Novels chinesas em português
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    Capítulo 365 — Cadê a roupa? Cadê a minha roupa?

    O quarto da suíte presidencial era, para dizer o mínimo, enorme. A decoração e os móveis exibiam requinte e luxo em cada detalhe.

    No encosto da cadeira diante da penteadeira ainda estava jogado o pijama de An Menglan. Ela já tinha passado a noite anterior ali, por isso havia alguns sinais de uso pelo quarto.

    Com An Menglan nos braços, Wu Chen chegou até a cama e a deitou com cuidado. Bêbada e mergulhada num sono pesado, ela continuou sem acordar… Naquele estado, provavelmente nem um tapa de Wu Chen a acordaria. O álcool era poderoso; só quando a bebedeira passasse.

    Wu Chen ergueu o pulso e olhou de novo o relógio.

    Já passava das dez da noite.

    Ele se inclinou, ajeitou An Menglan mais para o meio da cama e puxou um pouco a coberta sobre ela. Então parou. Pensou um instante, endireitou-se e tirou o celular do bolso. Parou de novo e voltou a pensar!

    Claro que não estava pensando se devia ou não fazer alguma coisa com An Menglan! Wu Chen não era nenhum canalha. Uma coisa dessas tinha de ser de comum acordo! Jamais faria uma coisa dessas com uma mulher bêbada e inconsciente!

    E mais!

    Mesmo levando a hipótese ao extremo.

    Na verdade, Wu Chen nunca tinha pensado em ter nada com An Menglan naquele dia. Mesmo que ela estivesse acordada, se ele quisesse, tudo o que acontecera naquele dia teria tomado outro rumo. Ele poderia ter usado outro método para fazer An Menglan tomar a iniciativa!

    Mas, se fizesse isso, os dois não teriam futuro nenhum!

    O temperamento de An Menglan era diferente do das outras mulheres. Li Ruobing já tinha até mandado matar gente, mas, para An Menglan, algo assim era inimaginável!

    Ela tinha seus próprios limites morais!

    E sabia que Wu Chen tinha namorada!

    Por isso, se alguma coisa acontecesse de fato entre os dois naquele dia, depois ela provavelmente escolheria fugir. Saberia que tinha errado, e a culpa a faria se afastar de Wu Chen o máximo possível!

    Então, o que Wu Chen estava pensando, na verdade, era… que dormir de roupa daquele jeito seria desconfortável para An Menglan, e ainda ia amassar tudo.

    Chegou a considerar ligar para Liu Jing, a assistente dela, mas desistiu.

    Naquele momento, ele não deveria saber o número de Liu Jing, embora soubesse.

    Wu Chen se virou e saiu do quarto.

    Depois, deixou a suíte presidencial.

    O corredor estava muito iluminado, reluzindo de ouro, mas vazio. Àquela hora, naturalmente, não haveria ninguém!

    Wu Chen foi direto à porta em frente… O quarto diante da suíte presidencial não era outra suíte presidencial, e sim uma suíte executiva, relativamente mais simples. Tinha a ver com a orientação da sala: naquele hotel de quinze andares, só os quartos voltados para o sul eram suítes presidenciais, porque era do sul que vinha o sol.

    Chegou à porta da suíte executiva e bateu.

    Toc, toc!

    Logo alguém veio abrir. Era o guarda-costas A-Li!

    — Senhor Wu? — A-Li olhou para ele, um pouco surpreso, sem entender por que Wu Chen tinha batido.

    — Tô procurando a assistente Liu — disse Wu Chen, sorrindo.

    — Senhor Wu? — A voz de Liu Jing veio na hora lá de dentro. Ela também estava na sala da suíte executiva e tinha ouvido.

    Guarda-costas e assistente estavam todos hospedados ali.

    Claro que em quartos separados. A suíte executiva tinha dois quartos.

    — Senhor Wu, aconteceu alguma coisa? — Liu Jing veio até a porta. A-Li continuava de terno impecável, mas Liu Jing já tinha trocado de roupa: vestia um pijama comprido de algodão, bem comportado.

    Afinal, ela e A-Li não eram um casal.

    — Pode vir um instante? A senhorita An… — disse Wu Chen, sorrindo, indicando com um gesto a suíte atrás dele.

    Um minuto depois.

    Wu Chen voltou ao quarto de An Menglan, e Liu Jing veio junto, de pijama e chinelos. Wu Chen parou à porta, apontou para An Menglan e disse:

    — Ela bebeu demais. Pra mim, não fica muito bem…

    Não terminou a frase, mas o recado estava perfeitamente dado. E acrescentou:

    — Vou ter que te incomodar, assistente Liu.

    — Ah… — Liu Jing se surpreendeu e logo abriu um sorriso. — Incômodo nenhum, ela é minha chefe. Obrigada, senhor Wu…

    — Então vou descansar. Deixo ela com você — disse Wu Chen, sorrindo.

    — Boa noite, senhor Wu — respondeu Liu Jing, também sorrindo.

    Wu Chen se virou, atravessou a sala e foi para o quarto do outro lado.

    A suíte presidencial, naturalmente, não tinha só um quarto. Já era tarde, e Wu Chen tinha bebido muito; não havia por que voltar para casa!

    Liu Jing ficou acompanhando Wu Chen com os olhos enquanto ele se afastava, e a expressão dela mudou um pouco.

