Novels chinesas em português
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    Capítulo 366 — Tem alguma coisa errada!

    Com o rosto paralisado, An Menglan voltou a se esforçar para lembrar o que tinha acontecido na noite anterior.

    Lembrava que, à tarde, tinha comido com Wu Chen. Os dois beberam bastante, mas naquela hora ela estava só meio bêbada, então lembrava de tudo.

    Depois voltaram à suíte presidencial e assinaram o contrato.

    E então beberam mais!

    Beberam juntos, um tocando e a outra cantando, até umas oito ou nove da noite… Foi a partir daí que começaram os buracos na memória de An Menglan. Muitos detalhes tinham sumido por completo, mas as coisas realmente importantes, fora do comum, naturalmente ficavam!

    A lembrança de ter beijado Wu Chen logo ficou nítida!

    Dessa parte, ela lembrava inteira.

    Depois… An Menglan lembrava vagamente de ter se levantado. Parecia que… também tinha lavado o rosto?

    E depois?!

    Não tinha depois!

    Não lembrava de mais nada!

    Então, cadê a roupa? Quem tinha tirado? E tirado tudo!

    Ela tinha bebido até apagar!

    O rosto de An Menglan mudava de cor sem parar. Enquanto pensava, virou a cabeça para a porta do quarto, com o olhar meio parado. Ouvia, de leve, o som de um noticiário vindo da televisão da sala. Devia haver alguém assistindo.

    Wu Chen ainda estava ali. Já tinha acordado e estava vendo televisão!

    Foi o que An Menglan deduziu, porque não podia ser mais ninguém. Sem permissão dela, a assistente e o guarda-costas não entrariam ali, muito menos para ver televisão!

    — Ai! O que foi que aconteceu… como eu fui beber tanto assim… — resmungou An Menglan, angustiada, franzindo de leve a testa, e voltou a erguer a coberta para olhar.

    Como não tinha experiência nesse tipo de coisa, An Menglan não conseguia ter certeza se algo tinha acontecido entre ela e Wu Chen na noite anterior.

    Achava que sim!

    Senão, por que a roupa tinha sumido?

    Mas! O que não conseguia saber era se tinha sido ela a tomar a iniciativa! Ou se Wu Chen se aproveitara de ela estar bêbada para fazer alguma coisa! Não queria pensar mal de Wu Chen, mas, afinal… a roupa não tinha saído sozinha.

    E, como lembrava que tinha tomado a iniciativa na noite anterior! Tinha até sentado no colo de Wu Chen e o agarrado para beijá-lo, então… vai saber se ela mesma não perdera o controle e avançara nele de novo!

    Pensando nisso, An Menglan chegou a corar.

    E ficou com raiva de si mesma!

    Como não tinha conseguido resistir ao charme daquele homem?

    Li Ruobing a alertara apenas duas noites antes, e no dia seguinte, pelo jeito, ela já tinha “capotado”! Como é que tinha chegado… àquele ponto?

    Um detalhe merece menção! Como An Menglan lembrava de ter tomado a iniciativa, tivesse ou não acontecido alguma coisa no fim, e fosse quem fosse o último a tomar a iniciativa, ela não culpava Wu Chen!

    Culpava só a si mesma!

    Afinal! Quando uma mulher já foi tão longe na iniciativa com um homem, o que vem depois não dá para pôr na conta dele!

    Ding-dong! Ding-dong! Ding-dong!

    De repente, a campainha tocou na sala.

    Do quarto, An Menglan ouviu vagamente. Logo depois, ouviu também algo como “serviço de quarto” e “entrega”!

    Na sala da suíte presidencial.

    O café da manhã de Wu Chen tinha chegado.

    Já fazia quase cinquenta minutos desde o pedido. O motivo principal era que o bife Wellington demorava para ficar pronto; por isso a entrega atrasara.

    Wu Chen fizera de propósito. Como não sabia a que horas An Menglan acordaria, pediu um café da manhã demorado; chegando mais tarde, ela talvez ainda pegasse a refeição.

    Pratos montados com todo o capricho foram dispostos um a um sobre a mesa de centro.

    Bife Wellington, sopa de batata à moda ocidental e algumas saladas de legumes e frutas. Duas porções.

    Depois de arrumar tudo, o funcionário do serviço de quarto saiu empurrando o carrinho.

    Wu Chen começou a comer na hora!

    Também não havia por que acordar An Menglan só para tomar café. Se desse tempo, deu; se não, paciência. Quem bebe demais pode muito bem dormir até o meio-dia.

    Alguns minutos depois.

    Wu Chen cortava o bife, de olho na televisão.

    Trim, trim…

    O celular dele tocou!

    Wu Chen largou os talheres, pegou o aparelho, olhou a tela e atendeu:

    — Atai.

    — Cunhado, o Ding Ruilong foi embora. Acabou de embarcar — disse Li Ruotai, logo de cara.

    — Hum… — Wu Chen soltou um som pelo nariz e perguntou: — E a conversa, como ficou?

    Desde que se ferira na noite do dia 23, Ding Ruilong continuara internado. Sun Yongzhang deixara Donghai no dia 24 e, depois disso… sem Sun Yongzhang para contrabalançar, Li Ruotai ia ao hospital com ou sem motivo para xingar Ding Ruilong, de dedo na cara!

