Capítulo 392 — Ela não vai perguntar
por NexoNovelCapítulo 392 — Ela não vai perguntar
— Bom dia, senhorita An — disse Wu Chen, sorrindo para An Menglan em seus braços.
— Bom dia, senhor Wu — respondeu An Menglan, com um sorriso doce. Não sabia por quê, mas a primeira frase dele ao acordar a deixou bem mais relaxada.
Tinha juntado toda a coragem para encarar Wu Chen acordado. Morria de medo de ficar um clima constrangedor, de não conseguir se explicar; com que atitude ele ia falar, o que ia dizer, com que atitude ela ia responder… Chegara a pensar: e se Wu Chen a beijasse ao acordar? Como reagir?
Recusar?
Ou retribuir?
Já tinham dormido juntos; tinha acontecido tudo o que tinha de acontecer. Um beijo não era nada.
Mas, na situação em que An Menglan estava, até uma escolha aparentemente “pequena” como aquela era difícil!
Recusar seria constrangedor demais: na noite anterior, a iniciativa fora dela; recusar agora daria a impressão de quem se diverte e depois não quer assumir! Seria difícil de explicar!
Retribuir seria deixar a coisa seguir seu curso. E então, a partir daquele dia, ela entraria na vida amorosa de Wu Chen? Viraria a “terceira”? Não! Nem terceira! Seria a quinta, a sexta, algo assim; nem na fila da terceira ela entrava.
Por qualquer lado que pensasse, era difícil.
Custara muito a tomar uma decisão por dentro! Tinha pensado em todas as possibilidades e em como reagir a cada uma.
Mas nada do que imaginara aconteceu.
Ao acordar, Wu Chen não lhe criou problema nenhum.
Até o “senhorita An” a deixou confortável e tranquila! Ela morria de medo de que ele a chamasse de “querida”; como responderia? Seria mais um problema.
— Acordou quando? — perguntou Wu Chen.
— Faz pouco — respondeu An Menglan. Sustentava o olhar dele meio no esforço; afinal, estava sem nada, aconchegada no peito dele, e era natural sentir um pouco de vergonha.
— Que horas são? — Wu Chen se virou e pegou o relógio sobre o criado-mudo.
Olhou a hora e o devolveu.
Nove e dezessete da manhã.
— Já tá na hora de levantar. — Wu Chen se voltou para ela e perguntou: — A senhorita An quer dormir mais um pouco?
— N-não precisa. — O olhar de An Menglan se agitou de repente.
Porque Wu Chen tinha bagunçado completamente o plano dela!
Casal, quando acorda de manhã, não costuma… fazer umas coisinhas?
Nas séries de TV é sempre assim!
Como é que Wu Chen ia… levantar direto?
Nem um carinhozinho?
Aquilo não só tornava inúteis todas as respostas que ela tinha preparado, como bagunçava o “plano” dela! Podia muito bem não ter voltado para a cama; se voltara, era porque já estava pronta para que acontecesse alguma coisa de novo entre os dois!
Não achava que, numa coisa dessas, estivesse saindo no prejuízo.
Pelo contrário: achava que, na noite anterior, bêbada, fizera isso e aquilo com Wu Chen sem nem lembrar direito como tinha sido; a primeira vez da vida tinha passado assim, e isso, sim, era prejuízo!
Por isso tinha decidido que podia fazer alguma coisa com Wu Chen totalmente sóbria.
E aquele era o primeiro passo do plano!
Sem aquele passo, o plano inteiro desandava!
An Menglan se afastou um pouco para o lado. Vendo que Wu Chen tinha mesmo se sentado, pensou por cerca de “um segundo” e também se sentou.
— Ei! — chamou.
— Hum? — Wu Chen virou a cabeça para ela.
An Menglan se inclinou e o beijou direto, e foi se entregando cada vez mais. Era a primeira vez que beijava um homem totalmente sóbria!
Foi ainda melhor do que tinha imaginado.
Claro, principalmente porque, tirando o fato de ele ter namorada, a única coisa que lhe dava dor de cabeça, todo o resto em Wu Chen a agradava; o talento musical dele já a tinha fisgado de vez!
Achou que ia ficar nervosa depois de beijá-lo.
Foi exatamente o contrário.
Não só não ficou nervosa, como se sentiu relaxada! De corpo! E! Alma! Feliz!
Tudo o que acontecera na noite anterior aconteceu de novo, por inteiro.
Meia hora depois.
Wu Chen levou An Menglan no colo até o banheiro.
Hora de tomar banho e escovar os dentes.
Havia banheira, mas encher demoraria demais, então os dois tomaram uma ducha no box.
Pouco depois.
A água corria.
An Menglan e Wu Chen estavam frente a frente, cobertos de espuma; a palma da mão dela desenhava círculos no peito dele, ensaboando-o.
