Novels chinesas em português
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    Capítulo 399 — Cada vez mais surreal!

    Que satisfação!

    Wu Jiao tinha entendido direitinho! Li Ruobing queria justamente ouvi-la dizer “cunhada”!

    Até ali, Wu Jiao vinha chamando-a de “irmã”. No começo, não tinha nada de mais, e Li Ruobing também não estranhara. Afinal, não tinham intimidade. Esquisito seria se a menina já chegasse chamando de “cunhada”, toda cheia de intimidade!

    Mas, depois de um tempo, Li Ruobing passou a não gostar muito daquele “irmã”!

    Soava estranho!

    Ela não estava ali para ser irmã de Wu Jiao. Queria ser a cunhada dela. Ou melhor… a única mulher que Wu Jiao pudesse chamar de cunhada!

    Por isso, praticamente tinha deixado explícito que Wu Jiao devia chamá-la assim!

    E, assim como fazia Li Ruotai chamar Wu Chen de “cunhado”, para Li Ruobing o fato de serem casados ou não em nada mudava a forma de tratamento!

    E não era só isso!

    Li Ruobing também estava marcando posição! Precisava fazer Wu Jiao sentir que ela e o irmão se amavam de verdade. Havia muita coisa que, por enquanto, não convinha contar à menina, nem aos pais de Wu Chen. E, pelas condições que Wu Chen mostrava publicamente, havia de fato um abismo entre ele e Li Ruobing! Uma distância de vários níveis!

    Li Ruobing podia imaginar que uma diferença daquele tamanho… deixaria a família de Wu Chen nervosa, ou faria todos imaginarem coisas!

    Podia até deixá-los muito inseguros!

    Por isso…

    Li Ruobing sabia que a atitude dela era importante!

    Além do mais!

    Falando sem rodeios, Li Ruobing tinha vindo naquele dia justamente para “comprar” a simpatia de Wu Jiao, a sua “cunhadinha”!

    — Boa menina — disse Li Ruobing, sorrindo para Wu Jiao. A satisfação estava estampada no rosto dela.

    Wu Jiao ficou surpresa. Bastava chamá-la uma vez de “cunhada” para ela ficar feliz daquele jeito?

    Então ela tinha que… gostar muito, mas muito mesmo, do irmão dela?!

    Estava tudo ficando cada vez mais surreal!

    Passaram o cartão e foram embora!

    Como a bolsa de Wu Jiao estava cheia de coisas e seria um trabalhão transferir tudo, a bolsa da Chanel foi embalada por enquanto, e Wu Jiao saiu segurando a sacola.

    As três deixaram a loja da Chanel.

    — Ali ficam as lojas de roupa… Ah, Jiaojiao, você já usou salto alto? Já tem dezessete anos, já pode usar… — Sabendo que Wu Jiao nunca tinha pisado num shopping daquele nível, Li Ruobing foi mostrando o lugar e perguntou.

    — Salto alto? N-nunca… — respondeu Wu Jiao.

    — Então vem. É por ali… — disse Li Ruobing.

    Pelo jeito, Wu Jiao percebeu que Li Ruobing pretendia levá-la para comprar, comprar e comprar! Sabia que ela não ligava para dinheiro, porque era rica demais. Mesmo que gastasse algumas centenas de milhares para vesti-la dos pés à cabeça com coisas caríssimas, não sentiria nem um pouco.

    Mas aquilo deixava Wu Jiao sob uma pressão enorme!

    Por dois motivos.

    Primeiro, pela vergonha, ou melhor, porque não tinha coragem de aceitar coisas tão caras. Já tinha sido difícil aceitar aquela bolsa.

    Segundo: o que ia dizer quando voltasse para casa?

    Mesmo que os pais soubessem que tinha sido presente da namorada do irmão, era caro demais, caro demais! Era capaz de levar uma bronca dos pais. Aceitar tanta coisa caríssima de outra pessoa era falta de juízo!

    Uma bolsa já bastava. A pressão existia, mas não era tão grande.

    — N-não, deixa pra lá, irmã… cunhada. Uma bolsa já tá ótimo. Eu nem uso salto alto. Se a gente quiser comprar alguma coisa, depois eu e a Xiao Xue vamos passear por aí… — disse Wu Jiao.

    Li Ruobing olhou para Wu Jiao e depois para Chen Xue.

    Percebeu que estava gostando cada vez mais da irmã de Wu Chen.

    Porque ela tinha muito juízo!

    Pelo jeito de Wu Jiao, dava para ver que, embora a família de Wu Chen fosse simples, os pais dele tinham educado os filhos muito bem! O caráter de Wu Jiao era impecável!

    — Então vamos fazer assim. — Li Ruobing tirou o cartão de novo e o ofereceu a Wu Jiao, indicando também Chen Xue com um gesto. — Fica com o cartão. Não tem senha. Você e a sua amiguinha vão fazer compras juntas, e tudo o que comprarem hoje vocês passam nele… Eu aproveito pra comprar umas coisas pro seu irmão. A gente se separa e, quando terminar, se encontra…

    Li Ruobing era muito generosa.

    Por um lado, aquele dinheiro não significava nada para ela. Por outro, achava que a recusa de Wu Jiao talvez tivesse a ver com Chen Xue. As duas eram melhores amigas, usavam bolsa e tênis iguais. Só faltava se vestirem combinando.

    Dava para ver que eram muito, muito próximas.

    Nessa situação, se Wu Jiao de repente destoasse de Chen Xue e as roupas das duas passassem a ter uma distância enorme, isso poderia mesmo abalar a amizade.

    Ter uma amiga do peito, para quem se conta tudo, era coisa rara!