    Ding Ruilong, naturalmente, continuava mandando investigar o incêndio no Clube Huangguan, mas, fora chegar a Jiang Chuan, não encontrava mais nada!

    Na noite anterior, a família Ding mandara alguém a Donghai: o tio de Ding Ruilong, marido da tia dele, chamado Tan Qinwu.

    Naqueles dias, Ding Ruilong estivera praticamente retido em Donghai por Li Ruotai. Tinha um monte de guarda-costas em volta, mas, se quisesse deixar Donghai sem a permissão de Li Ruotai, era impossível! Nem ao aeroporto conseguiria chegar!

    A família Ding mandara alguém justamente para levá-lo de volta!

    Primeiro tirariam Ding Ruilong dali. Quanto à apuração da verdade, à explicação devida e a uma eventual indenização, as famílias Ding e Li podiam negociar depois! Nisso, a família Ding certamente não ia dar calote. Não ia destruir a parceria com a família Li por uma coisa dessas!

    Se não conseguisse explicar, teria de pagar!

    Na tarde de anteontem, quando Wu Chen fora ao Clube Huangguan encontrar Li Ruotai e Zhao Guaizi, tinha conversado a sós com Li Ruotai sobre isso.

    Seguindo a orientação de Wu Chen, Li Ruotai exigiria da família Ding no mínimo um bilhão!

    Wu Chen conversou com Li Ruotai uns dois minutos e desligou.

    Li Ruotai só tinha ligado para lhe dar um retorno.

    Wu Chen continuou tomando o café.

    Uns dez minutos depois.

    Bzz-plim…

    O celular de Wu Chen vibrou. Chegara uma mensagem.

    Ele pegou o aparelho e viu que era de Li Ruobing: “Bom dia! Meu querido senhor Wu!”

    Wu Chen digitou: “Um dia de folga, raridade. E no fim de semana você acorda tão cedo?”

    Li Ruobing respondeu rapidinho: “Também não tem ninguém pra me fazer companhia, né. Dormir cedo e acordar cedo faz bem pra saúde! Querido, onde você passou a noite?”

    Wu Chen respondeu só com uma palavra: “Hotel.”

    Esperou um minuto, mas Li Ruobing não respondeu mais. Wu Chen também não mandou mais nada. Largou o celular e continuou comendo!

    Clique!

    A porta do quarto principal se abriu.

    Wu Chen virou a cabeça. Era An Menglan. Não tinha se lavado nem se arrumado; vestia só uma camisola bem comportada, de chinelos, com o cabelo meio bagunçado e um ar abatido.

    O abatimento vinha de ter bebido demais na véspera. Mesmo acordada, ainda não tinha se recuperado e continuava com um pouco de dor de cabeça.

    Não ter se lavado nem se arrumado… era, naturalmente, por falta de ânimo!

    Naquele momento, An Menglan só conseguia pensar no que afinal tinha feito com Wu Chen na noite anterior. Estava meio em pânico! Tinha feito aquela aposta com Li Ruobing. Se fosse mesmo “aquilo”, ela não teria perdido rápido demais?

    — Bom dia, senhorita An — cumprimentou Wu Chen, sorrindo, virando-se para ela. Então indicou a comida. — Chegou na hora certa. Vai tomar café? Trouxeram faz pouco tempo.

    Com uma cara nada boa, An Menglan foi até o sofá.

    Olhou o café da manhã sobre a mesa, meio aérea, depois lançou um olhar a Wu Chen e, sem dizer nada, sentou-se numa poltrona. Por reflexo, ergueu a mão e tocou nos talheres ao lado do prato. E voltou a olhar para Wu Chen.

    Estava completamente estranha!

    — Senhorita An, o que foi? — perguntou Wu Chen, sorrindo, num tom intrigado.

    — Senhor Wu… a gente… ontem você… eu… — An Menglan começou, querendo perguntar alguma coisa, mas parou no meio.

    — O quê? — perguntou Wu Chen de novo.

    Foi nesse momento.

    Ding-dong! Ding-dong!

    A campainha! Cortou de uma vez os pensamentos de An Menglan.

    Ela virou a cabeça para a entrada e perguntou:

    — Quem é?

    — Serviço de quarto! Pode abrir a porta, por favor? — responderam do lado de fora.

    — Já vou.

    An Menglan se levantou e foi até a porta.

    Wu Chen a acompanhou com os olhos, mas logo franziu de leve a testa. Sentiu que havia alguma coisa errada! Serviço de quarto… os funcionários do hotel tinham cartão-mestre e, com autorização, podiam abrir a porta sozinhos. Não precisavam que o hóspede viesse abrir.

    E, mesmo que estivessem com as mãos ocupadas, Wu Chen não tinha pedido mais nenhum serviço de quarto! Então, àquela hora…

    Enquanto Wu Chen pensava, An Menglan já tinha chegado à entrada e aberto a porta.

    No instante em que a porta se abriu, uma coisa parecida com um cano de canhão quase foi enfiada direto na cara dela.

    Clique!

    Clique!

    Flash! Fotos em sequência!

    Várias lentes, umas apontadas para An Menglan, outras para dentro do quarto, fotografando Wu Chen!

    Eram paparazzi!

    Nota