Capítulo 433 — Isso não é procurar a própria morte?
por NexoNovelCapítulo 433 — Isso não é procurar a própria morte?
Antes de guardar o celular, Wu Chen ainda tocou algumas vezes na tela com uma mão só e bloqueou o número de Qi Jun.
Raramente bloqueava o telefone de alguém. Fosse amigo ou inimigo, a comunicação era importante. Mas, no caso de Qi Jun, não tinha o menor interesse em continuar conversando. Não precisava mais manter contato com ele. O homem já não lhe servia para nada.
Mais importante ainda, queria impedir que Qi Jun ligasse de volta.
Conhecendo seu temperamento, Wu Chen tinha certeza de que ele retornaria a chamada.
Bloquear era a maneira mais simples de resolver.
É claro que, ao descobrir o bloqueio, Qi Jun poderia ligar de outro aparelho. Mas nem todo mundo era doente como Ding Ruilong, capaz de bombardear obsessivamente alguém de telefonemas.
Bloquear um número era uma forma de deixar clara a própria atitude.
Qualquer pessoa minimamente razoável perceberia que, se ligasse de outro número, acabaria bloqueada novamente.
E desistiria de ligar.
Naturalmente, deixar de ligar não significava deixar de investigar a identidade do dono daquele número. Isso Qi Jun certamente faria.
O Bentley Continental se afastou rapidamente do viaduto e tomou o caminho da empresa de An Menglan.
Pouco mais de meia hora depois.
Sob o trecho interrompido do Terceiro Viaduto de Zhangjiang, vários utilitários de luxo, entre eles Land Rovers e Mercedes-Benz Classe G, pararam perto da van Mercedes-Benz já quase inteiramente consumida pelo fogo. Haviam localizado o veículo seguindo a coluna de fumaça depois de chegar à região.
Qi Jun e mais de dez guarda-costas vestidos de preto desceram dos carros.
Depois de observar a cena, vários seguranças ficaram com expressões muito ruins. Sem esperar qualquer ordem de Qi Jun, foram buscar extintores nos veículos.
Um guarda-costas especialmente diligente ainda se colocou um pouco à frente dele.
— Cuidado, chefe.
Embora a van parecesse praticamente queimada por inteiro, ainda não era possível descartar uma segunda explosão.
Os guarda-costas avançaram com extintores de pó químico e descarregaram seu conteúdo sobre a Mercedes-Benz, cuja carroceria estava terrivelmente deformada, com todos os vidros quebrados e ainda soltando fumaça.
Enquanto isso, Qi Jun observava, impassível, o alto do viaduto e depois a van.
Era possível concluir que o veículo caíra de cima, despencara e explodira.
As poucas chamas restantes logo foram extintas e a fumaça diminuiu bastante. Alguns guarda-costas buscaram pés de cabra e forçaram a estrutura retorcida do veículo, do qual praticamente só restava a armação.
Só então Qi Jun se aproximou para examinar melhor.
— Chefe, são três. Estão todos aqui dentro… — informou um guarda-costas, agachando-se para olhar o interior antes de virar a cabeça para Qi Jun.
— Merda! — Qi Jun praguejou entre os dentes. Seu rosto assumiu uma expressão feroz, e os olhos estavam vermelhos de tão injetados de sangue.
Ele mandara exatamente três homens num único veículo vigiar e seguir Wu Chen e Zhuang Xiaodie. Também lhes dera ordens: se surgisse a oportunidade, deveriam capturá-los; caso fossem descobertos e os alvos tentassem fugir, deveriam provocar diretamente um acidente de trânsito.
Embora Qi Jun não soubesse quem era Wu Chen, sabia que Zhuang Xiaodie tinha alguma ligação com Mao Rusong.
Justamente por isso, não telefonara a Mao Rusong para exigir explicações.
Precisava prestar contas ao irmão mais velho, Qi Min.
Se procurasse Mao Rusong para negociar sem antes fazer absolutamente nada, seu irmão certamente o castigaria quando soubesse.
