Novels chinesas em português
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    Capítulo 497 — Eu sei de tudo!

    Ao ouvir a última pergunta de Su Ruiwen, o coração de Wu Yurong deu um sobressalto violento.

    Embora confiasse muito na capacidade de Wu Chen, o que Su Ruiwen queria ouvir não era a mera revelação de algum segredo ligado a um crime, mas sim algo que tivesse o poder de mandá-lo de fato para a prisão.

    E algo dessa magnitude talvez sequer existisse!

    Não que Su Ruiwen jamais houvesse sujado as mãos; a questão era que, com a poder e a influência de que dispunha hoje, usar um único episódio isolado para colocar um homem como Su Ruiwen atrás das grades beirava o impossível!

    Ele podia ser apenas um empresário, mas era o homem mais rico de Donghai. Além disso, também possuía diversos títulos de alto nível na esfera oficial; caso contrário, não poderia ir todos os anos à capital participar de reuniões.

    Quem chega ao topo de um setor inevitavelmente estabelece contato com a mais alta cúpula dos órgãos reguladores desse setor. Uma rede de relações desse calibre não podia ser medida apenas pelo patrimônio.

    Su Ruiwen comandava o Grupo Jinfu, avaliado em mais de quarenta bilhões, e desfrutava de uma boa reputação e de um grande carisma. Em seu círculo de amigos figuravam nomes de peso da segunda geração das famílias poderosas e alguns dos bilionários mais poderosos do país, donos de patrimônios de mais de cem bilhões…

    Na realidade, a fortuna de Su Ruiwen oscilava conforme o preço das ações.

    Quando os papéis do Grupo Jinfu atingiram o auge histórico, quando o mercado de ações estava em alta, o valor de mercado do grupo beirou os noventa bilhões. Naquela época, Su Ruiwen ainda não transferira parte das ações para Su Qingying, e seu patrimônio pessoal ultrapassara a marca dos trinta bilhões…

    Em termos de posição, Su Ruiwen integrava o círculo dos empresários mais influentes de todo o país. Podia-se até afirmar que era o único de Donghai a alcançar esse patamar.

    Nem mesmo Wu Yurong chegava a esse nível. Além disso, o Grupo Senlan não nascera de suas mãos: ela retornara ao grupo apenas após o divórcio, pouco mais de dez anos antes… Em termos de experiência, ficava muito atrás de Su Ruiwen.

    Muito atrás mesmo.

    No mundo dos negócios, Wu Yurong não vivenciara os turbulentos anos noventa e, por isso, não tinha aquelas velhas amizades. Fora de Donghai, todas as conexões sólidas de que dispunha haviam sido erguidas nos últimos dez e poucos anos.

    Su Ruiwen, ao contrário, já começara a construir seus contatos ainda nos anos noventa. Havia oportunismo, manobras de bastidores, trocas de interesses… Tudo isso estreitava as relações.

    Muitos daqueles com quem Su Ruiwen fizera amizade no passado ocupavam, no presente, cargos elevados. E o próprio magnata não ficara para trás: consolidara-se como o homem mais rico de sua região… Isso garantia que aquelas relações próximas perdurassem até hoje!

    Era realmente difícil atingir Su Ruiwen com base em um único acontecimento!

    Mesmo que alguém apresentasse provas de que ele matara alguém no dia anterior, ainda assim talvez nem assim conseguisse mandá-lo para a prisão! Alguma força poderia abafar o caso, e, caso a situação descambasse para o descontrole irremediável, alguém poderia aparecer para assumir a culpa.

    Até mesmo uma grande crise que empurrasse o Grupo Jinfu à falência seria uma coisa completamente diferente de Su Ruiwen ir para a prisão.

    E nem era preciso falar de um empresário do nível dele.

    Bastaria tomar como exemplo Qi Min e Qi Jun, homens impiedosos e atolados em atrocidades. Para trancafiá-los na prisão, Wu Chen precisara deixar o assunto nas mãos para Tang Jingbin, uma figura central da segunda geração de um família poderosa.

