Novels chinesas em português
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    Capítulo 346 — É só uma pequena lembrança!

    — Hoje à noite pode — assentiu Wu Chen.

    — Então o restaurante… deixa comigo — emendou Song Xuan na hora, ao ver que ele tinha aceitado.

    — Fechado — disse Wu Chen, ainda sorrindo.

    — Veterano, eu acho mesmo que, com o seu talento, se você estrear, vai estourar, muito mais do que eu. Se você tiver alguma preocupação, pode me contar. Eu posso ajudar, e a senhorita An também!

    Song Xuan voltou ao assunto, tentando convencê-lo a estrear. Falava devagar; estava claro que havia coisas que não podia dizer com todas as letras e que precisava falar por meias palavras!

    — Eu não tenho preocupação nenhuma, sério — disse Wu Chen, sorrindo. Então olhou para An Menglan. — Senhorita An, eu já disse que não vou estrear. Mas… em criação musical, acho que tem muito espaço pra gente trabalhar junto. Só que eu cobro caro, então espero que a senhorita An esteja preparada.

    — Dinheiro não é problema. Também tenho muito interesse em trabalhar com o senhor Wu — respondeu An Menglan, sem dar a menor importância. Logo mudou o tom: — Mas continuo achando que, com a sua visão musical e a sua voz, não subir ao palco é um desperdício enorme…

    — É, é! — concordou Song Xuan na hora.

    Song Xuan era muito boa pessoa. Queria, do fundo do coração, que Wu Chen se realizasse na música, em vez de viver preso a alguém, sem vida própria, desperdiçando o talento!

    Tinha boas intenções, e nem dava para dizer que estivesse fazendo algo errado. Só tinha entendido umas coisas ao contrário.

    Nos dez minutos seguintes, An Menglan e Wu Chen falaram basicamente da estreia dele.

    Ela chegou a pôr as cartas na mesa e o convidou com toda a insistência para entrar na sua empresa! Prometeu condições que nem muitos cantores famosos do seu elenco tinham!

    Song Xuan continuou insistindo junto.

    Mas Wu Chen não cedeu.

    Estrear, nem pensar. Na cabeça de Wu Chen, já que An Menglan o procurara por conta própria, com certeza os dois teriam uma colaboração profunda, mas isso não incluía ele próprio estrear!

    Trim, trim…

    O toque de um celular interrompeu a conversa.

    Era o de Wu Chen!

    Ele tirou o aparelho e olhou. Era Li Ruotai. Atendeu:

    — Alô, Atai.

    — Cunhado, você tem um tempinho? — perguntou Li Ruotai.

    — Tempo… o que foi? — Wu Chen lançou um olhar a An Menglan e, em vez de responder, devolveu a pergunta.

    — É o seguinte, o Guaizi tá aqui comigo agora…

    Song Xuan e An Menglan o observaram ao telefone. No fim, ele passou um bom tempo só ouvindo antes de desligar.

    — Que tal a gente parar por aqui? Tenho uma coisa pra resolver. Conversamos no jantar — disse Wu Chen às duas, sorrindo, ao baixar o celular.

    — Tudo bem! Pode ir cuidar das suas coisas, senhor Wu — respondeu An Menglan, sem rodeios, já se levantando.

    Wu Chen também se levantou, e os dois apertaram as mãos.

    — Veterano, quando eu reservar o restaurante, mando o endereço pro seu celular — disse Song Xuan, levantando-se também, toda doce.

    Wu Chen fez para ela um sinal de “OK”!

    E foi embora!

    Depois que ele saiu, Song Xuan e An Menglan ficaram. Continuaram tomando café e conversando.

    — Senhorita An, o que a senhora achou do meu veterano…? — perguntou Song Xuan.

    Era o primeiro encontro dos dois e, naturalmente, ela torcia para que An Menglan tivesse gostado dele.

    — Uma pessoa muito interessante. — An Menglan pensou um pouco e sorriu, olhando para a porta por onde Wu Chen tinha saído. Depois virou-se para Song Xuan. — Ele é muito diferente!

    — É, o veterano é muito diferente mesmo — concordou Song Xuan, assentindo.

    — Ele sempre foi assim? — An Menglan voltou a perguntar. — Quer dizer, ele sempre trata as pessoas desse jeito? Tão natural, sempre sorrindo, sem arrogância, sem afobação…

    O jeito de Wu Chen tratar as pessoas não era comum, e An Menglan tentava descrevê-lo da melhor forma possível.

    Antes que terminasse, Song Xuan já assentia de novo.

    — É, o veterano sempre foi assim. Eu não era próxima dele antes, só vim a conhecer ele melhor agora, mas… ele é assim mesmo. Faz a gente se sentir muito à vontade.

    Song Xuan tinha Wu Chen em altíssima conta!

    E era sincera! Por causa da beleza, da família e da fama da mãe, Song Xuan raramente encontrava rapazes da idade dela capazes de conversar com ela normalmente. Sempre havia algum “problema”.

    Por exemplo, tinha uns que nem conseguiam olhar nos olhos dela enquanto falavam!

    — Faz mesmo a gente se sentir à vontade — concordou An Menglan.

    — Uma pessoa muito singular. Do tipo que vale a pena ter como amigo — acrescentou, depois de pensar um pouco.

