Capítulo 367 — Um baita furo!
por NexoNovelCapítulo 367 — Um baita furo!
Do lado de fora da suíte presidencial havia três homens. Um deles, de meia-idade, calvo, tinha uns quarenta anos. Os outros dois eram mais jovens, um alto e um baixo, os dois por volta dos trinta.
No instante em que An Menglan abriu a porta, os três dispararam para dentro da suíte com câmeras e lentes de todos os tamanhos!
An Menglan estava com roupa de dormir, o cabelo meio bagunçado e cara de cansada, mas isso não era problema. Não se importava de ser fotografada pelos paparazzi daquele jeito.
A camisola era bem comportada; dava perfeitamente para aparecer com ela!
Quanto à aparência… de cara limpa, An Menglan dava conta do recado e muito mais! Transbordava feminilidade!
O ponto não era a aparência dela naquele momento, e sim o fato de haver um homem no quarto!
An Menglan não deixava de ter amigos homens, e ser fotografada com algum deles normalmente não seria problema. O problema de verdade era a hora e o lugar!
Mal passava das oito da manhã. Não dava para dizer que um amigo tinha ido até lá só para tomar café com ela, dava? An Menglan estava de camisola. Aquilo não era roupa de receber visita!
Na verdade!
Qual era a verdade não importava aos paparazzi!
O que importava era conseguir imagens que dessem margem à imaginação! Isso bastava!
Depois, que texto acompanharia que foto era decisão deles!
Estava claro que os paparazzi tinham ido atrás de um escândalo amoroso de An Menglan!
Bam!
An Menglan reagiu rápido. O flash ofuscou seus olhos; por reflexo, ela ergueu uma mão para se proteger e, com a outra, bateu a porta com força! Recomposta, voltou a passos rápidos, atravessou a sala e entrou no quarto.
Foi pegar o celular! Ligar para o guarda-costas!
— A-Li, tem repórter na porta — disse An Menglan assim que ele atendeu.
Ao mesmo tempo.
No corredor, os três paparazzi seguiam a passos rápidos para os elevadores, conferindo as câmeras enquanto andavam e olhando as telinhas para ter certeza de que tinham as fotos.
Hora de sumir!
Correr, já!
Chegaram aos elevadores, chamaram os carros e trocaram depressa algumas palavras em voz baixa. Então um deles decidiu descer direto pela escada ao lado. Eram quinze andares, e ele ia descer correndo!
Os outros dois esperaram os elevadores para descer.
O hotel tinha elevadores de alta velocidade!
Logo os dois chegaram. As portas se abriram, e os dois homens entraram cada um num elevador e desceram ao mesmo tempo.
Separaram-se por dois motivos. Um era ocupar os dois elevadores; o outro, não serem todos encurralados de uma vez! Separados, mesmo que pegassem um, não pegariam todos. Alguém sempre escaparia!
O “furo” sobre An Menglan tinha valor incalculável. Em dinheiro, seria uma cifra astronômica que os três não ganhariam na vida inteira!
Os três paparazzi eram profissionais e davam o sangue!
Quando as portas dos elevadores se fecharam.
A porta da suíte executiva em frente à suíte presidencial se abriu. O guarda-costas A-Li saiu às pressas, olhou em volta e disparou para os elevadores.
Ao chegar, viu que os dois já estavam descendo. Não hesitou e foi também para a escada!
Ia descer correndo!
Dentro da suíte presidencial.
An Menglan já tinha voltado à sala com o celular na mão. Estava com uma cara muito estranha. Sobretudo quando olhava para Wu Chen: o olhar estava ainda mais esquisito que antes, com uma espécie de… culpa!
Culpa de verdade!
Normalmente, se tirassem fotos daquelas, An Menglan teria a consciência tranquila. Com o temperamento dela, mandaria alguém resolver, mas por dentro não entraria em pânico!
Mesmo que um dia ela começasse de fato a namorar e os paparazzi a flagrassem e espalhassem tudo num piscar de olhos, ela não entraria em pânico! Se estava namorando, estava. Se vazou, vazou. Não ligava mesmo!
Dessa vez era diferente.
An Menglan sentia a culpa de quem foi pego com a mão na massa. Por mais que pensasse, achava que alguma coisa, com certeza, tinha acontecido entre ela e Wu Chen na noite anterior. Afinal, até a roupa tinha sumido. A única dúvida era quem tinha tomado a iniciativa.
Se Wu Chen fosse solteiro, vá lá!
Mas não era!
Ele tinha namorada!
Por isso… An Menglan estava mesmo em pânico. Não pensava só no escândalo, mas também em Li Ruobing! Se aquilo chegasse aos ouvidos de Li Ruobing, aí…
— O A-Li tá cuidando disso — disse An Menglan a Wu Chen, voltando a se sentar na poltrona. Apertou os lábios e ficou de novo sem saber o que dizer.
— Paparazzi, hein — comentou Wu Chen, sorrindo.
— Hum. — An Menglan assentiu.
E o assunto morreu de novo.
A sala ficou em silêncio.
