Novels chinesas em português
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    Capítulo 499 — Wu Yurong desmoronou

    Como resolver?

    Su Ruiwen pensara que Wu Chen apresentaria algum método para resolver a questão, mas ele não o fez.

    — A decisão de como resolver isso está nas suas mãos, Chefe Su. — Wu Chen sorriu para Su Ruiwen. — Talvez o senhor possa voltar para casa e conversar com sua esposa…

    Aquelas palavras fizeram as pupilas de Su Ruiwen se contraírem.

    Ele nem conseguia determinar se Wu Chen estava insinuando alguma coisa.

    Contar ou não à esposa, e quando fazê-lo, era uma encruzilhada que Su Ruiwen ainda não resolvera em seu íntimo; na verdade, aquele nó dizia respeito muito mais à senhora Su!

    Afinal, Su Ruiwen nem sabia se estaria vivo naquela mesma data no ano seguinte.

    Depois que morresse, tudo naturalmente deixaria de ter relação com ele.

    Mas a senhora Su gozava de excelente saúde. Era uma mulher que fora muito mimada e desfrutara de uma vida confortável por metade da existência, sem precisar se desgastar muito. Portanto, o futuro de Su Qingying e Wu Chen certamente teria muito mais a ver com a mãe dela.

    E fora exatamente por esse motivo que Su Ruiwen agira com cautela extrema, a ponto de não ter deixado escapar uma única sílaba para a esposa até aquele instante.

    Ele conhecia o temperamento da esposa: era muito controladora e perfeccionista. Se descobrisse que a própria filha era amante de outro homem, talvez perdesse o controle antes mesmo de entender a situação!

    Su Ruiwen não tinha como prever com exatidão a reação da esposa ao ser confrontada com aquela realidade.

    Muito provavelmente, seria um choque de contornos extremados!

    Su Ruiwen precisava pensar no que aconteceria depois de sua morte. Temia que a esposa agisse de maneira direta e extrema demais. Por isso, ainda não lhe contara nada e decidira investigar Wu Chen.

    Wu Chen sabia o que Su Ruiwen estava pensando.

    Sem qualquer exagero: após atravessar um milênio inteiro de repetição temporal, Wu Chen presenciara e aprendera coisas demais. Compreendia as entranhas da natureza humana como ninguém.

    E, na sua leitura, Su Ruiwen tornara-se prisioneiro da própria perspectiva, cego pela proximidade; era por isso que falhava em antever o comportamento da esposa.

    — Chefe Su, depois do dia de hoje… acredito que o senhor já tenha começado a me entender. — Wu Chen sorriu de canto, sustentando o contato visual com Su Ruiwen. — Falando do fundo do coração, não tenho a menor intenção de me tornar seu inimigo. Afinal de contas, o senhor é o pai de Qingying…

    Wu Chen interrompeu a frase por aí.

    Mas Su Ruiwen compreendeu com perfeição o que ficara suspenso no ar.

    Wu Chen certamente não tinha medo de se tornar inimigo de Su Ruiwen. Tudo dependeria da escolha deste último! Aquela atitude ousada fez Su Ruiwen sentir, de repente, que o mundo era mesmo um lugar surpreendente!

    Lembrou-se de que, antes da tarde do dia anterior, jamais havia cruzado o olhar com Wu Chen! Naquele tempo, o rapaz não passava, para ele, do namorado de Li Ruobing.

    Agora, porém, sentia na própria pele a ameaça palpável que emanava daquele jovem.

    — Senhor Wu, vou investigar você — declarou Su Ruiwen, encarando-o. Ele também queria que Wu Chen sentisse a ameaça.

    — Como quiser, Chefe Su. — Wu Chen sorriu, olhou novamente o relógio e acrescentou: — Chefe Su, já está ficando tarde.

    Enquanto falava, pôs-se de pé.

    Por aquela noite, estava de bom tamanho.

    Wu Chen já havia colocado Su Ruiwen numa situação em que seria obrigado a aceitar tudo! Pelo menos, era assim que o próprio Wu Chen avaliava a situação.

    Mas havia uma diferença em relação às ocasiões anteriores… Quando lidava com inimigos ou tentava conquistar determinado objetivo, Wu Chen normalmente não terminava uma longa conversa sem resolver tudo.

    A discrepância daquela vez existia porque Wu Chen, em termos morais, realmente estava numa posição desfavorável, ao passo que Su Ruiwen não cometera deslize algum. Diante disso, adotara uma estratégia mais maleável.

