Novels chinesas em português
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    Capítulo 383 — Então você tem quinhentos milhões?

    Peng Wei estava completamente zonzo!

    Conhecia a voz de Li Ruobing. Na noite anterior, sem conseguir dormir, passara um bom tempo pesquisando na internet sobre Li Ruobing, Li Ruotai e grandes empresários próximos de Wu Chen, como Lu Guangnian!

    Informações pessoais de Wu Chen não havia na internet.

    Mas aquelas pessoas ligadas a ele eram todas figuras públicas, com nome e sobrenome na internet! Li Ruobing principalmente! A origem familiar dela era difícil de pesquisar, mas os negócios, as notícias, os vídeos, tudo isso era facílimo de achar!

    Por que Li Ruobing reagira daquele jeito? Uma foto daquelas, e ela não ficava furiosa? Ainda perguntava se Wu Chen queria provocá-la… Ela já sabia?

    E Li Ruobing sabia quem ele era?

    Ainda disse que ele era um saco, que podia resolver? Fazê-lo calar a boca?

    Peng Wei entendia muito bem que o “resolver” e o “calar a boca” de Li Ruobing não podiam ser entendidos só ao pé da letra! Muito provavelmente não queriam dizer fazê-lo parar de falar, e sim fazê-lo nunca mais poder falar!

    Para uma família de poder e prestígio como os Li, alguém como Peng Wei, que ganhava a vida pelas vias tortas do meio artístico, por mais contatos que tivesse, por mais especial que fosse a posição dele no meio, não passava de um peixe miúdo! Fazê-lo sumir, ou mandá-lo para a cadeia, seria muito simples!

    Peng Wei sabia muito bem disso.

    Por isso, quando Li Ruobing falou em resolver, ele gelou da cabeça aos pés! Naquela hora, bastava Wu Chen concordar e ele estaria acabado!

    E agora, embora Wu Chen não tivesse concordado…

    A sensação era de que só tinha mudado o jeito de morrer!

    Por que Li Ruobing agira assim? Peng Wei não conseguia entender, nem tinha mais ânimo para analisar o que estava acontecendo, porque aquilo já não importava! O que importava era que o podre que ele via como “arma letal”, capaz de causar um dano fatal a Wu Chen, tinha perdido o efeito naquele instante!

    Não servia mais para nada!

    Quanto mais confiante estivera antes, mais aterrorizado estava agora!

    O sorriso habitual de Wu Chen, que até ali Peng Wei via como arrogância e pose, já não lhe parecia isso! Começava a ficar assustador, insondável!

    Só naquele momento Peng Wei percebeu, alarmado: Wu Chen nunca mudava de expressão!

    Estava sempre sorrindo!

    Peng Wei não conseguia tirar nada de útil da expressão nem do olhar dele! Ele não conseguia, e ninguém conseguiria! Um controle de expressão tão invariável só podia existir em alguém extremamente calculista!

    Qualquer mudança mínima na expressão de uma pessoa, mesmo sorrindo o tempo todo, passava uma sensação diferente! Contida, rígida, sem graça! Tudo refletia o estado psicológico!

    Mas Peng Wei… já não fazia ideia do que Wu Chen estava pensando!

    Quando alguém passa a achar o outro assustador, tende, sem perceber, a superestimar cada gesto e cada atitude dele, procurando significados ocultos!

    Na verdade, Wu Chen só tinha o hábito de sorrir.

    A sala estava tão silenciosa que daria para ouvir um alfinete cair.

    Wu Chen continuava sorrindo, só olhando para Peng Wei, deixando-o arrepiado, com um frio na espinha! Peng Wei já não sabia como negociar com ele! A situação tinha chegado a um ponto em que Wu Chen podia fazer dele o que quisesse!

    Wu Chen era a faca, e ele, o peixe na tábua! Não havia a menor chance de virar o jogo!

    Olhando para Peng Wei, Wu Chen pegou de repente a xícara e tomou um gole.

    — Sabe de uma coisa? — disse, sorrindo. — Eu não gosto muito de ser ameaçado. Quem me ameaça costuma acabar mal.

    E, ao terminar, pousou a xícara na mesa.

    — Se-senhor Wu, acho que pode ser um mal-entendido! — disse Peng Wei, numa postura totalmente diferente da de antes.

    E a dignidade?

    E as aparências?

    Valiam mais que a vida?

    Enquanto falava, levantou-se depressa, pegou o bule sobre a mesa, segurou a tampa com a outra mão e, curvado para a frente, serviu chá na xícara de Wu Chen.

    O chá gorgolejou na xícara…

    — Senhor Wu, toma um chá, toma um chá. — Serviu e se sentou de novo, completamente fora do normal.

    Estava com os nervos à flor da pele.

