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    Capítulo 460 — Wu Chen, impossível de explicar pela ciência

    — Senhor Wu, não estou atrapalhando seu descanso, estou? — Ao começar a falar, Mao Rusong adotou um tom um tanto cauteloso. Sua voz já não tinha a fraqueza da noite anterior, quando acabara de acordar.

    — Não, eu já ia me levantar — respondeu Wu Chen com um sorriso.

    Pela atitude de Mao Rusong logo na primeira frase, Wu Chen percebeu que ele provavelmente já havia confirmado que Cao Liangpeng era o mandante.

    Enquanto todos acreditavam que os irmãos Qi haviam organizado o acidente para assassinar Mao Rusong, Wu Chen rasgara a névoa como se tivesse poderes sobrenaturais e apontara diretamente o verdadeiro culpado pouco mais de duas horas depois do atentado!

    Mao Rusong devia ter percebido que Wu Chen só pedira a Gu Ruibo as gravações de trânsito. Isso indicava que, muito provavelmente, ele não tinha nenhuma pista anterior e começara a investigação do zero.

    Além disso, Wu Chen estava em Donghai, a centenas de quilômetros de Modu! Nunca fora ao local investigar nada.

    Era muito difícil explicar cientificamente como conseguira fazer aquilo.

    Wu Chen podia até deduzir as mudanças de humor de Mao Rusong. Era provável que ele tivesse confirmado tudo antes do amanhecer e quisesse telefonar, mas achasse inadequado incomodar o senhor Wu tão cedo.

    Por isso, ficara esperando, até dar exatamente oito horas da manhã. Supôs que o senhor Wu já tivesse acordado e só então ligou — ainda assim, começando por perguntar se o estava incomodando.

    Quando uma pessoa ocupa um lugar alto demais, ou inspira medo demais, na mente de outra, é assim que esta passa a tratá-la: com extrema cautela.

    — Senhor Wu, já mandei deter Cao Liangpeng…

    — Confirmou?

    — Confirmei! Filho da mãe, Cao Liangpeng é um desgraçado! O senhor não imagina: quando apresentei as provas e o confrontei, ele enlouqueceu e ainda tentou me matar com uma arma! Disse que eu o traí, que foi ele quem me promoveu naquela época, que eu era um ingrato… Disse que eu não o tratava como gente, que nem sequer olhava para ele direito, que não falava com ele…

    Os dois conversaram por mais de dez minutos.

    Quanto mais falava, mais Mao Rusong se exaltava e se lamentava diante da natureza humana.

    Ele realmente não imaginara que Cao Liangpeng fosse o responsável.

    O motivo de Cao Liangpeng era complexo, mas também simples: ressentimentos acumulados ao longo dos anos e a incapacidade de aceitar a diferença entre os dois.

    Quando Mao Rusong começara a prosperar, havia trabalhado com Cao Liangpeng, que naquela época era o indiscutível velho chefão.

    Os dois fizeram negócios juntos várias vezes, até romperem de vez. Os negócios de Cao Liangpeng ficaram estagnados, enquanto Mao Rusong deslanchou e se tornou o “Quarto Mestre Mao”!

    Ver aquele irmão mais novo, que antes estava muito abaixo dele, transformar-se de repente em alguém que ele já não tinha condições de alcançar…

    Qualquer pessoa comum sentiria inveja.

    Além disso, os negócios de Mao Rusong continuavam a sufocar os de Cao Liangpeng. A cada crescimento de Mao Rusong, os negócios de Cao Liangpeng encolhiam um pouco mais.

    A visão empresarial de Cao Liangpeng era inferior à de Mao Rusong, e ele já não conseguia acompanhar os tempos.

    Mesmo assim, atribuía todos os seus fracassos nos negócios a Mao Rusong. Achava que, se Mao Rusong não existisse, o mercado seria todo dele!

    Wu Chen sabia, por causa dos mil anos de ciclos, o que Cao Liangpeng pensava de Mao Rusong. Cao Liangpeng o considerava um espinho no olho e uma farpa na carne, mas não ousava agir contra ele.

    Cao Liangpeng não era o único que pensava assim.

    Desta vez, havia duas razões específicas para ele ter agido.

    A primeira: pouco mais de dez dias antes, Mao Rusong e Cao Liangpeng se encontraram no banquete de aniversário de um amigo em comum. Nenhum dos dois falou com o outro; simplesmente se ignoraram.

    Naquele dia, Mao Rusong estava cercado de figurões. Muitos o chamavam repetidamente de “Quarto Mestre Mao”.

    Vários membros de famílias poderosas também o tratavam como irmão.

    Ao redor de Cao Liangpeng, porém, o ambiente era bem mais frio.

    Algumas pessoas que não gostavam de dar atenção a Cao Liangpeng se viravam e abriam um sorriso para Mao Rusong.

    Cao Liangpeng perdeu completamente o controle emocional!

    Naquele momento, teve vontade de matar Mao Rusong, mas não ousou.

    Até que, pouco mais de dez dias depois, a notícia de que os irmãos Qi haviam entrado em conflito com Mao Rusong se espalhou por Modu. Essa foi a segunda razão!

    Cao Liangpeng já era cruel. Quando a oportunidade apareceu, decidiu, num impulso, ir até o fim: achou que, se matasse Mao Rusong, poderia fazer os irmãos Qi levarem a culpa.