Era preciso resolver tudo primeiro e só depois explicar ao irmão. Assim, poderia reduzir ao mínimo as recriminações. Até matar Zhuang Xiaodie antes não seria um problema.
Afinal, a garota era apenas alguém com uma ligação com Mao Rusong.
Já quem fora levado às pressas ao hospital era o filho biológico de Qi Min.
Diante dessa diferença, Qi Jun acreditava que Mao Rusong, homem experiente e hábil em lidar com as pessoas, certamente não ousaria romper com seu irmão depois de tudo o que acontecera.
Um plano muito bonito.
O que Qi Jun jamais imaginara era que seus três guarda-costas de confiança morreriam todos no mesmo veículo. Os corpos estavam carbonizados.
Um método cruel e implacável.
Haviam ido até as últimas consequências.
Com isso, Qi Jun concluiu que o ocorrido não podia ter sido obra de Zhuang Xiaodie e daquele rapaz. Por mais habilidosos que fossem com as palavras, dois jovens não teriam a menor chance contra três guarda-costas profissionais.
Só podia ter sido Mao Rusong.
Evidentemente, Zhuang Xiaodie devia ter telefonado para ele depois do incidente.
Quando o Quarto Mestre Mao, tão poderoso em Dongpu, resolvia agir sem piedade, aquilo era bem o seu estilo.
Mas que relação Zhuang Xiaodie tinha, afinal, com Mao Rusong?
Seria filha dele fora do casamento?
Nem pareciam parentes.
E, se não houvesse algum parentesco assim, de onde Mao Rusong tiraria coragem para agir com tamanha crueldade? Tudo bem que não respeitasse Qi Jun, mas como ousava desrespeitar também seu irmão mais velho, Qi Min?
Só porque tinha relações próximas com a família Gu?
A família Xiang também não era insignificante.
De onde vinha a coragem de iniciar uma guerra por causa de uma garotinha?
O rosto de Qi Jun estava terrivelmente sombrio. Embora algumas coisas não fizessem sentido, quanto mais pensava, mais furioso ficava. Por mais que refletisse, só conseguia chegar a uma conclusão: fora Mao Rusong.
Seu sobrinho ainda estava no hospital, com mais de dez pontos na testa. Os médicos diagnosticaram uma concussão cerebral grave. Não corria risco de vida, mas ainda era impossível prever se ficaria com sequelas.
E agora havia três mortos ali.
— Chefe, devemos chamar a polícia? — perguntou baixinho um guarda-costas ao lado dele.
Qi Jun virou a cabeça e o encarou com os olhos injetados de sangue. Então ergueu bruscamente a mão e lhe deu um tapa no rosto.
— Chamar a polícia é o caralho! Você não tem cérebro, porra? Ainda não passamos vergonha suficiente?
O guarda-costas recuou alguns passos com a bofetada, abaixou a cabeça e não ousou responder.
Qi Jun estava furioso e não tinha onde descarregar a raiva.
Voltou a olhar para a van destruída.
Com a situação naquele ponto, naturalmente tentava pensar numa solução.
A vergonha que acabara de mencionar, na verdade, era secundária. Perder o primeiro confronto com Mao Rusong era um problema relativamente pequeno. Afinal, aquela fora só a primeira rodada.
O mais importante era que, se o caso viesse a público, o primeiro a se complicar poderia ser o próprio Qi Jun.
Aquela Mercedes-Benz destruída estava longe de ser um veículo limpo. Os três ocupantes também tinham um passado sujo: todos carregavam mortes nas costas. Se chamassem a polícia para investigar três vítimas fatais de uma vez, seria um caso criminal de grande repercussão.
Numa cidade como Modu, uma investigação desse porte certamente acabaria descobrindo coisas comprometedoras.
Já Mao Rusong dificilmente teria problemas graves por causa disso. Na pior hipótese, arranjaria alguém para assumir a culpa.
Os investigadores jamais conseguiriam chegar até o próprio Mao Rusong.
