ruilong achava que devia haver mais, mas as fotos de fato terminavam ali, abruptamente.

    Talvez por ter bebido demais, talvez de raiva, ou talvez porque a dor na mão esquerda começasse a se fazer sentir, suas mãos tremiam um pouco. Pegou o celular e ligou de volta para Meng Junhao.

    A ligação foi atendida em segundos.

    — É só isso? E depois? Para onde aquela desgraçada levou a menina? — disparou Ding Ruilong, despejando as perguntas, impaciente ao extremo.

    Estava espumando de raiva!

    — N-não tem mais. — Meng Junhao parecia ter se assustado com Ding Ruilong; gaguejou antes de conseguir falar direito. — Foi o Wu Chen. O Wu Chen percebeu. Eu tinha deixado um carro lá fora, pronto para seguir a qualquer momento. Quando o táxi saiu, parece que ele notou que aquele carro tinha ido atrás, e aí… ele acionou o Zhao Guaizi e mobilizou um monte de gente. Fiquei com medo de sermos descobertos. Seguimos por um trecho, vi que a coisa estava ficando feia e mandei parar…

    — O meu companheiro que estava dirigindo, já mandei sair de Donghai ainda esta noite. Até do carro já dei um jeito. O Wu Chen já está investigando…

    Era a justificativa que Wu Chen preparara para Meng Junhao.

    O motivo de não haver fotos posteriores.

    Segundo a história inventada, Wu Chen teria percebido a vigilância e, na mesma hora, mobilizado gente por telefone para ir atrás do táxi em que He Shiqin estava e do carro que o seguia.

    O roteiro que Wu Chen inventara para Meng Junhao era mais extenso do que o que ele acabara de contar a Ding Ruilong.

    Meng Junhao ficara nervoso e, por isso, se embaralhara um pouco.

    Mas Ding Ruilong acreditou nele. Não tinha motivo algum para desconfiar de Meng Junhao, e a explicação era bem razoável.

    — Investigue! Continue investigando! Descubra onde elas estão morando! Encontre as duas!!! — Ding Ruilong arfava, a voz subindo cada vez mais, até terminar num grito histérico.

    — Certo, certo, certo, Jovem Mestre Ding, pode ficar tranquilo, eu…

    PÁ!

    Sem esperar Meng Junhao terminar, Ding Ruilong arremessou o celular contra a mesa de centro. O aparelho não só abriu uma pequena cavidade na madeira maciça, como se despedaçou. Dava para imaginar a força do golpe!

    Estava enlouquecendo!

    Ding Ruilong tinha os olhos arregalados.

    Ofegante, voltou-se para o computador. Olhou outra vez a última foto e depois foi voltando, depressa, foto por foto. Logo… chegou de novo àquela em que He Shiqin beijava Wu Chen.

    Parou de passar.

    Ficou encarando.

    Ding Ruilong cerrava os dentes com tanta força que os músculos da mandíbula saltavam.

    De repente!

    Agarrou o notebook, jogou-o no chão e começou a pisoteá-lo com fúria. Logo em seguida, como se pisotear não bastasse, ergueu bruscamente a cabeça para o segurança:

    — Arma! Me dá a arma!

    O segurança não discutiu: tirou a pistola de dentro do paletó, aproximou-se e a entregou a Ding Ruilong.

    Dar uma arma a Ding Ruilong naquele momento era perigoso, mas desobedecê-lo era ainda mais. O segurança não ousou hesitar nem por um segundo.

    Ding Ruilong apontou a pistola para o notebook no chão e puxou o gatilho várias vezes seguidas, mas nada aconteceu: a trava de segurança estava acionada.

    PÁ!

    Possesso, ele arremessou a pistola contra o notebook já pisoteado.

    Outro segurança, atrás do sofá comprido, reagiu rápido: aproximou-se, entregou a própria arma a Ding Ruilong e soltou a trava.

    BANG! BANG! BANG! BANG! BANG!

    Os tiros ecoaram.

    Estilhaços voaram para todo lado, e um cheiro forte de pólvora se espalhou.

    Num espaço fechado como aquele, os disparos eram ensurdecedores. Mesmo sendo a sala enorme, a cada estampido as pálpebras dos seguranças e empregados ao redor estremeciam.

    Ainda assim, ninguém ousava dizer nada nem se mexer.

    Ding Ruilong esvaziou o carregador de uma vez!

    Em seguida, tornou a arremessar a pistola contra o notebook, agora completamente destruído.

    — Puta que pariu! Wu Chen! — xingou Ding Ruilong. Parecia ter descarregado o bastante; com o rosto vermelho, contornou a mesa de centro a passos rápidos e seguiu para fora, como se fosse fazer alguma coisa.

    Mas, ao passar pelo armário de bebidas, explodiu de novo.

    Abriu a porta do armário com uma das mãos e começou a puxá-la com violência, como se brigasse com ela e quisesse arrancá-la à força — e acabou derrubando o armário inteiro.

    — Chefe! — O segurança que não tirava os olhos dele, com medo de que algo lhe acontecesse, deu um salto à frente e o puxou com força, impedindo que o armário caísse em cima dele.

    CRASH!

    Todas as garrafas se espatifaram, e a bebida se espalhou pelo chão.

    Ding Ruilong cambaleou e foi amparado com firmeza pelo segurança, por trás. Como ele tinha bebido, o segurança não se atrevia a dizer uma palavra para acalmá-lo — mesmo sendo alguém que o acompanhava havia muitos anos.