    Na prática, a questão já podia ser considerada liquidada!

    Só restava conceder um intervalo de fôlego a Su Ruiwen, para que ele desenterrasse mais detalhes por conta própria e processasse a adaptação psicológica necessária!

    Depois de trocar mais algumas palavras com Su Ruiwen, Wu Chen ajeitou o paletó, colocou uma das mãos no bolso da calça social e foi embora!

    Com a expressão tranquila, Su Ruiwen acompanhou Wu Chen com os olhos. Só quando ele saiu e a porta voltou a se fechar é que desviou o olhar.

    Na enorme sala privativa, diante de uma mesa repleta de pratos, restava apenas Su Ruiwen.

    Su Ruiwen permaneceu em silêncio por um bom tempo. Tocou a taça de vinho tinto e continuou pensando, com o olhar cada vez mais profundo… Havia muito tempo que não sentia tamanha pressão. E o fato de ela vir de um jovem de apenas vinte e dois anos tornava seus sentimentos ainda mais difíceis de descrever.

    As palavras de Li Ruobing, a atitude de Wu Yurong, as famílias Li, Tang e Gu… Su Ruiwen sabia que seu conhecimento sobre Wu Chen ainda devia ser muito superficial.

    Mas até essa visão limitada bastava para mostrar que Wu Chen não era alguém com quem se pudesse mexer facilmente!

    Talvez nem ele próprio, o grande Su Ruiwen, pudesse se dar ao luxo de desafiá-lo!

    O que fazer?

    Enquanto pensava, Su Ruiwen ergueu de repente a taça de vinho tinto e bebeu tudo de uma vez. Pousou a taça, levantou-se e foi embora.

    …

    Meia hora depois.

    O relógio beirava as dez da noite.

    Distrito de Xicheng, Donghai. Residencial Feicuiwan, vila número 3.

    Na sala de estar do térreo, completamente iluminada, Wu Yurong andava de um lado para o outro diante do sofá, usando um qipao. Segurava uma taça de vinho tinto e, de vez em quando, tomava um gole.

    Na garrafa pousada sobre a mesa de centro, o líquido já baixara além da metade.

    Ela voltara havia pouco mais de meia hora e passara todo esse tempo inquieta e ansiosa. Nem tivera ânimo para trocar de roupa ou tomar banho. Em vez disso, começara a beber sozinha.

    Encontrar a paz era impossível!

    Já seria motivo de ansiedade imaginar o que Su Ruiwen e Wu Chen teriam conversado depois que ela saíra e se os dois teriam rompido. Mas o que mais a apavorava era a impressão de que Wu Chen estava zangado com ela.

    Não fazia ideia das consequências! Talvez não houvesse consequência nenhuma: bastaria pedir desculpas e tudo ficaria bem. O medo era que pedir desculpas não adiantasse.

    Wu Yurong conhecia seus próprios encantos. Poucos homens resistiriam a uma mulher como ela fazendo um pouco de charme. Mas Wu Chen, evidentemente, resistiria.

    Ela não era a única mulher dele.

    E tampouco era a mais excepcional entre elas. Afinal, era vinte anos mais velha que Wu Chen, o que a colocava em grande desvantagem no quesito idade.

    Trim, trim, trim…

    De repente, o toque do celular ecoou sobre a mesa de centro.

    Wu Yurong virou-se no mesmo instante e aproximou-se num passo ligeiro, o salto alto estalando apressado pelo piso. Pousou a taça de cristal, apanhou o aparelho e conferiu a tela… Seu peito, enfim, deu uma leve aliviada.

    Não era uma ligação de Wu Chen; era sua filha, Song Xuan.

    — Alô, Xuanxuan — atendeu Wu Yurong.

    — Mãe, você já foi se deitar? — soou a voz meiga e doce de Song Xuan do outro lado da linha.

    — Ainda não. O que aconteceu, Xuanxuan? Deu algum problema?

    — Nada de mais, hehe! Acabei de sair do quarto da senhorita An. Já combinamos tudo! Amanhã a empresa vai começar a gravar minhas músicas. A senhorita An disse até que vai me ajudar pessoalmente na divulgação e que podemos cantar uma música juntas…

    Song Xuan viajara até Modu exclusivamente para se encontrar com An Menglan.

    Conforme Wu Yurong e An Menglan haviam combinado antes, Song Xuan não estrearia de verdade como cantora. Ou melhor, não faria uma estreia no sentido tradicional.

