Capítulo 398 — Como você me chamou?
por NexoNovelCapítulo 398 — Como você me chamou?
Nem Li Ruobing esperava que Wu Jiao fosse perguntar diretamente quanto dinheiro ela tinha!
Se respondesse a verdade, adeus discrição!
Li Ruobing ficou em silêncio por um instante, pensou um pouco e respondeu:
— Uns dois bilhões.
— D-dois bilhões? — Wu Jiao chegou a gaguejar.
— É, por aí. — Li Ruobing assentiu.
Tinha dito a verdade! E dissera porque se lembrara do que Wu Chen falara antes.
Além de pedir que fosse discreta, ele dissera que levaria Wu Jiao à empresa à tarde.
Ou seja, não pretendia esconder da irmã nada sobre a empresa.
Por isso, Li Ruobing entendeu que a discrição de que Wu Chen falava se referia ao estilo, à ostentação e ao histórico familiar. Quanto ao dinheiro em si, não era preciso fazer força para parecer pobre.
Não ia se fazer de pobre de verdade por causa de um comentário casual de Wu Chen. Também não era para tanto.
E, para Wu Jiao, tanto fazia se a pessoa tinha duzentos milhões ou dois bilhões. No fundo, não havia diferença: eram números astronômicos, impossíveis de imaginar!
E daí? Se Wu Jiao ficasse sabendo, paciência.
Wu Jiao ficou assombrada. Chen Xue também.
As duas se entreolharam.
Mas nenhuma disse nada. Não sabiam o que dizer.
— Dois bilhões… dois bilhões… — Wu Jiao voltou a olhar para Li Ruobing, repetindo o número sem perceber. A imagem que tinha daquela mulher acabava de subir para um patamar inteiramente novo!
Uma presidente-executiva de apenas vinte e sete anos, com uma fortuna espantosa de dois bilhões!
E ainda por cima linda daquele jeito!
Wu Jiao só tinha visto gente assim em novela!
E ela… era namorada do irmão dela?! E estava lhe pagando o almoço?!
A história do rapaz pobre que namora a presidente-executiva estava acontecendo bem ali, ao lado dela, com o próprio irmão!
Surreal!
Surreal demais!
— Então, irmã… o que você viu no meu irmão? Ele também… ele acabou de se formar na faculdade. Como você foi… se apaixonar pelo meu irmão? Você é tão incrível… — Wu Jiao estava tão chocada que mal conseguia formar as frases!
O que ela queria dizer, claro, era que o irmão não estava à altura de alguém tão extraordinária quanto Li Ruobing!
— O amor não segue lógica nenhuma — respondeu Li Ruobing, olhando para ela com um sorriso. — Você ainda é muito nova, talvez não entenda. Não dá pra explicar em duas frases. Além disso… seu irmão também é muito capaz. Você não acha que a gente combina?
Li Ruobing tinha certeza absoluta de que ela e Wu Chen combinavam muito bem! Aquelas raposas como Wu Yurong e An Menglan nem se comparavam!
Wu Jiao, porém, balançou a cabeça feito um chocalho.
— Você acha que a gente não combina? — perguntou Li Ruobing, erguendo uma sobrancelha.
— Acho… Não, quer dizer, também não é isso… — Wu Jiao se embananou de novo. Qualquer resposta parecia errada.
Respirou um pouco e continuou:
— Meu irmão até que é legal. Entre o pessoal da idade dele, ele é bem bom. Sempre tirou nota boa, se formou numa universidade de ponta. Mas… comparado com você, irmã, ele é comum demais! Sei lá, acho que ele… não tá à sua altura.
Wu Jiao foi bem direta!
Ainda não tinha se recuperado do impacto dos “dois bilhões”.
Que tipo de família era a deles para arrumar uma namorada com dois bilhões de patrimônio?
Ela não pensava naquilo como alguém de fora, mas como alguém da família. Era uma questão de saber o próprio lugar!
— Não tá à minha altura? Você fala assim do seu irmão? — Li Ruobing riu. — Não tem medo de ele descobrir e ficar bravo?
— Que nada! Ele me mima — respondeu Wu Jiao.
— Então acho que vou contar pra ele — disse Li Ruobing.
— Não! — exclamou Wu Jiao na hora, e emendou: — Não, irmã, por favor! Não deixa meu irmão saber.
No fundo, ainda tinha um pouco de medo de levar uma “lição” do irmão.
— Com licença. — De repente, a voz de um garçom soou ao lado.
Os pratos começavam a chegar.
Assim que o garçom se afastou…
— Na verdade… seu irmão é muito mais incrível do que você imagina — disse Li Ruobing, sorrindo. — Vamos falar dele? Ele quase nunca me contou como era antes. Ah, é mesmo: você não tinha dito que ele já recebeu uma carta de amor?
— Recebeu, sim! Quando meu irmão tava no segundo ano da faculdade…
E começaram a falar de Wu Chen.
Li Ruobing tinha um interesse enorme pelo passado dele. O que Wu Jiao contava com a própria boca era muito mais concreto do que os relatórios das investigações que ela mandara fazer!
E muita coisa nenhuma investigação descobriria!
Principalmente as miudezas, o dia a dia!
Li Ruobing não tinha nenhuma segunda intenção em querer saber aquilo. Simplesmente queria saber, queria conhecê-lo melhor.
Wu Jiao era muito ingênua e respondia praticamente tudo o que Li Ruobing perguntava.
