Novels chinesas em português
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    Capítulo 495 — Você me conhece?

    As palavras de Wu Chen soavam como uma ameaça categórica.

    Ter que escolher, não poder voltar atrás… Su Ruiwen sequer se lembrava de alguém que, em toda a sua vida, tivesse usado aquele tom com ele.

    Ao mesmo tempo, porém, sentia que Wu Chen não o estava ameaçando, mas apenas lhe expondo um “fato”: se tomasse conhecimento de certas coisas, Su Ruiwen seria forçado a fazer uma escolha, sem qualquer chance de retorno!

    O silêncio reinou na sala reservada.

    Desde que alcançara o posto de homem mais rico de Donghai, fazia muito tempo que Su Ruiwen não experimentava aquele aperto no peito. Pretendia decifrar quem era Wu Chen antes de bater o martelo, mas agora se via num impasse.

    O ambiente não chegava a ser pesado.

    Wu Chen preservava o costumeiro sorriso sem brechas.

    Já no peito de Su Ruiwen, era como se uma enorme pedra pesasse sobre seu coração.

    A pessoa mais tensa ali, contudo, não era Su Ruiwen. O que ele sentia nem era tensão propriamente dita… Quem estava tensa de verdade era Wu Yurong; não imaginara que Wu Chen pressionaria Su Ruiwen de forma tão direta, levando-o àquele ponto.

    Se o cenário descambasse para o descontrole total, ela se manteria nas fileiras de Wu Chen e não pouparia Su Ruiwen; mas agir daquela forma contra um amigo lhe causaria muita dor.

    Ainda nutria a esperança de que a situação se encaminhasse para o melhor desfecho possível, culminando num resultado vantajoso para ambos os lados!

    O silêncio estendeu-se por um minuto inteiro.

    Su Ruiwen tocou a xícara de chá algumas vezes, mas não chegou a erguê-la.

    Toc, toc!

    Batidas na porta estilhaçaram o mutismo e, em seguida, o garçom entrou:

    — Com licença…

    Viera trazer o vinho.

    Todos na sala compuseram expressões de absoluta normalidade. Mas, entre as três figuras aparentemente serenas, apenas Wu Chen desfrutava de um relaxamento genuíno, calmo por dentro e por fora.

    O garçom desarrolhou as garrafas e passou a servir.

    Vieram duas: uma delas foi aberta para ser consumida, enquanto a outra foi despejada num decanter, deixada de lado por ora para respirar.

    Depois que o garçom se retirou e a porta se fechou outra vez…

    A sala mergulhou novamente no silêncio.

    Su Ruiwen tornou a fixar os olhos em Wu Chen; suas feições sofreram uma sutil oscilação, embora permanecessem plácidas em linhas gerais.

    Wu Yurong sentia o coração prestes a saltar pela boca, com medo de que a situação desandasse de repente. A última vez em que experimentara semelhante aflição… na verdade, não fazia tanto tempo: fora durante sua primeira conversa com Wu Chen.

    Observava o semblante de Su Ruiwen quando, de súbito, lançou um olhar de soslaio para Wu Chen; em seguida, pousou a mão sobre a taça e quebrou o gelo com sua voz doce e aveludada:

    — Vamos brindar primeiro. É tão raro nós três conseguirmos nos reunir sozinhos para um jantar…

    A atmosfera rompeu-se mais uma vez.

    Wu Yurong não suportava mais aquela corda esticada; recusava-se a ficar de braços cruzados vendo a situação piorar!

    Enquanto falava, pôs-se de pé com a taça em punho e ergueu-a, convidando ao brinde.

    Wu Chen também levantou sua taça de vinho tinto, sorrindo. Como Su Ruiwen jamais faria a desfeita de constranger Wu Yurong, acompanhou o gesto.

    Os três ficaram de pé.

    Ergueram as taças em reverência mútua; Wu Chen ainda tocou o cristal de sua taça na de Wu Yurong. Naquele brinde… limitaram-se a molhar os lábios.

    Após pousarem as taças e retornarem aos assentos, Wu Chen mirou Wu Yurong de esguelha; um matiz sutil e enigmático despontou no sorriso ao canto de seus lábios.

    Wu Yurong percebeu. Um lampejo de inquietação cruzou o fundo de seus olhos por uma fração de segundo.

