Novels chinesas em português
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    Capítulo 452 — Você assaltou um banco?

    — Ah? — Zhang Xiujuan, que acabara de começar a dizer tudo que trazia dentro de si, ficou imóvel de repente.

    Instintivamente, aproximou-se um pouco de Li Ruobing.

    — Grá… grávida? — Zhang Xiujuan estava completamente atordoada. Um sorriso apareceu e desapareceu de seu rosto várias vezes. As emoções oscilavam entre a alegria e a perplexidade; seus olhos desceram involuntariamente para a barriga de Li Ruobing.

    Ela queria acreditar, mas mal ousava fazê-lo.

    — De… de quanto tempo? — perguntou novamente.

    — Não muito. Descobri num exame que fiz no hospital alguns dias atrás. O médico disse que é uma gravidez bem recente, de menos de vinte dias — respondeu Li Ruobing, sorrindo.

    Com as técnicas médicas disponíveis atualmente, era possível detectar uma gravidez no hospital cerca de sete a dez dias depois da fecundação. Com um teste de farmácia, porém, seria preciso esperar quinze a vinte dias.

    — Então… acabou de descobrir? — Zhang Xiujuan ora parecia radiante, ora nervosa.

    Ela sabia que Wu Chen e Li Ruobing moravam juntos. Wu Jiao passara uma temporada na casa de Li Ruobing e contara tudo quando voltara.

    Nos tempos atuais, aquilo não era nada demais. Era bastante comum.

    — Mas, Bingbing, você acabou de beber vinho…

    — Só tomei meia taça de vinho tinto. O médico disse que uma vez ou outra não tem problema, mas é melhor evitar ao máximo.

    — Pois é, não faz bem para o bebê. Precisa tomar cuidado!

    — Pode deixar, tia.

    — Olha só, vocês dois acabaram tendo esse descuido…

    — Não foi descuido, tia. Eu e Wu Chen quisemos ter o bebê.

    — Quiseram?

    — Sim. Pensei que já tenho vinte e sete anos, minha carreira está encaminhada e está na hora de pensar em constituir família. Não é tarde para ter um filho agora. Se tiver cedo, depois poderei dedicar mais energia ao trabalho… Wu Chen me apoia bastante.

    — Esse Xiao Chen, viu só! Arranja namorada e nem conta à família. Até decide ter um filho sem dizer nada, uma coisa tão importante… Vocês nem se casaram ainda…

    — Quanto ao casamento, eu até gostaria. Wu Chen não parece ter muita pressa. Ele é cinco anos mais novo do que eu e acabou de se formar na universidade. Talvez não queira se casar tão cedo…

    — Mas que moleque sem-vergonha! — Zhang Xiujuan ficou indignada ao ouvir aquilo.

    Estava zangada com o próprio filho, Wu Chen.

    Uma presidente-executiva com uma fortuna enorme estava disposta a se casar com ele e a lhe dar um filho, e o rapaz ainda queria adiar o casamento?!

    Li Ruobing acabara de falar mal de Wu Chen.

    Mas, na verdade, fora o próprio Wu Chen quem pedira que ela dissesse aquilo à mãe dele.

    A ideia era construir uma imagem positiva de Li Ruobing, fazendo Zhang Xiujuan acreditar que a moça levava realmente a sério o relacionamento e o casamento com seu filho, enquanto Wu Chen é que parecia não querer sossegar.

    Assim, os pais dele se preocupariam menos com a enorme riqueza de Li Ruobing. Nem precisariam temer que o filho entrasse em depressão caso fosse abandonado!

    — Então… quando o bebê nascer, qual sobrenome vai ter? — Zhang Xiujuan fez outra pergunta.

    Não era porque sua imaginação estivesse indo longe demais. A diferença de posição social entre Wu Chen e Li Ruobing a obrigava a pensar na possibilidade.

    Um casamento em que ele entraria para a família da esposa? Tornar-se um genro residente?

    — Naturalmente, terá o sobrenome de Wu Chen. Vai se chamar Wu — respondeu Li Ruobing, sorrindo.

    — Wu, então… Bem, Bingbing, coma umas frutas… Ficamos só conversando… Pode comer! Vou descascar uma maçã para você…

    — Não precisa, tia. Posso comer com casca mesmo.

    — Não, não! Fique sentada, fique! Vou pegar a faca. Onde foi parar aquela faca de frutas…?

    …

    Enquanto isso.

    No quarto principal dos pais de Wu Chen.

    Havia também uma pequena varanda ligada ao quarto, menor que a da sala e sem uma porta de correr separada. Wu Dahai se apoiava de lado junto à janela aberta da varanda, fumando. De vez em quando abanava a fumaça com a mão para não deixar o quarto impregnado de cheiro de cigarro.

    — Pai, tente fumar menos. Faz mal para a saúde — comentou Wu Chen, parado ao lado dele, com uma mão no bolso.

    Wu Dahai ignorou o comentário do filho. Naquele momento, não estava pensando em cigarros, mas na relação entre Wu Chen e Li Ruobing.

    — Acabei de conversar com sua mãe na cozinha… sobre algumas coisas da Bingbing.