— Senhor Wu. — An Menglan percorreu o corpo dele com os olhos e então ergueu o olhar para os olhos dele.
Já tinha se acostumado; agora conseguia encará-lo com naturalidade.
— O quê? — perguntou Wu Chen, sorrindo.
— Sobre a gente… — An Menglan fez uma breve pausa, apertou os lábios e sorriu. — Não conta pra senhorita Li, tá bom?
Não tinha encontrado jeito melhor de lidar com aquilo!
Só podia torcer para Wu Chen não contar!
E depois ela negaria até a morte!
Era mesmo a saída de quem não tem saída!
Se tinha querido fazer alguma coisa com Wu Chen sóbria, não era só para que a primeira vez fosse completa; queria também… deixá-lo de bem com ela!
Num clima daqueles, talvez Wu Chen concordasse, ou pelo menos ficasse um pouco do lado dela, e não contasse a Li Ruobing!
An Menglan chegou a se achar meio “má”, “má” e calculista! Mas… era o único jeito!
Para alguém de padrões morais tão altos, tomar aquela decisão exigira muita, muita determinação!
O sorriso de Wu Chen ficou sutil por um instante. Não sabia o que An Menglan tinha feito antes de ele acordar, mas conseguia perceber em que estado de espírito ela estava.
— A Ruobing não vai perguntar — disse ele, sorrindo.
— Não vai perguntar? Por quê? — A mão de An Menglan parou sobre o peito dele, e ela o encarou.
— Ela tem preguiça de perguntar. Mas talvez vá falar direto com você — disse Wu Chen.
— Direto comigo? — A expressão de An Menglan também ficou sutil.
Então era simples!
Era só negar!
Era cara de pau, mas An Menglan tinha medo de verdade de Li Ruobing! Coisa de quem está em falta!
An Menglan sorriu, passeou o olhar sutil pelo rosto dele e então abriu os braços, enlaçou o pescoço dele e se inclinou para beijá-lo de novo.
Foi só um beijo.
Passava das dez quando An Menglan saiu do quarto enrolada na toalha. Viu duas mudas de roupa novas sobre a mesa de centro da sala: Liu Jing tinha trazido, não se sabia quando; provavelmente enquanto os dois tomavam banho. Ao mandá-la às compras, An Menglan lhe dera o cartão do quarto.
An Menglan foi até a mesa de centro, passou os olhos por ela e pegou uma sacolinha de papel.
Dentro, uma caixa de remédio!
Exatamente o que tinha pedido.
Guardou primeiro o remédio e depois ligou para Liu Jing, pedindo que reservasse uma sala para o almoço.
Wu Chen também logo apareceu na sala. A roupa dele nem estava no quarto: na noite anterior, as coisas não tinham começado no quarto, e sim na sala de piano…
Os dois se vestiram.
An Menglan pôs a máscara e os óculos escuros.
E desceram juntos.
An Menglan não enlaçou o braço dele. Fora dali, em público, de jeito nenhum podia ter qualquer gesto de intimidade com ele!
Desceram para comer.
Liu Jing tinha reservado uma sala no restaurante ocidental do próprio hotel cinco estrelas.
No lado norte do terceiro andar.
Entraram.
Pediram!
Conversaram primeiro!
Comeram!
Começaram depois das dez e terminaram depois das onze; dava para chamar de almoço.
Mal trocaram algumas frases e já estavam falando de música.
Os dois agiam como se nada tivesse mudado entre eles, e isso deixava An Menglan especialmente à vontade, porque Wu Chen não lhe fazia pressão nenhuma!
No meio da refeição.
— Hum… pretendo voltar pra Modu hoje à noite — disse An Menglan. Assim que falou, sentiu uma coisa esquisita, algo como: “Que relação é essa, afinal, entre mim e o Wu Chen? Foi só uma vez?”
— Tão rápido? Não quer descansar um dia antes de ir? — perguntou Wu Chen, olhando para ela.
— Não precisa, tô bem. — An Menglan sabia por que ele sugeria um dia de descanso.
O corpo dela estava mesmo meio desconfortável, mas voltar para Modu não exigia andar muito: sairia de carro, iria ao aeroporto e pegaria o avião.
— Quando o senhor Wu pretende ir pra Modu? — perguntou ela. Fez uma pausa e acrescentou: — Quer dizer… talvez a nossa parceria, a gravação do álbum, ainda precise de você. E… você não combinou com o Peng Wei de ir pra Modu abrir uma empresa?
Nem An Menglan sabia por que estava se explicando.
— Daqui a uns dias, acho… — Wu Chen estava respondendo.
Trim, trim…
O celular tocou.
Wu Chen parou, pegou o aparelho e olhou a tela. Por um instante, ficou meio aéreo; logo depois, abriu um sorriso, atendeu e levou o celular ao ouvido:
— Mãe!
A mãe dele tinha ligado do nada!