    Sabia que Wu Chen certamente entendia seus pensamentos e intenções, mas ignorava se ele toleraria aquela interferência; tomara a iniciativa apesar do receio.

    Esperava apenas conseguir impedir que Su Ruiwen marchasse para a própria ruína!

    — Irmão Su, você tem proximidade com os irmãos Qi? — puxou Wu Yurong, fitando Su Ruiwen enquanto levava a mão aos cabelos num gesto involuntário.

    — Nenhuma intimidade; só posso dizer que já os encontrei… — respondeu Su Ruiwen. — A última deve ter sido no ano passado, numa conferência de empresários realizada na capital…

    — Eu também quase não tenho contato com eles. Quem deve conhecê-los melhor é o Irmão Lu — emendou Wu Yurong com um sorriso, modulando a voz com a costumeira doçura e naturalidade. — Mas, pelo que me consta, se os irmãos Qi prosperaram tanto nesses últimos anos, foi graças aos laços com a família Xiang. E há de se convir que o Qi Min até que tem alguma competência…

    Na avaliação de Wu Yurong, Qi Min apenas “até que” tinha competência!

    E ela dispunha de autoridade para dizer aquilo!

    Muito embora o patrimônio do clã Wu não superasse com folga a fortuna dos Qi, erguer um império com o próprio talento era muito diferente de enriquecer dependendo de uma grande família.

    Alguém como Qi Min enredara-se em relações profundas demais com a família Xiang: se os Xiang decidissem esmagá-lo, liquidariam a fatura imediatamente. Se, nos primórdios, Qi Min prosperara por agir como um cão obediente, agora não lhe restava outra alternativa senão continuar nessa coleira, privado de qualquer margem de resistência.

    Wu Yurong e a família Wu jamais enfrentariam esse dilema.

    Tampouco Su Ruiwen e a família Su.

    A verdade é que titãs de sucesso estrondoso como Wu Yurong e Su Ruiwen dificilmente devotavam qualquer respeito a figuras do naipe dos irmãos Qi, sobretudo diante da reputação execrável que a dupla acumulava entre as pessoas.

    — Mas… eu também ouvi certos boatos sobre o Qi Min… — Wu Yurong passou a desfiar episódios que chegavam aos seus ouvidos a respeito dos irmãos Qi e do Grupo Imobiliário Shuangqi.

    A notícia da prisão da dupla acabara de explodir naquele mesmo dia, e rendia assunto para uma longa conversa.

    E os mexericos que Wu Yurong recolhera sobre eles não eram poucos.

    Mesmo considerando que o Grupo Imobiliário Shuangqi jamais erguera um único condomínio em Donghai e que seus executivos raramente pisavam na cidade, Wu Yurong conhecia essas histórias: quando se atinge a faixa de patrimônios de dezenas de bilhões, a teia de relações expande-se por todo o território nacional.

    Nos banquetes e nas rodas de negócios, as conversas informais dos bilionários em nada diferiam das amenidades trocadas por pessoas comuns; também adoravam uma boa fofoca, afinal, tratava-se de um traço inerente à natureza humana. A única discrepância residia nos alvos dos comentários: mexericavam sobre os figurões da mesma prateleira social.

    Certos segredos dos super-ricos chegavam aos ouvidos de pessoas comuns; quanto mais para Wu Yurong, que habitava o próprio núcleo daquela elite.

    A mulher sustentava um riso afável, destilando as palavras com lentidão e doçura.

    Conversou longamente com Su Ruiwen sobre a trajetória dos irmãos Qi; expôs com qual dos integrantes da família Xiang Qi Min mantinha maior cumplicidade, frisou os arroubos de crueldade do sujeito e chegou a desenterrar um escândalo de anos atrás, ocasião em que Qi Min quase se envolvera num grande problema.

    Na época, um jornalista morrera num acidente de carro.

    Qi Min operara de forma truculenta demais. Muito embora a execução houvesse sido impecável, sem deixar vestígios probatórios contra ele, um concorrente comercial quase conseguira inflamar a opinião pública. Qi Min jamais resistiria a uma investigação; naquela conjuntura, fora uma intervenção direta da família Xiang que abafara o caso e sepultara a poeira.

    Para o grande público, a tragédia não passara de uma ondulação efêmera na internet, evaporando sem despertar maiores atenções.

