Novels chinesas em português
    Índice do Capítulo

    Capítulo 407 — Não se pode mimar tanto assim!

    Enquanto falava ao telefone, Wu Jiao se virou para olhar Wu Chen e viu o irmão fazendo um “psiu”! Por reflexo, interrompeu a frase e ficou piscando para ele, sem entender.

    O que o irmão queria dizer?

    Que não era para contar?

    — Hã? — A voz de Zhang Xiujuan logo voltou pelo celular. — Jiaojiao? O que tem seu irmão? Quer que eu adivinhe o quê?

    — Hehe! — Wu Jiao se recompôs e deu uma risadinha ao telefone. — Mãe, adivinha o que o mano comprou pra mim hoje!

    Na verdade, ela ia falar de An Menglan, mas mudou de assunto.

    Da outra vez, Wu Chen tivera de tomar o celular da mão dela para impedir a “bomba”. Agora não precisava: Wu Jiao não estava emburrada, só empolgada para contar. Quando não estava brava, ela até que obedecia bastante ao irmão.

    — Comprou o quê? — perguntou Zhang Xiujuan, e logo subiu o tom: — Menina, eu não te dei dinheiro? E já tá gastando o dinheiro do seu irmão de novo! Ele mal começou a trabalhar, nem recebeu salário ainda! Teve algum ano em que seu irmão trabalhou nas férias e não gastou com você? Você já é desse tamanho e ainda…

    Lá vinha a bronca.

    Não que Zhang Xiujuan tivesse preferência pelo filho. Era justamente o contrário: em casa, Wu Jiao sempre fora a mais mimada, por ser menina e cinco anos mais nova que Wu Chen.

    Mas Wu Chen também mimava a irmã junto com os pais. Antes, chegava a gastar com ela metade do dinheiro que suava para ganhar trabalhando nas férias.

    Zhang Xiujuan já não aguentava ver aquilo fazia tempo.

    Mimar desse jeito ia estragar a menina!

    — Mãe! Mãe! Nem gastou tanto assim, e você já tá brigando comigo… — Wu Jiao fez beicinho.

    — Nada de se fazer de coitada! Você foi pra cidade, era só encontrar seu irmão e comer alguma coisa. Eu não te dei dinheiro? Seu irmão lá tem dinheiro agora… — Zhang Xiujuan dava a bronca quando, de repente, mudou de rumo. — Cadê seu irmão? Tá aí do lado? Passa pra ele!

    — Tá bom! — Wu Jiao concordou na maior presteza. Correu até a porta e estendeu o celular para Wu Chen. — Mano! A mãe quer falar com você.

    Estava toda risonha, porque sabia que agora era o irmão quem ia levar bronca.

    — Alô, mãe — disse Wu Chen, pegando o telefone.

    — Xiao Chen! Não é por nada, não, mas não se mima ninguém desse jeito! Você mal começou a trabalhar, quanto dinheiro você tem? Já recebeu salário? Eu dei dinheiro pra Jiaojiao antes de ela sair, pra que você foi comprar coisa pra ela? Sua irmã tá na adolescência. Se ela pegar o costume de gastar sem pensar, como vai ser depois…? — Zhang Xiujuan passou o sermão. Sempre levara muito a sério a educação dos filhos.

    Sermão de mãe.

    Era só ouvir.

    Wu Chen não disse nada, só escutou sorrindo, enquanto Wu Jiao chegava do lado para ouvir junto e fazia caretas para ele.

    — …Xiao Chen! O que você comprou pra Jiaojiao? Quanto gastou? — Depois de passar um bom sermão no filho, Zhang Xiujuan perguntou.

    — Nem foi muito. Só umas roupas — respondeu Wu Chen.

    — Nem foi muito? Não vem me enganar! Se não foi muito, por que a Jiaojiao ia mandar eu adivinhar? — retrucou Zhang Xiujuan. Era por isso mesmo que ela tinha começado a bronca: pelo jeito da filha, estava na cara que tinha sido muito, mas muito dinheiro.

    — Não foi muito mesmo — disse Wu Chen, rindo. — Mãe, a Ruobing tá chegando. Depois a gente conversa.

    — Ruobing? — Zhang Xiujuan não ligou o nome na hora.

    — Sua nora — disse Wu Chen.

    — Ah… a sua namorada! Então tá. Passa o telefone pra Jiaojiao de novo — disse Zhang Xiujuan.

    Ela sabia que não pegava bem a namorada recém-arrumada do filho presenciar uma bronca dessas. Mas ainda queria dar mais uma prensa em Wu Jiao.

    Wu Chen foi passar o celular para a irmã.

    Wu Jiao recuou dois passos, abanando as mãos e, como quem tem uma ideia brilhante, apontou para o banheiro.

    Não queria atender. Tinha medo de levar bronca.

    — Mãe, a Jiaojiao foi ao banheiro — disse Wu Chen, levando o celular de volta ao ouvido.

    — Foi ao banheiro? Ela é que não quer atender, isso sim! Vocês dois, viu? Se juntam só pra me tirar do sério… — Zhang Xiujuan enxergou na hora o teatrinho dos filhos e, irritada, emendou: — Deixa pra lá. Também tô cheia de coisa pra fazer aqui. Vou desligar.

    — Tá bom, mãe.

    — Ah, é! Vocês já jantaram?

    — Ainda não. Daqui a pouco a gente vai fazer a comida.

    — Vão cozinhar? Que bom. Não esquece de comer na hora certa.

    — Tá bom, mãe.

    — Pronto. Tchau.

    Fim da ligação.

    — Valeu, mano! — Assim que Wu Chen largou o celular, Wu Jiao se agarrou ao braço dele, toda sorridente. — Meu irmão é o melhor!

    Agradecia porque ele a acobertara, dizendo que ela estava no banheiro.

