Capítulo 431 — Um presente de mais de dez bilhões, de graça?
por NexoNovelCapítulo 431 — Um presente de mais de dez bilhões, de graça?
— Xiao Wu, esse grande presente de que está falando… — Tang Jingbin não era uma pessoa impaciente, mas naquele momento simplesmente não conseguia esperar para descobrir que presente Wu Chen pretendia lhe oferecer outra vez.
— O senhor Tang conhece o Grupo Imobiliário Shuangqi, não é? — Wu Chen perguntou, sorrindo.
— Shuangqi? — Tang Jingbin pensou um pouco. — Claro que conheço. É dos irmãos Qi Min e Qi Jun, e também tem certa ligação com a família Xiang… Por quê?
— Por nada demais. — Wu Chen sorriu. — Só quero dar a Shuangqi Imóveis ao senhor Tang, de presente. De graça!
— D-dar para mim? — Tang Jingbin ficou atordoado. Mesmo com seu autocontrole, demorou um instante a processar o que ouvira.
Na verdade, nem compreendeu exatamente o significado das palavras de Wu Chen.
Shuangqi Imóveis!
Em escala nacional, a Shuangqi não era um gigante empresarial. Os verdadeiros gigantes do setor imobiliário tinham ativos de centenas de bilhões ou até trilhões, além de estruturas acionárias complexas, quase sempre relacionadas às grandes famílias.
Mas, considerando apenas Modu, a Shuangqi Imóveis era muito mais conhecida!
Entre as companhias de maior valor de mercado da cidade, muitas eram empresas de internet ou do setor financeiro. Embora grandes incorporadoras de outras regiões também desenvolvessem imóveis em Modu, entre os grupos imobiliários locais a Shuangqi conseguia figurar entre os dez primeiros.
Seu valor de mercado ultrapassava vinte bilhões!
Além disso, graças ao apoio da família Xiang, até as grandes incorporadoras vindas de fora tinham dificuldade para competir com a Shuangqi em Modu.
No ano anterior, mesmo enfrentando a pressão de vários gigantes imobiliários de outras regiões, a Shuangqi conseguira adquirir um terreno muito disputado no distrito de Qingpu.
Por causa dessa conquista, suas ações haviam atingido o limite diário de alta por três pregões consecutivos. O valor de mercado saltara de pouco mais de quinze bilhões para mais de vinte bilhões.
Qi Min, presidente do conselho da Shuangqi Imóveis e detentor de trinta e um por cento das ações, vira seu patrimônio crescer em mais de um bilhão em consequência das três altas consecutivas.
Somando as outras propriedades de Qi Min e os bens do irmão mais novo, Qi Jun, o patrimônio total da família Qi ultrapassava dez bilhões!
Dois irmãos bilionários, com uma fortuna superior a dez bilhões!
Com tamanha riqueza, em qualquer país, em qualquer cidade, até mesmo na capital, seriam figuras influentes da alta sociedade, com contatos por toda parte!
Tang Jingbin vinha de uma família de tradição militar. Embora não tivesse relações pessoais com os irmãos Qi Min e Qi Jun, já os encontrara em algumas ocasiões e trocara algumas palavras com eles.
Nem sequer era muito próximo de uma família poderosa como a Xiang. Afinal, pertenciam a círculos diferentes. No máximo, alguns negócios sob seu controle competiam com empresas nas quais a família Xiang tinha participações.
Mas ele próprio também era empresário!
Não conhecia pessoalmente muitos detalhes da Shuangqi e dos irmãos Qi. Porém, se o assunto fossem informações que já ouvira a respeito deles, sabia bastante!
Tang Jingbin ficou em silêncio por um momento.
Pensava. E quanto mais pensava, menos entendia.
A Shuangqi não tinha ligação nenhuma com Wu Chen! Muito menos com a família Li! E nem sequer pertencia a Wu Chen!
Como podia falar em entregá-la de presente?
Ainda mais para ele?
De graça?
Era desconcertante! E repentino demais! Tang Jingbin não conseguia compreender muita coisa. Mesmo que a Shuangqi pertencesse a Wu Chen, ele próprio não aceitaria um presente daqueles!
O presente anterior já deixara a família Tang em dívida com Wu Chen. Tanto as provas que ajudariam a derrubar a família Liu quanto a aliança secreta com a família Li traziam enormes benefícios para os Tang.
E Wu Chen não pedira nada em troca.
Agora vinha outro grande presente.
E, dessa vez, um presente de mais de dez bilhões!
Por mais rico que Tang Jingbin fosse, embora controlasse atualmente as finanças da família Tang e administrasse milhares de bilhões em ativos que a família mantinha de modo aberto ou discreto, direta ou indiretamente…
Mesmo assim, não poderia tratar dez ou vinte bilhões como uma quantia insignificante.
Era dinheiro demais!
Tang Jingbin jamais aceitaria um presente daquele porte sem uma razão clara!
A dívida de gratidão já era muito grande. Se crescesse ainda mais, viraria um peso! Poderia prejudicar o relacionamento futuro e até afetar a cooperação já estabelecida com a família Li.
Embora pensasse assim, Tang Jingbin não conseguia se conter: precisava perguntar o que Wu Chen quisera dizer.
