Capítulo 390 — Lá vai ela de novo!
por NexoNovelCapítulo 390 — Lá vai ela de novo!
Wu Chen segurava An Menglan, com uma expressão ligeiramente sutil.
Com a ajuda dele, An Menglan pôs os óculos escuros e a máscara.
Hora de ir!
Wu Chen a amparou para fora da sala. O guarda-costas A-Li estava logo à porta; ao ver os dois saírem, com An Menglan bem bêbada e Wu Chen a segurando, não estendeu a mão.
An Menglan ia andando e cochichando com Wu Chen.
Mesmo falando por trás da máscara, dava para ouvir mais ou menos.
— Me diz, senhor Wu: se os paparazzi pegarem a gente de novo hoje, fotografarem você me segurando… o que acontece? — perguntou An Menglan.
— Nada — respondeu Wu Chen.
— Sério?
— Claro!
— O senhor Wu é poderoso, hein. Parece que não tem medo de nada — disse An Menglan, andando meio torta, com a cabeça inclinada.
O tom era esquisito, como se estivesse provocando Wu Chen.
— Pelo jeito, a senhorita An bebeu demais mesmo hoje — disse Wu Chen, olhando-a de canto, sorrindo.
— Eu tô bem. Bebi um pouquinho demais, mas… tô bem! — respondeu An Menglan.
Na verdade, os dois só estavam jogando conversa fora.
Mas Wu Chen tinha percebido: o estado de An Menglan estava muito estranho!
Desceram.
Entraram no carro.
Esperaram um pouco, até a assistente Liu Jing, que tinha ido pagar a conta, sair e entrar também.
Partiram!
No carro, An Menglan tirou a máscara e, com toda a pinta de bêbada, ficou falando com Wu Chen de uma coisa e outra. O raciocínio continuava razoavelmente claro; só a voz e o jeito estavam carregados de álcool.
Uns oito ou nove minutos.
Chegaram ao hotel.
O Grande Hotel Nabohao de Donghai era, naturalmente, um cinco estrelas de luxo. Enquanto Wu Chen e An Menglan jantavam, a assistente Liu Jing já tinha resolvido tudo: o quarto fora registrado com o documento dela, e dava para subir direto com o cartão.
Normalmente, An Menglan voltaria para a casa de Song Xuan; já tinha se mudado para lá, e toda a bagagem estava lá.
Porém!
Nas palavras de An Menglan, já era tarde. Quando chegasse à casa de Song Xuan, passaria das dez, e voltar bêbada daquele jeito podia atrapalhar o descanso dela.
Além disso.
Ainda não tinha terminado a conversa com Wu Chen; lá não ia dar.
Os motivos eram convincentes, e falar assim combinava com o jeito despreocupado dela. Também já não parecia haver muito o que evitar entre ela e Wu Chen; da outra vez, tinham ficado na mesma suíte presidencial.
O que aconteceu uma vez, na segunda já não é tabu.
Afinal, era só para conversar!
Trigésimo terceiro andar.
Suíte presidencial.
Assim que chegaram, An Menglan abriu mais vinho! Parecia bem melhor do que ao sair do restaurante, como se tivesse ficado bem mais sóbria; até o andar estava muito mais firme.
A suíte era enorme. Não tinha só dois quartos: tinha também uma sala de piano!
Liu Jing escolhera de propósito uma suíte com sala de piano!
Pedido expresso de An Menglan!
Sem que percebessem, passava das dez.
Uma música de piano suave e melodiosa pairava pela suíte. Na sala de piano aberta, Wu Chen tocava algo que An Menglan nunca tinha ouvido: mais uma composição original dele, uma peça só para piano.
Sentada num banco alto ao lado do piano, com a taça na mão, An Menglan trazia um sorriso embriagado no rosto; de olhos fechados, balançava o corpo de leve ao som da música.
Parecia estar adorando aquele momento.
Uma mulher que amava a música e amava o vinho: aquele enlevo dela não era coisa que qualquer um entendesse.
Até que.
A música terminou!
— Uau! — An Menglan abriu os olhos e, toda admirada, ora assentia, ora balançava a cabeça. — Senhor Wu, você é mesmo um grande músico! Tira uma melodia tão linda assim, como quem não quer nada… Por que a gente não se conheceu antes?
Falando, levantou-se com a taça na mão e pegou também a outra taça que estava sobre o tampo.
Era a de Wu Chen, com meia taça de vinho.
Foi até ele, entregou-lhe a taça e ergueu a sua.
Brindaram.
Beberam!
Wu Chen só tomou um gole; An Menglan virou a taça inteira, de cabeça erguida!
— Bebendo assim, você vai apagar — disse Wu Chen, sorrindo.
— Será? — An Menglan sorriu de lábios apertados, embriagada, voltou a se sentar, recostou-se um pouco e apoiou o queixo de leve nos dedos, numa pose elegante. Olhando para Wu Chen, perguntou, sorrindo: — Aliás, senhor Wu, eu queria te perguntar uma coisa…
— O quê? — devolveu Wu Chen.
— Sobre anteontem à noite. — An Menglan sorria, e nas faces coradas surgiu uma emoção sutil. — Eu… não lembro direito como voltei pro quarto. Bebi muito naquele dia e não consigo lembrar se a gente… quer dizer… quando eu acordei, eu tava sem roupa…
— Fui eu que te levei pro quarto. Depois chamei a assistente Liu e pedi pra ela te ajudar… — disse Wu Chen, sorrindo.