    Mas, para quem transitava naquele meio seleto, era notório que Qi Min estivera a um triz da ruína. O algoz que tentara devorá-lo fora um grande grupo imobiliário do norte do país, derrotado anteriormente pela Shuangqi Imóveis numa disputa feroz por um terreno em Modu…

    Constava nos bastidores que a família Xiang precisara mobilizar contatos importantes na época para forçar o rival a recolher as garras.

    Grandes dinastias sempre se desdobravam para blindar seus cães servis; não se tratava apenas de preservar o prestígio público, mas de preservar a lealdade de toda a sua rede de dependentes.

    Wu Yurong assumira com maestria as rédeas da conversa à mesa.

    Em momento algum emitiu juízos morais explícitos condenando a conduta de Qi Min, mas cada detalhe desfiado parecia gritar uma única verdade: Qi Min merecia morrer!

    A sensação transmitida era a de que Wu Yurong buscava uma “justificativa legítima” para Wu Chen ter destruído a família Qi por causa de uma questão ‘pequena’. Afinal de contas, o rapaz teria eliminado gente perversa!

    Havia, de fato, um quê dessa intenção.

    E Su Ruiwen percebeu.

    Sentia que esse era o propósito primordial de Wu Yurong ao trazer os irmãos Qi à baila; contudo, aquilo não tinha a menor relevância! Todos sabiam da índole de Qi Min, e Wu Yurong decerto dominava esse fato. Jogava conversa fora… mas continuava falando sem parar!

    Aquele não era o núcleo da questão!

    O verdadeiro núcleo… parecia estar a poucos centímetros de distância.

    No entanto, Wu Yurong mantinha rédeas curtas sobre a conversa, manobrando para que o papo jamais descambasse para aquela direção perigosa!

    Sem que se dessem conta, os pratos começaram a ser servidos.

    Comiam uma garfada aqui, sorviam um gole acolá; o foco central permanecia na troca de palavras.

    Se decidissem esmiuçar a Shuangqi Imóveis à vontade, passariam um dia e uma noite inteiros sem esgotar o repertório; qualquer um dos grandes escândalos ventilados nos bastidores renderia horas de conversa.

    Su Ruiwen começava a enxergar com clareza… Antes da chegada de Wu Chen, pelas colocações prévias de Wu Yurong, presumira que ela cerraria fileiras com o rapaz no jantar para falar em favor dele.

    Só agora compreendia que Wu Yurong desdobrava-se para evitar que ele, Su Ruiwen, dissesse alguma coisa errada!

    O pomo da discórdia continuava sendo os métodos misteriosos que Wu Chen acionara para fazer o Segundo Mestre Tang agir; Wu Yurong abordara incontáveis ângulos atrelados à Shuangqi Imóveis, mas evitara o ponto que mais corroía a curiosidade de Su Ruiwen.

    Ela simplesmente não queria que o veterano voltasse a tocar naquele assunto!

    Seria…

    Tão aterrorizante assim?!

    Ao maturar a ideia, Su Ruiwen sentiu um calafrio subir pela espinha.

    Ignorava se “aquelas revelações” eram tão hediondas, mas, pela aflição transbordante de Wu Yurong, já era capaz de cravar que, se ouvisse aqueles segredos, jamais haveria caminho de volta! Uma escolha equivocada seria o seu fim?!

    Até mesmo Wu Yurong julgava dessa forma?

    Tal constatação forçou Su Ruiwen a redobrar a cautela diante de Wu Chen.

    A conversa arrastava-se havia mais de meia hora. Wu Chen sustentava aquela postura inabalável de quem dizia: “Se você faz questão de saber, eu abro o jogo; o aviso foi dado, falar ou calar não faz diferença para mim”. Tampouco se importava com as manobras com que Wu Yurong conduzia os temas.

    A mulher, por outro lado, modulava o ritmo com extremo cuidado.

    Su Ruiwen era incapaz de conceber que experiências ou prodígios Wu Yurong presenciara após cruzar com Wu Chen para se comportar daquela maneira.

    A única certeza cristalina naquele instante era que, aos olhos de Wu Yurong, a palavra de Wu Chen era definitiva! Wu Chen realmente a fazia sentir medo!

    Então o plano de Wu Yurong era transformar o jantar numa simples conversa informal?