    E não temia que não conseguisse jogar a culpa neles.

    Não precisava de provas. Quando alguém chegava a certo nível de poder, era praticamente impossível deixar evidências que permitissem descobrir quem organizara algo assim. Portanto, se todos acreditassem que tinham sido os irmãos Qi, então seriam eles!

    Depois da morte de Mao Rusong, sua aterradora rede de relações perderia um elo. Seu filho, Mao Qi, não seria capaz de sustentar tudo sozinho.

    O setor de bares, karaokês e casas de entretenimento de Modu passaria inevitavelmente por uma nova reorganização!

    Tudo por inveja, ressentimento e interesses!

    Wu Chen fez poucas perguntas e ouviu muito.

    Se Mao Rusong não tivesse sido cauteloso desta vez, teria morrido de verdade. A situação fora extremamente perigosa. E, embora os responsáveis não fossem os irmãos Qi, o ocorrido ainda tinha relação causal com eles — e, portanto, também tinha relação com Wu Chen.

    Wu Chen não se importava em ouvir Mao Rusong desabafar um pouco mais.

    Li Ruobing, que também havia acordado com o toque do celular, aproximou-se do ouvido de Wu Chen e escutou o que Mao Rusong dizia do outro lado da linha.

    Conversaram por cerca de quinze minutos.

    — Ah… — Mao Rusong suspirou por fim. — Faz tantos anos que eu nem me dava ao trabalho de falar com ele, e mesmo assim ele quis me matar…

    — O coração das pessoas pode ser perverso — disse Wu Chen, também suspirando com um sorriso.

    — Nem me fale. — Mao Rusong mudou de assunto. — Ah, que coisa, estou mesmo atrapalhando o senhor Wu. Ainda é tão cedo. Só queria dar um retorno ao senhor…

    O uso da palavra “retorno” tinha um significado sutil.

    — Então fica por aqui, senhor Mao. Quando eu voltar a Modu, vamos nos encontrar.

    — Combinado! Claro, claro.

    Depois de mais algumas palavras sem importância, desligaram.

    Wu Chen deixou o celular de lado e virou o rosto para olhar Li Ruobing, sorrindo.

    Ela também o olhava de soslaio, com os olhos um pouco semicerrados. Tentava controlar as emoções, mas sua expressão ainda revelava… espanto!

    Era mesmo, de verdade, Cao Liangpeng!

    E mais!

    Sob as instruções de Wu Chen, Mao Rusong havia confirmado tudo em uma única noite!

    O homem já estava detido!

    Embora aquilo pudesse ser considerado um sequestro, Mao Rusong já tinha provas em mãos. Seria fácil mandar Cao Liangpeng para a prisão; também seria simples fazer com que ele morresse de forma acidental lá dentro!

    E, sem dúvida, Mao Rusong acabaria assumindo o controle da maior parte dos bens de Cao Liangpeng.

    Mas isso não era o mais importante para Li Ruobing. Ela não se importava com aquilo; não era relevante. O que realmente importava era a pergunta:

    — Wu Chen! Como você conseguiu identificar o mandante depois de olhar dez minutos de gravações?!

    Se não estivesse tão cansada na noite anterior, Li Ruobing teria passado a noite em claro.

    Estava mesmo começando a duvidar da própria inteligência.

    Se tivesse encontrado ao menos uma pista, teria aceitado. Não conseguir superar Wu Chen não era um problema. Mas ela não encontrara absolutamente nada: o resultado dela era zero, enquanto o de Wu Chen era cem!

    A diferença era grande demais!

    — Conte, meu querido senhor Wu. Agora que já confirmamos que foi Cao Liangpeng, vai me explicar como descobriu em dez minutos, olhando as gravações? — perguntou Li Ruobing, estreitando os olhos.

    — Você perdeu — respondeu Wu Chen, sorrindo.

    — Pode parar de me provocar? Admito que perdi. Eu, Li Ruobing, sei cumprir minha palavra! Vou honrar a aposta! — disse ela.

    — Então como você acabou de me chamar? — perguntou Wu Chen com um sorriso.

    — Meu querido senh… — começou Li Ruobing, mas parou. Entendeu imediatamente o que Wu Chen queria dizer e lançou-lhe um olhar de reprovação. Ainda assim, sua expressão ganhou um toque de ternura.

    — Marido… — chamou ela, imitando de propósito a entonação que Su Qingying usava quando estavam a sós.

    — Seja natural. Você tem que continuar sendo você mesma — disse Wu Chen, rindo.

    — Humpf! — Li Ruobing resmungou baixinho, mas passou o braço em volta do pescoço dele, aproximou a cabeça de seu ouvido e chamou:

    — Ma-ri-do!

    Falou com muita seriedade, no próprio tom de voz.

    Wu Chen só estava brincando com ela.

    — Está satisfeito? — perguntou Li Ruobing.

    — Ha! — Wu Chen riu e fez um gesto. — Traga o computador e abra as gravações. Vou explicar.

    Li Ruobing se virou imediatamente para pegar o notebook na mesa de cabeceira.

    Estava extremamente ansiosa!

    Não acreditava que fosse mesmo pouco inteligente.

    Com certeza havia alguma coisa que ela não tinha percebido!

    Nota