Qi Jun observou por muito tempo e pensou ainda mais.
Depois de refletir de todos os ângulos, concluiu que precisava contar ao irmão mais velho, Qi Min. Com três mortos, se continuasse escondendo o caso, não conseguiria se explicar depois e certamente levaria uma surra.
E, contando apenas com a própria influência, não teria condições de enfrentar Mao Rusong.
Precisava avisar o irmão e investigar as câmeras de trânsito. Embora o viaduto não tivesse câmeras, o veículo não poderia ter aparecido ali por magia. Se acionasse seus contatos para recuperar imagens do trajeto, talvez descobrisse o que acontecera antes.
Mas, antes disso, Qi Jun achou que deveria fazer uma ligação.
Tirou o celular, tocou rapidamente na tela e procurou na agenda até encontrar o número desejado.
Ligou.
Seis ou sete segundos depois, alguém atendeu.
— Ora, chefe Qi! Que bons ventos o trazem? Faz um tempão que não nos falamos! Como se lembrou de me ligar? Hahahahaha… — A gargalhada de Mao Rusong ecoou pelo telefone.
Mao Rusong estava apenas sendo educado, cumprimentando-o de maneira habitual.
Mas, aos ouvidos de Qi Jun naquele momento, aquilo soou como puro sarcasmo e zombaria. A gargalhada era insuportável.
— Mao Rusong! Vai tomar no cu! — Qi Jun respirou pesadamente e começou a xingar. — Três mortos! Escuta bem, seu filho da puta! Isso não vai ficar assim! Se eu não acabar com você, passo a usar seu sobrenome!
Mao Rusong ficou em silêncio.
Naturalmente, estava perplexo.
Que porra era aquela? O sujeito já começava a ligação xingando? Que história era essa de três mortos?
Fazia muito tempo que ninguém falava com Mao Rusong daquela maneira. Era natural que também ficasse furioso.
— Ah, é? — Mao Rusong soltou uma risada fria. — Qi Jun, quando seu irmão dizia que você era um inútil, eu achava que ele o subestimava. Hoje entendi: você é mesmo um completo inútil! Um cachorro comeu seu cérebro?
Mao Rusong estava enfurecido.
Conseguia deduzir imediatamente que devia haver algum mal-entendido. Mas, se estivesse na situação do outro, nunca começaria insultando alguém. Primeiro procuraria esclarecer o que acontecera.
Qi Jun, não. Já começara xingando e ameaçando matá-lo.
Era um verdadeiro incompetente. Tirando sua habilidade para conquistar mulheres, devia tudo o que tinha ao irmão mais velho. Sem ele, já teria sido morto cem vezes.
Qi Jun interpretou tudo errado mais uma vez.
Mao Rusong estava apenas ridicularizando sua atitude de insultar os outros antes de descobrir a verdade. Qi Jun, porém, entendeu que Mao Rusong lhe declarava guerra: além de matar seus homens, ainda o chamava de inútil.
— Puta… merda! Seu… filho da puta! — Qi Jun estava quase louco de raiva. — Muito bem, Mao Rusong! Escuta bem, seu desgraçado! Você vai trazer Zhuang Xiaodie agora mesmo para se ajoelhar e pedir desculpas ao meu sobrinho! E ainda vai me chamar de vovô três vezes! Senão eu vou agora mesmo…
Mao Rusong nem ouviu o restante da ameaça.
Era uma intimidação ridícula. Chamar alguém de vovô? Coisa de idiota.
Mas esse não era o ponto principal.
O essencial era que Qi Jun mencionara um nome: Zhuang Xiaodie.
— Puta merda! — Mao Rusong também soltou um palavrão.
Porque, de repente, compreendeu tudo.
Qi Jun… tinha arranjado encrenca com o senhor Wu.
Isso não era… procurar a própria morte?
Desligou imediatamente.
Sem dar ouvidos a mais uma palavra de Qi Jun, Mao Rusong encerrou a chamada e telefonou para Wu Chen.