— Come primeiro. Não se preocupa, vão resolver — disse Wu Chen, sorrindo, indicando a comida. — Se demorar mais, esfria.
— Hum. — An Menglan assentiu outra vez.
Não era frieza. Era uma inquietação difícil de explicar.
Toc, toc!
Bateram à porta.
— Chefe. — Era a voz de Liu Jing, do lado de fora.
An Menglan se levantou e foi abrir.
— Chefe, você tá bem? — perguntou Liu Jing, assim que entrou.
— Tô. Só tiraram umas fotos — respondeu An Menglan.
Liu Jing entendeu na hora. Conhecia muito bem aquele tipo de situação. Se tivessem fotografado só An Menglan, não seria problema. O problema era terem fotografado Wu Chen junto!
— Esses paparazzi desgraçados — xingou Liu Jing, furiosa.
An Menglan não disse mais nada. Voltou para perto da mesa de centro e se sentou. Liu Jing veio também, sentou-se na poltrona do outro lado e ainda cumprimentou Wu Chen:
— Bom dia, senhor Wu.
— Bom dia, assistente Liu — respondeu Wu Chen, sorrindo, com um aceno de cabeça.
Trim, trim…
O celular de An Menglan tocou.
Ela atendeu na hora!
— Chefe, eles fugiram de carro… — veio a voz ofegante de A-Li.
— Onde você tá? — perguntou An Menglan na hora.
— No estacionamento subterrâneo.
— Viu o carro? Qual é a placa? — perguntou ela de novo.
— Uma van executiva preta, placa de Modu. A placa é…
A-Li passou com precisão os dados do carro dos paparazzi. Na verdade, quase os alcançara! Tinha descido pela escada, e o mais lento dos três também, só que começara a descer antes dele.
A-Li chegou ao estacionamento a tempo de ver o paparazzo pular para dentro do carro, que arrancou e sumiu!
— Volta pra cá. A gente conversa quando você subir — disse An Menglan, por fim, e desligou.
— Fugiram? — perguntou Wu Chen, virando a cabeça para ela.
— Hum. — An Menglan assentiu e olhou de novo o celular. — Uma van executiva preta, placa de Modu. Temos o número.
— Dá pra pedir ajuda à senhorita Song, não dá? A família dela é bem poderosa em Donghai… — sugeriu Liu Jing, do outro lado.
— Dá. Vou ter que incomodar a senhorita Song — disse An Menglan, assentindo. Sabia melhor que Liu Jing o peso que Wu Yurong, mãe de Song Xuan, tinha em Donghai.
Só que… contar aquilo a Song Xuan seria muito esquisito!
Afinal, os paparazzi tinham fotografado ela e Wu Chen.
— Qual é a placa? — perguntou Wu Chen, ao notar a cara de An Menglan.
— A placa é… — An Menglan se virou e passou o número a ele.
— Deixa que eu ligo — disse Wu Chen, sorrindo. Tirou o celular, mexeu rapidinho e discou.
Atenderam logo.
— Alô, cunhado — veio a voz de Li Ruotai.
— Uma van executiva preta, placa… — Wu Chen passou primeiro os dados do carro e então disse: — Acabou de sair do Hotel Jiahua. Acha esse carro agora mesmo e segura tudo: o carro e todo mundo que tiver dentro!
— Beleza, cunhado! Vou mandar resolver agora! — Li Ruotai não fez pergunta nenhuma. Primeiro, o serviço.
Wu Chen desligou.
Olhou para An Menglan e disse, sorrindo:
— Não se preocupa. Eles não saem de Donghai.
Ainda inquieta, An Menglan assentiu e disse:
— Obrigada, senhor Wu.
— Obrigada por quê? O problema não é só seu. Eu também não quero sair em manchete — disse Wu Chen, sorrindo.
Alguns minutos depois, A-Li voltou, e An Menglan repassou com ele, em detalhes, o que tinha acontecido.
Mais de vinte minutos depois.
Trim, trim…
O celular de Wu Chen tocou. Era Li Ruotai retornando!
— Alô, Atai — atendeu Wu Chen.
— Cunhado, pegamos eles. Quatro ao todo. Tavam num beco perto do Hotel Jiahua, nem tinham ido longe — disse Li Ruotai. Fez uma pausa e acrescentou: — Só que…
— Só que o quê? — perguntou Wu Chen.
— É que… quem pegou foi o pessoal do Zhuangyuan. Me disseram que, quando pegaram eles, o carro tava parado no beco e eles tavam mandando alguma coisa por um notebook. E-mail, sei lá. Já tinha sido enviado…
Li Ruotai falava sem muita certeza; afinal, não tinha participado pessoalmente da captura.
— Entendi — disse Wu Chen, sem mudar de expressão.
Wu Chen sabia como os paparazzi trabalhavam. A situação, então, devia ser esta: os paparazzi tinham sido pegos, mas as fotos que tiraram provavelmente já tinham sido enviadas ao “chefe” deles!
E Wu Chen sabia quem era esse chefe!