    Para derrubar os irmãos Qi, provas por si só não bastavam; quem cuidasse do caso também precisava ser alguém importante.

    O mesmo se aplicava a Su Ruiwen. Embora não dependesse de nenhuma família poderosa, sua estatura individual era muito superior à dos irmãos Qi!

    Qi Min e Qi Jun precisaram agir como cães obedientes para alcançar a intimidade da segunda geração da família Xiang.

    Su Ruiwen, por sua vez, não precisava agir como cão de ninguém para manter laços naquele mesmo nível de poder.

    Quando alguém chegava à posição dele, raramente era derrubado por algo que tivesse feito, mas sim… porque alguma figura importante de uma família poderosa decidia agir contra ele.

    E essa figura precisaria ter grande determinação, sem temer a influência por trás de Su Ruiwen.

    Wu Yurong tinha plena certeza de que, com a capacidade de Wu Chen para articular alianças e organizar seus planos, não seria difícil derrubar Su Ruiwen. Contudo, pretender trancafiá-lo na cadeia unicamente expondo alguma mancha do passado beirava o impossível.

    Wu Yurong conhecia o maneira de agir de Su Ruiwen e conhecia seu caráter.

    Tampouco ouvira qualquer boato de que Su Ruiwen houvesse ofendido figuras poderosas com as quais não pudesse lidar; à exceção de disputas comerciais normais, ele raramente criava inimizades.

    A rigor, o que afligia Wu Yurong não era o risco de Wu Chen abrir a boca e soltar alguma revelação.

    Ela estava dividida.

    Quer Wu Chen desse uma resposta contundente, quer falhasse em fazê-lo, parecia que haveria consequências negativas.

    Se colocasse as cartas na mesa, poderia despertar uma grande hostilidade de Su Ruiwen contra ele; afinal, ninguém gosta de saber que outra pessoa tem em mãos algo capaz de destruí-lo.

    Se, contudo, não conseguisse responder, Wu Chen pareceria… menos extraordinário.

    Isso poderia dar coragem de Su Ruiwen, encorajando-o a romper relações de vez.

    Su Ruiwen já era um homem muito difícil de decifrar. E Wu Yurong não era Wu Chen: tornava-se impossível adivinhar o que se passava na cabeça do velho amigo ou o que pensaria depois…

    — Considerando a posição que o Chefe Su ocupa hoje, receio que não seja nada fácil mandá-lo diretamente para a prisão… — comentou Wu Chen, sorrindo para Su Ruiwen.

    — Então… você sabe de alguma coisa? — perguntou Su Ruiwen mais uma vez. Sua pergunta era precisa: exigia saber de algo capaz de trancafiá-lo na cadeia, e não meramente de algum podre do passado. Uma coisa não equivalia à outra.

    — Tenho de admitir, Chefe Su, que o senhor é bastante “limpo” — pontuou Wu Chen, sustentando o olhar e mantendo o meio sorriso nos lábios. — Desconsiderando aquelas coisas que fez nos primeiros anos, o senhor é mais limpo do que a grande maioria dos empresários bem-sucedidos que conheço…

    — Mas… — Wu Chen mudou o tom da voz. — Quando se atinge o patamar em que o Chefe Su opera, ninguém está absolutamente seguro. Na hora de escolher um lado entre as alianças que se cultiva, por vezes a vida nos força a tomar uma posição…

    — Para manter boas relações com essas pessoas, em muitas ocasiões muitas vezes não se pode agir como se deseja… — Wu Chen fez uma pausa.

    Su Ruiwen encarava Wu Chen atentamente. Não alcançava onde o jovem pretendia amarrar o raciocínio; quando o tema descambava para alinhamentos políticos, havia coisas demais envolvidas…

    — O Chefe Su ainda se lembra de He Meijuan? — perguntou Wu Chen, sorrindo.

    Su Ruiwen ficou paralisado por um instante. Logo em seguida, sua expressão mudou drasticamente!

    Perdeu completamente a compostura!

    Aquele único nome carregava o peso de uma série de assuntos extremamente complicados!

    — Ela conseguiu subir. No fim das contas, a família He mostrou que ainda tem seus recursos… — emendou Wu Chen, sustentando o sorriso calmo.