    An Menglan falava com sinceridade!

    Wu Chen não tinha feito nada de especial, mas lhe deixara uma impressão excelente!

    E isso tinha a ver com a história de vida de An Menglan!

    An Menglan já nascera “princesa”. Fora os parentes, todo mundo que a encontrava ou a bajulava, ou pisava em ovos. Até os sócios do pai, gente da geração dos mais velhos, a tratavam na base da bajulação, gargalhando enquanto a elogiavam!

    Depois que virou celebridade, então, foi ainda pior!

    Na verdade, An Menglan não gostava muito daquela sensação de ser o centro de todas as atenções! Não era frescura. Sentia de verdade que aquilo tudo era falso demais!

    Ninguém conseguia conversar com ela com naturalidade!

    Às vezes, An Menglan chegava a sentir que não tinha amigos, pelo menos não da idade dela. Todo mundo virava gente falsa por causa de quem ela era!

    Fora a família, An Menglan quase não encontrava ninguém com quem pudesse se abrir. E, mesmo com a família, havia muita coisa de que não podia falar à vontade!

    Por tudo isso, ao conhecer Wu Chen, ficou com uma impressão especialmente boa dele!

    Tinham a música em comum, ele era de um talento transbordante e ainda a tratava como uma pessoa comum, conversando sem reservas. Um amigo assim… era exatamente o que An Menglan sempre sonhara ter!

    — Senhorita An, a senhora acha que… a gente consegue fazer o veterano estrear? — perguntou Song Xuan de novo.

    — Com certeza! — respondeu An Menglan, olhando para ela com absoluta convicção!

    Wu Chen! Ela ia conquistá-lo de qualquer jeito!

    Viesse de onde viesse aquela mulher mais velha, naquela noite An Menglan ia resolver a questão!

    Mais de meia hora depois.

    Clube Huangguan de Donghai, sala de KTV do segundo andar.

    Com um cigarro no canto da boca, Li Ruotai passava instruções em voz baixa a Zhao Guaizi.

    O Clube Huangguan de Donghai estava fechado para adequação. O oitavo, o nono, o décimo e o décimo primeiro andares iam ter de ser reformados por inteiro. Mas, como o fogo não tinha chegado aos andares de baixo, quase nada ali fora danificado, e eles continuavam podendo ser usados normalmente.

    — Meu cunhado deve tá chegando — disse Li Ruotai, olhando de novo o relógio e lançando um olhar atravessado a Zhao Guaizi. — Preciso te ensinar como se comportar daqui a pouco?

    — Pode ficar tranquilo! Eu sei! Eu sei! — Zhao Guaizi concordava sem parar.

    — Senhor Wu.

    — Por aqui, senhor Wu.

    De repente, as vozes respeitosas dos guarda-costas soaram do lado de fora. Logo a porta se abriu, e Wu Chen entrou com uma das mãos no bolso.

    — Cunhado, você chegou — disse Li Ruotai, apagando o cigarro às pressas e se levantando.

    — Senhor Wu. — Zhao Guaizi também se levantou na hora. Como tinha dificuldade para andar, levantou rápido demais, perdeu o equilíbrio e cambaleou.

    — Você queria me ver? — Wu Chen virou-se para Zhao Guaizi e perguntou direto.

    — Senhor Wu, obrigado, muito obrigado! Se não fosse o senhor, esta minha vida velha já tinha ido pro brejo. O senhor me deu uma segunda vida, é como pai e mãe pra mim…

    Zhao Guaizi se emocionou logo na primeira frase e foi se exaltando cada vez mais. Entrou de cabeça no papel!

    — O Jovem Mestre Li já me contou tudo. Foi graças ao senhor! Eu só queria agradecer pessoalmente. A vida e tudo o que a minha família tem, foi o senhor que salvou… Senhor Wu, eu vou me ajoelhar. Deixa eu bater a cabeça no chão pro senhor!

    Até Li Ruotai ficou surpreso. Nem ele imaginava que Zhao Guaizi fosse tão longe. Agarrar-se à perna do cunhado daquele jeito, sem vergonha nenhuma, bem na frente dele, era jogada calculada demais!

    Zhao Guaizi ia se ajoelhar de verdade, mas Wu Chen estendeu a mão e o segurou pelo cotovelo.

    — Você é do Atai, então é dos nossos. Não precisa disso.

    Dito isso, Wu Chen soltou o braço dele, ajeitou o paletó e se virou para sentar no sofá.

    — É, é, é, somos dos nossos.

    Zhao Guaizi continuou em pé ao lado, sem se sentar, concordando depressa. Tirou do bolso um cartão bancário, pôs na mesa e o empurrou na direção de Wu Chen.

    — Senhor Wu, mesmo sendo dos nossos, o senhor se deu muito trabalho com isso. É só uma pequena lembrança, nada à altura do que o senhor fez! — disse Zhao Guaizi, com o rosto inteiro num sorriso.

    Dinheiro, direto!

    Wu Chen olhou para ele de canto.

    — Nem é muito, é só uma lembrancinha. O senhor tem que aceitar! — apressou-se Zhao Guaizi, com medo de que Wu Chen recusasse.

    Aquilo, claro, tinha de ser entendido ao contrário: quanto mais ele falava em “pequena lembrança”, maior era o valor do cartão!

    Nota