Claro que, de vez em quando, não deixava de florear um pouco: dizia que Wu Chen era um pedaço de pau, falava das manias de nerd de exatas dele e dizia que ele era especialmente sem noção com as garotas!
— Seu irmão chegou a aprender algum instrumento? Violão, piano, alguma coisa assim? — perguntou Li Ruobing, quando a refeição já ia pela metade.
— Não. Imagina… — respondeu Wu Jiao.
— Tirando videogame, acho que o irmão Xiao Chen não tem nenhum outro hobby — acrescentou Chen Xue.
Resposta negativa!
Li Ruobing não se surpreendeu nem um pouco! Só estava confirmando uma suspeita que já tinha!
Quando se deram conta, já era quase uma da tarde.
Tinham comido praticamente tudo.
Wu Jiao e Chen Xue estavam empanturradas, a ponto de soltar uns arrotinhos! Mesmo assim, ainda sobrou um pouco de comida na mesa: tinham pedido demais e não deram conta.
Li Ruobing limpou a boca e olhou o relógio.
— Vocês têm algum plano? Querem dar uma passada na empresa? O Wu Chen vai pra lá à tarde — perguntou.
— A gente… — Wu Jiao olhou para Chen Xue e depois para Li Ruobing. — Hoje a gente tava pensando em bater perna e comprar roupa, mas ainda não comprou nada…
— Fazer compras, é?… Então vamos juntas. Eu levo vocês — disse Li Ruobing.
— N-não precisa se incomodar, irmã. Você já pagou nosso almoço. A gente pega um táxi. E… você não tem que trabalhar? — Wu Jiao recusou depressa, abanando as mãos.
— Não tem problema. Posso ir pra empresa mais tarde. Eu também tô querendo comprar umas coisas — disse Li Ruobing, sorrindo.
Meia hora depois.
No segundo andar do Shopping Harman, no distrito de Zhongcheng, na loja da Chanel.
Li Ruobing segurava uma bolsa clássica da Chanel, rosa, de aba e couro granulado, examinando-a. Wu Jiao e Chen Xue estavam ao lado, olhando em volta, mas sem pegar nem mexer em nada. Sabiam que tudo ali era caríssimo e que não tinham dinheiro para comprar!
Tinham vindo acompanhando Li Ruobing, que dissera que também ia fazer compras.
— O que acha deste modelo? Bonito? — Li Ruobing olhou para a bolsa rosa nas mãos e se virou para Wu Jiao.
— Aham! Lindo demais! — Wu Jiao assentiu. Ela adorava aquele tipo de bolsa rosinha, toda delicada e menininha.
Não entendia por que Li Ruobing compraria uma bolsa daquelas, que nem combinava com o estilo dela. Mas, se era para dar opinião, era linda!
— Põe no ombro! — Li Ruobing estendeu o braço e pendurou a alça direto no ombro de Wu Jiao. Depois se virou para a vendedora. — Vou levar esta. No cartão.
— Por aqui, senhorita — respondeu a vendedora, toda sorrisos e solicitude.
Wu Jiao ficou paralisada.
Era para ela?!
Li Ruobing já seguia com a vendedora em direção ao balcão quando Wu Jiao, ainda atônita, finalmente se deu conta.
— Ela tá comprando pra você — cochichou Chen Xue no ouvido dela.
Wu Jiao pegou na mesma hora a etiqueta pendurada na bolsa e olhou.
A bolsa custava cinquenta e seis mil!
— Ei, irmã… Irmã, eu não posso aceitar! — Wu Jiao correu atrás de Li Ruobing, tentando devolver a bolsa.
Li Ruobing já estava no balcão com a vendedora. Enquanto tirava o cartão da própria bolsa, virou a cabeça:
— O que foi? Não tinha achado bonita? Não gostou mais?
— Bonita ela é, mas é cara demais. Eu… eu não posso aceitar — disse Wu Jiao, estendendo a bolsa com as duas mãos.
Ela realmente não tinha coragem de aceitar!
Uma bolsa de alguns milhares, talvez aceitasse, morrendo de vontade. Mas uma de dezenas de milhares era assustadora demais!
— Fica com ela. Considera um presente por a gente ter se conhecido — disse Li Ruobing.
— Mas… é cara demais! — insistiu Wu Jiao na hora.
— Cara? Nem tanto.
— É que… eu…
— Aceita.
Li Ruobing não se conteve e lançou à menina um olhar de leve repreensão. Embora continuasse sorrindo, para Wu Jiao aquele olhar foi, de repente, meio assustador: dava a impressão de que, se continuasse recusando, Li Ruobing ia ficar brava de verdade, ia perder a paciência!
— E-então… — Wu Jiao olhou para a bolsa, depois para Li Ruobing, depois para a bolsa de novo, e, sem perceber, passou a mão pelo couro. A bolsa era linda mesmo. Ela tinha adorado.
— Então tá. Obrigada, irmã — disse Wu Jiao, morta de vergonha.
Li Ruobing entregou o cartão à vendedora e se virou outra vez para Wu Jiao:
— Como você me chamou?
— Irmã, ué — respondeu Wu Jiao.
— Como? — repetiu Li Ruobing.
Wu Jiao ficou até nervosa. Desde que se conheceram, vinha chamando Li Ruobing de “irmã”. Onde tinha errado?
Ficou um instante parada, tentando entender. De repente, uma ideia incerta surgiu na cabeça dela e, num tom hesitante, com todo o cuidado, ela arriscou:
— …Cunhada?