    — …Na verdade, acho que o Qi Min acabaria se complicando mais cedo ou mais tarde; mesmo que não caísse agora, a fatura chegaria logo adiante… Irmão Su, você se lembra do nome daquela jovem atriz que morreu ao cair de um prédio? A internet inteira quase veio abaixo na época… — Wu Yurong, já sob o efeito agradável de algumas taças, mostrava-se bem mais solta.

    — Lembro-me bem, acho que era Chu Xiaoxiao. Fez papel em alguma série de televisão… Aconteceu há cerca de dois anos, não foi? Mas aquela sujeira não caiu nas costas do Qi Min diretamente; constava que o irmão dele, Qi Jun, cruzara os limites da loucura e levara a moça à morte… — respondeu Su Ruiwen.

    Ainda não cruzara a velhice, tinha pouco mais de cinquenta anos e mantinha a memória tinindo; além do mais, a tragédia dera-se num passado recente.

    — Exatamente, Chu Xiaoxiao. A série se chamava… Era uma série de época; cheguei a assistir a dois episódios com a minha filha… — comentou Wu Yurong, com um raro traço de sarcasmo despontando no sorriso.

    Sendo mulher, era inevitável que temas daquela natureza tocassem suas fibras emocionais com mais força.

    — Que escória desprezível! Nunca ficou claro se a coagiram a saltar ou se a arremessaram lá de cima; uma insanidade pura… E foi a família Xiang que abafou aquele caso também. O Qi Min é um cão tão fiel aos Xiang que eles o protegeram tanto… — pontuou Wu Yurong.

    — Dinheiro fácil demais costuma apodrecer o juízo das pessoas — sentenciou Su Ruiwen.

    — A autoria não foi de Qi Jun — interveio Wu Chen naquele momento.

    Ao longo do bate-papo, soltara apenas observações esparsas, passando a maior parte do tempo escutando.

    — Hã? — Wu Yurong virou a cabeça para fitá-lo, surpresa.

    — Não foi o Qi Jun? — Su Ruiwen também cravou os olhos no rapaz.

    — Foi Xiang Feipeng, acompanhado de alguns amigos da mesma laia. Naquela noite, estavam se divertindo num hotel e perderam completamente o controle. Chu Xiaoxiao estava filmando em Modu e estava hospedada no mesmo local; um intermediário com trânsito em ambas as partes atraiu a garota até eles. Acabaram forçando a jovem a se jogar do edifício.

    — Depois da queda, logo encontraram a jovem, e fotografias foram publicadas na internet; não havia como abafar o fato consumado. No final das contas… Qi Min orquestrou a disseminação de boatos apontando o dedo para o próprio irmão, Qi Jun. O falatório canalizou a culpa pública para Qi Jun, fazendo-o segurar a bomba em nome da família Xiang. Como Qi Jun nem estava presente naquela noite, não havia como encontrar provas contra ele; em seguida, os Xiang agiram para conter a opinião pública, e o episódio acabou caindo no esquecimento…

    Wu Chen traçou as linhas gerais do caso. Detalhar as manobras operacionais era desnecessário: redirecionar os ventos dos mexericos e encontrar um bode expiatório eram táticas elementares para qualquer um naquela mesa.

    — O Xiang Feipeng… não foi mandado para o exterior? — indagou Wu Yurong, após puxar pela memória.

    Já ouvira falar de Xiang Feipeng: um conhecido jovem irresponsável da terceira geração da dinastia Xiang. Como regra, grandes famílias poderosas raramente criavam herdeiros irresponsáveis; uma figura como Ding Ruilong não se enquadrava como mero playboy mimado: tinha problemas psicológicos, mas não lhe faltava capacidade.

    Xiang Feipeng, pelo contrário, era um verdadeiro playboy irresponsável: filho único do quarto irmão da família Xiang, fora criado sem rédeas, desprovido de qualquer talento prático, colecionando arruaças desde a adolescência. Quem orbitava os círculos das grandes famílias conhecia sua fama de longe.

    Ao longo de anos, uma parcela expressiva das vergonhas públicas acumuladas pela dinastia Xiang nascera das mãos dele; a maré só acalmara nos últimos dois anos, quando correu a notícia de que o playboy embarcara para fora do país, sumindo do mapa.