    — Mal-entendido? — Wu Chen pousou a mão na xícara e sorriu para ele. — Pelo que eu lembro, depois que você fotografou a senhorita An, eu te liguei na hora. Eu avisei, não avisei? E você fez o quê? Postou uma prévia no Weibo e ainda veio a Donghai me fotografar! Por que acha que isso é mal-entendido?

    Wu Chen parecia meio intimidador!

    O que, aliás, combinava bem com a ideia que Peng Wei fazia dele.

    Agora, claro, Peng Wei se arrependia amargamente! Tivera muitas opções! Podia ter ligado para Wu Chen buscando um acordo, prometido não publicar as fotos e pedido que soltasse o pessoal dele.

    Ou ligado para An Menglan e falado com jeitinho.

    Uma coisa facílima de resolver, sem as encrencas e os conflitos que vieram depois!

    Mas Peng Wei escolhera justamente o que agora parecia o pior caminho, o mais desastroso!

    — Senhor Wu, eu… eu sei que causei ao senhor e à senhorita An alguns danos psicológicos e emocionais. Admito que errei, posso compensar o senhor… — Nervosíssimo por dentro, Peng Wei gesticulava com as duas mãos sem perceber, segurando as emoções e se esforçando para parecer o mais sincero possível.

    O psicológico de Peng Wei ainda era forte; pelo menos, não deixava o pânico estampado na cara.

    E era um homem direto: sem rodeio nenhum, admitiu o erro e ofereceu indenização!

    — Compensar? Como? — O sorriso de Wu Chen ficou esquisito por um instante. — Com dinheiro?

    Wu Chen falou em dinheiro, e isso, somado à mudança na expressão dele, fez Peng Wei concluir: ele quer dinheiro!

    Dinheiro resolvia a grande maioria dos conflitos!

    Fosse briga de gente comum, fosse disputa entre grandes famílias, quase sempre tudo passava por dinheiro!

    — Senhor Wu, diz um valor! Eu pago indenização por danos morais! — disse Peng Wei, sem rodeios.

    Era tudo o que ele queria: resolver aquilo com dinheiro!

    Assim era mais direto, mais limpo!

    E ficava cada um quite com o outro!

    — Você tem tanto dinheiro assim? — devolveu Wu Chen, sorrindo. — Fala com uma facilidade!

    Não soava como dúvida; soava mais como preparação para pedir um absurdo!

    — Com o senhor Wu, claro, não dá pra comparar, mas… vou fazer tudo o que puder. — Peng Wei pensou e respondeu depressa, cada vez mais submisso. — É só dizer um valor que eu consigo, com certeza, com certeza!

    — Você acha que eu tô te extorquindo? — perguntou Wu Chen de novo.

    — Não, não, não! Não é extorsão! É indenização por danos morais pro senhor! — frisou Peng Wei. — Compensação emocional!

    Wu Chen ficou um instante em silêncio, como quem pensa, e voltou a pegar a xícara para tomar mais um gole.

    O coração de Peng Wei subiu à garganta. Já tinha decidido: mesmo que custasse algumas dezenas de milhões, ia resolver aquilo.

    — Ouvi dizer… — Ao pousar a xícara, Wu Chen voltou a falar, num tom arrastado — que hoje o Chefe Peng ganha sozinho mais de cem milhões por ano. É verdade? — E ergueu uma sobrancelha para ele.

    Peng Wei mudou de cor.

    Pelo jeito da pergunta, Wu Chen queria abocanhar os bens dele! Aquilo não era só pedir um absurdo: era querer o patrimônio inteiro!

    A renda anual de Peng Wei passava mesmo de cem milhões! Comparável à das estrelas mais disputadas.

    Mas o que sobrava a cada ano não era tão exagerado assim.

    Os gastos dele eram enormes! Alguns nem apareciam na contabilidade da empresa, e ainda havia os impostos.

    Além disso, ele não ganhara tanto desde o começo; a renda fora subindo em degraus, conforme o estúdio crescia.

    No momento, o patrimônio total de Peng Wei girava em torno de quinhentos milhões.

    E a maior parte… naturalmente, ele não deixava parada em dinheiro; quase tudo estava investido. O que podia usar diretamente eram umas dezenas de milhões, pouco mais!

    — É… é, passa um pouco de cem milhões… — disse Peng Wei. Não se atreveu a mentir; sabia que levantar a renda anual dele seria facílimo para Wu Chen, e mentir não adiantava.

    — Paparazzo ganha bem, hein. — Wu Chen sorriu, cruzou os braços, apoiou os cotovelos na mesa, inclinou a cabeça e, sem perder o sorriso, perguntou: — Então você tem quinhentos milhões?

    Na cabeça de Peng Wei, algo explodiu.

    Ficou completamente paralisado!

    Wu Chen… queria todo o patrimônio dele?!!

    Nota