    Su Ruiwen travou o olhar no rapaz, engasgado no próprio silêncio. Mal ousava conceber que Wu Chen mencionasse aquele nome, carregando o tom com semelhantes insinuações… Seria possível que ele conhecesse tudo o que havia acontecido entre ele e aquela mulher?!

    Havia peças e interesses demais cruzando aquela fronteira!

    — He Meijuan… — murmurou Wu Yurong, mastigando o nome. Ela sabia perfeitamente de quem se tratava!

    Uma figura da segunda geração da família He da capital! Devia estar na casa dos cinquenta e cinco anos. Quanto ao peso do cargo que ocupava… embora sua autoridade executiva não rivalizasse com o poder de Li Maoren, da família Li, ambos dividiam o mesmíssimo nível hierárquico!

    O marido atual de He Meijuan, por sua vez, ostentava um calibre ainda mais intimidador: já alcançara a patente de general, exercendo poder de comando efetivo!

    A expressão de Wu Yurong também se alterou no ato.

    Até o olhar que direcionava a Su Ruiwen adquiriu contornos desconcertados. Será que Su Ruiwen e He Meijuan… haviam compartilhado um passado íntimo?! Teria aquele casamento perfeito, digno de um conto de fadas… acumulado alguma mancha?

    — A respeito de mim e de He Meijuan… o que exatamente o senhor sabe, senhor Wu? — perguntou Su Ruiwen, sem rodeios.

    — Eu sei de tudo! — respondeu Wu Chen prontamente. Em seguida, desenhou um leve sorriso nos lábios e emendou: — Chefe Su, tem certeza de que quer que eu conte?

    Era uma pergunta familiar, semelhante à que fizera antes, quando o tema girara em torno das motivos da atuação de Tang Jingbin.

    Agora, no calor daquele duelo verbal, Su Ruiwen via-se novamente diante de uma situação difícil.

    Era muito difícil tentar se impor a Wu Chen por meio de uma conversa!

    Su Ruiwen, que se mostrara tão resoluto ao fazer a pergunta anterior, ficou em silêncio.

    Involuntariamente, lançou um olhar de esguelha para Wu Yurong.

    Mesmo desfrutando de uma amizade com a mulher, havia coisas que ele não queria que ela soubesse. Cada ser humano carrega seus próprios segredos; por mais íntima que seja a cumplicidade entre dois amigos, ninguém sob o céu aceita desnudar sua vida por inteiro diante de outros olhos.

    Sem contar que aquele episódio envolvia muitas coisas e afetava mais pessoas além do próprio Su Ruiwen.

    A sala reservada mergulhou numa silêncio.

    — Nós… — Wu Yurong rompeu o mutismo de repente, estendendo a mão direita para erguer a taça de vinho. Pretendia, mais uma vez, interromper Wu Chen e Su Ruiwen naquele instante decisivo; não queria que a conversa terminasse num rompimento.

    No exato segundo em que os dedos de Wu Yurong se moveram, Wu Chen agiu. Estendeu a mão direita num movimento fluido e pousou a palma sobre o dorso da mão esquerda dela, que repousava sobre a mesa.

    Limitou-se a apertar de leve os dedos da mulher, num gesto de intimidade comedido o bastante para não soar descortês aos olhos de quem observava.

    Ainda assim, Wu Yurong, que acabara de pegar a taça, congelou da cabeça aos pés.

    Wu Chen não queria que ela interrompesse pela segunda vez!

    Ela entendeu o recado!

    Será que… conseguira deixar Wu Chen irritado?! Seu coração disparou num ritmo frenético, e ela ficou muito nervosa.

    — Quer que eu conte? — insistiu Wu Chen, com o olhar cravado em Su Ruiwen, sorrindo.

    Era uma cobrança por uma resposta.

    Wu Chen não estava disposto a desperdiçar mais tempo. Muito embora trocar algumas palavras não exigisse esforço algum, era imperativo chegar a algum ponto.

    Chegara a hora de dar um desfecho àquele jantar!

    Nota