    Li Ruobing não queria estragar a amizade delas.

    Wu Jiao não teve coragem de pegar o cartão de crédito preto de Li Ruobing.

    Se já não ousava aceitar mais presentes, que dirá um cartão.

    — Não, não, imagina! A gente não vai comprar mais nada… — Wu Jiao abanou as mãos.

    — É, é! Não vamos comprar nada — concordou Chen Xue, abanando as mãos também.

    Diz o ditado que cada um anda com seus iguais, e Wu Jiao e Chen Xue tinham temperamentos muito parecidos. Na verdade, a família de Chen Xue era muito, muito mais rica que a de Wu Jiao, e ela podia muito bem gastar num nível bem mais alto. Mas, para que as duas continuassem no mesmo patamar quando saíam juntas, Chen Xue nunca comprava roupas ou sapatos que Wu Jiao não pudesse pagar.

    E, quanto a aceitar presentes, as duas tinham o mesmo receio. Chen Xue achava até que Wu Jiao ainda tinha um motivo para aceitar, afinal era presente da “cunhada”. Mas, se ela aceitasse, ia parecer o quê?

    Naquele momento!

    Li Ruobing finalmente entendeu o que Wu Chen quisera dizer com aquele “seja discreta, não vai assustar ninguém”.

    Duas boas meninas.

    Wu Chen, claro, conhecia o temperamento da irmã. E dava para deduzir que também conhecia o de Chen Xue, a menina da vizinhança que ele vira crescer.

    A diferença de dinheiro fazia com que cada lado tivesse uma noção completamente diferente do que era dinheiro!

    Para Li Ruobing, dar um presentinho no primeiro encontro era a coisa mais normal do mundo. Mas, por causa do preço, Wu Jiao mal conseguira aceitar e tinha medo até de receber!

    Uma bolsa de dezenas de milhares de yuans era cara?

    Li Ruobing sabia que dezenas de milhares não eram pouca coisa. Mas aquela já era a escolha “discreta” dela, não dava para descer mais. Abaixo daquilo, seria marca comum, e marca comum não servia para presente…

    Para Wu Jiao, porém, dezenas de milhares de yuans já era caro de dar medo!

    Naquele instante, Li Ruobing percebeu que já tinha “assustado” Wu Jiao!

    Nem sabia se, mais tarde, Wu Chen ia lhe “cobrar” por isso.

    — Vamos fazer assim, cunhada: vamos voltar? Você não disse que a gente ia na sua empresa? — Ao ver Li Ruobing olhando para ela, Wu Jiao emendou depressa: — Vamos agora! Quero conhecer a empresa da cunhada, fazer uma visita, pode ser?

    Wu Jiao estava realmente assustada e queria sair daquele shopping o quanto antes.

    Além disso, queria ver o irmão o mais rápido possível!

    Tinha um milhão de perguntas para fazer a ele!

    — Então tá bom. Vamos pra empresa… — concordou Li Ruobing, sem insistir mais.

    Uma hora depois.

    Duas e meia da tarde.

    Distrito de Nancheng, em Donghai, Torre 7 do CBD, escritório da presidência da Huancai Fashion.

    Fazia meia hora que Li Ruobing tinha chegado à empresa com Wu Jiao e Chen Xue. Assim que voltou, começou a despachar documentos. As duas garotas, sentadas no sofá, cochichavam de cabeças juntas e, de vez em quando, levantavam os olhos para observar Li Ruobing.

    Ao chegarem, já tinham visto os seguranças do lado de fora do escritório da presidência.

    Depois, viram também como Li Ruobing era trabalhando.

    Muito séria!

    Muito fria!

    Parecia outra pessoa! Aquela presença imponente, que mantinha qualquer um à distância, fazia as duas não ousarem fazer o menor barulho.

    Então era assim que uma presidente-executiva trabalhava?

    O que elas não sabiam era que Li Ruobing era daquele jeito o tempo todo. O sorriso e a simpatia com que as tratava é que não eram o normal.

    Atrás da mesa, Li Ruobing assinava papel atrás de papel, num ritmo rápido. Um assistente aguardava ao lado, de cabeça levemente baixa, sem dizer uma palavra.

    — …Por que o plano de aquisição da fábrica dos subúrbios do oeste ainda não ficou pronto? — perguntou Li Ruobing, com frieza, enquanto assinava página após página.

    — Hum… O pessoal do vice-presidente Sun disse que talvez só amanhã à tarde.

    — Ele tá fazendo o quê da vida? Já faz quanto tempo isso! Manda ele arrastar a carcaça até aqui. Agora! — ordenou Li Ruobing.

    — Sim, che… — O assistente começou a responder.

    Mas Li Ruobing pareceu se lembrar de alguma coisa. Ergueu os olhos para as duas meninas no sofá e voltou a se dirigir ao assistente:

    — Deixa pra lá… Resolvemos isso na reunião.

    Tinha lembrado que Wu Jiao estava ali. Se começasse a esculachar alguém na frente dela, com certeza ia apavorar a menina.

    Li Ruobing sabia muito bem como ficava quando perdia a paciência.

    Terminou de assinar, entregou os documentos ao assistente e acrescentou:

    — Adie a reunião das três da tarde para as quatro.

    — Certo, chefe — respondeu o assistente, saindo às pressas com os documentos nos braços.

    Um minuto depois de ele sair…

    Ouviram-se passos do lado de fora, além da voz de um segurança.

    — Senhor Wu.

    Logo em seguida, a porta se abriu.

    Com uma das mãos no bolso da calça social, Wu Chen entrou no escritório da presidência.

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