    — Foi para o exterior, sim — assentiu Wu Chen, mirando Wu Yurong. — Justamente por causa desse caso. Despacharam-no cerca de meio mês após a queda de Chu Xiaoxiao. A narrativa oficial alegou estudos no exterior, mas a família Xiang simplesmente desistiu do rapaz. Depois de vê-lo causar problemas repetidamente sem se arrepender, a família o mandou para fora. Instituíram um fundo fiduciário no exterior com proventos suficientes para mantê-lo e o proibiram terminantemente de pisar de volta na China…

    — Então a história foi essa… — balbuciou Wu Yurong, atordoada. Depois de assimilar a informação, soltou um riso irônico: — Os irmãos Qi provaram mesmo ser cães servis; minha leitura não estava errada…

    — Como o senhor tomou conhecimento desses detalhes, senhor Wu? — disparou Su Ruiwen de repente.

    — Eu investiguei — respondeu Wu Chen, sustentando o olhar e sorrindo com calma.

    — Investigou… — mastigou Su Ruiwen, repetindo o verbo.

    Aquilo despertou novamente a percepção de que Wu Chen parecia ter acesso a tudo. Havia informações sepultadas a sete chaves cujo domínio por parte do rapaz soava, na lógica de Su Ruiwen, absolutamente incompreensível.

    Fora assim com os assuntos relacionados a Xu Zhenyuan.

    E agora repetia-se com a tragédia de Chu Xiaoxiao.

    Naquela época, o caso deflagrara uma comoção estrondosa nas redes. Contudo, nem nos bastidores mais restritos da elite ventilara-se o nome de Xiang Feipeng; não havia o menor fiapo ligando a tragédia à família Xiang. Todos compravam a versão de que Qi Jun fora o monstro. Sabendo-se que o sujeito levava uma rotina depravada, a opinião pública engolira a narrativa sem pestanejar!

    Diante desse cenário, como alguém seria capaz de farejar a pista até Xiang Feipeng numa investigação? E desenterrar a engrenagem com tamanha exatidão cirúrgica?

    Teria Wu Chen investigado Xiang Feipeng por outro pretexto e esbarrado no que ele fizera?

    Mas qual seria o sentido de investigar Xiang Feipeng?

    Dentro da hierarquia da terceira geração dos Xiang, o sujeito era um zero à esquerda, uma figura marginal cuja notoriedade repousava unicamente na capacidade de arrumar encrenca…

    Além disso, fora a própria Wu Yurong quem puxara a história casualmente no calor da conversa. Pela reação atônita da viúva às revelações de Wu Chen, saltava aos olhos que ela jamais debatera aquele tema com o jovem antes.

    Mesmo assim, Wu Chen escancarara a “verdade” de bate-pronto.

    Uma sensação profundamente bizarra assaltou a mente de Su Ruiwen: começou a desconfiar de que Wu Chen acumulava informações sobre os mais variados assuntos, a ponto de ser capaz de despejar revelações cruciais em meio a um bate-papo informal para o qual não houvera qualquer roteiro prévio.

    Se aquilo fosse real, beirava o sobrenatural!

    E Wu Chen contava com apenas vinte e dois anos de idade!

    — O senhor parece possuir conhecer bem a família Xiang, senhor Wu — observou Su Ruiwen, pensativo.

    — Até que conheço — respondeu Wu Chen com um sorriso.

    — E… — Su Ruiwen fez menção de emendar uma pergunta, mas estancou.

    Ia formular outra questão ligada aos Xiang, mas resolveu abortá-la. Acabara de conceber um “teste” mais preciso e, para ele, mais importante para os seus próprios interesses!

    — Então, senhor Wu, você me conhece? — cobrou Su Ruiwen, cravando os olhos diretamente nos dele.

    — Conheço razoavelmente bem — devolveu Wu Chen, sustentando o contato visual com um sorriso sereno.

    — Eu… — Su Ruiwen travou a fala outra vez.

    Em seguida, apoiou o braço esquerdo sobre a mesa. Com a mão direita, desabotoou os botões do punho do paletó e da camisa e puxou o tecido para cima…

    O semblante de Wu Yurong oscilou de leve ao testemunhar a cena.

    Não pelo ato de arregaçar a manga em si, mas porque avistou uma cicatriz semelhante a uma centopeia, marcada no o antebraço esquerdo do magnata com pelo menos dez centímetros de comprimento.

    Convivia com Su Ruiwen havia décadas e jamais soubera da existência daquela marca.

    — O senhor saberia me dizer como adquiri esta cicatriz, senhor Wu? — indagou Su Ruiwen, encarando-o com atenção.

    Nota