Novels chinesas em português
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    Capítulo 363 — Muito de repente!

    Dá pra não voltar?

    A frase de An Menglan tinha, evidentemente, algo de problemático, de
    ambíguo. A expressão de Wu Chen ficou sutil por um instante, e ele
    respondeu, sorrindo:

    — Hoje à noite… por enquanto não tenho nada planejado. Não voltar também
    não tem problema.

    — A senhorita Li não vai te procurar? — perguntou An Menglan, com a voz
    muito suave, girando a taça de vinho sem perceber. Meio bêbada, até o
    jeito de falar dela ganhava um charme especial!

    Sob a luz da sala, as bochechas avermelhadas pelo álcool ganhavam um
    brilho suave. Quem olhasse não deixaria de pensar: porra, isso é que é
    mulher!

    — Deve procurar. É só avisar — respondeu Wu Chen, sorrindo.

    — Parece que eu tinha mesmo entendido tudo errado — disse An Menglan,
    também sorrindo, com a voz magnética, cheia de feminilidade. — A
    senhorita Li parece ser muito… tolerante com o senhor.

    — Também não dá pra chamar de tolerância — disse Wu Chen, sorrindo.

    An Menglan sorriu e não continuou o assunto. Por mais curiosa que
    estivesse sobre Wu Chen, não queria bisbilhotar a vida amorosa dele; por
    instinto, queria manter certa distância disso!

    Mesmo de consciência tranquila!

    Mas agora já não podia negar: Wu Chen exercia atração sobre ela!

    Aquele talento musical assombroso!

    E não só isso!

    An Menglan também dificilmente encontraria outra pessoa tão em sintonia
    com ela quanto Wu Chen! Tinham uma linguagem comum na música, um assunto
    que não acabava nunca! E ele não “cedia” a ela por causa da posição que
    ela tinha. Agia como achava que devia agir! Era isso que deixava An
    Menglan mais à vontade!

    — E a senhorita An, o que vai fazer hoje à noite? — devolveu Wu Chen.

    — Acho que nada — disse An Menglan, sorrindo. — Só queria conversar mais
    sobre música com o senhor. Se não for incômodo, queria… que o senhor me
    ajudasse a me familiarizar com aquelas músicas. Se eu cantar alguma
    coisa errado, quero que me corrija!

    Quando o assunto era música, An Menglan já conseguia se colocar numa
    posição mais humilde diante de Wu Chen!

    Já tinha aceitado que não fazia sentido se comparar a um gênio sem igual
    como ele!

    — Corrigir é exagero — disse Wu Chen, sorrindo. — Só acho que, como fui
    eu que escrevi as músicas, elas precisam ser cantadas do jeito que eu
    imaginei pra render o máximo!

    An Menglan sorriu. Depois de uma pausa, ergueu a taça para ele.

    Wu Chen também ergueu a sua.

    Os dois brindaram de leve e tomaram mais um gole de vinho.

    Ao pousar a taça, An Menglan pegou a garrafa ao lado e se serviu de
    novo, perguntando com um sorriso:

    — Senhor Wu, parece que você entende de tudo… de tudo o que tem a ver
    com música, quero dizer.

    — Mais ou menos — respondeu Wu Chen, sorrindo.

    — Então… posso perguntar quantos instrumentos você toca?

    — Nunca contei — disse Wu Chen.

    — Nunca contou? — An Menglan ergueu uma sobrancelha, com um sorriso meio
    surpreso. — Então são muitos?

    — Bastante — Wu Chen assentiu.

    Beberam.

    Conversaram!

    Sem que percebessem.

    O almoço de Wu Chen e An Menglan, que começara pouco depois das três da
    tarde, foi até depois das cinco. Mais de duas horas. Na verdade, nem
    comeram muito; passaram quase o tempo todo conversando e bebendo!

    An Menglan aguentava muito mesmo!

    Os dois beberam seis garrafas de vinho tinto ao todo! Três para cada um.
    Em teor alcoólico, três garrafas de vinho equivaliam a no mínimo mais de
    dez garrafas de cerveja, das grandes!

    An Menglan estava bêbada!

    Wu Chen também estava um pouco!

    Mas! Os dois estavam só meio bêbados!

    Ainda não tinham chegado ao ponto de cambalear. Quando An Menglan bebia
    demais, o álcool “subia para o rosto”: ela ficava bem vermelha. Fora
    isso, nada grave!

    Por volta das cinco e meia, a refeição finalmente terminou.

    Hora de subir!

    Os dois se levantaram. An Menglan pegou a bolsa e, conversando com Wu
    Chen, já ia saindo.

    — Senhorita An, os óculos — lembrou Wu Chen.

    Só então An Menglan se deu conta. Pegou os óculos escuros que deixara
    largados na mesa e os pôs. Ia saindo direto de novo, e Wu Chen teve de
    lembrá-la outra vez:

    — E a máscara!

    Ela tinha bebido mesmo um pouco demais e começava, sem perceber, a
    esquecer esses pequenos detalhes.

    — Obrigada, senhor Wu — disse An Menglan, rindo daquele jeito de bêbada,
    e tirou a máscara do bolso e a pôs.