    Wu Dahai soltou a fumaça, com a testa franzida de preocupação, e olhou para Wu Chen.

    — Xiao Chen, seja sincero com seu pai. Você e a Bingbing vão mesmo ficar juntos? É sério? Dá para confiar que vai durar? Nossa família vive desse jeito. Às vezes, o que ganhamos num ano nem chega ao que ela gasta de mesada num mês. Uma moça tão rica, tão bonita… Por que escolheria você?

    — Talvez porque eu seja bem bonito — respondeu Wu Chen, sorrindo.

    — Pare de falar besteira! Cresceu tanto que agora faz piada com seu próprio pai? — disse Wu Dahai, dando outra tragada.

    O ambiente familiar da casa dos Wu sempre fora muito bom. Zhang Xiujuan, a mãe, era quem mandava. Wu Dahai não era um pai severo; em casa, costumava fazer o papel de conciliador depois que Zhang Xiujuan dava bronca nos filhos.

    Wu Chen, por sua vez, era bastante disciplinado desde pequeno. Era de seu temperamento. Sua irmã, Wu Jiao, costumava chamá-lo de “pedaço de madeira”. Na época, ele realmente era um pouco fechado. Como a família sempre tivera condições razoáveis, tivera contato com computadores muito cedo e seus interesses se concentravam quase inteiramente neles.

    Além disso, Wu Chen sempre fora bom aluno e se comportara bem. Por isso, raramente recebia broncas dos pais. Em comparação com as repreensões que Wu Jiao levava por ser travessa, ele quase não era repreendido. Só passara por uma época em que ficara viciado em jogos e a mãe reclamara um pouco.

    — Você é bonito? Mais bonito que a Bingbing? — perguntou Wu Dahai, soltando a fumaça.

    — Pai, essas coisas dependem de afinidade. Mamãe também era muito bonita quando jovem. Você sempre disse que havia um monte de homens correndo atrás dela. No fim… ela não se casou com você?

    — Aquilo é diferente! Eram outros tempos! E, além do mais… eu cozinho muito bem.

    — Eu também cozinho bem, pai. Foi você que me ensinou!

    — Você só quer discutir comigo. — Wu Dahai tornou a abanar a fumaça.

    Wu Chen sorriu. Na verdade, estava apenas tentando aliviar o ambiente.

    — Pai, falando sério, seu filho agora tem dinheiro — disse, sorrindo.

    — Foi a Bingbing que lhe deu? Ah… — Wu Dahai não queria ferir o orgulho do filho e, por isso, engoliu o restante do que pretendia dizer.

    — Não foi Ruobing quem me deu. Eu mesmo ganhei.

    — Você acabou de se formar. Quanto poderia ter ganhado? Quanto a Bingbing está pagando de salário?

    — O que faço na empresa dela é ajudar. O dinheiro de verdade… não veio de lá.

    — Dinheiro de verdade? De quanto estamos falando?

    — Bastante, pai. É melhor se preparar psicologicamente — respondeu Wu Chen, sorrindo.

    Wu Dahai interrompeu o gesto de levar o cigarro à boca. Depois deu mais duas tragadas seguidas, apagou-o e limpou as cinzas que caíram sem querer no peitoril da janela. Então perguntou:

    — Cem mil?

    Wu Chen saíra de casa para trabalhar fazia apenas um mês!

    Ganhar cem mil em um mês não era pouca coisa!

    Wu Dahai estava chutando alto. O restaurante de macarrão da família gerava apenas cem ou duzentos mil de lucro líquido por ano.

    — Pode chutar mais alto — disse Wu Chen.

    — Duzentos mil? — Wu Dahai olhou para o filho.

    — Quinhentos mil?

    — Um milhão?!

    — Xiao Chen, o que você andou fazendo?! Escute aqui, filho, não vá cometer nenhum crime! Sei que está namorando uma garota extraordinária como a Bingbing e que isso deve lhe causar pressão, mas você… Você não pode… De jeito nenhum!

    Wu Dahai já estava em pânico. Chegara a um milhão e o filho ainda não assentira! Aquilo era assustador!

    Como alguém poderia ganhar dinheiro tão depressa? E não fora dinheiro dado por Li Ruobing?

    Só lhe vinham à mente coisas proibidas pelo Código Penal!

    — Pai, pode chutar ainda mais alto. Tenha coragem — disse Wu Chen, sorrindo, enquanto tirava o celular do bolso.

    — Ainda mais alto? Você assaltou um banco? — perguntou Wu Dahai, com os pensamentos embaralhados.

    Viu o filho olhar para o aparelho e deslizar o dedo pela tela, procurando alguma coisa.

    Wu Chen abrira as mensagens e encontrara o SMS de “alteração de saldo” que o banco lhe enviara anteriormente. Nele aparecia o saldo atual daquela conta bancária.

    Wu Chen ergueu os olhos para o pai e lhe entregou o celular.

    — O que é isso? — perguntou Wu Dahai, recebendo o aparelho e lendo a mensagem. Primeiro ficou imóvel, depois se assustou. Instintivamente, começou a apontar para os algarismos na tela enquanto contava: — Unidade, dezena, centena, milhar, dez mil, cem mil, milhão, dez milhões… cem milhões?!

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