— Xiao Wu, você conhece… Qi Min? — perguntou, tentando sondá-lo.
— Não conheço — respondeu Wu Chen, sorrindo.
— Então tem alguma relação com outros acionistas da Shuangqi?
— Nenhuma.
— Então como pode falar em dar…
— É um pouco complicado. — Wu Chen fez uma pausa e continuou, sorrindo: — Vamos fazer assim, senhor Tang. Conversamos sobre isso com calma à noite. Estou dirigindo agora.
Tang Jingbin percebeu imediatamente que perdera a compostura. Como podia ficar interrogando alguém por telefone sobre um assunto tão importante? Coisas assim geralmente nem podiam ser esclarecidas por telefone. Precisavam ser discutidas pessoalmente!
Mas sua reação era compreensível. Afinal, Wu Chen começara a conversa com algo tão espantoso que o deixara completamente desnorteado.
— Claro, claro, claro. Combinamos o horário para esta noite. Xiao Wu, vá dirigindo. Não vou atrapalhar…
— Certo, então até depois.
A ligação terminou!
Wu Chen continuou dirigindo com uma mão no volante. Ao guardar o celular, virou a cabeça e olhou para o espelho retrovisor do lado esquerdo.
Já percebera, ainda durante a ligação, que um carro o seguia!
Era uma van executiva Mercedes-Benz preta, com placas de Modu. Wu Chen, porém, conseguia identificar imediatamente que eram placas falsas. E até sabia quem mandara o veículo.
Naturalmente, Qi Jun!
Provavelmente era um dos guarda-costas de Qi Jun quem dirigia!
Pelo que Wu Chen sabia, aquela van preta era um dos veículos clandestinos que Qi Jun utilizava para executar seus “serviços sujos”. Já chegara a transportar cadáveres. Sempre que saía às ruas, usava placas diferentes.
A placa podia mudar, mas o modelo do veículo não. Tampouco mudavam certos pequenos amassados e arranhões ainda não reparados, nem a posição exata do adesivo de inspeção anual no vidro, entre outros detalhes.
Naquele momento, tão repentinamente, só Qi Jun mandaria alguém segui-lo!
Nada daquilo surpreendia Wu Chen.
Ele conseguia até deduzir o estado de espírito de Qi Jun. Levara Qi Chenghong ao hospital, deixara homens vigiando o restaurante e depois mandara seguir Wu Chen… Provavelmente ainda não contara o acontecido ao irmão mais velho, Qi Min.
Qi Jun tinha certo medo de Qi Min.
Principalmente nos últimos anos.
Isso porque Qi Min acreditava que o irmão mais novo fora responsável por estragar seu filho, dando-lhe péssimas influências! Já repreendera Qi Jun por isso. Além disso, Qi Jun devia boa parte do sucesso que alcançara à ajuda do irmão mais velho.
Quem conseguira criar laços com a família Xiang fora Qi Min. Qi Jun nem sequer tinha acesso a conversas com eles.
Portanto, se Qi Min descobrisse que, mais uma vez, o próprio irmão e seu filho tinham se metido juntos numa confusão… e que, por humilharem uma moça, o filho quase morrera ao bater a cabeça…
Qi Min, cruel e inescrupuloso, certamente procuraria vingança.
Mas também daria uma bronca terrível no irmão, talvez até lhe acertasse bofetadas!
Assim, Qi Jun certamente não ousaria relatar imediatamente o ocorrido.
Precisaria esperar os resultados dos exames de Qi Chenghong e que o ferimento fosse tratado, até o sobrinho melhorar um pouco.
E, segundo sua maneira habitual de agir, tentaria resolver tudo primeiro! Antes que o irmão soubesse, cuidaria do problema, começando por capturar o “inimigo”!
Portanto…
Wu Chen podia concluir que a van Mercedes-Benz não os seguia apenas para descobrir aonde iriam. Seus ocupantes pretendiam provocar um acidente, capturá-los ou, de maneira ainda mais direta, causar um acidente grave que acabasse por matá-los!
Só não agiam porque aquela região tinha trânsito intenso e câmeras por toda parte, o que tornava difícil atacar. Por isso apenas os seguiam.
À frente havia um cruzamento com sinal vermelho.
Wu Chen desacelerou e parou diante da faixa de pedestres. A van preta também parou atrás do Bentley Continental, a uma distância de três metros.
Em plena área movimentada da cidade, não ousavam agir.
O sinal, que durava trinta segundos, estava prestes a mudar.
Wu Chen olhou mais algumas vezes pelo retrovisor, e os cantos de seus lábios começaram a se erguer.
— Xiaodie, sente-se firme e segure em alguma coisa — disse de repente.
— Hum? — Zhuang Xiaodie, distraída com seus pensamentos, virou-se para ele e ficou imediatamente nervosa. — O-o que foi, senhor Wu?
— Nada.
O sinal passou de vermelho para verde.
Wu Chen empurrou a alavanca de câmbio e pisou fundo no acelerador. Os pneus do Bentley Continental cantaram, e o carro disparou!
— Eu só vou… — continuou Wu Chen, sorrindo. — Matar duas pessoas.