    Quem bebe demais costuma se embananar nas palavras e ficar agitado… An
    Menglan até que estava bem.

    Só parecia um pouquinho esquisita.

    Poucos minutos depois.

    Wu Chen e An Menglan pegaram o elevador de volta ao décimo quinto andar
    e entraram de novo na suíte presidencial dela!

    Assim que entrou, An Menglan chutou longe os saltos e foi entrando
    descalça. Tirou os óculos escuros e a máscara, largou-os na mesa de
    centro, jogou-se no sofá, recostou-se e pegou o celular.

    Ligou para a assistente, Liu Jing. Do assunto sério, ela não tinha se
    esquecido!

    Mais alguns minutos e Liu Jing chegou à suíte com duas vias grossas do
    contrato. Era óbvio que não tinha digitado tudo aquilo sozinha. Entrara
    em contato com o departamento jurídico da empresa em Modu, que tinha
    modelos prontos; com base nas informações que ela passou, eles
    preencheram tudo, mandaram o arquivo eletrônico e ela imprimiu!

    Mais de duas horas bastavam para deixar tudo pronto!

    Wu Chen e An Menglan assinaram o contrato!

    Depois de assinar, An Menglan fez um gesto com a mão, indicando que Liu
    Jing podia ir descansar no quarto ao lado!

    E então abriu mais vinho.

    A suíte presidencial tinha uma adega climatizada, com vinhos tintos de
    várias safras e tipos, além de uísque, conhaque e outras bebidas. Os
    hóspedes podiam beber à vontade, só tinham de pagar à parte no
    check-out.

    An Menglan estava muito feliz naquele dia!

    A noite foi caindo.

    Pouco depois das sete, na sala de piano.

    Numa pequena plataforma num canto do piano havia uma garrafa de vinho
    aberta e a taça de Wu Chen, pela metade. An Menglan estava em pé ao
    lado, de taça na mão, cantando a plenos pulmões!

    Wu Chen tocava piano: a melodia de Qiaoxiang!

    A noite avançava!

    A suíte presidencial seguia tomada pela música!

    Wu Chen escrevera primeiro Qiaoxiang para An Menglan e, depois, as sete
    músicas do álbum! Oito ao todo! Passar uma vez pelas oito já levava mais
    de meia hora.

    An Menglan cantava sem parar, praticava sem parar!

    O acompanhamento de Wu Chen a fazia mergulhar quase perfeitamente na
    emoção, e, sob o efeito do álcool, ela chegava a render acima do normal!

    Das oito, as três favoritas de An Menglan eram Qiaoxiang, Nüwang e
    Zuihou de Pianzhang, e por isso eram também as que ela mais cantava!

    Mas, quando já passava das nove da noite, os dois estavam cansados e aos
    poucos foram levando aquilo mais como brincadeira!

    Cantar tanto tempo seguido também era demais até para a garganta de An
    Menglan.

    Então começaram a tocar juntos!

    Wu Chen no piano, An Menglan no violino, tocando Nüwang! Em melodia, era
    a mais impactante de todas! E tanto o violino quanto o piano combinavam
    muito com blues!

    Depois de tocarem juntos várias vezes seguidas, porém, An Menglan, já
    bem bêbada, fez uma cara de total insatisfação.

    — Eu sou muito ruim — disse, olhando para Wu Chen. — O senhor toca muito
    melhor!

    — Ruim você não é — disse Wu Chen, sorrindo.

    — O senhor é sempre tão modesto — respondeu An Menglan, com um sorriso
    bêbado.

    Deixou o violino de lado, foi até Wu Chen e se sentou direto ao lado
    dele… O banco era comprido, então cabiam os dois.

    Mas An Menglan se sentar ali sem nem avisar só podia querer dizer uma
    coisa… ela tinha bebido demais!

    — Piano a quatro mãos? — perguntou An Menglan, colada nele, virando a
    cabeça.

    — Vamos! — Wu Chen assentiu e chegou um pouco para o lado.

    Começaram a tocar a quatro mãos!

    Nüwang, de novo!

    Mas An Menglan só conseguiu acompanhar Wu Chen no começo. Depois, não
    saía mais nada. Bêbada, sem olhar a partitura, não tocava direito;
    também não tinha decorado tudo, e Wu Chen tocava bem demais, ela não
    conseguia acompanhar!

    Wu Chen tocou sozinho por um trecho!

    An Menglan virou a cabeça e, com um sorriso bêbado, ficou admirando
    aquele homem jovem e excepcional!

    Aquele homem de talento transbordante!

    Aquele homem de técnica sobrenatural!

    Aquele homem que sempre deixava todo mundo de queixo caído!

    An Menglan ficou olhando para ele, olhando…

    Wu Chen tocou um pouco e parou, porque An Menglan não tinha acompanhado.

    Tirou as mãos do teclado, virou-se para ela e sorriu:

    — Senhorita An?

    — Senhor Wu — respondeu An Menglan, chamando-o também.

    Os olhares se encontraram.

    — Hum? — Wu Chen soltou, sorrindo, um som interrogativo.

    De repente, An Menglan se inclinou para a frente, segurou o rosto dele
    com as duas mãos e o beijou!

    Muito de repente!

    Nota