— Ah, foi isso… — disse An Menglan, com ar meio surpreso.
Na verdade, não estava nem um pouco surpresa!
Porque já sabia! Fora Liu Jing quem tirara a roupa dela anteontem à noite!
Naquele mesmo dia, antes de Wu Chen chegar ao restaurante, An Menglan estava falando dele com Liu Jing. A princípio, falavam do resultado da negociação com Peng Wei; An Menglan tentava adivinhar como Wu Chen tinha conseguido, Liu Jing discutiu o assunto com ela e acabou mencionando o que acontecera anteontem à noite!
Disse que Wu Chen era muito correto, um cavalheiro, coisas assim!
Tinha uma ótima impressão dele!
Ao ouvir aquilo, An Menglan ficou com sentimentos complicadíssimos! Primeiro, alívio; depois, uma sensação esquisita por dentro! Agora sabia que nada tinha acontecido entre ela e Wu Chen anteontem à noite. Ela o beijara, e isso continuava sendo um segredo que não podia contar, mas o “pior cenário” que tinha imaginado não acontecera!
Só que, olhando pelo outro lado, An Menglan sentiu… um vazio!
Era como ter se preparado psicologicamente para aquilo, ter pensado no que podia vir depois e já ter planejado como lidar, para no fim descobrir que nada tinha acontecido… Um vazio enorme!
Nem An Menglan sabia o que, afinal, estava pensando.
Achava que, como fora ela quem beijara Wu Chen, mesmo que algo tivesse acontecido anteontem, a culpa não seria dele: a mulher tinha tomado a iniciativa, e Wu Chen também não era nenhum homem de uma mulher só.
Mas Wu Chen… dava a sensação de que ela lhe dera uma chance e ele não quisera!
An Menglan não sabia por que estava com a cabeça tão bagunçada; só conseguia atribuir tudo ao charme irresistível do talento musical de Wu Chen!
Por isso!
Decidira conversar direito com ele de novo naquela noite!
Era por isso que estavam de novo num hotel, falando de música e bebendo!
A iniciativa fora de An Menglan!
Mesmo assim, ela não pretendia que acontecesse nada entre os dois naquele dia. Wu Chen não era “um cavalheiro”? Então não ia acontecer nada! An Menglan não queria admitir que, no fundo, havia nela um certo inconformismo; queria… testar se Wu Chen era mesmo tão cavalheiro assim!
— O senhor Wu é bem cavalheiro, hein — disse An Menglan, com um sorriso embriagado, meio surpresa.
— Mais ou menos — disse Wu Chen, sorrindo.
— Toca mais uma, vai! Quero ser sua fãzinha. — Falando, An Menglan pousou a taça e juntou as mãos, como quem vai aplaudi-lo.
Bêbada, An Menglan tinha um lado bem divertido.
Principalmente porque os dois já estavam mais íntimos. Tinham conversado sobre tanta, tanta coisa: conheciam-se havia poucos dias, mas parecia que se conheciam havia muito, muito tempo! An Menglan já fazia brincadeiras com Wu Chen, sobretudo bêbada.
Logo!
Outra melodia linda ecoou pela suíte.
An Menglan se serviu de mais vinho, levantou-se com a taça e ficou um pouco atrás e ao lado de Wu Chen, de olhos fechados, ouvindo, balançando de leve; de vez em quando erguia a mão e marcava o ritmo, ainda totalmente enlevada!
Mais uma melodia que ela nunca tinha ouvido.
E, de novo, tão linda!
Oito ou nove minutos depois.
A música chegou ao fim.
De olhos fechados, An Menglan respirou fundo. Voltou a sentir aquela coisa inexplicável por dentro: com tanto talento, a pergunta continuava… por que não tinha conhecido Wu Chen antes?
— Senhor Wu, um brinde a você! — An Menglan abriu os olhos e ergueu a taça para ele.
Wu Chen pegou a taça e brindou com ela.
An Menglan virou tudo de novo.
Depois foi para a lateral do piano, querendo se sentar.
Mal deu dois passos e tropeçou: dessa vez tinha bebido demais de verdade. Wu Chen, rápido como sempre, estendeu o braço e a segurou, e An Menglan, que perdera mesmo o equilíbrio, acabou sentada e apoiada nos braços dele.
— Cuidado — disse Wu Chen baixinho.
An Menglan pretendia se apoiar e levantar, mas virou a cabeça para ele. Viu o rosto dele a poucos centímetros do seu, hesitou um instante, e o olhar se fixou.
E então!
Ploc!
A taça caiu da mão dela no tapete, sem quebrar.
Ela tinha aberto a mão e largado a taça. Segurou o rosto de Wu Chen com as duas mãos, inclinou-se e… beijou!
An Menglan se entregou.
Aos poucos, uma das mãos enlaçou o pescoço de Wu Chen, e a outra o abraçou pelas costas.
An Menglan não se segurou.
Lá ia ela de novo!
E, dessa vez, não fez como da outra: não afastou Wu Chen.
E Wu Chen… não deixaria a mesma frustração acontecer duas vezes!