    — Você, hein… — Wu Chen cutucou a testa dela com o dedo.

    — Peraí, mano! — Wu Jiao pareceu lembrar de alguma coisa. Estreitou os olhos para ele, pensou um pouco e perguntou: — Por que você não quer que eu conte pra mãe? Da outra vez você já não deixou, e agora de novo?

    — Pra não assustar o pai e a mãe — respondeu Wu Chen. — Pensa comigo: se eles souberem que eu tô namorando uma mulher tão rica… E mais: lá em casa a gente rala o ano inteiro pra ganhar cem, duzentos mil, e eu ganhei oitocentos mil em menos de um mês. Você acha que eles não vão ficar imaginando coisa? Igual você, que até desconfiou que eu tinha feito alguma coisa errada.

    — Você é jovem, pra você é fácil entender que dá pra ganhar dinheiro compondo. Com o pai e a mãe é diferente. Na idade deles, depois de terem passado aperto quando eram novos, se virem eu ganhando dinheiro assim tão rápido, vão ficar com o coração na mão. Podem até achar que eu tô enganando eles. Como é que alguém escreve uns poucos milhares de caracteres e ganha oitocentos mil? A geração deles não entende isso fácil…

    Wu Jiao ouvia, pensava e assentia sem parar.

    O irmão tinha razão!

    — Mas não dá pra esconder deles pra sempre, né? — perguntou.

    — Nem precisa — disse Wu Chen, sorrindo. — Se você ficar de garota de recados, não vai conseguir explicar direito, e aí eles vão me ligar pra perguntar, um trabalhão. Daqui a alguns dias eu vou pra casa e conto pessoalmente…

    — Uhum! Que bem pensado, mano! Até que você ficou esperto, hein? — disse Wu Jiao, sorrindo e alfinetando de leve o irmão por ter sido meio lerdo antes.

    Clac! Bam!

    Lá de baixo vieram alguns ruídos, e o som de uma porta se fechando.

    Ainda parado à porta do quarto, Wu Chen olhou para trás e disse:

    — Deve ser sua cunhada. Vou descer pra ver…

    E desceu.

    Na sala do térreo, Li Ruobing acabava de entrar acompanhada de dois seguranças. Na verdade, ela deveria ter chegado antes de Wu Chen: tanto a empresa quanto a mansão ficavam em Nancheng. Ela tinha escolhido morar ali justamente porque era pertinho do CBD!

    Só chegara mais tarde porque tinha ido fazer compras para o jantar.

    Ela e os dois seguranças carregavam sacolas de todo tamanho e seguiam para a cozinha.

    — Cadê a Jiaojiao? — perguntou Li Ruobing, sem parar de andar, ao ver Wu Chen descendo a escada.

    — No quarto de hóspedes — respondeu ele.

    — Deixa elas dormirem aqui hoje. Nada de ir embora — disse Li Ruobing.

    — Já falei com elas — disse Wu Chen.

    Li Ruobing entrou na cozinha com os seguranças, que largaram as sacolas e saíram depressa. Wu Chen entrou em seguida e viu Li Ruobing remexendo nas sacolas, como quem decide o que lavar e o que fazer primeiro, com toda a pinta de quem ia preparar um banquete.

    Ele tirou o paletó, foi jogá-lo no sofá e voltou arregaçando as mangas. Pegou um avental pendurado na parede.

    Hora de cozinhar!

    Li Ruobing pretendia fazer oito pratos e uma sopa. Ia ter bastante gente à mesa: além das quatro pessoas que já estavam na casa, Li Ruotai também viria mais tarde.

    Na meia hora seguinte, Wu Chen e Li Ruobing ficaram às voltas na cozinha, conversando, lavando e escolhendo as verduras, pondo primeiro no fogo os ensopados.

    Wu Jiao e Chen Xue não desceram.

    Estavam no quarto experimentando roupas, numa empolgação só. Afinal, tinham comprado várias peças novas e até caras, e claro que queriam provar tudo, combinar de um jeito e de outro.

    Sem que ninguém percebesse.

    Já passava das seis e meia.

    — Mano! Mano! — Wu Jiao finalmente desceu correndo, chamou algumas vezes e foi seguindo a voz dele até a porta da cozinha.

    — Mano, cunhada! Ficou bonito? — perguntou, toda animada, dando uma voltinha.

    — Linda! — disse Wu Chen, dando uma olhada e sorrindo.

    — Ficou muito bonita — disse Li Ruobing também, sorrindo.

    Toda satisfeita, Wu Jiao saiu trotando e subiu a escada correndo, tum, tum, tum.

    — Ser jovem é tão bom. Quanta energia — comentou Li Ruobing, sorrindo.

    — É porque você não viu como ela consegue ser chata — respondeu Wu Chen, rindo.

    Na meia hora seguinte, Wu Jiao desceu mais duas vezes, sempre com outra roupa, para mostrar a Wu Chen e Li Ruobing… Por volta das sete em ponto, desceu pela quarta vez, agora junto com Chen Xue.

    As duas tinham voltado às roupas de antes. Desciam para conversar e esperar o jantar.

    Uns dez minutos depois.

    As duas estavam sentadas no sofá da sala, vendo televisão.

    Bip, bip, clac!

    A porta principal da sala se abriu: alguém tinha destravado a fechadura biométrica pelo lado de fora.

    Wu Jiao e Chen Xue viraram a cabeça ao mesmo tempo. Um rapaz de vinte e poucos anos, de terno e com um ar meio “familiar”, entrou na mansão. Trazia uma maleta e algumas sacolas, com logotipos enormes de grife que chegavam a ofuscar.

    Era Li Ruotai!

    Tinha chegado, e trazia um presente de boas-vindas para Wu Jiao.

    Nota