    Apenas lançaria algumas faixas soltas pela internet.

    Ela não ligara por nenhum motivo especial. Estava hospedada na casa de An Menglan e acabara de conversar com ela. Ao voltar para o quarto de hóspedes, ficou tão animada que mal conseguia dormir. Então telefonou à mãe para compartilhar a novidade.

    Wu Yurong trocou amenidades com a filha por algum tempo.

    — …Mãe, você bebeu? Teve outro compromisso social? — Song Xuan percebeu um leve tom de embriaguez na voz dela.

    — Hum… Tive, sim — respondeu Wu Yurong. — Também não faz muito tempo que cheguei em casa. Já estava me preparando para descansar.

    Mãe e filha estenderam o papo por mais algumas frases antes de desejarem boa-noite uma à outra.

    Encerrada a chamada…

    Wu Yurong ficou com os olhos fixos na tela luminosa. No histórico de ligações recentes, vislumbrou o contato salvo sob o nome de “Wu Chen”. Hesitou por alguns segundos, respirou fundo e tocou na tela.

    Discou!

    Queria saber como estavam as coisas, se a conversa já terminara, e também “lembrá-lo” de que estava esperando por ele! Naquele momento, Wu Yurong tinha muito medo de que Wu Chen não fosse à casa dela naquela noite. Eles haviam combinado que ele iria. Em circunstâncias normais, iria mesmo. Se não aparecesse, isso significaria que… ele realmente estava zangado!

    — Tu… tu… tu… Desculpe, sua chamada não pôde ser atendida no momento. — Ao ouvir a mensagem, Wu Yurong ficou imóvel, com a expressão vazia.

    Ouvindo a mensagem mecânica, o rosto de Wu Yurong congelou numa expressão de absoluto desalento.

    Ela percebera que não era uma ligação que tocara por muito tempo sem resposta. Wu Chen havia recusado a chamada!

    Ele rejeitara a ligação!

    O sangue sumiu do rosto de Wu Yurong, deixando-a lívida. O pavor que se acumulava em seu íntimo explodiu para além de qualquer contenção: a mulher perdeu totalmente o chão, e as bordas de seus olhos avermelharam-se no mesmo instante.

    Grossas lágrimas começaram a rolar pelo rosto, despencando sem que ela pudesse contê-las.

    O corpo inteiro de Wu Yurong foi tomado por um tremor incontrolável.

    Em seguida, agachou-se de repente no chão, ainda apertando o celular na mão, e abraçou a própria cabeça com os dois braços… Era um gesto extremamente delicado e vulnerável, quase de uma menina.

    Não guardava a menor semelhança com a mulher que o mundo conhecia.

    Wu Yurong nunca vivera um relacionamento amoroso de verdade. Mesmo tendo sido casada e se divorciado, Wu Chen era seu primeiro em praticamente todos os sentidos.

    Portanto, o sentimento que devotava àquele homem ia muito além do assombro diante do poder dele: Wu Yurong convivera com figuras masculinas de altíssimo gabarito ao longo da vida e, em comparação a elas, a aura quase onipotente de Wu Chen tornava-se incomparavelmente sedutora.

    Quanto mais convivia com o rapaz, mais fundo ela se afogava naquela paixão.

    E agora… estava à beira de um colapso!

    O álcool correndo nas veias só servira para dilatar suas emoções.

    Tac! Tac! Tac! Tac! Tac!

    O som nítido de sapatos sociais se aproximou, passando de distante a próximo. Wu Chen subia a escada do subsolo. Wu Yurong estava tão abalada que parecia não ouvir nada ao redor.

    Wu Chen entrou na sala e parou. Viu Wu Yurong agachada, abraçando a cabeça, com o corpo estremecendo. Um som baixo parecia indicar que ela estava… chorando?

    — Irmã Rong, o que aconteceu com você? — indagou Wu Chen, piscando os olhos, genuinamente surpreso. No segundo seguinte, as engrenagens em sua mente se encaixaram; olhou para o aparelho que ainda trazia na palma da mão.

    Acabara de recusar a chamada de Wu Yurong porque já estacionara o carro na garagem subterrânea e estava prestes a subir. Não havia necessidade de conversar por telefone se logo poderiam falar pessoalmente.

    Wu Chen percebeu imediatamente que sua atitude talvez tivesse provocado um mal-entendido!

    Wu Yurong ergueu o rosto de supetão, deparando-se com a figura de Wu Chen diante de si.

    Nota