    — Porra! Wu Chen! Wu Chen! Eu vou te matar! Vou te matar! Te matar! — Ding Ruilong voltou a andar de um lado para o outro, dando voltas, de cabeça baixa, varrendo o chão com os olhos.

    Parecia procurar alguma coisa e, ao mesmo tempo, vagar sem rumo.

    Era a raiva que ainda não tinha saído.

    Ele queria matar alguém! Queria muito, muito mesmo!

    Por fim, Ding Ruilong pareceu se lembrar de algo. Parou de repente, virou-se de supetão e seguiu depressa para a escada. Vários seguranças foram atrás no mesmo instante e chegaram a ampará-lo na descida, para que, bêbado como estava, não caísse.

    Primeiro subsolo da villa da propriedade.

    Ding Ruilong abriu uma porta com um chute. Era um depósito amplo e um tanto bagunçado, cheio de tralhas.

    A luz estava acesa.

    Além das tralhas amontoadas junto às paredes e pelos cantos, viam-se algumas pessoas amarradas.

    Bem no centro do cômodo havia cinco cadeiras, três delas ocupadas por pessoas, todas amarradas. Uma tinha a mão gravemente ferida, enfaixada, e parecia ter sido torturada. As duas cadeiras vazias também tinham manchas de sangue seco.

    Ding Ruilong avançou a passos largos e, de cara, derrubou com um chute a cadeira vazia mais à esquerda. Em seguida, pegou do chão um taco de beisebol, ergueu-o e começou a bater — num homem!

    — Vai falar, porra?! Vai falar ou não?! Ainda não vai falar, é?!

    — Aaah… Chefe, chefe, eu não sei de nada…! — gritava o homem espancado, aos berros de dor.

    — Não vai falar, é?! — Ding Ruilong não deu a menor atenção ao que ele dizia. De repente, largou o taco e estendeu a mão para trás.

    O segurança atrás dele tirou a pistola da cintura, soltou a trava e a entregou a Ding Ruilong.

    BANG! BANG! BANG!

    Ding Ruilong matou o homem a tiros! Logo em seguida, virou-se para os outros dois, que ainda estavam vivos, e perguntou de olhos arregalados, completamente fora de si:

    — E vocês, porra, vão falar? Vão falar ou não?!

    Mal terminou de perguntar, ergueu a arma, sem lhes dar sequer chance de responder.

    — Chefe, não me mate, eu juro que não sei…

    — Eu não sei onde o Jiang Chuan está…!

    BANG! BANG! BANG! BANG! BANG! BANG! BANG! BANG!

    Ding Ruilong puxou o gatilho sem parar.

    Aquelas pessoas tinham sido capturadas recentemente por ordem dele. Todas tinham algum tipo de ligação com Jiang Chuan: umas eram subordinados dos subordinados dele; outras, gente que Ding Ruilong considerava próxima de Jiang Chuan.

    A família Ding, naturalmente, fazia todo o possível para encontrar Jiang Chuan.

    E Ding Ruilong também o procurava a seu modo: capturando pessoas e arrancando respostas à força.

    Se estivesse sóbrio, talvez não tivesse matado aqueles três naquele momento. Mas Ding Ruilong não estava sóbrio. Ele queria matar!

    Quando as balas acabaram, jogou a arma longe e virou-se para sair.

    Um segurança ficou para trás e chamou pelo rádio os homens que estavam do lado de fora, para cuidarem dos corpos; os demais continuaram seguindo Ding Ruilong.

    Ding Ruilong subiu as escadas.

    Ao pisar no último degrau, tropeçou e foi de lado contra a parede. Um segurança reagiu rápido e o puxou a tempo, e Ding Ruilong não caiu, mas ainda bateu na parede.

    Aquilo o irritou de novo.

    Ding Ruilong ergueu o punho e socou a parede; no instante seguinte, soltou um grito de dor lancinante!

    Socar uma parede com força pode até causar fratura.

    E, pior: Ding Ruilong usara instintivamente a mão de sempre — a direita, que já estava ferida e enfaixada!

    — Jovem Mestre!

    — Chefe!

    — Chamem o médico! Rápido!

    Os seguranças entraram em alvoroço.

    Uma hora depois.

    Ainda na sala da villa da propriedade, cercado pela mesma desordem, Ding Ruilong estava sentado no sofá, sem expressão alguma, com o braço direito apoiado no braço do sofá.

    Ao lado, meio agachado, um médico particular refazia com todo o cuidado o tratamento e o curativo da mão direita dele.

    O braço direito já fora anestesiado, então não doía mais.

    Ding Ruilong parecia enfim ter se acalmado.

    A sala estava mergulhada num silêncio absoluto; nem se ouvia alguém respirar. Ding Ruilong continuava ali sentado, de rosto inexpressivo e olhar parado, sem que se pudesse saber no que pensava.

    Passou-se um bom tempo.

    De repente, Ding Ruilong ergueu a mão esquerda inchada e disse, com a voz rouca:

    — Celular.

    Um segurança pegou um aparelho e o entregou a ele.

    Ding Ruilong baixou a cabeça, mexeu no celular e ligou mais uma vez para Meng Junhao.

    Cinco ou seis segundos depois, Meng Junhao atendeu.

    — Alô, Jovem Mestre Ding. — Meng Junhao continuava respeitosíssimo como sempre.

    — Você conhece Donghai. Dê um fim no Wu Chen, hoje à noite ou amanhã. Pode usar arma, os problemas eu resolvo. Quero ele morto agora! Quando o serviço estiver feito, te dou duzentos milhões! — disse Ding Ruilong ao telefone, com a voz rouca.

    Do outro lado, Meng Junhao emudeceu.

    Nota