    Na verdade, ela não gostava muito de Wu Chen. Não fazia ideia de que feitiço ele tinha jogado na chefe, An Menglan, para fazê-la assinar um contrato de participação nos lucros tão absurdo!

    Mas agora a impressão que tinha dele melhorara bastante!

    Bem cavalheiro!

    E bem atencioso!

    Pensou um pouco, ouviu a porta do outro quarto se fechar e deixou aqueles pensamentos de lado. Primeiro fechou a porta do quarto, depois foi até An Menglan e começou a tirar a roupa dela. Liu Jing sabia que a chefe tinha o hábito de dormir sem roupa, por isso não deixou nenhuma peça.

    Depois ajeitou o travesseiro, puxou a coberta e mexeu várias vezes até ter certeza de que An Menglan dormiria confortável e não acordaria com torcicolo… Durante todo o processo, An Menglan não acordou nem deu o menor sinal de que fosse acordar.

    Liu Jing sabia que, embora a chefe gostasse de beber, aguentava muito e quase nunca ficava bêbada!

    E ninguém conseguia fazê-la beber à força!

    Então… o quanto ela devia ter ficado feliz naquele dia para beber tanto?

    Por fim, Liu Jing ajeitou bem a coberta em volta de An Menglan, ligou o ar-condicionado, regulou a temperatura e jogou toda a roupa que tirara no cesto de roupa suja. Só depois de deixar tudo em ordem foi embora.

    Ao mesmo tempo.

    No outro quarto, um pouco menor, da suíte presidencial.

    Wu Chen já estava se lavando. Todos os quartos da suíte tinham banheiro próprio, com produtos de higiene à disposição. Muito prático.

    Depois do banho, Wu Chen foi descansar.

    ——

    26 de julho de 2020.

    Um novo dia!

    Sete horas em ponto da manhã.

    Wu Chen abriu os olhos pontualmente e sorriu para o teto do hotel. O tempo continuava avançando normalmente. Para quem tinha ficado preso no mesmo dia durante mil anos, uma vida que não se repetia era a coisa mais bonita do mundo!

    Também não tinha dormido tão tarde na véspera. Mesmo tendo bebido muito, depois de uma noite de descanso estava muito bem-disposto!

    Não havia necessidade de voltar a dormir.

    Levantou-se, lavou-se e se vestiu.

    Por volta das sete e quinze, Wu Chen saiu do quarto. Não havia ninguém na sala, e a porta do quarto em frente continuava fechada. Naturalmente, An Menglan ainda não tinha se levantado. Aguentava bem a bebida, mas não dava para se comparar com Wu Chen.

    Wu Chen sentou-se no sofá da sala e mexeu um pouco no celular. Depois pegou o telefone fixo sobre a mesinha lateral e usou a discagem rápida para chamar o serviço de quarto!

    — Pode mandar o café da manhã. O menu Wellington, com o bife ao ponto para bem-passado — disse Wu Chen assim que atenderam.

    — Senhor, quantas porções? — perguntou do outro lado uma voz feminina muito agradável.

    — Hum… duas — respondeu Wu Chen, depois de pensar um pouco.

    — O bife Wellington demora um pouco mais para ficar pronto. O senhor se importa? Se preferir, pode trocar por outro…

    — Não tem problema — disse Wu Chen, sorrindo.

    Estava mesmo com um pouco de fome.

    Na véspera tinha bebido muito, mas quase não comera.

    O plano era tomar o café da manhã e, se An Menglan ainda não tivesse acordado e não houvesse mais nada a fazer, ir embora primeiro!

    Feito o pedido, Wu Chen pegou o controle remoto e ligou a televisão da sala.

    Foi ver o noticiário da manhã!

    Sem que percebesse, deram oito horas.

    No quarto principal da suíte.

    Trim, trim…

    O toque de um celular veio da bolsa sobre o armário. An Menglan acordou num sobressalto. Virou-se, ainda sonolenta, tateou às cegas, puxou a bolsa, abriu-a com a familiaridade de sempre, tirou o celular e olhou a tela.

    Era Song Xuan.

    An Menglan atendeu.

    — Alô, senhorita Song… cof. — Ao falar, limpou a garganta.

    — Senhorita An, você tá no hotel? — perguntou Song Xuan, com a voz doce.

    — Tô. Já ia levantar — respondeu An Menglan, olhando de relance o despertador sobre o criado-mudo.

    — Então posso ir aí te ver? — perguntou Song Xuan.

    — Hum, pode.

    — Então tá. A gente conversa quando eu chegar. Tchau.

    — Tchau.

    Depois de desligar, An Menglan largou o celular de lado e se sentou. Ainda estava meio zonza e chegou a passar a mão pelos cabelos.

    Tinha a sensação de ter esquecido alguma coisa. Pensou e só então lembrou: na noite anterior, com Wu Chen, tinha bebido, cantado e depois… muita coisa tinha sumido. Ainda lembrava vagamente de ter beijado Wu Chen, mas não lembrava como tinha voltado para o quarto nem quando tinha ido dormir.

    Quanto mais pensava, mais estranha ficava a cara dela.

    Pareceu se dar conta de alguma coisa. Baixou os olhos para si mesma e, logo em seguida, ergueu a coberta para olhar por baixo.

    Ficou lívida.

    Cadê a roupa?

    Cadê a minha roupa?

    Quem tirou a minha roupa?

    Nota